Demora para capturar onça vista em Trindade (GO) preocupa moradores da região

Moradores da zona rural de Trindade se dizem preocupados com a demora das autoridades ambientais para capturar uma onça que foi vista pela região na madrugada de quinta-feira (19). Equipes do Corpo de Bombeiros e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informaram, nesta terça-feira (24), terem feito uma armadilha para capturar o animal. Mas, na visão dos moradores, as medidas não foram o suficiente para deixar a população segura. Segundo a psicóloga Marianna Santiago, filha do dono da propriedade, a onça foi vista por três crianças que brincavam próximo a casa onde moram e que, desde então, os menores estão traumatizados e não saem de casa com medo. Imagens mostram que a pegada do animal tem cerca de 16 cm. As autoridades ambientais instalaram armadilha e câmeras em chácaras da região. Na ocasião, os bombeiros explicaram que a intenção é que o animal fosse capturado nas próximas horas. Após o resgate, a onça será levada para uma região de mata distante. “Eles foram negligentes com a gente. Meu caseiro voltou a ligar para os bombeiros e eles disseram que se, caso os moradores conseguissem deixar a onça acuada ou presa, eles poderiam ir lá capturá-la. Mas como a gente vai capturar uma onça?”, questiona Marianna. “Nossos caseiros escutam o barulho dela a noite, ja encontraram também carcaças de animais mortos, que é algo característico das onças pintadas. Tudo nos leva a crer que é uma onça pintada. A gente só nao tem uma foto dela pra comprovar”, acrescenta. Bombeiros e Ibama fazem armadilha para capturar onça vista em Trindade (GO) (Foto: Reprodução) O que as autoridades dizem sobre captura de onça? À reportagem, o Ibama explicou que o caso está sendo acompanhado. O órgão ambiental ressaltou que, inicialmente, é preciso identificar que tipo de espécie está circulando na região, pois muitas vezes as pessoas acreditam se tratar de um animal, quando na verdade é outro. A identificação da espécie é fundamental, segundo os técnicos, pois só assim a equipe vai saber como capturar o animal e para onde deverá levá-lo depois do resgate, sem causar um novo problema ao meio ambiente. O Ibama também disse que, por enquanto, não há informações sobre quantas armadilhas e câmeras foram instaladas. Também explicou que os felinos silvestres vivem em movimentação. Portanto, é necessário todo um trabalho técnico para capturá-lo. Até o momento, não há informações da localização do animal. Ao Mais Goiás, os bombeiros enfatizaram que quem está responsável pelo resgate da onça é o Ibama. Isso porque é necessário anestesiar o animal para capturá-lo. É também a equipe do Ibama a responsável por supervisionar a área com câmeras. “O Corpo de Bombeiros Militar somente irá apoiar caso eles necessitem. Até o presente momento não fomos acionados por eles”, respondeu a corporação. Os bombeiros ainda enfatizaram que “a situação em questão, exige cuidado por parte dos moradores da região, porém é de extrema importância ressaltar que o animal está em seu ambiente natural e migra de acordo com suas necessidades biológicas (alimento e reprodução). O mesmo pode estar em trânsito de uma área para outra. E felinos também evitam a presença humana”, disseram em nota.

Polícia prende trio suspeito de homicídios, tráfico de drogas, furto e roubos em Catalão (GO)

A Polícia Militar prendeu, na manhã desta terça-feira (24), três suspeitos de trafico de drogas e roubos em Catalão, região sudoeste de Goiás. Os criminosos ainda são apontados como participantes de dois homicídios na região. Os três foram levados para a delegacia, onde seguem presos. O trio foi localizado no bairro das Américas após denúncias de roubos na região. A equipe visualizou duas motocicletas, produtos de furto, com características semelhantes as relatadas pelas vítimas e realizou a abordagem. Ao pesquisar as identificações no sistema, os policiais descobriram que o trio possui uma extensa ficha criminal, além de portarem um revólver calibre 38 e grande quantia em dinheiro. Os três foram conduzidos para a Central de Flagrantes de Catalão, onde prestaram depoimento e seguem detidos pelos crimes de homicídio, trafico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, roubo, furto e associação criminosa.

