GOVERNO MUNICIPAL DE VALPARAÍSO REALIZA 51ª REUNIÃO DO GGI-M

Encontro foi realizado nas dependências da Escola de Governo, no bairro Parque Rio Branco Na manhã desta terça-feira (30), foi realizada a quinquagésima primeira (51ª) reunião do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGI-M), que foi realizada nas dependências da Escola de Governo, no bairro Parque Rio Branco. O encontro contou com a presença de representantes das forças de segurança de Valparaíso, CONSEGS, representantes do Governo Municipal, imprensa e da sociedade civil organizada. Foram abordados avanços na segurança pública e ações que precisam ser executadas para fortalecer o setor em Valparaíso de Goiás. Em destaque, a união do grupo que tem feito a diferença e assegurado a sensação de proteção da população. Além disso, o prefeito Pábio Mossoró abordou sobre os investimentos realizados durante a gestão, como a inauguração de escolas, praças públicas, campo sintético, quadras esportivas, centro de artes marciais, dentre outras benfeitorias. “Juntos somos mais fortes e seguiremos trilhando o caminho certo”, disse o chefe do Poder Executivo Municipal. 1/6
AstraZeneca admite efeito colateral raro na vacina da covid-19

Em documento entregue à Justiça britânica, farmacêutica diz que imunizante pode causar coágulos de sangue em casos raros AstraZeneca admitiu, pela 1ª vez diante da Justiça, que a vacina contra a covid-19 pode causar um “efeito colateral raro”. De acordo com o jornal britânico The Telegraph, a empresa é alvo de uma ação coletiva em que 51 famílias pedem uma indenização equivalente a até aproximadamente R$ 700 milhões. O processo foi movido por pessoas que desenvolveram trombose após serem vacinadas na Inglaterra. A farmacêutica reconheceu que a vacina “pode, em casos muito raros, causar síndrome de trombose com trombocitopenia (TTS)”, condição caracterizada pela formação de coágulos que aumentam os riscos de entupimento de vasos sanguíneos. “O mecanismo causal não é conhecido”, afirmou a empresa. “Além disso, a TTS também pode ocorrer na ausência da vacina AZ (ou de qualquer vacina). A causalidade em qualquer caso individual será matéria para prova pericial”, declarou, em uma carta enviada no ano passado ao advogado de um dos requerentes na Inglaterra. A vacina anticovid da AstraZeneca foi desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford. Em comunicado enviado à publicação, a AstraZeneca disse que a maior prioridade é a segurança dos pacientes. “As autoridades reguladoras têm normas claras e rigorosas para garantir a utilização segura de todos os medicamentos, incluindo vacinas”, afirmou ao jornal. No Brasil, a vacina foi produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O Ministério da Saúde disse, em nota emitida em abril de 2023, que “que todas as vacinas ofertadas à população são seguras, eficazes e aprovadas” pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a vacina foi aplicada em cerca de 153 milhões de pessoas.
