Júri condena acusado de matar ex-esposa em Goiânia a 33 anos

Com a colaboração de Artur Dias O júri presidido pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara condenou Sarapião Barbosa dos Santos (Tiãozinho) a 33 anos de reclusão a serem cumpridos na Penitenciária Odenir Guimarães em regime fechado. O réu foi condenado pelo homicídio de sua ex-esposa, Lioci Souza dos Santos, e o namorado dela, Josué Carlos Monteiro de Oliveira. O tribunal do júri, realizado nesta terça-feira (7), considerou o que os crimes foram cometidos por motivo fútil, mediante recursos que dificultaram a defesa da vítima e dentro de um contexto de violência doméstica. A defesa réu chegou a argumentar que os homicídios foram praticados sob violenta emoção, depois de ter sido provocado pela vítima injustamente. Entretanto, os jurados não aceitaram os argumentos. De acordo com o juiz, foram aplicadas as penas de 16 anos e seis meses para cada homicídio praticado. O Mais Goiás não conseguiu localizar a defesa de Sarapião para comentar o caso. O espaço está aberto para manifestação. Relembre o caso Segundo denúncia do Ministério Público de Goiás (MP-GO), o réu é suspeito de matar a tiros a ex-esposa, com quem viveu durante 19 anos, e o namorado dela. O crime aconteceu em 14 de outubro de 2019 na casa da ex-companheira do acusado, no setor Garavelo – eles estavam separados há cerca de dois meses. Vale citar, Tiãozinho foi preso cinco dias após o ocorrido e segue detido. De acordo com o MP, o relacionamento de quase duas décadas terminou de forma conturbada, pois o acusado não aceitava o fim da relação e desconfiava de traição. Além disso, conforme o MP, mesmo durante o relacionamento ocorreram ameaças e agressões físicas e verbais por parte do denunciado. Depois da separação, ele continuou com ameaçando a mulher, de quem nutria “excessivo ciúme”. Ele, inclusive, seguia a vítima, expõe a denúncia. Ainda nos autos é informado que, no dia do crime, ele recebeu a ligação de uma pessoa não identificada, quando estava na casa de um primo, e deixou o local rumo a casa de Lioci. Ele, então, parou o carro próximo à residência da vítima e terminou de ir a pé. Na residência, continua os autos, ele escalou o muro e teria surpreendido as vítimas, disparando tiros. Josué foi atingido quando estava na porta da sala; enquanto Lioci foi baleada no banheiro. Em seguida, ele correu em direção ao veículo estacionado e fugiu, mas foi flagrado por câmeras de segurança de uma residência vizinha. A ação durou cerca de 3 minutos. Antes da pronúncia, a defesa, por sua vez, “pleiteou a absolvição sumária do acusado, sob o argumento de que ele agiu amparado pela excludente de ilicitude referente a legítima defesa”, além do afrouxamento da prisão do réu. O juiz Jesseir não acatou.
Homem tenta assaltar mulher e é agredido por passageiros que viram crime de dentro de ônibus em MG

Um homem de 22 anos foi preso suspeito de tentar assaltar uma jovem na Rua Candeias, em Itabira, na região Central de Minas Gerais, no início da manhã desta segunda-feira (6). Segundo registro de ocorrência, ele ainda foi agredido por passageiros que estavam em um ônibus e desceram para ajudar a vítima. A vítima estava caminhando pela via quando foi abordada pelo homem. Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM), ele estava armado com uma faca. Ainda conforme o registro, ele puxou a moça pela mochila, sacudiu e disse algo. Ela conseguiu se desvencilhar, deu alguns passos, mas foi agarrada novamente e jogada no chão. Ela caiu na calçada. Passageiros agridem suspeito Um ônibus com funcionários de uma empresa passava pelo local, e ao verem o que estava acontecendo desceram para ajudar a vítima e agrediram o suspeito, que caiu no asfalto. Quatro homens deram chutes no rosto e nas costas do suspeito e, um quinto chegou e separou à briga. O suspeito ficou deitado por alguns segundos, se levantou e desceu a rua. Logo em seguida, a PM foi chamada e o suspeito foi preso e encaminhado para a Delegacia de Polícia.
