Nove em cada dez crianças e adolescentes são usuárias de internet

O número de crianças e adolescentes do país com acesso à internet cresceu em 2021, apontou a pesquisa TIC Kids Online Brasil, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que foi divulgada hoje (16), em São Paulo. O estudo, conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), apontou que 93% das crianças e adolescentes do país entre 9 e 17 anos são usuárias de internet, o que corresponde a cerca de 22,3 milhões de pessoas conectadas nessa faixa etária. No entanto, esse acesso ainda revela desigualdades. Em 2019, antes da pandemia de covid-19, 89% dessas crianças e adolescentes tinham acesso à internet. Dois anos depois, houve avanços, que foram principalmente percebidos entre as crianças e adolescentes da Região Nordeste: em 2019, 79% delas tinham acesso à internet e esse número passou para 92% no ano passado. Também houve avanço nas áreas rurais, cujo acesso à internet passou de 75% para 90% nessa mesma comparação, e entre crianças de 9 a 10 anos, que saiu de 79% para 92%. “Esse é um dado [93%] que a gente tem que comemorar, é uma população inserida em um ambiente, mas não podemos desconsiderar os 7% que não foram inseridos, o que representa quase 2 milhões de pessoas nessa faixa etária que não utilizam a internet. Os que não utilizam a internet sofrem muito a consequência desse avanço porque ficam ainda mais à margem. Além disso, temos que pensar que, entre os que são usuários, esse uso não é igual”, disse a coordenadora do estudo, Luísa Adib, durante a apresentação dos dados. O celular é o dispositivo predominante entre as crianças e adolescentes para acesso à internet (93%), mas o estudo de 2021 também mostrou um crescimento significativo da televisão para essa utilidade (58%). Apesar disso, o uso de dispositivos como televisão, computador (44%) e videogame (19%) para acesso à internet ainda é pequeno e demonstra a desigualdade entre as classes sociais. “Esse crescimento [na televisão como dispositivo para acessar a internet] foi maior entre as classes D e E mas, ainda assim, a diferença que a gente observa tanto para a televisão quanto para os demais dispositivos – com exceção do celular que é mais equilibrado – é que as classes A e B acessam a internet de uma variedade maior de dispositivos”, destacou Luisa. “Mais de 50% dessa população [crianças e adolescentes] acessa a internet exclusivamente pelo telefone celular. E, nesse caso, a diferença de classes é bastante marcada. As classes D e E acessam exclusivamente pelo celular em proporções que são maiores do que as classes A e B, que também acessam pelos computadores”, disse Luísa. Segundo o estudo, os celulares são a única ferramenta de conexão para 78% de crianças e adolescentes das classes D e E. Nas classes A e B, apenas 18% desse público faz uso exclusivo do celular para uso da internet. Apoio emocional O TIC Kids Online Brasil realizado no ano passado revelou ainda que um terço dos adolescentes entre 11 e 17 anos (cerca de 32% do total deles) já usou a internet para buscar apoio emocional. Esse hábito foi maior entre as meninas: 36% delas afirmam já ter recorrido a esse tipo de apoio online. No caso dos meninos, isso correspondeu a 29%. “É importante destacar que a busca emocional nesse caso está associada tanto a um canal de ajuda como a busca por um amigo ou um adulto, para dividir ou falar sobre alguma situação triste”, explicou Luísa. O uso da rede para a procura de apoio emocional foi reportado por 46% dos que tinham entre 15 e 17 anos, 28% entre os com 13 e 14 anos e 15% por aqueles com idades de 11 a 12 anos. Redes sociais Entre crianças e adolescentes no país, o uso de redes sociais é uma das atividades online que mais cresceram. Em 2021, 78% dos usuários de internet com idades de 9 a 17 anos acessaram alguma rede social, um aumento de 10 pontos percentuais em relação a 2019 (68%). A proporção de usuários de internet de 9 a 17 anos que têm perfil no Instagram avançou de 45% em 2018 para 62% em 2021. E, pela primeira vez, o perfil no Tik Tok apareceu na pesquisa: 58% do público pesquisado declarou ter um perfil nessa rede compartilhamento de vídeos curtíssimos, ficando à frente do Facebook, com 51% Para a pesquisa, foram ouvidas 2.651 crianças e adolescentes de todo o país, com idades entre 9 e 17 anos. O estudo foi realizado entre outubro do ano passado e março deste ano. O TIC Kids Online Brasil é uma pesquisa feita anualmente desde 2012 e só não foi realizada em 2020 por causa da pandemia de covid-19.