Família denuncia erro médico em morte de servidora mineira

A mulher teve complicações posteriores à cirurgia estética e morreu ao contrair uma bactéria. Ela trabalhava na Universidade Federal de Minas Gerais A família da servidora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Norma Eduarda da Fonseca, de 59 anos, denuncia o cirurgião plástico Rodrigo Credidio pela morte da familiar, em 17 de abril. A servidora morreu devido a complicações de uma cirurgia de abdominoplastia e outros procedimentos estéticos. Companheiro há mais de 20 anos de Norma e também funcionário da UFMG, o professor José Rachid afirma que os procedimentos começaram em 5 de fevereiro, quando Norma realizou uma série de cirurgias plásticas em um hospital no Bairro Belvedere, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O problema é que alguns dias depois, a servidora pública começou a ter complicações, como inchaço no abdome, diarreia e vômito. “Depois da cirurgia ela ficou comigo por uma semana. Eu viajei e ela ficou com o filho. Ela começou a ter uma diarreia fortíssima e incontrolável. Ela ficou com um dreno, no meio das pernas, para escoar o líquido da cirurgia. A contaminação era óbvia, a diarreia sujava o tubo do dreno”, diz. As complicações não cessaram e Norma foi levada pela irmã para o hospital Madre Teresa, Região Oeste da capital, onde ficou internada até a morte, em 17 de abril, por falência múltipla dos órgãos depois de contrair uma bactéria. “Ela já chegou no hospital com infecção típica hospitalar, não é bactéria comum que fica entre nós”, afirma o professor. O médico Rodrigo Credidio tem mais de 84 mil seguidores no Instagram. Lá, ele dá dicas de alimentação saudável, sinais de que o corpo precisa de cirurgia e até informa o que não fazer no pós-operatório. José conta que o médico começou a visitar Norma no hospital, e disse que a servidora pública não poderia ter usado fralda, mas isso não foi informado antes da cirurgia. “Ele jogava a culpa nela. Ela estava muito indecisa e ansiosa pela cirurgia abdominal. Às vezes ela desistia, mas cada vez que ela conversava com o médico, ela voltava convencida de que nada ia acontecer. Se ele tivesse sido sincero com ela quanto ao perigo, ao risco, muito possivelmente ela não teria feito”, desabafa o professor. José Richard informou que os filhos procuraram a Polícia Civil, com o intuito de investigar um possível erro médico do cirurgião plástico Dr. Rodrigo Credidio. “A PCMG informa que a investigação prossegue com a realização de diligências necessárias à elucidação dos fatos que permeiam a morte da mulher, de 59 anos, após ser submetida a uma cirurgia. Outras informações serão repassadas após o avanço dos trabalhos investigativos”, dizem. O que diz o médico Rodrigo Credidio, em nota, manifestou pêsames pelo falecimento da paciente Sra. Norma Eduarda da Fonseca e prestou solidariedade aos familiares e amigos. “Em razão do Código de Ética Médica, que estabelece a obrigação de preservar o sigilo de prontuário da paciente, não posso entrar em detalhes sobre o caso clínico. No entanto, esclareço que as razões que a levaram a um grave quadro de infecção e, consequentemente, a óbito não têm relação com o procedimento realizado há mais de 60 dias, que ocorreu sem nenhum tipo de intercorrência. Ressalto que acompanhei pessoalmente a paciente em sua entrada no hospital, em razão de ter contraído uma virose. Nessa ocasião, conforme comprovado mediante exames de sangue, não constava nenhum sinal da presença de bactéria multirresistente. A confirmação só ocorreu, nessa mesma unidade de saúde, um mês após a realização do procedimento conduzido por mim, o que confirma a impossibilidade de ligação entre os eventos. Estão sendo divulgadas inverdades a respeito dos procedimentos cirúrgicos que realizei. Em face disso, eu e minha família estamos sofrendo ataques e ameaças de morte de forma desumana, por suposições de erros que jamais cometi. É preciso ter responsabilidade e apuração antes da divulgação de informações que são completamente inverídicas e que estão documentadas no prontuário médico de cada paciente. Reitero que não existe nenhum exame ou indício que aponte para má conduta relacionada ao procedimento, sendo que toda a documentação se encontra disponível para acesso de familiares e autoridades competentes. Estou