Rottweiler salta de carro em movimento e ataca mulher que passeava com cão e filho, em São Paulo

Uma mulher ficou ferida depois de ser atacada por um cachorro, da raça rottweiler, neste domingo (5), por volta das 20h, em um bairro de Ribeirão Preto, em São Paulo. O caso aconteceu no cruzamento das ruas Franco da Rocha e Barão de Mauá. A mulher, o marido, o filho de três anos e o cachorro de estimação da família caminhavam pela calçada. Foi então que o carro que transportava o rottweiler se aproximou da faixa de pedestres. Cachorro pulou de carro em movimento Imagens de câmeras de segurança mostram que o cachorro pula a janela do veículo em movimento e corre na direção da família. O homem pegou a criança no colo e a mulher pegou o cão de estimação. Todos correm em direção a uma praça na rua Franco da Rocha, na tentativa de escapar do ataque. Mesmo assim, o rottweiler consegue atacar a mulher, enquanto ela protege o cão dela, no colo. O dono do animal desceu do carro para conter o ataque. A mulher que foi atacada teve arranhões nos braços e nas costas, mas passa bem.
São Paulo confirma segundo caso de varíola dos macacos

A Secretaria de Saúde de São Paulo confirmou hoje (11) o segundo caso de varíola dos macacos, no estado. A doença foi detectada em um homem, de 29 anos, que está isolado em sua residência em Vinhedo, no interior do estado. De acordo com a Secretaria de Saúde, o caso é considerado importado, porque o homem tem histórico de viagem à Portugal e Espanha. Ele teve os primeiros sintomas ainda na Europa. O resultado positivo foi confirmado por um laboratório espanhol após o desembarque no Brasil, que ocorreu na última quarta-feira (8). Em nota, o Ministério da Saúde informou que novas amostras do paciente foram coletadas e serão analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Na última quinta-feira (9), o governo paulista confirmou o primeiro caso no país: um morador da capital paulista que está internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, com boa evolução do quadro clínico. Transmissão A varíola dos macacos, em inglês, monkeypox, é uma doença viral rara transmitida pelo contato próximo com uma pessoa infectada e com lesões de pele. O contato pode ser por abraço, beijo, massagens ou relações sexuais. A doença também é transmitida por secreções respiratórias. A doença pode ser transmitida ainda pelo contato com objetos, tecidos (roupas, roupas de cama ou toalhas) e superfícies que foram utilizadas pelo doente. Não há tratamento específico contra a doença, mas os quadros clínicos costumam ser leves, sendo necessário o cuidado e observação das lesões. De acordo com a Secretaria de Saúde, os primeiros sintomas podem ser febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, linfonodos inchados, calafrios ou cansaço. De um a três dias após o início dos sintomas, as pessoas desenvolvem lesões de pele, geralmente na boca, pés, peito, rosto e ou regiões genitais. Para a prevenção, deve-se evitar o contato próximo com a pessoa doente até que todas as feridas tenham cicatrizado, assim como com qualquer material que tenha sido utilizado pelo infectado. Também é importante a higienização das mãos, lavando-as com água e sabão ou utilizando álcool gel. Medidas de controle De acordo com o Ministério da Saúde, medidas de controle foram adotadas de forma imediata, como isolamento e rastreamento de contatos em voo internacional, com o apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Foram identificados três pessoas que estão sendo contatadas para orientações e monitoramento”, diz a nota. O Ministério da Saúde ressalta ainda que a pasta estabeleceu, desde 23 de maio de 2022, uma Sala de Situação para monitorar o cenário do vírus, no Brasil. “A medida tem como objetivo divulgar de maneira rápida e eficaz as orientações para resposta ao evento de saúde pública, bem como direcionar as ações de vigilância quanto à definição de caso, processo de notificação, fluxo laboratorial e investigação epidemiológica no país”, destacou.
