MDB e DEM dialogam por união diante da eleição municipal

A saída de Iris Rezende (MDB) do cenário eleitoral mudou as articulações entre os partidos que estão na disputa. O MDB, que até o mês passado se declarava oposição ao DEM, abriu um diálogo com o governador Ronaldo Caiado (DEM). Um aliado do presidente do diretório estadual do MDB, Daniel Vilela, e do ex-governador Maguito Vilela conversou com o Blog Poder em Jogo e afirmou conversam com objetivo de se unirem nas eleições municipais de Goiânia e de Aparecida de Goiânia. “Eles negam, mas existe um diálogo para compor nessas eleições,” confidenciou a fonte, cujo nome será preservado. A tática do MDB é ganhar em Goiânia com a candidatura de Maguito, que deve se confirmar pré-candidato nos próximos dias, e fortalecer o partido para as eleições majoritárias. As negociações garantiriam ainda apoio ao governador Ronaldo Caiado na sua reeleição, sem Daniel na disputa. Ainda de acordo com o aliado dos emedebistas, o nome do prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, está nas negociações para ser vice de Caiado em 2022. Para selar o acordo entre o grupo dos Vilela e o democratas, o governador indicaria ainda o vice de Mendanha derrubando partidos aliados do emedebista como o PSD e o PP.

PSD pode voltar atrás e lançar Vanderlan Cardoso em Goiânia

As eleições municipais em Goiânia devem ganhar novos episódios nas próximas semanas. A desistência de Iris Rezende (MDB) de disputar a reeleição e a aproximação do clã dos Vilela com o governo Ronaldo Caiado (DEM) pode culminar em uma dança das cadeiras na oposição. O deputado federal Francisco Jr., que já tinha tido seu nome lançado pelo PSD como o pré-candidato, pode ser substituído pelo senador Vanderlan Cardoso. O presidente do PSD em Goiás, Vilmar Rocha, admite a possibilidade da troca de nomes a interlocutores. Com a saída de Iris, Vanderlan tem terreno aberto na capital, onde sempre apareceu bem colocado nas pesquisas internas feitas pelos partidos. Outro fator que impulsiona Vanderlan para a disputa é o fato de Maguito Vilela e Daniel Vilela estarem se aproximando do governador Ronaldo Caiado (DEM). Aliado de Daniel desde 2010, Vanderlan enxerga isso como uma quebra de contrato dos caminhos da oposição. O próprio senador tem afirmado que está aberto ao diálogo com todos os partidos, inclusive com o DEM.

Em um só dia, polícia prende dois suspeitos de tráfico de drogas em Aparecida

Em ações distintas, realizadas na quarta-feira (26), dois suspeitos de tráfico de drogas foram presos por agentes da Delegacia Estadual de Repressão aos Narcóticos (Denarc) em Aparecida de Goiânia. Ambos já haviam sido autuados anteriormente pelo mesmo delito, e um deles, que é aposentado, alegou que vendia drogas para complementar a renda mensal. A primeira prisão aconteceu na região central da cidade, onde um homem de 51 anos foi flagrado com várias porções de maconha, uma balança de precisão, e papel filme usado para embalar a droga. Este mesmo suspeito, segundo a Denarc, já havia sido autuado também por tráfico em março de 2018. Assim como na primeira vez em que foi preso, o aposentado, que usava uma moto para entregar os entorpecentes, reclamou que o salário mínimo que recebe mensalmente é insuficiente para mantê-lo. Já no Bairro Maria Inês, outro homem também foi preso em flagrante com várias porções de skunk, entorpecente conhecido como “supermaconha”. De acordo com os agentes, este suspeito também já tinha sido autuado pelo mesmo crime em 2015, e ainda responde por roubo à mão armada. Os dois homens, que não tiveram os nomes divulgados, foram autuados novamente por tráfico de drogas, crime que tem pena de reclusão, de cinco, até 15 anos. Tocador de vídeo