à disposição para esclarecimento de eventuais dúvidas”, afirma. Casos recorrentes O Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) informou que existem dois processos judiciais contra o cirurgião por erro médico. Em um deles, a vítima pede uma indenização moral, material e estética no valor de R$ 47,5 mil, por erro de uma cirurgia nos seios. A Prefeitura de Belo Horizonte relata que a clínica não possui nenhuma denúncia registrada e está em processo de renovação de Alvará Sanitário, o que não impede o funcionamento do local. “Na última visita realizada pela Vigilância Sanitária foram encontradas irregularidades no processo de esterilização e o estabelecimento foi multado em R$ 9.979,53”, diz. UFMG lamenta morte A UFMG lamentou a morte da servidora Norma Eduarda da Fonseca em publicação. A universidade informou que Norma atuava na secretaria administrativa da Pró-reitoria de Planejamento e Desenvolvimento (Proplan) da UFMG desde 2015. “A Norma era uma funcionária tecnicamente admirável, que me deu segurança em todos os passos que tive que tomar. Mas, acima de tudo, era uma pessoa maravilhosa, agregadora, alegre e que constantemente estava procurando resolver qualquer problema que pudesse tirar a harmonia do nosso ambiente de trabalho. Vai fazer muita falta”, lamentou o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento da UFMG, Maurício Freire. Wellington Barbosa* – Estado de Minas
CAMPEONATO MUNICIPAL DE ARTES MARCIAIS TEM SUA ABERTURA OFICIAL NESTE FIM DE SEMANA

O espaço, inaugurado neste mês de abril, foi preparado para atender todos os atletas de rendimento que moram no município, treinamentos específicos ou especiais, objetivando competições locais, estaduais, nacionais e internacionais. O Campeonato Municipal de Artes Marciais (CAMAM), o principal evento do gênero na região, teve a sua abertura oficial na manhã deste domingo (28) no novo galpão de artes marciais de Valparaíso de Goiás, o Centro de Treinamento Luís Henrique Barcellos Hogem – Sensei Gaúcho. O espaço, inaugurado neste mês de abril, foi preparado para atender todos os atletas de rendimento que moram no município, treinamentos específicos ou especiais, objetivando competições locais, estaduais, nacionais e internacionais. O CAMAM é uma realização da Secretaria Municipal de Cultura de Esporte (SMCE), que busca incentivar a cultura das artes marciais, que envolvem o Kickboxing, Jiu-Jitsu, Taekwondo, Karatê, Capoeira, Boxe e Judô. O campeonato é aberto a todos os interessados, desde iniciantes até profissionais. Você pode escolher uma área e participar gratuitamente. Para obter mais informações, entre em contato pelo e-mail: artesmarciaisval@gmail.com ou pelo telefone: (61) 98479-0762. Neste fim de semana, participaram da abertura da competição, o prefeito Pábio Mossoró, o secretário de Cultura e Esporte, Jorge Recife, outras autoridades e atletas e acompanhantes de Valparaíso e diversas regiões. “A nossa gestão tem trabalhado em todas as áreas, e neste setor do esporte, recuperamos e investimos pesado para que crianças, jovens, adultos e idosos possam conquistar tudo o que desejarem. O esporte de artes marciais é dança, luta, expressão brasileira e com certeza uma riqueza do nosso Brasil”, disse o prefeito Pábio Mossoró. 1/7
PLATAFORMA DE CURSOS DA ESCOLA DE GOVERNO CONTA COM NOVO FORMATO

Com uma ampla variedade de cursos disponíveis para toda a população de Valparaíso, cobrindo temas relevantes para o serviço público e o desenvolvimento pessoal, a plataforma EAD é a chave para o crescimento profissional e pessoal. O site oficial da Escola de Governo de Valparaíso de Goiás está de cara nova e totalmente repaginado. Agora, a página conta com maior facilidade de acesso e dinamismo, visando um aprendizado flexível e acessível, projetada para impulsionar sua carreira. Com uma ampla variedade de cursos disponíveis para toda a população de Valparaíso, cobrindo temas relevantes para o serviço público e o desenvolvimento pessoal, a plataforma EAD é a chave para o crescimento profissional e pessoal. Não perca a chance de se capacitar e se destacar em sua carreira. Os interessados em participar dos cursos gratuitos da Escola de Governo devem se inscrever para ter início na sua jornada de aprendizado. O cadastro no novo portal precisa ser feito pelos novatos e também para os antigos estudantes. Acesse o site https://escoladegoverno.valparaisodegoias.go.gov.br/ e confira a novidade. Lá o aluno pode conhecer todos os cursos oferecidos. A Escola de Governo conta com ação integrada da Secretaria Municipal de Finanças e Planejamento e da Chefia de Gabinete da Prefeitura Municipal de Valparaíso de Goiás. SECOM/PMVG