Para se vingar da morte do tio, jovem ataca homem com faca em Pontalina (GO)

Um rapaz de 19 anos está preso sob acusação de tentar matar um homem com golpes de faca em Pontalina, no Sul de Goiás. Segundo a Polícia Civil, o crime teria sido motivado por desejo de vingança, uma vez que a vítima está envolvida na morte do tio do rapaz. Policiais cumpriram um mandado de prisão preventiva contra o rapaz nesta terça-feira (24). O alvo dos golpes de faca tem 28 anos. Ele foi esfaqueado no abdômen e a lâmina se quebrou no corpo dele. Os ferimentos foram graves. Ele foi encaminhado em estado grave para um hospital em Goiânia, onde passou por cirurgia e encontra-se em recuperação. A Justiça autorizou qua polícia cumprisse contra o suspeito um mandado de prisão preventiva contra o autor dos golpes nesta terça-feira (24). Em depoimento, o jovem confessou o crime, mas alegou que não tinha a intenção de matar a vítima, apenas machucá-la. Agora preso, o jovem deverá responder pelo crime de tentativa de homicídio. Ele não tem antecedentes criminais. O Mais Goiás não localizou a defesa dele para manifestação.

Criança de oito anos encontra ossada humana enquanto soltava pipa, em Aparecida (GO)

Uma criança de oito anos encontrou uma ossada humana quando brincava em um terreno baldio, no Setor Rosa dos Ventos, em Aparecida de Goiânia, na terça-feira (24). Ele achou os ossos quando soltava pipa e chamou o pai, que por sua vez acionou a Polícia Civil. Ainda não há detalhes sobre as circunstâncias da morte ou a identidade da pessoa. Segundo o delegado Klayter Leandro Toledo, do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Aparecida, os ossos estavam parcialmente enterrados e havia peças de roupas no local. Ele aguarda resultado do exame cadavérico para conduzir investigações sobre o caso. De acordo com o delegado, ainda não foi possível determinar o sexo e idade, nem mesmo se a ossada estava completa. “O material foi encaminhado primeiramente para o Instituto Médico Legal (IML) para exame cadavérico. Em seguida para a Polícia Técnico-Científica, que busca a identificação a partir de exame de DNA, e exame odontolegal, para identificação a partir da arcada dentária”, afirma o investigador. O laudo realizado pela Polícia Técnico-Científica deve ser entregue nos próximos 10 dias. Para então realizar buscas em banco de dados de pessoas desaparecidas.