Criança morre após cair do 11º andar de prédio; pai é preso

O pai de uma criança de 6 anos foi preso hoje (11), em flagrante, após o menor cair do 11º andar e morrer no pátio de um prédio em Praia Grande, no litoral de São Paulo. A ocorrência foi atendida por policiais militares. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado, o homem foi preso por abandono de menor. A criança teria sido deixada sozinha em casa, no 11º andar do edifício, quando ocorreu a queda, na madrugada deste sábado. A morte do menor foi constatada por uma equipe Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O homem foi encaminhado à audiência de custódia.
Bolsonaro reforça aposta em sertanejos para ecoar bandeiras da campanha à reeleição

A campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) vai apostar no engajamento de estrelas do sertanejo como contraponto a artistas que têm levantado bandeiras em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário na disputa eleitoral. A estratégia, segundo aliados do presidente, é aproveitar a boa relação que o atual chefe do Palácio do Planalto tem entre nomes populares do gênero musical para consolidar o apoio do público conservador e tentar conquistar votos principalmente entre mulheres, jovens e a população mais pobre, estratos do eleitorado em que Bolsonaro tem apresentado seus piores índices nas pesquisas. A ideia é que alguns artistas alavanquem as bandeiras defendidas por Bolsonaro — que em muitos casos também são as deles, como a do agronegócio — como um gesto de apoio à reeleição do presidente. O formato, contudo, ainda está indefinido. O desejo é que eles se manifestem em suas redes sociais e eventualmente gravem vídeos elogiando o mandatário. A orientação dada pela equipe jurídica do PL, partido do presidente, é que os cantores não peçam votos. Do lado dos sertanejos, por sua vez, há um receio de que críticas mais ácidas a adversários de Bolsonaro, como as feitas pelo cantor Zé Netto, da dupla com Cristiano, possam ter um efeito reverso para suas carreiras. As declarações do sertanejo, que criticou a Lei Rouanet — associada por bolsonaristas a artistas apoiadores de Lula —, desencadeou investigações sobre apresentações pagas com dinheiro público por pequenas prefeituras. A polêmica se alastrou pelas redes sociais e ficou conhecida como “CPI dos sertanejos”. A parceria de Bolsonaro com o mundo musical é uma fórmula que já foi aplicada em eleições passadas e por diferentes políticos. Em 2018, o então candidato pelo PSL passou a se aproximar de artistas do gênero como Zezé Di Camargo e Luciano. A dupla, que gravou jingle para Lula na campanha de 2002, puxou a onda de apoio explícito ao então deputado federal, que contava com apenas oito segundos na propaganda de TV. Naquele ano, Gusttavo Lima, hoje um dos artistas mais tocados nas rádios do Brasil, foi um dos primeiros a declarar apoio a Bolsonaro. Desde então, passou a elogiar o presidente em shows e exaltar obras do governo. Em 2020, foi estrela de um comercial da Caixa. Dono de um frigorífico, o artista lançou a picanha “Mito” em homenagem ao chefe do Executivo. Bolsonaro postou uma foto nas suas redes sociais com o pacote da carne vendida a R$ 1.790 o quilo. Um dos principais responsáveis por estreitar a relação de Bolsonaro com os sertanejos foi o empresário Uugton Batista, espécie de lobista de artistas do gênero. Desde o início do governo, ele mediou diversos encontros do presidente com cantores. Em janeiro de 2021, por exemplo, levou cerca de 50 profissionais a um encontro com Bolsonaro em uma churrascaria de Brasília. O objetivo era pedir uma linha de crédito para reduzir os impactos da pandemia. Batista diz ter conhecido Bolsonaro em 2018, quando o procurou para oferecer ajuda para a campanha. A sua ideia, segundo afirmou, era organizar eventos de arrecadação. — Eu ofereci esse dinheiro aí e ele não quis, quis só a ajuda dos artistas — afirma Batista, que à época era filiado ao PT. — Se não fossem os sertanejos em 2018, ninguém ia saber