Justiça aceita pedido de recuperação extrajudicial da Casas Bahia

O Tribunal de Justiça de São Paulo deferiu o pedido de recuperação extrajudicial da Casas Bahia, envolvendo renegociação de dívidas de R$ 4,1 bilhões. O pedido foi protocolado na noite de domingo e já estava pré-acordado com os principais credores, Bradesco e Banco do Brasil, que detém 54,5% dos débitos. Portanto, deve ser aplicado também aos demais credores pulverizados, dentre eles, pessoas físicas. O CEO da Casas Bahia, Renato Franklin, disse que a expectativa é que a homologação do plano aconteça em 37 dias, somando 7 dias de prazo inicial mais 30 dias previstos em lei. Embora esse prazo possa ser renovado por mais 60 dias, a empresa acredita que bastarão os 30 dias, já que o plano foi desenhado junto com os credores. Para aprovação do plano de recuperação extrajudicial é necessário concordância de 50% mais 1. O montante renegociado, que envolve a 6ª, 7ª, 8ª e 9ª séries de debêntures, tinha custo médio de CDI +2,7% e prazo de 22 meses. Agora, o custo está em CDI + 1,2%, em um prazo de 72 meses. Nos cálculos da empresa, o novo perfil da dívida preserva R$ 4,3 bilhões de caixa até 2027, sendo R$ 1,5 bilhão somente em 2024. Como contrapartida, os principais bancos credores ganham o direito de converter 63% dos valores que lhe são devidos em ações da varejista. O acordo inclui uma carência de 24 meses para pagamentos de juros e 30 meses para pagamento de principal. Assim, antes da renegociação, a empresa desembolsaria, até 2027, R$ 4,8 bilhões. Agora, a empresa terá de arcar, no mesmo prazo, apenas com R$ 500 milhões. Casas Bahia tem o escritório Pinheiro Neto como assessor jurídico e a Lazard como assessor financeiro. História de Talita Nascimento e Cynthia Decloedt
A incrível vida dos Bajau, o povo com mutação genética que mora no mar

Conhecidos como “nômades do mar”, os bajaus vivem no mar há séculos e são mergulhadores mais fortes possivelmente graças à seleção natural. Se você segurar a respiração e mergulhar o rosto em uma banheira de água, seu corpo acionará automaticamente o que é chamado de resposta de mergulho. Sua frequência cardíaca diminui, seus vasos sanguíneos se comprimem e seu baço se contrai – reações que ajudam a economizar energia quando se tem pouco oxigênio. A maioria das pessoas consegue prender a respiração debaixo de água por alguns segundos, algumas por alguns minutos. Mas os bajau levam o mergulho livre ao extremo, permanecendo submersos por até 13 minutos a profundidades de cerca de 60 metros. Esses nômades vivem nas águas que cercam as Filipinas, a Malásia e a Indonésia, onde mergulham para pescar ou apanhar elementos naturais usados no artesanato. Agora, um estudo publicado no periódico Cell (em inglês) revela os primeiros indícios de que uma mutação de DNA que aumentou o baço fornece aos bajaus uma vantagem genética para viver nas profundezas. Dependência do baço O baço não consta entre os órgãos mais glamorosos do corpo humano. Você pode tecnicamente viver sem ele, mas enquanto o tem, o órgão ajuda a sustentar o sistema imunológico e a reciclar glóbulos vermelhos. VER GALERIA Trabalhos anteriores mostraram que em focas, mamíferos marinhos que passam grande parte da vida debaixo d’água, os baços são desproporcionalmente grandes. A autora do estudo, Melissa Llardo, do Centro de Geogenética da Universidade de Copenhague, queria ver se a mesma característica era verdadeira para humanos mergulhadores. Durante uma viagem à Tailândia, ela ouviu falar dos “nômades do mar” e ficou impressionada com suas habilidades lendárias. “Eu queria primeiro conhecer a comunidade, e não apenas aparecer com equipamento científico e sair”, diz ela sobre suas viagens iniciais para a Indonésia. “Na segunda visita, trouxe uma máquina de ultrassom portátil e kits de coleta de cuspe. Fomos a casas diferentes e fizemos imagens dos baços deles. MERGULHE COM OS PESCADORES BAJAU NA MALÁSIA Conhecidos como “nômades do mar”, os bajau