PF encontra R$ 90 mil em dinheiro na casa de Alexandre Baldy; vídeos
A Polícia Federal encontrou dinheiro vivo na residência do secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Alexandre Baldy (PP), em Brasília, nesta quinta-feira (6). O montante é de pelo menos R$ 90 mil e estava guardado em dois cofres. Vídeos mostram o momento da apreensão. As informações são da Revista Veja. A ação faz parte da Operação Dardanários, que apura desvios na Saúde no Rio de Janeiro e em São Paulo. São seis mandados de busca e apreensão cumpridos em Petrópolis, no Rio de Janeiro, na capital paulista, em São José do Rio Preto, Goiânia e Brasília expedidos pelo juiz Marcelo Bretas. Baldy foi preso pela Polícia Federal em casa, no Jardins, na Zona Oeste de São Paulo também nesta quinta (6).
Médico é preso por sacar arma em discussão por exame de covid-19 no Rio
A consulta de um paciente com sintomas do novo coronavírus terminou em discussão e virou caso de polícia na tarde desta quinta-feira, em um consultório localizado no Shopping Cittá América, na Barra da Tijuca, quando, durante o desentendimento, um médico pneumologista teria sacado uma arma de dentro de sua bolsa e ameaçado o cliente. O caso foi parar na 16ª DP (Barra da Tijuca). De acordo com os relatos do paciente, ele marcou uma consulta com o doutor Enio Studart para examinar o pulmão porque havia sido infectado com a Covid-19 há dois meses, mas os sintomas de cansaço continuavam. Foi quando, ainda segundo o homem, o pneumologista questionou a qualidade dos testes rápidos feitos por ele na ocasião. Teria iniciado, a partir dali, uma discussão, onde ambos teriam trocado ofensas. Foi nesse momento, ainda de acordo com o depoimento, que o médico pegou uma mochila, de onde sacou uma pistola para ameaçá-lo. O primeiro a chegar à delegacia foi o médico, contando ter tido um desentendimento com seu paciente, que chegou logo depois, acompanhado de policiais militares. Aos inspetores, Enio afirmou que o paciente, durante a consulta, não era claro em suas respostas, e que se aborreceu com as perguntas feitas por ele, começando a xingá-lo em seguida. O doutor também confirmou que possuía uma arma, mas que não havia a utilizado. Os agentes começaram a duvidar da versão do pneumologista, no entanto, quando questionaram de que forma ele teria se dirigido até a delegacia. Ele afirmou que havia pedido um serviço de carro por aplicativo, mas investigadores encontraram estacionado no pátio um automóvel com placa no nome dele. Foi neste momento que os policiais fizeram uma busca e encontraram dentro do veículo uma série de armas: um revólver calibre .38, uma pistola calibre .32, um soco inglês, duas facas, 24 munições de calibre .38, nove munições de calibre.32 e um carregador de pistola .32. Enio foi preso em flagrante pela equipe coordenada pela delegada Fernanda Noethen e irá responder pelos crimes de ameaça e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Confira a nota oficial da Polícia Civil: “De acordo com a 16ª DP (Barra da Tijuca), o médico foi preso em flagrante por ameaçar um paciente e por porte ilegal de arma de fogo. Em seu veículo, foram encontrados um revólver, uma pistola, um soco inglês, duas facas, um carregador de pistola e munições”.