Justiça paraguaia permite que Ronaldinho Gaúcho e irmão retornem ao Brasil

Foram 171 dias em solo paraguaio, o que corresponde a mais de cinco meses. Nesta segunda, Ronaldinho Gaucho e seu irmão Assis enfim ouviram do juiz Gustavo Amarillo a permissão para deixar o país. A dupla de ex-jogadores aceitou as condições propostas pelo Ministério Público local e recebeu o aval para cumprir no Brasil a pena por uso de documentos falsos. Para isso, irão desembolsar cerca de R$ 1,1 milhão de multa. Eles agora viajam para o Rio de Janeiro, onde informaram às autoridades paraguaias que irão morar. Amarilla determinou que Assis pague uma multa de 110.000 dólares (cerca de R$ 615 mil). O dinheiro será usado na aquisição de insumos na luta contra a Covid-19 para o sistema penitenciário paraguaio. O magistrado ainda impôs que ele fixe um endereço no Brasil, informe um número de telefone celular em que possa ser contactado pelas autoridades paraguaias e que compareça às autoridades judiciais brasileiras a cada quatro meses. Já em relação a Ronaldinho, Amarilla determinou o pagamento de 90.000 dólares (R$ 503,5 mil), que serão destinados a um hospital e a uma campanha beneficente. O ex-jogador não precisará se apresentar às autoridades brasileiras, como foi determinado a seu irmão. A investigação concluiu que Ronaldinho não sabia que estava usando um passaporte adulterado. Mas Assis, sim. O primeiro foi condenado a um ano. Já o segundo, a dois. O pagamento das multas e o cumprimento das condições suspendem a privação de liberdade. Durante a audiência, eles abriram mão de fazer qualquer tipo de declaração e aceitaram a proposta do Ministério Público. Sua defesa, contudo, sugeriu que as apresentações trimestrais fossem realizadas no consulado paraguaio, o que não foi aceito pelos promotores. Os dois chegaram a ser investigados por envolvimento num esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Porém, ao concluir os trabalhos, no início do mês, o Ministério Público decidiu não apresentar nova denúncia contra eles, que cumpriam prisão domiciliar em Assunção. Após pagarem uma fiança no valor de 1,6 milhões de dólares, Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto de Assis, foram transferidos da penitenciárias para um hotel de luxo em Assunção, onde cumpriam a prisão domiciliar. De acordo com a imprensa local, a partir daí a vida do ex-jogador brasileiro passou a ser agitada, com direito a visitas de modelos e festas no quarto. Entenda o caso O ex-astro do Barcelona e da seleção brasileira Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto Assis, foram detidos pela polícia do Paraguai sob acusação de ter entrado no país usando supostos passaportes adulterados. Euclides Acevedo, ministro do Interior do Paraguai, informou que investigadores entraram na suíte presidencial do Hotel Yacht y Golf Club, onde Ronaldinho estava hospedado, e encontraram dois passaportes adulterados. Um estava em nome do ex-jogador e o outro no do irmão. Ronaldinho chegou ao Paraguai na quarta-feira para o lançamento do seu livro “Gênio da vida” e participaria do lançamento de um programa social destinado a crianças organizado pela Fundação Fraternidade Angelical. Ronaldinho Gaúcho responsabilizou o empresário Wilmondes Sousa Lira, de 45 anos, que o representa no país vizinho, por portar o documento adulterado. Tanto o craque quanto o irmão e agente dele, Ronaldo de Assis Moreira, foram levados pelos agentes. Os irmãos cumpriam prisão domiciliar após passarem 32 dias na penitenciária.