Roubo de carga termina em perseguição, tiroteio e acidente no Rio de Janeiro

Um roubo de carga na rodovia Presidente Dutra no final da manhã desta terça-feira (16), terminou em perseguição, tiroteio e um acidente que interditou a pista lateral da via. Segundo informações da Polícia Militar, criminosos tentaram roubar a carga de um caminhão nas imediações do Viaduto da Posse, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro quando foram interceptados por policiais do 20º BPM. Os bandidos estavam em dois carros que, durante a perseguição, acabaram colidindo. Houve troca de tiros entre os policiais e os criminosos. Até o momento não há informações sobre feridos. Um dos veículos onde estavam os bandidos bateu contra a mureta da pista lateral da Dutra. A PM informou que um suspeito foi preso, um revólver calibre 38 apreendido e a carga foi recuperada. Os outros criminosos conseguiram fugir. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento do tiroteio e logo em seguida o carro dos criminosos com marcas de balas. Nas imagens também é possível observar caixas, onde estaria a mercadoria roubada. Testemunhas relatam que seria uma carga de cigarros. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegou a ir até o local, mas informou que a ocorrência ficou a cargo da Polícia Militar.
Policiais da PRF acusados pela morte de Genivaldo na ‘câmara de gás’ são presos

Os três policiais rodoviários envolvidos na abordagem que causou a morte de Genivaldo de Jesus Santos foram presos preventivamente nesta sexta-feira, 13, por determinação da Justiça Federal em Sergipe. William de Barros Noia, Kleber Nascimento Freitas e Paulo Rodolpho Lima Nascimento foram presos pela Polícia Federal (PF). Eles passaram por exame de corpo de delito e audiência de custódia e, na sequência, foram transferidos para o Presídio Militar de Sergipe, em Aracaju. A ordem de prisão é assinada pelo juiz Rafael Soares Souza, da 7 ª Vara Federal de Sergipe, que atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF). Ele também recebeu a denúncia por abuso de autoridade, tortura e homicídio qualificado oferecida pelo órgão no início do mês. “A custódia cautelar tem o objetivo de garantir a ordem pública e instrução do processo”, informou a Justiça Federal. O crime aconteceu em maio deste ano em um trecho da BR-101 na altura de Umbaúba, município de 25 mil habitantes no interior de Sergipe. Os policiais rodoviários pararam Genivaldo porque ele vinha de moto sem capacete. Ele foi trancado no porta-malas de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e asfixiado com gás de pimenta. A abordagem foi filmada por pessoas que tentaram intervir em favor do motociclista. Após o crime, a família informou que ele sofria de transtornos mentais e já havia sido diagnosticado com esquizofrenia. A Secretaria de Segurança Pública de Sergipe concluiu, no mês passado, as perícias sobre o crime. Os laudos cadavérico e toxicológico confirmaram que Genivaldo morreu por asfixia mecânica com reação inflamatória das vias aéreas. Antes de serem denunciados pelo MPF, os policiais rodoviários já haviam sido indicados pela Polícia Federal (PF) por homicídio qualificado e abuso de autoridade. O caso também levou a Justiça Federal a determinar a volta ensino de Direitos Humanos nos cursos de formação e reciclagem da PRF. Com a palavra, a defesa Até a publicação deste texto, a reportagem entrou em contato com a defesa dos policiais e ainda aguardava resposta. O espaço está aberto para manifestação.