CENTRO DE ZOONOSES GANHA MELHORIAS EM VALPARAÍSO DE GOIÁS
Os cães e gatos acolhidos no Centro de Controle de Zoonoses do município de Valparaíso de Goiás terão muito mais conforto, comodidade e segurança. Isso virou realidade após o início de uma reforma estrutural que está deixando o lugar muito mais agradável, bonito e receptivo, ou seja, com uma cara totalmente nova. A entidade que já contava com um canil foi contemplada com a construção de um gatil, ambos voltados ao atendimento das demandas de animais em estado de abandono, maus-tratos e que necessitam de cuidados veterinários por causa de doenças. Muitos cachorrinhos e gatinhos já estão recuperados e procurando um novo lar, com donos responsáveis que ofereçam amor e carinho. Cada um deles recebeu tratamento adequado e as vacinas contra raiva e leishmaniose seguem em dia. O órgão, subordinado à Secretaria Municipal de Saúde de Valparaíso tem contado com todo o suporte do Governo Municipal, que defende a causa animal e oferece as condições necessárias para o desenvolvimento do trabalho dos profissionais, que se dedicam diariamente ao amparo e a proteção de centenas bichinhos. O Centro de Zoonoses funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na Rua Alagoas, Quadra 23, Lote 03, Setor de Chácaras Anhanguera C. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (61) 3629-1754. Assessoria de Comunicação do Governo Municipal de Valparaíso de Goiás
Caiado convoca partidos de sua base para uma reunião de emergência
Dois dias após o PSDB anunciar que está proibida a coligação com o DEM nas eleições municipais em Goiás, o governador Ronaldo Caiado (DEM) convocou para uma reunião de emergência todos os presidentes estaduais de partidos que compõem a sua base aliada. O encontro está marcado para a manhã desta sábado (1°), no Palácio das Esmeraldas. Atualmente, Caiado conta com 14 partidos. São eles, DEM, Podemos, PMN, PMB, PPL, PRP, PROS, PRTB, PSC, PSL, PTC, PDT, PSB e Cidadania.
Retomada das viagens deve priorizar lugares nas vizinhanças
Deserto do Saara? Viajou. No momento, vamos de Jalapão (TO). A savana africana deve abrir espaço para o Pantanal e a Amazônia, assim como a Europa deve ceder a vez a Campos do Jordão, cidades históricas mineiras e serras gaúcha e catarinense. Foto da janelinha com vista lá do alto tende a baixar o foco e mirar paisagens captadas do banco de um automóvel. Isso porque, de cada 10 brasileiros de passagem, hospedagem ou pacote de viagem na mão, 8 vão embarcar rumo ao Brasil pelo menos até o Réveillon, mostra estudo da Braztoa, associação das operadoras de turismo (69% delas já retomaram as vendas). “Por ora, até mesmo os brasileiros acostumados com viagens internacionais vão optar por lugares no Brasil”, afirma Roberto Nedelciu, 59, presidente da entidade, que representa 90% das viagens de lazer comercializadas no país. “Temos procura por países da Europa e Ásia e também pelos EUA, destinos que apresentam preços entre 40% e 60% mais em conta, porém, com embarque previsto somente para 2021”, diz ele. Dona da Aromas da Montanha, pousada de charme em Tiradentes (MG), a agrônoma Rosana Negreiros, 60, explica que é preciso aprender como os outros países retomaram o turismo. Ela vislumbra um retorno pautado em mudança de hábitos. O bufê de café da manhã, por exemplo, deixa de existir. Será servido no quarto do hóspede ou em espaços que garantam o distanciamento social. O uso de máscaras para o staff e clientes já faz parte da paisagem. Por causa da pandemia, ela se mudou para a pousada com o marido, Mozart Alemão, 60. Trouxe a mãe dela, Leonilda, 89, para viver com eles. O casal defende mudança de atitude, sobretudo, dos turistas e de empresários do setor. Eventos como o encontro gastronômico