Banda goiana gospel lança releitura de Preciso de Ti, da Diante do Trono

Com uma proposta de remeter as raízes da música cristã, a banda goiana gospel Casa Worship fez uma releitura de Preciso de Ti, uma das mais conhecidas canções do gênero musical no Brasil. A faixa é originalmente cantada pela banda Diante do Trono. A nova verão encabeça o novo projeto dos goianos. Intitulado Momentos, conta com três faixas, todas muito conhecidas no meio gospel. Além de Preciso de Ti, há covers de Tua Alegria, de André Valadão, e Em Tua Presença, da cantora Nívea Soares. Quem canta Preciso de Ti é a cantora Julliany Souza. “Eu me recordo das lágrimas caindo dos meus olhos, quando ouvir pela primeira vez a música”, diz. “Meu coração acelerou e pela primeira eu ouvir a voz de Deus falando comigo”, completa. Segundo Julliany, Deus falou com ela e disse: Filha eu te chamei pra você descansar na minha dependência, através de você outras pessoas puderam encontrar essa paz e descansar na minha dependência Por enquanto, o projeto está disponível apenas no YouTube. Com exclusividade ao Mais Goiás, a assessoria da banda confirmou que as faixas chegarão às demais plataformas de streaming em setembro. Assista a esta nova versão de Preciso de Ti: Sobre a Casa Worship O grupo goiano iniciou a carreira em 2018. Pouco depois, viralizaram no YouTube e assinam a interpretação das faixas A Casa É Sua, Eu Te Vejo Em Tudo e Faz Arder. A banda nasceu na igreja Casa, em Goiânia, e os artistas são membros de lá. Entretanto, segundo a assessoria de imprensa, hoje eles seguem um rumo independente. O gênero musical da Casa Worship, apesar de se enquadrar no gospel, bebe das fontes do folk, do soul, e também do pop.

Policarpo promete insistir para que Iris desista de se aposentar

Após reunir-se com o prefeito Iris Rezende (MDB) na tarde desta segunda-feira, o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, vereador Romário Policarpo (Patriota), afirmou à reportagem do Mais Goiás que não vai se conformar com a eventual decisão de Iris de não ser candidato à reeleição. Outros políticos que passaram pelo gabinete de Iris nesta mesma tarde disseram ter ouvido do prefeito que ele decidiu não concorrer. Policarpo mantém segredo a respeito do que ouviu, mas adianta que vai se esforçar para impedir que o prefeito se aposente. “Só desisto quando não tiver mais jeito, em 14 de setembro, depois convenção”, diz Policarpo. A equipe do prefeito anunciou que Iris realizará uma videoconferência com a imprensa nesta terça, às 11h30. O meio político vive a expectativa de saber se o prefeito vai confirmar a decisão comunicada a aliados hoje. Há um grupo – do qual faz parte o governador Ronaldo Caiado – que ainda tenta convencer o emedebista a mudar de ideia. Também nesta segunda-feira, passaram, pelo gabinete do prefeito, figuras como o presidente regional do MDB, Daniel Vilela, e o ex-deputado Lívio Luciano (DEM), entre outros. Maguito Vilela O nome do ex-governador Maguito Vilela (MDB) é a bola da vez para substituir Iris como candidato do MDB de Goiânia na disputa pela prefeitura, no caso da desistência do prefeito se confirmar. Sobre a possibilidade de o candidato do MDB ser Maguito, Romário diz que ainda não sabe se o seu partido, o Patriota, o apoiaria. “Temos que ouvir o que ele tem para o Patriota. Com Iris, era questão pessoal, não só minha, como de todos. Também gosto do Maguito, mas ainda precisamos conversar”. Informações de bastidores sugerem que a decisão antecipada de Iris de não disputar – caso confirmada – serviria para dar tempo de Maguito se organizar politicamente. O Mais Goiás falou com o ex-governador, mas ele preferiu não fazer qualquer comentário antes do anúncio de Iris.