quem era o Bolsonaro. Quando eles falavam “Bolsonaro” o povo ia pesquisar quem era. O cientista político Humberto Dantas avalia que a reversão de apoio de artistas em voto está associado a “uma ausência educativa na população” e reforça que a proximidade de políticos com artistas é histórica: — Tanto que existiu uma tentativa de contenção, como nos chamados showmícios, de colocar limites legais por conta de abuso de poder econômico em campanha. Outro sertanejo que virou garoto-propaganda do governo é o locutor de rodeios Cuiabano Lima, que também já estrelou propagandas de bancos públicos como Caixa e Banco do Brasil. No mês passado, durante show em Brasília, defendeu bandeiras do bolsonarismo e bradou que “aqui nunca vai ser o comunismo”. Gustavo Alonso, autor de “Cowboys do asfalto: música sertaneja e modernização brasileira”, aponta uma tendência de integrantes do gênero se aproximarem de governos. — Sertanejos tendem a ser governistas. Há uma relação apolítica, que é o Centrão nesse sentido. Tentar ganhar de todos os lados — afirmou Alonso. — A música sertaneja é a mais popular do Brasil. Há uma tradição de posicionamento de se manifestar pró-governo. Oposição ‘usa’ cachês milionários para rebater discurso contra Lei Rouanet Nas últimas semanas, viralizaram nas redes sociais questionamentos sobre cachês milionários pagos, sem licitação, por pequenas prefeituras do interior do país a estrelas da música sertaneja. Foi uma forma de opositores do governo Bolsonaro rebaterem as frequentes declarações do presidente e de seus apoiadores para desmerecer a Lei Rouanet e, consequentemente, a cultura. Maldizer artistas que se utilizam — ou não — da legislação para financiar seus espetáculos desde sempre foi o jeito que Bolsonaro encontrou para manter sua base digital aguerrida contra o setor cultural. Até que, no mês passado, o sertanejo Zé Neto subiu no palco em Sorriso (MT) e juntou, numa única crítica, a cantora Anitta, sua tatuagem íntima e a Lei Rouanet. Internautas passaram a divulgar e a questionar os valores de contratos do cantor, que faz dupla com Cristiano, pagos por prefeituras. O escrutínio alcançou outros artistas do ramo que costumam apoiar o chefe do Planalto, e encontrou em Gusttavo Lima seu principal alvo. Alguns artistas passaram a perder cachês milionários em cidades pequenas e viraram alvo do Ministério Público após as declarações de Zé Neto. E uma declaração de Anitta de que recebeu, e negou, proposta de desvio de verba de prefeitura, ainda culminou na CPI do Sertanejo. O Ministério Público decidiu investigar, por exemplo, contratos para shows de Gusttavo Lima em cidades como São Luiz, município de oito mil habitantes em Roraima que pagou R$ 800 mil ao cantor. Seu cachê, em outros locais, chegou a mais de R$ 1 milhão. Os contratos de artistas consagrados
5% mais pobres perdem quase 34% da renda no Brasil

A perda de renda afetou pobres e ricos em 2021, mas foi mais intensa para os brasileiros com menos condições financeiras, indica pesquisa divulgada nesta sexta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Conforme o levantamento, que vai além do mercado de trabalho e também analisa outras fontes de recursos, incluindo programas sociais, os 5% da população com menor renda tiveram queda de 33,9% no rendimento médio de 2020 para 2021. A baixa é a mais intensa entre 13 classes pesquisadas pelo IBGE. Todas elas amargaram recuos na comparação dos dois últimos anos, sinaliza o instituto. De 2020 para 2021, os 5% mais pobres viram o rendimento médio domiciliar per capita recuar de R$ 59 para R$ 39 por mês. Vem dessa comparação a queda de 33,9%. A renda domiciliar per capita corresponde ao ganho total dividido pela quantidade de pessoas em cada residência. A segunda perda mais intensa foi sentida pela camada que envolve os brasileiros com a segunda menor renda média. Trata-se da classe da população com rendimento de 5% a 10% mais baixo. Nessa faixa, a renda despencou 31,8%, de R$ 217 para R$ 148, na passagem de 2020 para 2021. Na