e o de motoqueiros, dois dos principais festejos do calendário tiradentino, devem ser reduzidos para uma versão “intimista, em sintonia com o clima pacato do município”, diz Alemão. Uma das cidades históricas mais bem preservadas do país, Tiradentes tem cerca de 8.000 habitantes. Com pouca gente transitando por suas ruas de pedra do século 18, elas ganharam uma fina grama parecida com “um tapete verde”, descreve Rosana. “É claro que pessoas fazem falta, mas, quando voltarem, terão que apreciar o silêncio e respeitar a história e a natureza locais”, diz a agrônoma. “O turismo de massa acabou.” Para Magda Nassar, 57, presidente da Abav Nacional, associação que congrega 2.400 agências de viagens por todo o país, os passos para a retomada precisam ser cautelosos, porque não se sabe se o destino procurado hoje estará aberto ao turismo amanhã. O retorno se dará por lugares no entorno do viajante. “Agora é o momento de o Brasil se mostrar protagonista.” Neste instante de readequação, hotéis com limitação de hóspedes, sistema de alimentação e lazer controlado para um número menor de pessoas e atrações ao ar livre estão no catálogo da CVC, maior agência e operadora do país, que antes da pandemia de Covid-19 levava mais de 20 mil pessoas por dia para viajar. Por enquanto, a empresa prevê que a retomada será gradual, a partir deste mês. “Neste primeiro momento, os clientes tendem a preferir viagens próximas às suas residências”, avalia Leonel Andrade, presidente da CVC Corp. Serra gaúcha, Nordeste, interior paulista e cidades históricas mineiras, assim como roteiros de luxo e charme, que exigem limitação de visitantes, podem ganhar preferência. O carro deve largar na frente como principal meio de transporte desta retomada. Nascido e criado à beira-mar, o guia Júnior Tubarão, 30, fazia do barco seu instrumento de trabalho. Com a chegada do vírus, o turismo secou. Hoje, ele sobrevive com o auxílio de R$ 600 e da pesca. Segue, contudo, conectado à natureza de Galinhos, uma praia ainda intocada no norte do Rio Grande do Norte, onde carro não entra. O braço de mar Aratuá, nome dado em homenagem aos aratus, caranguejos presentes ali em abundância, era o “escritório” de Tubarão, que servia de cenário para os passeios com tour gastronômico. Dia desses, uma espécie rara pousou ali, a gaivota-bico-de-tesoura, conhecida como talha-mar. Ao mergulhar nas águas do Aratuá, o guia se deparou com uma outra surpresa: o fundo estava apinhado de cavalos-marinhos. “As abelhas também voltaram. O turista? A gente espera”, brinca. E, quando voltar, precisa pisar ali com outro comportamento, avalia Daniel Barbosa, 33, guia de Maceió há dez anos. “As pessoas vão se desligar do celular e se conectar com as belezas da natureza, respeitando-as. Sem muvuca.” Antes do sumiço dos visitantes, ele chegava a trabalhar com 300 turistas por semana. Em tempos de paralisia, usa o tempo livre para aulas de inglês, espanhol e guitarra. Barbosa afirma não ter procurado ajuda do governo. “Muita gente carente precisa bem mais desses R$ 600.” Sem renda, sacando as economias da poupança e vivendo com o auxílio do governo e de doações de cesta básica, Romildo Carlos Lopes, 54, guia há mais de 20 anos em Fernando de Noronha, lugar onde todo o mundo o conhece como Lombra, explica que a retomada deve ocorrer com preços menores na ilha. Reconhece que os valores praticados ali costumavam assustar os visitantes. “Agora, não tem turista e ninguém tem dinheiro pra nada. Vai ter que baixar.” Independentemente da máscara de proteção de uso obrigatório, uma coisa é certa: por mais higienizada que a peça de snorkel esteja, muitos vão preferir levar a sua quando saírem para mergulhar nas águas translúcidas do arquipélago pernambucano.