MDB de Goianésia pode lançar candidatura alternativa a Renato de Castro

Afastado do prefeito de Goianésia, Renato de Castro, desde as eleições de 2018, quando ele contrariou a determinação partidária e apoiou a candidatura do governador Ronaldo Caiado (DEM), o MDB deve anunciar nos próximos dias a decisão de não apoiar a candidatura de Renato e bancar um outro nome para disputar a prefeitura. Caso a articulação seja concretizada, inviabilizaria o projeto de reeleição de Renato, pois não há mais tempo hábil para ele trocar de partido. Lideranças do MDB local que tiveram conversas nos últimos dias com o prefeito para discutir a formação da chapa majoritária apontam uma grande dificuldade de voltar a compor com ele. “O Renato não apoiou nenhum candidato do MDB em 2018, seja a governador ou a deputado, e desde então interrompeu o diálogo com a direção partidária”, conta uma liderança do partido que tem acompanhado as discussões. “Tanto é que todo mundo achava que ele iria sair do partido sem precisar ser expulso e ele foi alertado várias vezes de que, se optasse por ficar, seria difícil lhe garantir legenda depois de tudo que aconteceu. Mas ele acabou permanecendo, não se sabe se por excesso de confiança ou por desinteresse mesmo de concorrer a um novo mandato”, avalia a mesma fonte. Outra reclamação recorrente no partido é que o prefeito tem estimulado a filiação de lideranças locais no DEM do governador Ronaldo Caiado, no que consideram uma manobra para esvaziar o MDB. A filiação do pai de Renato, Manuel de Castro, no DEM, também desagradou os emedebistas. Manuel, conhecido na cidade como Fião, é o principal líder do grupo político do prefeito. A dificuldade de apoiar Renato foi comunicada ao próprio prefeito também pelo presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, em reunião que tiveram na semana passada, em Goiânia. Daniel já havia afirmado anteriormente, em entrevistas à imprensa, que não tinha compromisso com a candidatura à reeleição de Renato e que sequer havia sido procurado por ele até meados de agosto para tratar do assunto. O MDB agora abriu diálogo com partidos que não estão na base do prefeito para fortalecer a nova candidatura. O nome mais cotado hoje para disputar pela sigla é o do advogado Pedro Gonçalves, que foi secretário municipal de Projetos no início da gestão, mas deixou a prefeitura em 2018 para disputar mandato de deputado estadual. Sem o apoio da gestão municipal, que apoiou a candidatura de Lineu Olímpio (PTB) para uma vaga na Assembleia, Pedro acabou desistindo de se candidatar e se afastou politicamente do prefeito.

Investigação conclui que Flordelis mandou matar marido; polícia faz buscas

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) foi denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e a Polícia Civil como a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, morto em 2019. Como tem foro privilegiado, a parlamentar não será presa agora. Na manhã desta segunda-feira (24), a Polícia Civil cumpre 11 mandados de prisão e outros de busca e apreensão contra a deputada e familiares em endereços ligados aos réus em Niterói, na casa onde mora a parlamentar, São Gonçalo, Rio de Janeiro e Brasília, onde ela possui um apartamento funcional. Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 3ª Vara Criminal de Niterói. Segundo a CNN Brasil, seis pessoas já foram presas, sendo cinco no Rio e uma em Brasília. A pessoa detida na capital federal é Rayane dos Santos Oliveira, neta de Flordelis, presa no apartamento funcional da deputada. A operação é conduzida pelo MP-RJ, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil, por meio da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNSG), Todos os mandados de prisão são contra familiares do pastor. Dois filhos da deputada já estão presos. São alvos dos mandados de prisão preventiva os também denunciados Marzy Teixeira da Silva, Simone dos Santos Rodrigues, André Luiz de Oliveira, Carlos Ubiraci Francisco da Silva, Rayane dos Santos Oliveira, Flávio dos Santos Rodrigues, Adriano dos Santos Rodrigues, Andrea Santos Maia e Marcos Siqueira Costa. Por ter foro privilegiado, Flordelis não é alvo de prisão na operação que a polícia e o MP realizam hoje. Ela é acusada de homicídio triplamente qualificado, homicídio tentado, associação criminosa, uso de documento ideologicamente falso e falsidade ideológica. “O importante é que as prisões foram cumpridas”, disse o delegado Antônio Ricardo, titular da DHNSGI, em entrevista à GloboNews ao deixar a casa da parlamentar em Niterói. “A investigação chegou a essa conclusão. A motivação é porque ela estava insatisfeita com a forma como o pastor Anderson tocava a vida e fazia a movimentação financeira. Todas as buscas que foram feitas mostraram que essas pessoas estavam envolvidas. São 11 pessoas respondendo criminalmente. Temos 20% da família envolvida nesse crime”, completou. Denúncia A denúncia apresentada à Justiça aponta que Flávio dos Santos Rodrigues, em conluio com Lucas Cézar dos Santos de Souza, Flordelis e os demais denunciados, participaram do assassinado de Anderson do Carmo de Souza, em 16 de junho de 2019. O pastor foi morto na casa da família em Niterói. De acordo com o delegado Allan Duarte, a primeira fase da investigação identificou Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico da deputada, como executor do crime e Lucas César dos Santos, filho adotivo do casal, como a pessoa que comprou a arma utilizada no assassinato. Segundo a investigação, Flordelis planejou o homicídio e foi responsável por arregimentar e convencer o executor direto e demais acusados a participarem do crime sob a simulação de ter ocorrido um latrocínio. A deputada também financiou a compra da arma e avisou da chegada da vítima no local em que foi executada, segundo a denúncia. O motivo do crime, descreve a denúncia, seria o fato de a vítima manter rigoroso controle das finanças familiares e administrar os conflitos de forma rígida, não permitindo tratamento privilegiado das pessoas mais próximas a Flordelis, em detrimento de outros membros da numerosa família. As ações dos demais denunciados são descritas em diferentes etapas como no planejamento, incentivo e convencimento para a execução do crime, assim como em tentativas de homicídio anteriores ao fato consumado, pela administração de veneno na comida e bebida da vítima, ao menos seis vezes, sem sucesso, segundo apontaram as investigações. A parlamentar e os demais denunciados são acusados de usar documento falso, por tentarem, através de carta redigida por Lucas, atribuir a pessoas diversas a autoria e ordem para a prática do homicídio. Segundo a denúncia, o executor Flávio tinha o objetivo de livrar ele próprio e Flordelis da responsabilização do crime. Flordelis também tinha o objetivo de vingar-se de dois de seus filhos “afetivos” que não teriam aceitado as ordens de calar ou faltar a verdade durante os depoimentos. Os réus responderão também por associação criminosa.