Bolsonaro ironiza Anitta após publicação e cantora rebate com montagem; entenda

A cantora Anitta, 29, foi uma das celebridades que comentaram a entrevista do presidente Jair Bolsonaro (PL) concedida ao Jornal Nacional (Globo) na noite desta segunda-feira (22). De início, ela compartilhou uma foto da mão do político, que tinha escrito as palavras “Nicarágua”, “Argentina”, “Colômbia” e “Dário Messer”, como uma espécie de “cola”. Pouco tempo após o tuíte da cantora, o presidente compartilhou um print da publicação –que acumula 800 mil curtidas– em seu perfil do Instagram e escreveu: “Obrigado, Anitta. Se possível, pesquisem sobre os temas”. Depois disso, a cantora apagou o primeiro tuíte e compartilhou uma montagem. “Traduzindo o que tava escrito porque tava meio ilegível”, escreveu ela na legenda do tuíte. Na montagem estava escrito: “Mentir”, “Roubar obra do Lula”, “Defender corrupto no MEC [Ministério da Educação]” e “Negar desmatamento”. O tuíte já tem mais de 193 mil curtidas. Em seguida, ela compartilhou outra montagem da mão do político. A foto era de Alessandro Molon, candidato ao cardo de deputado federal, e tinha escrito “Lula 13, Molon 400″. “Cola aí”, disse o político na legenda. “Eu colando no dia de votar”, completou Anitta. Após a entrevista, o candidato à reeleição, fez algumas publicações em seu perfil do Instagram. Em uma delas, ele aparece ao lado de uma televisão ligada no canal SBT. “Bastidores Rede Globo. Boa noite a todos!”, escreveu ele na legenda da publicação. Veja a foto AQUI!
Ministro descarta declarar emergência em saúde pública para varíola dos macacos

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afastou a possibilidade de declarar emergência em saúde pública para a varíola dos macacos (ou monkeypox) no Brasil. As informações foram dadas em entrevista à imprensa nesta segunda-feira (15). “A Espin (emergência em saúde pública) tem critérios para que seja reconhecida. EUA e Austrália foram os únicos que reconheceram. Até agora não recebi solicitação técnica da área para que considerasse ou não a edição de uma portaria em relação à Espin. Agora eu pergunto: vamos supor que eu reconhecesse hoje, o que ia mudar?”, disse Queiroga. O Centro de Operações de Emergências (COE) do Ministério da Saúde contra a varíola dos macacos entrou em funcionamento em 29 de julho, que foi, também, a data da primeira morte pela doença no Brasil. A pasta extinguiu duas semanas antes a sala de situação que monitorou a monkeypox por 50 dias. O ministério anunciou que iria adquirir de 50 mil doses de vacinas para monkeypox, intermediada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opoas), que representa a Organização Mundial da Saúde (OMS) no continente americano. O cronograma deve ser fechado nesta semana, mas, por ora, prevê que as 20 mil primeiras doses desembarquem no Brasil no próximo mês. Já a próxima remessa ficaria para novembro. No público-alvo, estão trabalhadores de saúde e pessoas que tiveram contato com pacientes. A pasta também pretende comprar o antiviral tecovirimat, aprovado contra varíola humana pelo Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, para pesquisas clínicas. Não há previsão de quando o tratamento deve chegar ao país. Tanto o imunizante quanto o medicamento não têm aval ou pedido de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A autarquia avalia cinco testes para detectar a varíola dos macacos.
Paciente que acusa cirurgião de cárcere faz operação para retirar necrose no Rio

A paciente Daiana Cavalcanti, de 36 anos, que acusa o cirurgião Bolívar Guerrero Silva de tê-la mantido em cárcere privado em um hospital na Baixada Fluminense, passou por uma cirurgia para retirar tecidos necrosados dos seios e da barriga. A mulher está internada desde o dia 21 de julho no Hospital Federal de Bonsucesso, na zona norte, para onde foi encaminhada após a prisão do médico. Procurada, a instituição confirmou a cirurgia realizada na na quinta-feira (11), e disse que a paciente vem evoluindo bem em seu tratamento, mas não forneceu detalhes. Em março, ela realizou uma abdominoplastia com o cirurgião no hospital particular Santa Branca, em Duque de Caxias, e, após complicações, relatou à polícia ter permanecido na unidade de saúde contra a própria vontade porque Silva não a liberava. O médico está preso desde o dia 18 de julho. Depois da repercussão do caso, pelo menos 30 mulheres foram à Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher) para denunciar o cirurgião por suposto erro médico. Algumas relataram que ficaram deformadas e com sequelas após terem sido operadas por Silva. O cirurgião nega o cárcere e diz que não liberou a paciente porque ela não tinha assinado um termo de responsabilidade. Procurado, o advogado de Renato Darlan, que prestou assistência jurídica ao médico no início da caso, não está mais acompanhando o processo. A defesa de Cavalcanti entrou na Justiça com um pedido de reparação por danos morais no valor de R$ 200 mil contra o Hospital Santa Branca e contra Silva. Em 23 de julho, ela já havia passado por um procedimento cirúrgico para reparar os pontos na barriga que estavam em processo de necrose.