outra ponta da lista, a parcela 1% mais rica registrou perda de 6,4%. A renda média per capita desse grupo recuou de R$ 17 mil para R$ 15,9 mil no ano passado. Inflação espalha quedas Os dados integram a Pnad Contínua: Rendimento de Todas as Fontes 2021. Além dos ganhos com o trabalho e programas sociais, o estudo também analisa fontes de renda como aposentadorias, pensões e aluguéis. A pesquisadora Alessandra Brito, do IBGE, afirma que a inflação alta foi responsável por provocar perdas generalizadas entre os brasileiros no ano passado, já que os cálculos do estudo levam em consideração o aumento dos preços. Segundo Brito, o que gerou quedas mais intensas entre os mais vulneráveis foi a redução ou o fim de programas de auxílio e transferências. Entre eles, está o auxílio emergencial, criado em 2020, ano inicial da pandemia. A medida foi encerrada em 2021. O que impediu prejuízos ainda mais intensos, pondera a pesquisadora, foi a retomada do mercado de trabalho, mesmo que esse movimento tenha sido insuficiente diante da crise. “O mercado de trabalho voltou, mais trabalhadores informais retornaram, mas a renda de outras fontes teve papel importante em 2020, sobretudo o auxílio, para segurar as pessoas que ganham menos”, afirma. “Como teve mudanças no auxílio, esse colchão, que segurou a barra em 2020, começou a ser tirado ao longo de 2021. Afetou bastante essa população [mais carente]”, completa. Na comparação com 2012, ano inicial da série histórica do IBGE, a renda média per capita dos 5% mais pobres despencou 48% em 2021. Ou seja, caiu quase pela metade, de R$ 75 para R$ 39. A baixa também foi a mais intensa da pesquisa. Na outra ponta, o 1% da população com maior rendimento registrou perda de 6,9% no mesmo período. A renda da camada mais rica passou de R$ 17,1 mil em 2012 para os R$ 15,9 mil de 2021. 1% mais rico recebe 38,4 vezes mais do que metade da população De acordo com o IBGE, as pessoas que faziam parte do 1% mais rico receberam, em média, no ano passado, 38,4 vezes a renda da metade da população com os menores rendimentos, cuja média foi de R$ 415. Essa diferença mostrou trajetória de redução de 2012 (38,2 vezes) até 2014 (33,5 vezes). Depois, voltou a crescer, até alcançar o pico da série histórica em 2019 (39,8 vezes), no pré-pandemia. No início da crise sanitária, em 2020, a razão diminuiu para 34,8 vezes, sob efeito das alterações ocorridas na composição do rendimento domiciliar, que teve incremento de outras fontes de renda, como o auxílio emergencial. Com o fim dessas medidas, e a recuperação incompleta do mercado de trabalho, a disparidade voltou a subir. De 2020 para 2021, o percentual de domicílios com beneficiários de outros programas sociais, categoria que inclui o auxílio emergencial, caiu de 23,7% para 15,4%, diz o IBGE. Enquanto isso, a proporção de residências com beneficiários do Bolsa Família aumentou de 7,2% para 8,6%. Rendimento na mínima histórica A pesquisa ainda apontou que o rendimento mensal domiciliar por pessoa caiu 6,9% na média de 2021, passando de R$ 1.454 para R$ 1.353. É o menor valor da série histórica, iniciada em 2012. A massa de rendimento, por sua vez, totalizou R$ 287,7 bilhões no ano passado. Isso significa redução de 6,2% em relação a 2020, cujo valor foi de R$ 306,9 bilhões. A massa é conhecida como a soma dos recursos recebidos pela população. A Pnad Contínua com recorte trimestral, também divulgada pelo IBGE, tem foco no mercado de trabalho. O estudo anual, cuja edição mais recente foi apresentada nesta sexta, possui olhar mais amplo para as demais fontes de renda. Levantamento recente do jornal Folha de S.Paulo, a partir de microdados da Pnad Contínua trimestral, mostrou que os brasileiros com maiores salários tiveram uma perda individual maior se considerado apenas o rendimento médio do trabalho desde o começo da pandemia. Esse grupo, porém, consegue se proteger de outras formas da crise, dizem analistas. A perda pode ser amenizada ou compensada, por exemplo, com investimentos financeiros.