Governo Bolsonaro desmonta ação de combate ao abuso de crianças

O governo Jair Bolsonaro excluiu do último relatório direitos humanos, o Disque Direitos Humanos, as informações sobre o encaminhamento e as respostas dadas a todas as denúncias de violações recebidas, entre elas as de violência infantil, feitas aos órgãos de apuração e proteção. Divulgado em maio deste ano em referência a 2019 pelo Ministério da Mulher, da Família e de Direitos Humanos, o relatório do Disque 100 informa que foram formalizadas 86.837 denúncias de violência contra crianças e adolescentes, que representam 55% do total recebido e uma alta de 13,9% em relação ao ano anterior. O relatório é elaborado pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos com base em denúncias feitas ao Disque 100, canal criado para atender os relatos de violação de direitos humanos no país. O maior volume de casos diz respeito a negligência (38%), enquanto a violência sexual representa 11% das denúncias. É computada ainda a incidência de violência psicológica (23%), violência física (21%), exploração do trabalho (3%), entre outras. O relatório aponta ainda que 52% das violações ocorrem na casa da criança ou do adolescente —cenário que especialistas temem se agravar com a pandemia de coronavírus e a quarentena. De modo geral, 69% dos atos ocorrem com frequência diária. A questão é que não se sabe que encaminhamento foi dado às denúncias recebidas —nem mesmo se alguma providência foi tomada. Questionado pela Folha, o ministério respondeu que a exclusão desses dados foi uma “decisão editorial”, mas que todas as denúncias recebidas são encaminhadas. (leia abaixo). Nos relatórios dos anos anteriores, o índice de resposta é baixo. Em 2018, apenas 13% das denúncias encaminhadas tiveram resposta, na média dos diversos órgãos encarregados de receber e apurá-las, bem como de proteger os violados —como conselhos tutelares, órgãos de segurança pública , corregedorias e outros. Os conselhos tutelares, embora tenham sido o órgão mais acionado (26,3%), tiveram o pior índice de resposta (10%) naquele ano. Em 2017, 15% do total de denúncias recebidas tiveram resposta, também na média. “Diante do caso da menina de 10 anos que teria sido violentada por 4 anos, essa questão dos retornos e encaminhamentos se torna ainda mais crucial”, afirma o advogado Ariel de Castro, membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe). “Demonstra que temos um sistema de proteção de crianças e adolescentes que não as protege. Um sistema falho e precário, com omissões ou até conivências de familiares, vizinhos e outros membros da comunidade. Mas que também os órgãos de proteção, de apuração e de recebimento de denúncias não funcionam adequadamente.” Para ele, a falta de retornos e providências gera descrédito e desqualifica o sistema do Disque 100. “Os denunciantes perdem a confiança no sistema, desestimulando denúncias e deixando as crianças e adolescentes mais em risco ainda”, acrescenta. “Para quê denunciar se não serve pra nada? Providências não são tomadas, ou se são, não se sabe. Devemos presumir que as vítimas continuaram em risco.” O advogado faz referência ao caso da criança capixaba de 10 anos que engravidou após ter sido estuprada pelo tio de forma recorrente por quatro anos. Por atender duas das três condições previstas na lei —gravidez resultante de estupro e com risco de morte para a mãe—, a criança conseguiu fazer o aborto nesta semana. O tio foi preso. Apesar de haver decisão judicial a favor, o procedimento não foi autorizado pelo Hospital Universitário do ES, e foi realizado em uma maternidade pública no Recife (PE), em meio à mobilização de movimentos religiosos contrários ao aborto, que protestaram diante do hospital e pressionaram a família a voltar atrás na decisão de abortar. Como medida protetiva depois que seu nome e endereço foram vazados, a criança entrou na última quinta-feira (20) no Programa de Apoio e Proteção às Testemunhas no ES, destinado a testemunhas e vítimas de crimes coagidas ou expostas a grave ameaça. Desmonte “A questão do monitoramento sempre foi um desafio, até pelo tamanho do nosso país e pelas condições concretas de trabalho”, afirma a assistente social Karina Figueiredo, da ONG Cecria (Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes). “Muitas vezes o conselho tutelar não tinha internet para receber e-mail.” Por isso, os Ministérios Públicos estaduais passaram a também receber as denúncias. Na condição de quem participou da estruturação do Disque 100 como serviço sob responsabilidade do governo federal em 2003, ela descreve o processo pelo qual o sistema passou sob o governo Bolsonaro como de “precarização” e “desmonte”. “A fala desse governo, quando ele chegou, era desconsiderar tudo que havia sido feito anteriormente. Começaram a criar um monte de questões para desqualificar o Disque, diziam não servia para nada, que tinha de ser revisto, reestruturado, que se demorava não sei quantas horas para falar”, afirma Figueiredo, secretária-executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes. “Disseram que iam rever, e até agora não vimos nada de concreto” , afirmou. “Não que o Disque fosse perfeito. Mas a gente precisava era de um diálogo para tentar um aprimoramento e não desqualificar o que foi feito antes.” Embora o combate ao abuso secual de crianças seja a principal bandeira da ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), ela mesma vítima de abuso na infância, o governo Bolsonaro, em decreto do ano passado, extingiu a comissão intersetorial de enfrentamento à violência sexual de crianças e adolescentes. “Com isso, perdemos nossa interlocução”, diz Figueiredo sobre o órgão, que reunia diferentes ministérios, organismos internacionais, entidades da sociedade civil e outros. . Outro problema foi a transferência da estrutura do Disque 100 de Brasília para Salvador, durante o governo Michel Temer, em 2015. A justificativa, segundo Figueiredo, foi a de que o custo do aluguel e da mão-de-obra seria mais barato. “Isso contribuiu para que o Disque ficasse mais precarizado”, avalia. A central de atendimento deixou de estar sob responsabilidade do governo federal e passou a ser operacionalizada por execução indireta, mediante contrato administrativo, ou seja, por um prestador de serviços. Para a socióloga Graça Gadelha, consultora do Instituto Aliança, isso é preocupante. “Por mais honesto e correto que esse prestador seja, isso é