podem ter evoluído geneticamente para conseguir ficar até 13 minutos embaixo d’água. “Eu tinha um público”, acrescenta ela. “Eles ficaram surpresos que eu tinha ouvido falar deles.” Ela também coletou dados de um outro grupo de pessoas, os saluan, que mora no continente indonésio. Comparando as duas amostras em Copenhague, a equipe descobriu que o tamanho médio do baço de uma pessoa bajau era 50% maior que o mesmo órgão de um indivíduo saluan. “Se há algo acontecendo no nível genético, deveria ser perceptível no tamanho do baço. E lá observamos essa diferença extremamente significativa”, diz ela. Os pesquisadores também se depararam com um gene chamado PDE10A, que supostamente controla um hormônio da tireoide, nos Bajau, mas não nos Saluan. Em camundongos, o hormônio é associado ao tamanho do baço, e os ratos que são manipulados para ter quantidades menores do hormônio têm baços menores. Llardo teoriza que com o tempo, a seleção natural teria ajudado os Bajau, que viveram na região por mil anos, a desenvolver a vantagem genética. Sob pressão Embora o baço possa explicar parcialmente como os bajau mergulham tão bem, outras adaptações podem estar em jogo também, diz Richard Moon, da Escola de Medicina da Universidade de Duke. Moon estuda como o corpo humano responde a grandes altitudes e profundidades extremas. Quando um ser humano mergulha mais fundo na água, o aumento da pressão faz com que os vasos sanguíneos do pulmão se encham de mais sangue. Em casos extremos, os vasos podem se romper, causando a morte. Além das adaptações herdadas geneticamente, o treinamento regular poderia ajudar a evitar esse efeito. “A parede torácica do pulmão pode se tornar mais complacente. Pode haver alguma frouxidão que se desenvolve durante o treinamento. O diafragma poderia ficar esticado. O abdômen pode se tornar mais complacente. Nós realmente não sabemos se essas coisas acontecem ”, diz ele. “O baço é capaz de se contrair até certo ponto, mas não sabemos de nenhuma conexão direta entre a tireóide e o baço. Pode haver.” Cynthia Beall é antropóloga da Universidade Case Western Reserve e estudou pessoas que vivem em altitudes muito grandes, incluindo tibetanos que dizem viver no “teto do mundo”. Ela acha que o estudo de Llardo abre oportunidades interessantes de pesquisa, mas precisa ver evidências biológicas mais mensuráveis antes de se convencer de que uma característica genética está ajudando os bajau a se tornarem melhores mergulhadores. “Você poderia fazer mais medições no baço. Por exemplo, medir força de suas contrações”, diz ela. O que podemos ver no mar? Além de entender como os bajau se tornaram bons mergulhadores, Llardo diz que as descobertas têm implicações médicas. A resposta do mergulho é semelhante a uma condição médica chamada hipóxia aguda, em que os seres humanos experimentam uma rápida perda de oxigênio. A condição causa de morte frequente em salas de emergência. Estudar os bajau poderia efetivamente funcionar como um novo laboratório para entender a hipóxia. HAENYEO: A FORÇA DO MAR: ENTREVISTA COM OS CRIADORES A diretora Lygia Barbosa e o fotógrafo Luciano Candisani falam sobre a experiência de registrar a vida das haenyeos, senhoras que mergulham no mar da ilha de Jeju, na Coreia do Sul, para coletar frutos do mar e sustentar a comunidade. No entanto, o estilo de vida nômade do mar está cada vez mais ameaçado. Eles são considerados grupos marginalizados e não gozam dos mesmos direitos de cidadania que seus colegas do continente. O aumento da pesca industrial também está dificultando a subsistência dos estoques locais. Como resultado, muitos optam por deixar o mar. Sem apoio para o seu estilo de vida milenar, Llardo teme que os bajau e as lições que eles podem nos transmitir sobre a saúde humana podem não durar muito mais tempo. FOTOS DE MATTHIEU PALEY, NATIONAL GEOGRAPHIC
‘Sol artificial’ da Coreia atinge tempo recorde a 100 milhões de graus; entenda para quê