Varíola dos macacos: governador paulista não vê motivo para pânico

O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, disse hoje (10) que “não há motivo para ter pânico” após a confirmação do primeiro caso de varíola dos macacos no Brasil. Ontem (9), as secretarias municipal e estadual informaram que um homem de 41 anos, residente na cidade de São Paulo, testou positivo para a doença e está internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. O paciente tem histórico de viagem para Portugal e Espanha. Outros nove casos seguem em investigação nos estados de Santa Catarina (2), Mato Grosso do Sul (1), Rio Grande do Sul (1), Rondônia (2), São Paulo (1), Rio de Janeiro (1), Ceará (1). Garcia, durante evento em Barretos, no interior paulista, disse também que já comunicou o Ministério da Saúde para que sejam considerados “protocolos nas fronteiras” para controle da entrada do vírus. Ele lembrou que outro caso, de uma mulher de 26 anos, está em investigação. Ela está internada em um hospital público da cidade e é mantida em isolamento e seu quadro de saúde é estável. Esse caso foi notificado no dia 4 de junho. O Ministério da Saúde informou ontem, por meio de nota, que a Sala de Situação e do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) Nacional segue em articulação direta com o estado de São Paulo e com a capital paulista para monitoramento do caso e o rastreamento dos contatos. “Todas as medidas de contenção e controle foram adotadas desde a internação do paciente”, apontou o órgão. Na quarta-feira (8), a pasta informou que estava monitorando oito casos suspeitos de varíola dos macacos no Brasil. A varíola A varíola dos macacos é uma doença causada por vírus e transmitida pelo contato próximo/íntimo com uma pessoa infectada e com lesões de pele. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, este contato pode se dar por meio de um abraço, beijo, massagens, relações sexuais ou secreções respiratórias. A transmissão também ocorre por contato com objetos, tecidos (roupas, roupas de cama ou toalhas) e superfícies que foram utilizadas pelo doente. Não há tratamento específico, mas, de forma geral, os quadros clínicos são leves e requerem cuidado e observação das lesões. O maior risco de agravamento acontece, em geral, para pessoas imunossuprimidas com Aids, leucemia, linfoma, metástase, transplantados, pessoas com doenças autoimunes, gestantes, lactantes e crianças com menos de 8 anos de idade. De acordo com a secretaria, os primeiros sintomas associados à doença são febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, linfonodos inchados, calafrios ou cansaço. De 1 a 3 dias após o início desses sintomas, as pessoas desenvolvem lesões de pele que podem estar localizadas em mãos, boca, pés, peito, rosto e ou regiões genitais. O Instituto Butantan informou que essas lesões na pele evoluem em cinco estágios: mácula, pápulas, vesículas, pústulas e finalmente crostas, estágio final, quando as feridas caem. A transmissão do vírus ocorre, principalmente, quando há contato com essas lesões. Para prevenir a doença, a secretaria destaca que é importante evitar contato próximo ou íntimo com a pessoa doente até que todas as feridas tenham cicatrizado; evitar o contato com quaisquer materiais que tenham sido utilizados pela pessoa doente; e higienizar as mãos, lavando-as frequentemente com água e sabão ou álcool gel.