Bolsonaro acumula ataques verbais a jornalistas e veículos de imprensa

O ataque do presidente Jair Bolsonaro a um repórter do GLOBO neste domingo é mais um episódio de uma série de agressões verbais à imprensa durante o atual governo. O presidente, que declarou ter vontade de “dar porrada” no jornalista ao ser perguntado sobre cheques repassados pelo policial reformado Fabrício Queiroz à primeira-dama Michelle Bolsonaro, terminou 2019 com 116 ataques à imprensa contabilizados pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Neste ano, durante a pandemia da Covid-19, Bolsonaro seguiu reagindo de forma agressiva a perguntas de jornalistas, inclusive mandando a imprensa “calar a boca”. Relembre a seguir alguns dos episódios de ataques do presidente: ‘Cara de homossexual terrível’ Em dezembro, Bolsonaro já havia atacado a imprensa ao ser questionado sobre a investigação da prática de rachadinha envolvendo um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Queiroz, ex-assessor de Flávio e suspeito de articular o desvio de verba pública na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), foi alvo de busca e apreensão do Ministério Público do Rio (MP-RJ) no fim do ano passado. A operação também mirou uma loja de chocolates, suspeita de ser usada para a prática de lavagem de dinheiro, que tem Flávio entre seus sócios. Questionado sobre o assunto na entrada do Palácio da Alvorada, Bolsonaro se dirigiu de forma homofóbica a um repórter do GLOBO e afirmou que o jornalista tinha “uma cara de homossexual terrível”. À época, questionado também sobre os cheques repassados por Queiroz a Michelle, o presidente afirmou não ter um recibo do suposto empréstimo feito ao ex-assessor de seu filho, e voltou a se dirigir de forma ofensiva aos jornalistas: – Pergunta para a tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai, está certo? Querem comprovante de tudo – disse Bolsonaro. ‘Ela queria dar o furo a qualquer preço’ Em fevereiro deste ano, Bolsonaro insultou uma repórter do jornal “Folha de S. Paulo” com uma insinuação de cunho sexual. Durante entrevista na porta do Alvorada, enquanto interagia também com apoiadores, o presidente referiu-se ao depoimento de Hans River do Nascimento, ex-funcionário de uma agência de disparos em massa por WhatsApp, concedido à CPMI das Fake News. No depoimento, o ex-funcionário mentiu sobre a conduta da jornalista, que fazia uma reportagem sobre supostos disparos ilegais na eleição presidencial de 2018. Bolsonaro reproduziu a versão mentirosa de Hans River, usando um trocadilho: – Ela (repórter) queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim – afirmou o presidente. Em nota conjunta divulgada à época, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmaram que Bolsonaro “repete as alegações que a Folha já demonstrou serem falsas” e que os ataques do presidente “são incompatíveis com os princípios da democracia”. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que também condenou a fala de Bolsonaro, afirmou que “este comportamento misógino desmerece o cargo de Presidente da República”. ‘Cala a boca, não perguntei nada’ Em maio, perguntado se havia pedido a substituição do superintendente da Polícia Federal (PF) no Rio, Bolsonarou reagiu aos gritos com a frase “cala a boca, não perguntei nada”. O ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que havia deixado o cargo duas semanas antes, declarou à época que o presidente tentava interferir politicamente na PF. Bolsonaro, depois de mandar a imprensa calar a boca, afirmou que o então superintendente do Rio, Carlos Henrique Oliveira, estava deixando o cargo “para ser diretor-executivo” da corporação, nomeação feita na semana seguinte. Na ocasião, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) afirmou, em nota, que o presidente mostrava “sua incapacidade de compreender a atividade jornalística”, além de externar “seu caráter autoritário”. Ameaças à atividade jornalística Em mais de uma ocasião, Bolsonaro já insinuou que poderia impor obstáculos à atividade de empresas de comunicação. Em outubro do ano passado, após a TV Globo veicular reportagem sobre a investigação do caso Marielle Franco com o depoimento de um dos porteiros do condomínio onde morava Bolsonaro, o presidente acusou a emissora de “canalhice” e “patifaria”, e sugeriu que poderia não renovar a concessão do canal. Em abril deste ano, na mesma entrevista em que disse “e daí?” ao ser questionado sobre as mortes em decorrência do novo coronavírus, Bolsonaro voltou a insinuar que “se não tiver tudo certo, não renovo a (concessão) de voces nem a de ninguém”, usando a expressão “imprensa lixo”. No fim do ano passado, o presidente disse que havia determinado o cancelamento de todas as assinaturas da “Folha de S. Paulo” em órgãos do governo federal, e recomendou também, em tom de ameaça, que os anunciantes do jornal deveriam “prestar atenção”. Em outra entrevista, também em 2019, o presidente voltou a se dirigir a anunciantes, ao declarar que não compraria produtos com publicidade veiculada no jornal. – Recomendo a todo Brasil aqui que não compre o jornal Folha de S. Paulo. Qualquer anúncio que faz na Folha eu não compro aquele produto e ponto final – afirmou.