5G chega a mais sete capitais na próxima semana; veja lista

Aracaju, Boa Vista, Campo Grande, Cuiabá, Maceió, São Luís e Teresina serão as próximas sete capitais a receber o 5G de 3,5 GHz após liberação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) nesta quarta-feira (14). As cidades poderão ativar as estações com a tecnologia a partir da próxima segunda (19). Elas somam-se a outras 15 capitais que já receberam a conexão nos últimos meses. A decisão foi tomada pelo Gaispi (Grupo de Acompanhamento da Implantação das Soluções para os Problemas de Interferência), que se reuniu nesta manhã para deliberar os próximos passos da implantação do 5G no país. Segundo a Anatel, até 28 de novembro, a Claro, a Tim e a Vivo deverão ter no mínimo oito estações de 5G ativadas em Aracaju, cinco em Boa Vista, 11 em Campo Grande, oito em Cuiabá, 13 em Maceió, 14 em São Luís e 11 em Teresina. A meta definida pela agência para as operadoras é de uma antena de 5G a cada 100 mil habitantes. O cronograma do 5G sofreu atrasos devido à falta de equipamentos vindos da China, que decretou lockdown por causa de uma nova onda da pandemia de Covid-19. Os equipamentos importados são filtros que evitam interferências. Por isso, num primeiro momento, a agência concedeu prazo até o final de setembro para que todas as capitais tenham antenas de 5G. Agora, o novo prazo é 28 de outubro. Veja a lista das capitais com 5G: – Aracaju – Brasília – Belo Horizonte – Boa Vista – Campo Grande – Cuiabá – Curitiba – Fortaleza – Florianópolis – Goiânia – João Pessoa – Maceió – Natal – Palmas – Porto Alegre – Recife – Rio de Janeiro – Salvador – São Luís – São Paulo – Teresina – Vitória
Jovem morre afogado ao tentar atravessar rio com grupo de amigos em Tocantins

Um jovem de 21 anos morreu no final da tarde de ontem ao se afogar no rio Tocantins, na zona rural do município de Peixe, no sul do estado. A vítima identificada como Luis Eduardo Sales Morais participava de uma confraternização com um grupo de 10 amigos no Rancho Santa Fé quando o incidente aconteceu. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, o grupo de amigos resolveu atravessar o rio a nado para chegar até uma praia, localizada em frente ao rancho, por volta das 17h30. Testemunhas também relataram que o grupo estava jogando futebol até o momento em que decidiram se refrescar no rio. Enquanto atravessavam o rio o nível da água subiu subitamente e todos os amigos saíram rapidamente do local. Luis Eduardo, entretanto, não sabia nadar e acabou ficando para trás, sendo levado pela correnteza e em seguida submergindo, não sendo mais visto pelos seus amigos. Os bombeiros também relataram que algumas pessoas do grupo afirmaram ter tido dificuldades para sair da água. O acionamento para a ocorrência foi feito por volta das 18h40, mas devido a pouca visibilidade no local devido ao anoitecer, as buscas se iniciaram por volta das 6h de hoje. O corpo do jovem foi encontrado em um banco de areia, com água mais parada, e estava em uma profundidade de 1,70 metros. Os bombeiros ainda informaram que a distância do rancho até a ilha é de aproximadamente 500 metros, e que o corpo foi encontrado a 100 metros do local onde as testemunhas afirmaram que Luis Eduardo teria submergido.