Jovem que disse ter pavor de ‘pessoas escuras’ é indiciada por racismo no Rio Grande do Sul

A Polícia Civil de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, indiciou uma estudante de 22 anos por racismo após declarações em redes sociais. Em postagens, M. E. R. C. disse que tinha “pavor de conviver com pessoas escuras” na sala de aula. Ela também responde por processo disciplinar na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), onde cursa artes cênicas por causa das “manifestações racistas e injúrias raciais proferidas no âmbito acadêmico”. O Processo Disciplinar Discente pode culminar até em na expulsão da estudante da instituição. M. E. R. C. não foi localizada pela Polícia Civil e por isso não foi ouvida. Segundo a delegada Débora Dias, um familiar informou, por telefone, que a estudante foi internada no dia 13 de maio em uma clínica de Santa Maria porque precisava de cuidados psicológicos, mas “não há nenhum documento que comprove que ela não pode responder pelos seus atos criminalmente”, informou Débora Dias. A reportagem tentou contato com a indiciada e com a família dela, sem sucesso. A delegada responsável pelo caso se disse chocada com os prints de mensagens publicadas pela jovem. “É visível o sentimento de superioridade por ser uma pessoa branca em relação as pessoas negras, e isso é inadmissível”, afirmou a delegada. As reproduções das publicações foram encaminhadas pela Polícia Federal, que recebeu inicialmente a ocorrência, à Polícia Civil em 10 de maio. O Ministério Público Estadual deve decidir se vai oferecer denúncia à Justiça ou arquivar o caso. Para a delegada Débora, a punição “é uma maneira pedagógica” de fazer as pessoas entenderem que racismo é crime e não pode ser tolerado. “A ideia de que as pessoas podem ter
PF prende suspeitos de vender produtos usados para deixar droga impura, em Goiás

A Polícia Federal realizou uma operação, nesta quinta-feira (9), em que cumpriu 31 mandados judiciais contra um grupo que intermediava a compra e venda de produtos químicos em Goiás que outros traficantes misturavam, posteriormente, em drogas. Na casa de um dos investigados, a corporação encontrou uma mala com R$ 1 milhão e uma arma. Em outros locais, foram achados vários pacotes de dinheiro escondidos em malas e gavetas de roupas íntimas. Ao todo, policiais cumpriram 14 mandados de prisão temporária e 17 mandados de busca e apreensão, nas cidades goianas de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Bela Vista de Goiás e Acreúna. Mas também no estado do Pará, nas cidades de Rio Maria e São Félix do Xingu. De acordo com os agentes federais, investigações constataram a existência de uma empresa de fachada, que adquiria produtos químicos controlados e repassava para um grupo de narcotráfico. Insumos como fenacetina, cafeína, lidocaína, benzocaína e ácido bórico, que tem a comercialização no Brasil fiscalizada pela Polícia Federal, eram vendidos aos traficantes e utilizados no “batismo de cocaína”. É neste processo que produtos químicos são adicionados à cocaína pura com o objetivo de aumentar a quantidade da droga e, em consequência, elevar o lucro dos vendedores. Goiás: PF apreende R$ 1 milhão de grupo suspeito de misturar produtos químicos em drogas (Foto: Divulgação – PF) Segundo a PF, os produtos químicos desviados possuem a forma de pó branco e causam efeito anestésico ou estimulante do sistema nervoso central. Em razão dessas características, esses insumos são misturados à cocaína pura, permitindo que o traficante aumente o volume da droga e, ao mesmo tempo, dê ao usuário a falsa sensação de que está adquirindo uma droga de “boa qualidade”. Estima-se que em apenas 1 ano de atividade, a empresa fiscalizada adquiriu mais de 17 toneladas de produtos químicos destinado ao tráfico de drogas. De acordo com os federais, nem mesmo os cinco maiores laboratórios farmacêuticos do país realizam aquisições tão grandiosas em tão pouco tempo. Além dos responsáveis pelo desvio de produtos químicos, a Polícia Federal também identificou os indivíduos que realizavam a lavagem de dinheiro do grupo criminoso e adquiriram os insumos. No total, 14 pessoas foram indiciadas pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.