Moradores do Jardim Goiás se mobilizam contra instalação de pit-dog
Moradores de dois condomínios localizados na Avenida E, no Jardim Goiás (região sul de Goiânia), mobilizam-se para impedir a construção de um pit-dog na esquina da avenida E com a rua 61. Eles reclamam que deveriam ter sido consultados a respeito da abertura do estabelecimento, que está em obras. De acordo com o servidor federal aposentado Flávio Borges, que faz parte do protesto, os condôminos já pediram à Justiça que suspenda as obras em caráter liminar. Também pediram apoio ao Ministério Público. Além da suposta falta de assinaturas de moradores locais no abaixo assinado, que é obrigatório para instalação de pit-dogs, o argumento é de que o estabelecimento pode gerar barulho e está localizado há poucos metros das janelas dos prédios. Flávio Borges também diz que o espaço destinado ao estabelecimento é muito pequeno, o que pode gerar ocupação da calçada por parte dos clientes. “Sem contar o mau cheiro, fumaça, barulho e até maior possibilidade de assalto”, afirma ele. “Aguardamos o posicionamento da Justiça em relação a isso. Não fomos consultados”. Pit-dogs O presidente do Sindicato dos Pit-Dogs, Ademildo Godoy, explica que esse tipo de estabelecimento é tombado como patrimônio da cidade. Ainda assim, os permissionários somente ganham autorização de forma precária para uso e seguem diretrizes que são estabelecidas pela prefeitura. Ademildo diz desconhecer o caso específico do pit-dog da Avenida E, já que a prefeitura não é obrigada a notificar ao sindicato a respeito de cada licença concedida, mas pondera que a população em geral gosta e aceita os estabelecimentos – embora possam causar descontentamento por diversas razões, inclusive comerciais. Corre desde 2017 ação civil pública, movida pelo Ministério Público, que questiona o modelo de autorização das áreas públicas aos permissionários de pit-dogs. Na quarta-feira (29) houve reunião entre as partes. Segundo Ademildo, o poder público entende que o momento não é de fechar o cerco, pois a crise econômica já atinge de forma grave os trabalhadores do setor, que teve queda de mais de 45% no faturamento desde o início da pandemia de covid-19 em Goiás.
Trump levanta a possibilidade de adiar eleições americanas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantou pela primeira vez, nesta quinta-feira, a possibilidade de adiar as eleições dos Estados Unidos, que estão marcadas para 3 de novembro. Sem provas, o presidente dos EUA voltou a alegar, em postagem no Twitter, supostas fraudes na votação por correio, que é legal nos Estados Unidos e deve aumentar neste ano por causa da pandemia: “Com a votação universal por correio, 2020 será a mais imprecisa e fraudulenta eleição da História. Será um grande constrangimento para os EUA. Adiar a eleição até que as pessoas possam votar de maneira adequada, segura e protegida???”, escreveu. O presidente dos Estados Unidos não tem poder para mudar sozinho a data da eleição, que é fixada por lei desde 1845 para a terça-feira seguinte à primeira segunda-feira do mês de novembro. Além disso, a Constituição determina as datas da posse do novo Congresso, 3 de janeiro, e do novo presidente, 20 de janeiro, o que não daria flexibilidade para a escolha de uma nova data. Para adiar a votação, seria necessária a aprovação do Congresso, onde os democratas, que têm maioria na Câmara, e os republicanos, que controlam o Senado, rejeitaram a sugestão. A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, tuitou o artigo da Constituição que diz que o Congresso deve determinar a data do pleito, que tem que ser a mesma em todo o país. O presidente do Senado, o republicano Mitch McConnell, disse à CNN que a data da eleição “está gravada em pedra”. No entanto, a sugestão de Trump de que o pleito seja adiado reforça as suspeitas já expressadas pelos democratas de que ele, que está atrás nas pesquisas de intenção de voto, não aceitaria uma eventual