Atualmente 127 afegãos aguardam acolhimento no Aeroporto de Guarulhos

É com diploma na mão e visto brasileiro que centenas de afegãos vem chegando ao país neste ano de 2022. São engenheiros, médicos, servidores, professores, profissionais de alta patente. Pessoas formadas que deixaram tudo em seu país, o Afeganistão, fugindo do poder dos radicais do Talibã, que assumiram o poder no ano passado. Muitas desembarcam no Aeroporto Internacional de Guarulhos em busca de uma oportunidade no Brasil mas, sem condições ou apoio, acabam montando um acampamento e vivendo dentro do aeroporto. Há pelo menos 10 dias, uma engenheira química afegã fez do Terminal 2 do aeroporto sua casa. Junto com marido, filha pequena, irmã médica e cunhado, ela fugiu do regime do Talibã, grupo religioso fundamentalista que voltou ao poder após os Estados Unidos (EUA) terem retirado suas tropas do Afeganistão, depois de 20 anos de ocupação. A reportagem da Agência Brasil conversou com ela ontem (13) no aeroporto, mas preserva seu nome por segurança. “Lá estava muito ruim. Quando o Talibã chegou, não pudemos mais ir à escola, à universidade ou ao trabalho”, contou. “A situação no Afeganistão para as mulheres é muito ruim. É muito e muito difícil para as mulheres viverem no Afeganistão”, acrescentou sua irmã. Ao chegar ao Brasil, elas receberam alimentos, água, biscoitos para a criança e algumas roupas. Também foram vacinadas contra sarampo, poliomielite e covid-19. Mas, agora, esperam por oportunidades para se estabelecerem por aqui. “Nós esperamos do Brasil, do governo brasileiro, poder ter nossa casa, nosso próprio trabalho e oportunidade”, disse a médica, que também pretende continuar com os estudos. O Brasil se tornou destino de muitos afegãos desde que, em setembro do ano passado, foi publicada uma portaria interministerial autorizando o visto temporário e a autorização de residência por razões humanitárias. Os afegãos chegam ao Brasil com a esperança de conseguir um lugar para morar e um emprego. Mas ao desembarcar, nem sempre conseguem receber acolhimento. A prefeitura de Guarulhos, o governo de São Paulo e o governo federal dizem buscar alternativas para atender a essas famílias. Mas logo que entram em território brasileiro, elas acabam assistidas, principalmente, por voluntários. Um dos que passam dias no aeroporto para ajudar os afegãos é a ativista Swany Zenobini. Desde o dia 19 de agosto, ela tem ido até o local o todos os dias. “Desde a retomada do Talibã ao poder, no Afeganistão, muitos começaram a ser perseguidos e a sofrer retaliações. Uma das formas para fugir disso é saindo do país. Como o Brasil, em setembro do ano passado, deu o visto humanitário, deu chance para essas pessoas virem para o Brasil, muitos optaram pelo nosso país”, explicou ela à reportagem da Agência Brasil. “Neste ano, a partir de julho, começou um boom muito grande de afegãos chegando ao Brasil. A prefeitura de Guarulhos não consegue comportar todos eles. A cidade de São Paulo, que é próxima e grande, também não consegue comportar. Cidades do interior não estão preparadas para a situação, até porque a crise humanitária nunca avisa que vai acontecer. Mas a gente, minimamente, deveria estar preparado, já que o Brasil é signatário de convenções internacionais, principalmente de refugiados. Essas pessoas têm chegado ao Brasil e encontrado o chão do aeroporto como forma de acolhimento”, disse Swany. Diplomados Em geral, contou, as pessoas que chegam ao Brasil são homens, jovens e solteiros ou famílias com crianças pequenas. “Todas as pessoas que vieram para cá aparentam ter poder aquisitivo de médio para alto. Alguns falam inglês. Muitos deles são diplomados, com faculdade, mestrado e doutorado”, afirmou. Segundo a ativista, apesar de fornecer o visto humanitário para essas pessoas, o Brasil erra ao não oferecer atendimento ao desembarcar. “Não existe hoje um fluxo de atendimento e de acolhimento. Não existe perspectiva a longo prazo de se gerar emprego para essas pessoas. Hoje só se pensa em assistencialismo”, reclamou. Quem também tem ajudado os afegãos no aeroporto é o jornalista e voluntário José Luiz Santiago. “Eles chegam aqui realmente esperando algo melhor como um lugar no mínimo digno para