MPF acusa pastor e casal por manterem 19 pessoas em regime análogo à escravidão

O Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal em Rondônia um pastor e um casal por redução de 19 trabalhadores à condição análoga à de escravo na extração de castanhas em terras bolivianas. De acordo com a Procuradoria, os acusados – Dione Chaves Sousa, Maria Irismar Lago de Lima e Sidnei Joaquim da Silva – aliciavam pessoas em situação de rua e as obrigavam a trabalhar 12 horas por dia, sem pausas. À Dione e Maria, a Procuradoria ainda imputa suposto tráfico de pessoas e de drogas. A denúncia narra que a primeira era integrante do Comando Vermelho, ‘com envolvimento em diversos crimes como tentativa de homicídios, furtos e ameaças’. Já Sidnei, é apontado como arrendatário de terras dos castanhais, e teria auxiliado no aliciamento de pessoas em Porto Velho, ainda cedendo seu veículo para o transporte de alguns dos trabalhadores. “Trata-se de uma bizarra prática de um crime em si mesmo repugnante. Os acusados praticamente sequestraram vários moradores de rua em Porto Velho, levaram todos para a Bolívia e lá os mantiveram sob condições degradantes. Não bastasse, ainda cobraram valores absurdos por coisas essenciais (comida inclusive) e ainda forneceram drogas a todos”, indicou o procurador da República Reginaldo Trindade, autor da denúncia apresentada na esteira da Operação Finis Messi, deflagrada em novembro de 2021. De acordo com o Ministério Público Federal, o inquérito indicou que os três denunciados realizaram o transporte das vítimas, de Rondônia até a Bolívia, e lá as obrigavam ‘a exercer jornada de trabalho exaustiva, com média de 12 horas diárias sem interrupções, descanso ou pausa para alimentação’. O trabalho era realizado independentemente das condições climáticas do local, diz a Procuradoria. O órgão indica que os castanhais estão situados em região de floresta inóspita, acessível apenas por barco ou voadeira (canoa com motor). Considerando que os meios de transporte pertenciam a Dione Sousa e Maria Irismar, os procuradores indicam que o controle da saída do local era ‘dominado’ pelos denunciados. A alimentação das vítimas era limitada a duas refeições, uma pela manhã e outra ao fim da jornada de trabalho, o valor da refeição era cobrado, aumentando a dívida das vítimas com os supostos empregadores. “Se os trabalhadores desejassem adquirir outros produtos, deviam comprar do casal, que cobrava preços abusivos. Para se ter uma ideia dos abusos, segundo as vítimas, uma garrafa de cachaça custava R$ 600 e uma pasta de dente, R$ 100. Além disso, as vítimas eram impedidas de adquirir ‘bens das poucas embarcações que passavam pelo local’”, narra o MPF. A Procuradoria ainda aponta que Dione Chaves e Maria Irismar vendiam drogas ilícitas aos trabalhadores. Depoimentos colhidos no âmbito do inquérito indicaram que os ‘entorpecentes eram fornecidos diariamente e de modo forçado’. Com a palavra, os denunciados Até a publicação deste texto, a reportagem buscou contato com os acusados, mas sem sucesso. O espaço está aberto para manifestações.

Covid-19: Brasil registra 12,7 mil casos e 39 mortes em 24 horas

O Ministério da Saúde divulgou hoje (23) novos números sobre a pandemia de covid-19 no país. De acordo com levantamento diário feito pela pasta, o Brasil tem, no acumulado, 30,8 milhões de casos confirmados da doença e 665,6 mil mortes registradas. Os pacientes recuperados até agora são 29,8 milhões (96,9% dos casos). Nas últimas 24 horas, o ministério registrou mais 12,7 mil casos e 39 mortes pela doença. O estado de São Paulo tem o maior número de casos acumulados desde o início da pandemia (5,4 milhões) e mais óbitos pela doença (168,9 mil). Em seguida estão Minas Gerais (3,3 milhões de casos e 61,4 mil mortes); Paraná (2,5 milhões de casos e 43,2 mil óbitos) e Rio Grande do Sul (2,3 milhões de casos e 39,4 mil óbitos). Vacinação Conforme o vacinômetro do Ministério da Saúde, 431,4 milhões de doses de vacinas contra contra a covid-19 já foram aplicadas. A primeira dose foi aplicada em 176,7 milhões de pessoas, e a segunda, em 158,4 milhões de pessoas. Receberam a dose de reforço 84,3 milhões de pessoas e a segunda dose de reforço, 3,4 milhões.

Anvisa sugere máscara e isolamento para adiar chegada de varíola

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está pedindo reforço de medidas não farmacológicas, como distanciamento, uso de máscara e higienização frequente de mãos, em aeroportos e aeronaves, para retardar a entrada do vírus da varíola dos macacos no Brasil. Desde o início do mês, ao menos 120 ocorrências da doença foram confirmadas em 15 países. O Ministério da Saúde instituiu ontem uma sala de situação para monitorar o cenário da monkeypox no Brasil. A rara doença pode chegar nos próximos dias, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão. No domingo foram registrados casos suspeitos na vizinha Argentina. A varíola dos macacos é, na verdade, doença original de roedores silvestres, mas isolada inicialmente em macacos. É frequente na África, mas de ocorrência muito rara em outros continentes. Cientistas acreditam que o desequilíbrio ambiental esteja por trás do atual surto, mas não veem razão para pânico. “Acho muito difícil que (a doença) não chegue aqui”, afirmou o presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, José David Urbaez “Mas se trata de uma doença considerada benigna.” Além disso, existem tratamento e vacinas. Mas é necessário alerta, segundo a Chefe da Divisão de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas da USP, Anna Sara Levin. “Essa transmissão pessoal é um pouco preocupante, temos de entender se houve uma adaptação do vírus ou contato muito intenso entre as pessoas.” “É mais um problema que vem se somar ao nosso quadro atual”, disse Urbaez. “O ponto positivo é que a nossa vigilância está muito sensível, conseguindo detectar os problemas em tempo real “