derrota, alegando fraude. A avaliação da oposição é que o fato de Trump sugerir um adiamento das eleições poderá aumentar as chances de o presidente e de seus principais apoiadores não aceitarem a legitimidade da votação caso o ex-vice-presidente Joe Biden seja o vencedor. Na quarta à noite, o ex-presidente Barack Obama disse que seu maior medo nestas eleições é que os republicanos manobrem para impedir eleitores de votar, e que Trump questione a legitimidade do pleito. A sugestão de Trump veio minutos após o Departamento de Comércio anunciar que o PIB dos EUA caiu 9,5% nos meses de abril, maio e junho, a maior queda trimestral já registrada no país, e que em termos anualizados equivale a uma contração de 32,9%. Antes da pandemia, o crescimento da economia e a queda do desemprego eram os principais trunfos eleitorais do republicano. Mais tarde, um porta-voz da campanha de Trump, Hogan Gidley, disse em declaração por escrito à CNN que o presidente estava só “levantando uma questão”, mas voltou a atacar os democratas. “O presidente está só levantando uma questão sobre o caos que os democratas criaram com sua insistência em uma votação toda pelo correio”, escreveu ele. Na semana passada, dirigentes do Partido Democrata disseram à agência Reuters que estão reforçando sua equipe legal e seu esquema de fiscalização das urnas, diante de duas possibilidades: que os republicanos atuem para impedir eleitores de votarem, em especial os de minorias, e que contestem os resultados alegando fraude na votação por correio. Esse tipo de votação — no qual as cédulas são enviadas para os eleitores, que as devolvem também pelo correio às autoridades eleitorais de seus distritos — tende a aumentar este ano e está sendo incentivada pelos democratas, para contornar o medo que as pessoas podem ter de aglomerações no voto presencial. A Casa Branca viinha negando oficialmente, até agora, que Trump tivesse interesse em alterar a data das eleições, mas alguns de seus aliados e principais assessores já falaram da possibilidade em algumas ocasiões, incluindo o seu genro Jared Kurshner. A alegação de Trump de que a votação por correio leva a contagens imprecisas ou fraudes é falsa, mas os esforços dos democratas para incentivar o voto à distância têm levado o partido de Biden a uma vantagem significativa em eleições já realizadas neste ano. Em abril, a candidata progressista a uma cadeira na Suprema Corte do estado de Wisconsin teve um desempenho cerca de 10 pontos percentuais maior nas cédulas enviadas pelo correio do que na votação presencial, segundo uma análise feita pelo New York Times. Durante as primárias da eleição presidencial, os estados que ampliaram a possibilidade de votos pelo correio passaram a ter uma participação eleitoral muito maior do que as regiões em que a votação foi feita apenas presencialmente. Em Montana, que enviou cédulas de votação a todos os eleitores registrados no estado, 63% deles votaram, a maior porcentagem do país, segundo o Instituto Nacional de Voto em Casa. Sete dos nove estados com menor participação nas primárias realizaram a votação principalmente de maneira física, de acordo com o instituto.
Assembleia Legislativa retornará com equipes reduzidas
As atividades na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) retornam do recesso parlamentar com equipes reduzidas no administrativo da Casa e nos gabinetes dos deputados, na próxima segunda-feira (3). O presidente Lissauer Vieira (PSB) orientou aos membros do legislativo que dividam suas equipes para um retorno gradual. Na segunda, a Assembleia reabrirá normalmente no período integral, das 8h às 18h, mas as sessões ainda serão remotas. Na terça-feira (4), vai ocorrer a primeira plenária do segundo semestre. De acordo com o Lissauer, um sistema misto das sessões, algumas presenciais e outras remotas, poderá ser implantado caso exista, nos próximos meses, condições técnicas e sanitárias para que o plenário presencial volte a funcionar.