O sol artificial coreano, chamado de KSTAR, bateu seu próprio recorde ao conseguir manter uma temperatura de 100 milhões de graus celsius por 48 segundos durante campanhas realizadas entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024. O Instituto da Coreia de Fusão de Energia (KFE) anunciou o feito este mês. A capacidade de sustentar operações em que o plasma – conhecido como quarto estado da matéria – permanece em temperaturas extremante altas pelo maior tempo possível é essencial para que reações de fusão ocorram de forma ativa. Esse processo faz parte do desenvolvimento de energia por fusão nuclear. Os novos resultados tokamak do FKE, chamado de KSTAR, ultrapassam o recorde da câmara de 2021, quando manteve uma temperatura de 100 milhões de graus celsius durante 30 segundos. A primeira vez que o tokamak alcançou a marca dos 100 milhões de graus foi em 2018. Tokamaks são câmaras onde o plasma fica confinado para atingir as condições necessárias para a fusão nuclear. De acordo com o KFE, o novo recorde foi possível por meio de uma atualização nos desviadores do tokamak, que passaram a utilizar tungstênio, em vez de carbono. Os desviadores de tungstênio mostraram um aumento de apenas 25% na temperatura da superfície sob cargas de calor similares. O objetivo final do KFE é chegar a 300 segundos de operação sob temperatura de 100 milhões de graus Celsius. Para isso, o diretor do Centro de Pesquisa KSTAR, Si-Woo Yoon afirma que os próximos passos são melhorar a performance do aquecimento e proteger as principais tecnologias necessárias para as operações. A equipe pretende adicionar novos componentes de tungstênio no tokamak. Outro ponto importante é o uso de inteligência artificial (IA) para monitorar em tempo real os dispositivos de KSTAR. Fusão nuclear para produção de energia limpa A fusão nuclear consiste em esmagar dois átomos ao mesmo tempo em velocidades muito altas, em que os cientistas tentam reproduzir as reações que acontecem dentro do Sol. Os elementos dessa reação são transformados em eletricidade. A busca pela fusão nuclear em laboratórios ao redor do mundo tem sido motivada pelas possíveis vantagens dessa fonte, como ser limpa, barata e quase ilimitada. Não há emissão de carbono ou geração de resíduos radioativos. A energia via fusão nuclear promete ser uma fonte limpa e quase ilimitada Foto: KFE/Reproduçã© Fornecido por Estadão Outros institutos também conseguiram avançar com a promessa da energia via fusão nuclear. Cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, anunciaram em dezembro de 2022 que, pela primeira vez, uma reação de fusão em laboratório conseguiu produzir mais energia do que o necessário para iniciá-la. Meses depois o laboratório disse ter conseguido um ganho ainda maior de energia por meio da fusão nuclear. Entretanto, ainda permanecem um desafio como tornar a fusão nuclear um fonte energética viável. História de Ramana Rech
Os segredos da região com uma das maiores longevidades do mundo

As Zonas Azuis são regiões do mundo cuja população costuma viver com saúde até idade avançada. Existem apenas cinco Zonas Azuis em todo o planeta: Icaria (Grécia), Sardenha (Itália), Okinawa (Japão), Loma Linda (Califórnia, EUA) e Nicoya (Costa Rica). As pesquisas indicam que a longevidade nessas regiões se deve a uma combinação de fatores, que incluem desde a alimentação e o clima até a religião. Uma revista me pediu para descobrir por que a Costa Rica abriga uma dessas regiões excepcionais. Por isso, Dre (minha namorada, na época) e eu pegamos um avião na Califórnia e fomos até lá. Da cidade de Puerto Viejo, no litoral caribenho da Costa Rica, subimos de canoa o rio Yorkin, atravessando a floresta na fronteira com o Panamá. Ali, fica o lar do povo nativo costarriquenho Bribri. Seu isolamento ajudou o povo a manter sua cultura viva após sucessivas invasões europeias. A selva é repleta de vida e os Bribri usam essa riqueza para tudo, desde a seiva da cânfora como repelente de mosquitos até uma planta que eles mastigam para curar dor de dente. Para os meus olhos não treinados, os jardins dos Bribri parecem muito similares ao restante da floresta, com diferentes espécies reunidas e borboletas voando entre os galhos. Mas esse caos aparente é pura ilusão. “É porque você está acostumado a ver fazendas com um só cultivo”, explica nosso guia local, Albin. “Nós não praticamos monocultura porque as plantas evoluíram para trabalhar em harmonia. Os legumes colocam nitrogênio no solo e as bananeiras fornecem potássio, de forma que não precisamos de fertilizantes ou produtos artificiais.” “Cada planta atrai diferentes pássaros, de forma que existem centenas de espécies de aves por aqui, enquanto