Bolsonaro decide trocar presidente da Petrobras de novo e anuncia Caio Paes de Andrade

O governo decidiu promover mais uma troca na presidência da Petrobras e anunciou na noite desta segunda-feira a demissão de José Mauro Coelho do cargo. Ele havia sido nomeado em abril e ficou pouco mais de um mês no cargo. Em seu lugar assume Caio Paes de Andrade, nome de confiança do ministro Paulo Guedes e que atuava no Ministério da Economia. Ele será o quarto executivo a comandar a estatal em menos de quatro anos do governo de Jair Bolsonaro, que, incomodado com o impacto dos preços dos combustíveis em sua popularidade, troca o comando da estatal pela terceira vez. Coelho ficou apenas 40 dias no cargo. Desde a troca no comando do Ministério de Minas e Energia (MME), em 11 de maio, uma possível mudança na chefia da Petrobras passou a ser ventilada e encarada com naturalidade por integrantes da equipe econômica. O nome de Caio Andrade já havia sido ventilado quando Bolsonaro decidiu demitir o general Joaquim Luna e Silva, em março. Inexperiente no setor, seu nome ganha impulso pelo trabalho feito na implementação da plataforma gov.br, considerada uma revolução digital. No Planalto, a nomeação de Caio foi atribuída a Paulo Guedes junto com Adolfo Sachsida, novo ministro de Minas e Energia. Pressionado pela baixa popularidade que ameça sua reeleição, Bolsonaro determinou que a ala política do governo fizesse o que fosse preciso para controlar a inflação puxada pela alta dos combustíveis. No caso da Petrobras, o presidente não afastou a possibilidade de mexer mais uma vez no comando da empresa, ainda que isso seja interpretado mais uma vez pelos investidores como interferência política na estatal, cobrando um preço no valor de mercado da companhia. A expectativa no governo é que haja substituições também entre os diretores da estatal. Desde que assumiu o Ministério de Minas e Energia, Adolfo Sachsida deixou claro que tomava decisões em alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro, como o anúncio dos estudos para privatização da Petrobras e PPSA. O presidente também deu declarações em que praticamente deu carta branca para o Sachsida escolher alguém de sua preferência para o comando da estatal. Para interlocutores do governo ouvidos pelo GLOBO, quem preside a Petrobras tem que estar em sintonia com o ministro de Minas e Energia. Afinal, até que se concretize o plano de Sachsida de privatizar a empresa, ela é e permanece sendo uma estatal. Apenas um interlocutor da equipe econômica fez a ressalva de que uma eventual troca de comando na Petrobras seria um processo muito complexo e desgastante. O atual presidente, José Mauro Coelho, era praticamente um desconhecido para Sachsida, com que nunca trabalhou quando ambos eram secretários – Coelho trabalhava no MME e Sachsida, na Economia. Outra avaliação é que o país atravessa um período de muita oscilação e volatilidade com o preço dos combustíveis, influenciado pelo custo do petróleo e pelo câmbio, o que já justificaria uma substituição na estatal. Interlocutores próximos de Coelho já notavam que ele estava muito desconfortável no cargo e já considerava sua saída concreta. Isso não é demérito de Coelho, esclareceu um integrante do governo, mas apenas um movimento indicando que o ministério está ‘sob nova direção’. Coelho teve uma reunião com Sachsida no Ministério de Minas e Energia, no mesmo dia em que o ministro solicitou o início dos estudos para a privatização da estatal. Coelho entrou e saiu pela garagem do prédio, e o encontro dos dois durou pouco mais de uma hora. O nome de Caio Paes Andrade ganhou força a partir da nomeação de Sachsida. Ele não tem experiência no setor, conforme exige a Lei das Estatais, mas a estratégia seria indicar alguém com vasto conhecimento da política econômica, afinado com Sachsida e o ministro da Economia, Paulo Guedes. De acordo com esses interlocutores, o governo poderia fazer uma espécie de adaptação para indicar Andrade, conforme foi feito com o general Joaquim Silva e Luna, que não tinha atuado no setor de petróleo e possuía curta experiência no setor de energia. Ele ficou pouco menos de um ano no cargo, entre abril de 2021 e março de 2022.