dormir, com banho diário. Mas o que ele encontra aqui é o chão. Aqui é um lugar de passagem e de ida e volta. Aqui não é moradia. O Brasil deveria ter se preparado para recebê-los”. A Delegacia da Polícia Federal no aeroporto informou que, somente em setembro, 653 afegãos ingressaram no país. Em outubro, até ontem (13), foram 343. Na manhã de ontem, a prefeitura de Guarulhos conseguiu encaminhar 47 afegãos para um abrigo em Morungaba, na região metropolitana de Campinas, interior paulista. Com isso, até o final da tarde de ontem, 127 afegãos permaneciam abrigados no aeroporto, informou a administração municipal. MPF Nesta semana, o Ministério Público Federal cobrou explicações dos governos federal e estadual e da concessionária que administra o aeroporto sobre a situação dos afegãos acampados no aeroporto. Segundo o órgão, o grupo que vive em situação precária tem aumentado nos últimos meses “à medida que novos conterrâneos desembarcam no Brasil, fugindo das violações a direitos humanos perpetradas em seu país de origem pelo regime fundamentalista do Talibã. Todos possuem visto humanitário, mas devido a dificuldades financeiras e de comunicação, muitos não têm escolha senão permanecer no terminal”, disse o MPF. O Ministério Público Federal informou que vem conduzindo reuniões interinstitucionais nas últimas semanas, mas cobrou o governo federal que é preciso melhor coordenação e prestação de apoio material para atender as pessoas. De acordo com o MPF, a Lei nº 13.684/2018 estabelece que cabe aos três entes federativos adotar medidas que proporcionem direitos básicos a esses refugiados, tais como proteção social, atenção à saúde e qualificação profissional. “O governo federal, que emitiu os vistos humanitários, precisa, conforme determina a lei, coordenar os trabalhos com os demais entes federativos de modo a evitar situações tão graves como a atual onde, nesse momento, crianças e bebês afegãos estão em situação de total vulnerabilidade no saguão do aeroporto. Isso é inadmissível”, disse o procurador da República Guilherme Rocha Göpfert. Ele convocou uma nova reunião interistitucional para hoje (14) para debater soluções para esse problema. Guarulhos A prefeitura de Guarulhos informou que seu trabalho é realizar a primeira acolhida às famílias afegãs recém-chegadas ao Brasil, oferecendo alimentação com café da manhã, almoço e jantar de todas as pessoas que ali estão, além de
Turistas italianos são baleados ao entrar por engano em favela do Rio

Dois turistas italianos foram baleados por um tiro de fuzil quando entraram por engano no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, segundo a polícia. O ataque ocorreu por volta das 4h30 desta sexta-feira (14). Riccardo Cefis, 21, foi atingido na costela e Nicolo Desiato, 23, foi ferido no braço esquerdo. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o estado de saúde deles é estável. Outros três italianos estavam com o grupo, mas não ficaram feridos. Os cinco estão hospedados em São Paulo, onde fazem intercâmbio, e estavam no Rio a passeio. O grupo estava retornando para a capital paulista quando, segundo a Polícia Militar, foram induzidos a entrarem em uma comunidade pelo GPS. De acordo com a PM, o fato teria ocorrido quando as vítimas estavam na Avenida Brasil e entraram nos acessos ao Complexo da Maré. Ao entrar na favela, o veículo foi alvejado por disparos de arma de fogo. Os tiros atravessaram o porta-malas, e, segundo a PM, um único disparo feriu os dois turistas. Na traseira do veículo, há marcas de sangue. A Polícia Militar informou que os turistas conseguiram sair do local e ir direto para o hospital. De acordo com a corporação, policiais militares foram acionados para verificar a entrada de duas pessoas feridas por disparo de arma de fogo no Hospital Municipal Evandro Freire. O caso foi registrado na 37ª DP (Ilha do Governador) e encaminhado à Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), que seguirá com as investigações. A Polícia Civil informou que colheu depoimento de um dos turistas que estava no carro e não foi atingido, e que outras testemunhas serão ouvidas. Ainda na manhã desta sexta (14), peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) realizaram perícia no veículo.