você encontra apenas uma dúzia na monocultura”, prossegue Albin. “Cada espécie se alimenta de insetos diferentes. Existem também as jiboias e cobras-coral que matam roedores, de forma que não precisamos de pesticidas, nem de armadilhas”, acrescenta. “E quanto às cobras venenosas?”, perguntou Dre. “Nós matamos as jararacas e surucucus”, respondeu Albin. “Nossos jardins ficam perto das nossas aldeias e essas cobras podem ser muito perigosas, especialmente para as crianças curiosas. Ou para os turistas curiosos.” A canoa parou em uma pequena praia de pedras. Duas crianças – um casal de irmãos, observados pelo pai enquanto pescava – riam e gritavam enquanto pulavam no rio. Eles deixavam a corrente levá-los até um galho suspenso, que eles agarravam para se transportar de volta para a margem do rio. Depois, elas corriam e repetiam todo o processo. O ar estava tomado pelo aroma de pedras da água do rio e pelo doce e quente perfume das flores e da grama. Enquanto caminhávamos em direção à aldeia, Albin colhia frutas das árvores, a maioria totalmente desconhecidas para mim. “Este é jambo-rosa”, ele conta, logo pegando outra fruta. “Este é olosapo. E esta é carambola. Eles parecem diferentes dos que você encontra no supermercado porque têm menos cruzamentos.” Ele se aproximou de uma árvore com cerca de seis metros de altura com frutos brotando diretamente do tronco e dos galhos. Eles pareciam bolas de rugby rugosas com o comprimento aproximado da minha mão aberta. A maioria tinha cor amarela ou verde. “Este é o cacaueiro”, explica Albin, acariciando o tronco. “Nosso povo acreditava que era a árvore mais bonita do paraíso e as sementes eram usadas como dinheiro.” Ele colheu um fruto amarelo com manchas laranja e o bateu contra o tronco. O fruto se dividiu ao meio para revelar sua polpa branca e o perfeito mosaico de sementes. “A polpa é doce”, disse ele, enquanto me oferecia uma semente para chupar, “mas a semente é amarga até ser preparada.” Entramos em uma clareira de palafitas com telhados de palha e uma cabana de madeira branca que parecia um grande aviário. Dentro, havia prateleiras com sementes de cacau, já vermelhas e marrons. “As sementes são retiradas dos frutos”, explica ele, “e deixadas para fermentar por uma semana. É quando o sabor do chocolate se desenvolve, graças às enzimas e aos micro-organismos. Depois, nós as secamos ao sol por cinco dias.” Algumas aldeias Bribri transformaram o cacau em fonte de ecoturismo comunitário© John Coletti/Getty Images Peguei uma das sementes secas e a mordi. Ela ainda era amarga, mas já tinha o característico sabor de chocolate. Albin colocou um punhado de sementes em uma panela e aqueceu no fogão. Depois de alguns minutos, ele quebrou a casca e retirou a parte interna das amêndoas torradas, conhecida como “nib”. O sabor era de chocolate amargo, café suave e castanhas. As amêndoas torradas foram partidas com uma pedra e agitadas para separar a casca mais leve dos nibs, que são mais pesados. Albin despejou os nibs em um moedor manual. Enquanto ele girava a manivela, uma espessa pasta pingava do fundo do moedor. O rico e profundo aroma de chocolate amargo passou a dominar a cabana. Aquilo era manteiga de cacau pura, salpicada de nibs torrados. Os Bribri secam a pasta e vendem para os turistas. Basta acrescentar leite condensado e surge o melhor chocolate que já comi na vida. “Foi preciso ter visão para trazer o turismo para esta região”, conta Albin. “Mas é a única forma de manter nossa cultura viva.” “Por quê?”, perguntei. “Desde que os europeus chegaram, nós, Bribri, vivemos sob pressão”, responde ele. “Agora, o governo quer construir represas e nos pede para darmos a nossa terra, pelo ‘bem do país e por uma enorme compensação’. Mas o nosso povo já deu tudo para os invasores. Aonde eles nos levaram? Tudo o que temos é a nossa terra e as nossas tradições. E o nosso cacau.” “Em alguns anos, a represa será esquecida, mais energia será necessária, novos rios serão represados e a selva será transformada em plantações de banana”, prossegue ele. “Mas esta aldeia e esta cultura terão desaparecido para sempre.” “O turismo força as pessoas a olhar para nós. E, com a história do nosso cacau, as pessoas aprendem a história do nosso povo.” “É estranho”, afirma Albin. “O cacau era importante para os nossos ancestrais.