Justiça mantém prisão de delegada Adriana Belém e mais três réus

A delegada Adriana Belém continuará na cadeia. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (23), pelo juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada da Capital. Ele indeferiu o pedido de revogação da prisão da delegada e dos réus Marcos Cipriano, Leandro Souza e Jefferson Monteiro da Silva. De acordo com a decisão, as defesas não comprovaram qualquer fato que altere o panorama de provas atual. “Ao contrário do que alegam as defesas, não há qualquer possibilidade de substituição das prisões por medidas cautelares, eis que presentes os pressupostos da prisão preventiva”, destacou o juiz na decisão. O magistrado também pediu a intimação da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária para que informe se há condições de prisão de delegadas de polícia no sistema penal. A defesa de Adriana Belém alega que ela corre risco por estar presa com outras detentas. A reportagem entrou em contato com a defesa da delegada, mas ainda não obteve retorno. Adriana Belém foi presa no último dia 10, durante a Operação Calígula. Em sua casa, foi apreendido R$ 1,7 milhão em dinheiro.

Tribunal dos Povos julga Bolsonaro por crimes contra a humanidade

O tribunal internacional que surgiu em 1966 para investigar crimes cometidos pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã (1959-1975) vai julgar nestas terça (24) e quarta-feira (25) se o presidente Jair Bolsonaro (PL) cometeu ou não crimes contra a humanidade durante a pandemia da Covid-19. A denúncia foi feita em conjunto pela Comissão Arns (Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Coalizão Negra por Direitos e a Internacional de Serviços Públicos (ISP). O TPP (Tribunal Permanente dos Povos) é considerado como um tribunal de opinião com impacto simbólico e reputacional: profere vereditos sem aplicar penalidades. A peça acusatória aponta para uma disseminação intencional do coronavírus a partir de ações e omissões do governo brasileiro, o que teria afetado desproporcionalmente as populações indígena e negra bem como os profissionais de saúde, acentuando violações de direitos humanos, vulnerabilidades e desigualdades que promoveram mortes evitáveis. A acusação será sustentada a partir do salão nobre da Faculdade de Direito da USP, em São Paulo, durante a 50ª sessão do TPP, que acontece simultaneamente na capital paulista e em Roma, onde fica a sede do órgão. A sessão será híbrida, com a participação remota dos 12 membros do júri, de sete nacionalidades diferentes, e terá transmissão ao vivo no canal da Comissão Arns no YouTube. A secretaria do TPP notificou o governo brasileiro por meio de sua representação diplomática em Roma, do Itamaraty e do Palácio do Planalto sobre a denúncia e a sessão. Em nota, o Itamaraty informou que o TPP é uma iniciativa da sociedade civil e “não se confunde com atuação de tribunais internacionais, constituídos pelos Estados, perante aos quais o Itamaraty tem competência para representar a União”. A Advocacia Geral a União (AGU), também por meio de nota, informou não haver atuação prevista do órgão, uma vez que “não existe Tribunal Permanente dos Povos no sentido jurídico do tema, muito menos ao qual o Brasil tenha aderido por meio de tratado internacional”. Ao reunir evidências e testemunhas que indiquem violações graves, no entanto, o TPP alerta a comunidade internacional, o que promete expor internacionalmente o governo brasileiro e seu atual presidente. O julgamento do TPP reúne e organiza provas de que direitos fundamentais de povos foram violados, informando instituições dos sistemas internacional e regional de Justiça, como o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que podem vir a julgar formalmente esses casos, com penalidades concretas previstas para indivíduos e Estados. Bolsonaro