Pressão por gastos põe em risco teto, dívida pública, inflação e juro baixo
Os gastos extraordinários e a necessidade de ampliar a rede de proteção social no pós-pandemia da Covid-19 podem tornar inevitável o aumento da carga tributária, mesmo que temporário, para evitar que a dívida pública saia do controle, demolindo o atual cenário de inflação e juros baixos no Brasil. Segundo especialistas, diante da pressão por novas despesas, o país deveria concentrar-se em duas frentes: 1) evitar que a dívida pública dispare novamente; e 2) respeitar o teto de gastos do setor público, mecanismo aprovado em 2016 que limita a despesa ao orçamento do ano anterior, corrigido pela inflação. Sem essas premissas, o temor é que o país perca a atual janela de oportunidade de juros e inflação baixos —e de enorme liquidez internacional— para recolocar as contas públicas em uma trajetória de equilíbrio. Neste ano, o endividamento bruto brasileiro dará um salto de 20 pontos percentuais, chegando a quase 96% em relação ao tamanho do PIB (Produto Interno Bruto). Mesmo se o teto de gastos puder ser cumprido, a dívida pública encostará em 100% do PIB nos próximos anos, deixando para trás a expectativa de queda que havia até o início da pandemia. Praticamente todas as economias terminarão 2020 mais endividadas, entre 15 e 25 pontos, elevando a chamada relação dívida/PIB —o principal indicador de solvência de um país. O Brasil tem, disparado, o maior endividamento entre os emergentes, assim como uma das maiores cargas tributárias, equivalente a 33% do PIB. Mas também é um dos poucos países em desenvolvimento com sistemas universais de saúde e educação, que justificariam uma dose maior de tributos. Nos Estados Unidos e em alguns países europeus, a relação entre dívida e PIB já supera 100%. Mas como eles são países de renda elevada e têm moedas (dólar e euro) consideradas reserva de valor, conseguem financiar o endividamento sem maiores dificuldades. O Tesouro dos EUA, por exemplo, emite títulos com prazo de vencimento de dez anos para financiar a dívida federal pagando juros entre 0,5% e 0,7% ao ano. Na Europa, a taxa na Alemanha e na França chega a ser negativa: em troca de segurança, investidores perdem dinheiro aplicando nesses papéis. No Brasil, no entanto, o Tesouro é obrigado a pagar juros de até 7,2% ao ano para convencer investidores a financiarem o governo —e a pressão por juros maiores tende a crescer quanto mais endividado estiver o setor público. “É óbvio que uma relação dívida PIB de 96% é ruim. Mas trata-se de uma situação excepcional em todo o mundo. O principal neste momento é garantir que a dívida não sairá do controle, e para isso o teto de gastos é fundamental no sentido de ancorar as expectativas”, afirma o economista da PUC-Rio José Márcio Camargo. Essa “ancoragem” de expectativas seria responsável, por exemplo, por manter a taxa de juro básica no Brasil em seu menor patamar (apesar da dívida em alta) e o chamado risco-país em um nível também historicamente baixo. Mas o dólar acima de R$ 5 diante de reservas cambiais confortáveis (de US$ 340 bilhões) seria um sinal de que muitos investidores desconfiam da capacidade de o Brasil pagar sua dívida, e estão se protegendo em moeda forte. Para o economista Samuel Pessôa, da Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e colunista da Folha, o Brasil terá um “vento de cauda” favorável por um período ainda longo à frente advindo das taxas de juro internacionais muito baixas e da enorme liquidez que os bancos centrais vêm injetando no mercado global. Isso, mais a elevada ociosidade na economia brasileira, com folga para produzir em vários setores, proporcionaria tempo ao país para adotar medidas que freassem a trajetória de crescimento da dívida. “Numa situação emergencial, um aumento da carga tributária, mesmo que temporário, talvez seja adequado”, diz Pessôa. Uma alternativa, segundo ele, seria criar um imposto transitório sobre a gasolina enquanto o país se reorganiza no pós-pandemia e retoma a agenda de reformas —sobretudo para limitar o aumento de gastos com o funcionalismo, a