Vida alienígena provavelmente não seria verde, nem cinza, mas de outra cor!

Os filmes de Hollywood nos fizeram acreditar que eventuais alienígenas seriam cabeçudos, de olhos escuros e com a pele esverdeada ou acinzentada, certo? Porém, um novo artigo feito pela Universidade Cornell afirma que o imaginário popular precisa ser deixado de lado. Em vez dos tradicionais seres verdes, o estudo indica que nossas maiores chances de encontrar vida alienígena está na cor roxa. Afinal, em ambientes com pouco oxigênio, as formas de vida dominantes possuem grandes probabilidades de serem bactérias roxas — é o que diz a autora do estudo, dra. Lígia Fonseca Coelho. Vida na cor roxa Conforme explica o artigo, embora a vida tenha estado presente na Terra durante a maior parte de sua existência desde a sua formação, selvas e savanas são um fator novo. Sendo assim, ao longo de três quartos da história da Terra, a vida existiu na forma de organismos unicelulares — o que seria mais fácil de se encontrar em outros planetas em nossa galáxia. E quando falamos de vida na Terra, a cor verde é a mais dominante. Com raras exceções, a clorofila das plantas confere às folhas tons de verde. No entanto, o roxo pode ser a cor dominante fora do nosso planeta. “As bactérias roxas podem prosperar sob uma ampla gama de condições, tornando-as um dos principais contendores da vida que poderia dominar uma variedade de mundos”, disse Coelho em comunicado. A pesquisadora ressalta, contudo, que ainda levará muito tempo até que possamos ver planetas além do nosso Sistema Solar com clareza suficiente para distinguir cores arroxeadas — dificultando a busca por formas de vida. Mesmo assim, de acordo com Coelho, nós seremos capazes de identificar “impressões digitais leves” de vida em outras partes do universo relativamente cedo. Para identificar as cores dominantes em mundos com baixo teor de oxigênio, os pesquisadores foram à caça de organismos onde tais condições persistem. Logo, o estudo concentrou-se em fontes hidrotermais de águas profundas, pântanos e até mesmo um lago estagnado próximo ao campus da Universidade Cornell. “Caso as formas de vida roxas não estivessem competindo com plantas verdes, algas e bactérias, é provável que elas teriam condições ainda mais favoráveis para a fotossíntese — evoluindo com o tempo”, disse Coelho. As duas classes principais de bactérias roxas são as sulfurosas e não sulfurosas, que favorecem a luz com comprimento de onda mais longo do que a maioria das plantas. Num futuro próximo, detectar planetas roxos, que espelham essas formas de vida, ainda será uma tarefa consideravelmente difícil. Porém, se conseguirmos identificar ao menos um deles, isso quase certamente será um indício que a existência de vida nesse mundo é provável. “Estamos apenas abrindo os olhos para esses mundos fascinantes que nos rodeiam”, afirmam os pesquisadores no artigo. Como as bactérias roxas podem sobreviver e prosperar sob uma variedade tão grande de condições, é fácil imaginar que o roxo possa ser o novo verde em termos de vida alienígena. História de Pedro Freitas