foi alvo de ao menos cinco denúncias enviadas ao Tribunal de Haia (TPI), das quais uma está sob análise preliminar de jurisdição da Procuradoria e outras duas foram protocoladas na corte internacional, criada pelo Estatuto de Roma, de 1998, para tratar dos crimes considerados os mais graves e que não podem ficar impunes, como o genocídio e os crimes contra a humanidade. “A questão da impunidade é crucial nesse processo de denúncia ao TPP porque nenhuma das acusações que foram feitas contra o presidente brasileiro e seu governo, em especial a partir da CPI da Covid, teve consequências no Brasil”, afirma o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos e membro fundador da Comissão Arns, que articulou a denúncia. “O presidente comete crimes de responsabilidade cotidianamente, mas tem contado com uma garantia de impunidade por parte da Procuradoria-Geral da República”, avalia Pinheiro, sobre o comportamento do procurador-geral da República, Augusto Aras. “O TPP exprime essa insatisfação e revolta com a impunidade diante de crimes tão bem fundamentados.” O TPP nasceu como Tribunal Russell, organizado pelo filósofo, matemático e Nobel de literatura britânico Bertrand Russell (1982-1970) para investigar violações cometidas pelas forças militares dos EUA na Guerra do Vietnã. Conhecido também como Tribunal de Estocolmo e Tribunal Internacional de Crimes de Guerra, seu júri foi presidido pelo filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre, e composto pela escritora Simone de Beauvoir, o político italiano Lélio Basso e escritor argentino Júlio Cortazar, entre outros. Em 1979, a partir dos princípios da Declaração Universal dos Direitos dos Povos, criada em 1976, por iniciativa de Lélio Basso, o Tribunal Russell se tornou Tribunal Permanente dos Povos. A advogada Eloísa Machado, professora de Direito Constitucional da FGV Direito e integrante da Comissão Arns, explica que o TPP “surge com o propósito de dar vazão e visibilidade a temas que não encontram apoio nos sistemas formais de Justiça formal, seja por falta de acesso ou de condições políticas para o processamento de denúncias”. Segundo Eloísa, “a centralidade do TPP é a escuta dos povos afetados” e, com isso, o tribunal “evidencia lacunas no sistema formal de Justiça e antecipa movimentos” que depois buscam preencher esses vácuos. Como exemplos, ela cita o fato de o TPP ter sido o primeiro a se debruçar sobre violações cometidas pelas ditaduras latino-americanas e o primeiro a julgar casos contra empresas transnacionais, algo que só agora o sistema internacional avalia como viável. “Por isso, o TPP é uma instância de visibilidade e de reparação simbólica para crimes que foram cometidos sistematicamente na pandemia e que não encontram eco em nenhuma das jurisdições formais, nacionais ou internacionais”, diz Eloísa, responsável pela sustentação oral da acusação contra o presidente, ao lado de Maurício Terena, advogado e assessor jurídico da Apib, e de Sheila de Carvalho, advogada e articuladora da Coalizão Negra por Direitos. O júri responsável pela 50ª Sessão do TPP é integrada pelo ex-juiz italiano Luigi Ferrajoli, pelo magistrado argentino Eugênio Raúl Zaffaroni, juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos, pela baronesa britânica Vivien Stern, membro independente da Câmara dos Lordes no Parlamento do Reino Unido, pelo sociólogo suíço Jean Ziegler, ex-relator da ONU para o direito à alimentação, e pelo sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, entre outros. O veredito deve ser tornado público até o final do mês de julho. Para Dinaman Tuxá, coordenador executivo da Apib, o momento “é muito oportuno” para que esses elementos sejam trazidos a público. “Passamos por uma série de violações provenientes de omissões do Estado brasileiro e de ações que contrariam direitos já