segunda maior despesa depois da Previdência. “Toda a ideia do teto de gastos é incompatível com o modo como tratamos a questão do funcionalismo, assim como foi com o sistema previdenciário até antes da reforma”, diz. Para o economista Manoel Pires, da FGV Ibre, um aumento da carga tributária pode ser imprescindível para reverter a trajetória da dívida. “Se já achava complicado manter o ajuste fiscal antes da pandemia, isso tornou-se mais difícil agora.” Estimativas do Ministério da Economia indicam um déficit primário (sem contar a rolagem da dívida) superior a R$ 800 bilhões neste ano. Os gastos extras, mais a recessão em curso, é que elevarão o endividamento em 20 pontos, para cerca de 96% do PIB. Outra maneira de diminuir a relação ente dívida e PIB é aumentar o tamanho da economia, que serve de denominador para o cálculo. Se o PIB cresce mais do que a dívida, a relação cai. O problema, segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, é que o Brasil já vinha crescendo muito pouco, ao redor de 1% ao ano, apesar de uma série de reformas aprovadas durante o governo Michel Temer. Vale considera o teto de gastos “mal desenhado”, pois não levaria em conta os altos e baixos típicos de economias emergentes. Mesmo assim, acha que se o Brasil desrespeitá-lo agora, em meio ao aumento do endividamento, arruinará as expectativas macroeconômicas. “Isso é coisa para ser feita por um novo governo, em um momento de estabilização, não de crise.” Segundo o economista Bráulio Borges, da FGV Ibre, uma das vantagens do perfil atual da dívida pública é que a maior parte dela é corrigida por taxas de juro pós-fixadas e pela inflação (ver quadro). Em um cenário de juros e evolução de preços historicamente baixos como o de agora, o aumento do endividamento tende a ter efeito limitado —a não ser que haja uma mudança repentina das expectativas em relação à sustentabilidade das contas públicas. Alguns economistas argumentam que dificilmente a inflação subiria diante de um quadro de forte desaquecimento e elevado desemprego, como o que o país está
Com pandemia, total de leitos de internação no SUS volta a crescer após 10 anos
A busca emergencial por maior estrutura na rede de saúde devido à pandemia do novo coronavírus interrompeu, pela primeira vez, uma queda que vinha ocorrendo nos últimos dez anos no total de leitos de internação existentes no SUS. Dados de um levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostram que, entre fevereiro e junho deste ano, foram abertos 22.810 leitos de internação na rede pública. Com isso, o total passou de cerca de 294 mil a 317 mil. Até então, o Brasil vinha registrando a cada ano uma queda no número desses leitos. Entre janeiro de 2011 e janeiro de 2020, por exemplo, 41 mil deles haviam sido fechados. A inversão da curva também fica visível ao observar dados dos primeiros seis meses de 2019 e de período semelhante de anos anteriores —os quais também apontavam queda até então. Segundo o CFM, todos os 22.810 leitos extras abertos neste ano são de clínica geral, o que indica que podem estar relacionados à epidemia da Covid-19 no país. O balanço não engloba o total de leitos de UTI, que também tiveram aumento no período. Até agora, ao menos 11.084 foram habilitados e passaram a ser financiados para uso na rede, de acordo com o Ministério da Saúde. Para Hideraldo Cabeça, 1º secretário do CFM, ao trazer nova carga ao sistema, a Covid-19 também evidenciou parte do deficit de estrutura que existia na rede. “Já sabíamos dessa deficiência, o que está ligado também à fila de espera por leitos e de procedimentos eletivos. A pandemia veio deixar essa dificuldade existente na saúde de fácil percepção.” O conselho alerta, porém, para o risco de nova queda no total de leitos em breve. Isso ocorre porque, além de uma expansão de leitos em unidades fixas da rede, a epidemia estimulou a abertura de hospitais de campanha, tidos como provisórios —não há dados de quanto eles representam do total. “A nossa preocupação é que muitos desses leitos estão em locais onde não é possível mantê-los, como hospitais em ginásios, campos de futebol e centros de convenções”, afirma. Para Cabeça, é preciso avaliar agora a possibilidade de absorver os leitos onde a expansão ocorreu dentro ou próxima de infraestrutura existente. O debate de qual deve ser o destino da nova estrutura criada em meio à pandemia tem ganhado força nos últimos dias, em meio aos primeiros sinais de uma possível queda no total de novos casos em algumas regiões. Para Gulnar Azevedo, professora de epidemiologia da UERJ, ainda é cedo para fechar leitos, mesmo que provisórios, já que há risco de novas infecções. “Ainda estamos em pandemia, que não acabou. Em alguns lugares, vemos uma atenuação do crescimento, de uma curva que tende a estabilizar, mas ainda não podemos dizer que está sob controle”, afirma Azevedo, que também é presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). Ela sugere que parte dos leitos em locais onde há os primeiros sinais de queda de novos casos da Covid seja usada para garantir o atendimento de pacientes após a saída da UTI e daqueles com quadros menos graves, mas que não têm condições adequadas de isolamento em casa e também precisam de monitoramento e cuidados intermediários. Ou, ainda, que haja um plano para que a estrutura seja atrelada ao atendimento de pacientes vindos de cidades do interior —dos 22.810 novos leitos, 9.762 estão em capitais. Para Cabeça, o ideal é que haja um esforço para que parte dos leitos seja incorporada no pós-pandemia de acordo com o gargalo de cada região. Ele cita dados que mostram que, nos últimos anos, áreas como obstetrícia e cirurgia geral tiveram maior perda de leitos. Outra necessidade é preparar a rede para atendimento de demandas que ficaram represadas em meio à epidemia da Covid-19, caso de cirurgias eletivas, por exemplo. À Folha, secretários estaduais de saúde confirmam a intenção de manter parte dos leitos abertos, mas apontam o financiamento dessa estrutura como desafio. “Há uma discussão sobre como construir um legado após a pandemia para o sistema de saúde, mas o financiamento é sempre um problema”, afirma o secretário de saúde do Maranhão e presidente do Conass, conselho que reúne gestores estaduais de saúde, Carlos Lula. “Cito o exemplo do meu estado. Abrimos 13 hospitais de março até agora. Desses, oito ficarão de maneira permanente pra nossa rede. Mas manter isso em pé será um desafio”, aponta ele, que diz analisar agora como manter o financiamento. O tema deve ser discutido em reunião com os 27 secretários estaduais de saúde nesta semana. A preocupação com o financiamento é compartilhada por gestores municipais. Segundo Mauro Junqueira, do Conasems (conselho de secretários municipais de saúde), é cedo para saber se os leitos devem ser mantidos. “Não adianta ter o leito e ele estar ocioso, porque isso tem custo. Mas obviamente em algumas regiões vai ficar como legado um aumento, e esperamos que tenhamos equipes e recursos para manter tudo isso.” Dados do levantamento feito pelo CFM mostram São Paulo, Pernambuco e Minas Gerais como os estados que abriram a maior quantidade de leitos em números absolutos. Já em proporção à população, o maior aumento foi em Roraima, Sergipe e Amapá. Só em São Paulo, foram criados 5.000 leitos de enfermaria. Também foram abertos outros 4.500 de terapia intensiva, de acordo com a secretaria estadual de saúde. Destes últimos, apenas 2.500 foram habilitados pelo ministério. Os demais ainda aguardam resposta, diz a pasta, que reforça o pedido por “apoio no custeio da assistência”. Questionada sobre a possibilidade de manter os novos leitos após a pandemia, a secretaria não respondeu. Diz apenas que “mantém o compromisso de garantir assistência e aprimorar a rede, com base em critérios técnicos e nas necessidades da população.” Em nota, o Ministério da Saúde informou que, diante da pandemia por Covid-19, habilitou 11.084 leitos de UTI, com investimento de R$ 1,5 bilhão. A pasta não informou o total de leitos de internação clínicos abertos no período. Sobre os planos de absorção dos novos leitos, o ministério afirma que a manutenção será discutida com gestores
