Pressão por gastos põe em risco teto, dívida pública, inflação e juro baixo
Os gastos extraordinários e a necessidade de ampliar a rede de proteção social no pós-pandemia da Covid-19 podem tornar inevitável o aumento da carga tributária, mesmo que temporário, para evitar que a dívida pública saia do controle, demolindo o atual cenário de inflação e juros baixos no Brasil. Segundo especialistas, diante da pressão por novas despesas, o país deveria concentrar-se em duas frentes: 1) evitar que a dívida pública dispare novamente; e 2) respeitar o teto de gastos do setor público, mecanismo aprovado em 2016 que limita a despesa ao orçamento do ano anterior, corrigido pela inflação. Sem essas premissas, o temor é que o país perca a atual janela de oportunidade de juros e inflação baixos —e de enorme liquidez internacional— para recolocar as contas públicas em uma trajetória de equilíbrio. Neste ano, o endividamento bruto brasileiro dará um salto de 20 pontos percentuais, chegando a quase 96% em relação ao tamanho do PIB (Produto Interno Bruto). Mesmo se o teto de gastos puder ser cumprido, a dívida pública encostará em 100% do PIB nos próximos anos, deixando para trás a expectativa de queda que havia até o início da pandemia. Praticamente todas as economias terminarão 2020 mais endividadas, entre 15 e 25 pontos, elevando a chamada relação dívida/PIB —o principal indicador de solvência de um país. O Brasil tem, disparado, o maior endividamento entre os emergentes, assim como uma das maiores cargas tributárias, equivalente a 33% do PIB. Mas também é um dos poucos países em desenvolvimento com sistemas universais de saúde e educação, que justificariam uma dose maior de tributos. Nos Estados Unidos e em alguns países europeus, a relação entre dívida e PIB já supera 100%. Mas como eles são países de renda elevada e têm moedas (dólar e euro) consideradas reserva de valor, conseguem financiar o endividamento sem maiores dificuldades. O Tesouro dos EUA, por exemplo, emite títulos com prazo de vencimento de dez anos para financiar a dívida federal pagando juros entre 0,5% e 0,7% ao ano. Na Europa, a taxa na Alemanha e na França chega a ser negativa: em troca de segurança, investidores perdem dinheiro aplicando nesses papéis. No Brasil, no entanto, o Tesouro é obrigado a pagar juros de até 7,2% ao ano para convencer investidores a financiarem o governo —e a pressão por juros maiores tende a crescer quanto mais endividado estiver o setor público. “É óbvio que uma relação dívida PIB de 96% é ruim. Mas trata-se de uma situação excepcional em todo o mundo. O principal neste momento é garantir que a dívida não sairá do controle, e para isso o teto de gastos é fundamental no sentido de ancorar as expectativas”, afirma o economista da PUC-Rio José Márcio Camargo. Essa “ancoragem” de expectativas seria responsável, por exemplo, por manter a taxa de juro básica no Brasil em seu menor patamar (apesar da dívida em alta) e o chamado risco-país em um nível também historicamente baixo. Mas o dólar acima de R$ 5 diante de reservas cambiais confortáveis (de US$ 340 bilhões) seria um sinal de que muitos investidores desconfiam da capacidade de o Brasil pagar sua dívida, e estão se protegendo em moeda forte. Para o economista Samuel Pessôa, da Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e colunista da Folha, o Brasil terá um “vento de cauda” favorável por um período ainda longo à frente advindo das taxas de juro internacionais muito baixas e da enorme liquidez que os bancos centrais vêm injetando no mercado global. Isso, mais a elevada ociosidade na economia brasileira, com folga para produzir em vários setores, proporcionaria tempo ao país para adotar medidas que freassem a trajetória de crescimento da dívida. “Numa situação emergencial, um aumento da carga tributária, mesmo que temporário, talvez seja adequado”, diz Pessôa. Uma alternativa, segundo ele, seria criar um imposto transitório sobre a gasolina enquanto o país se reorganiza no pós-pandemia e retoma a agenda de reformas —sobretudo para limitar o aumento de gastos com o funcionalismo, a segunda maior despesa depois da Previdência. “Toda a ideia do teto de gastos é incompatível com o modo como tratamos a questão do funcionalismo, assim como foi com o sistema previdenciário até antes da reforma”, diz. Para o economista Manoel Pires, da FGV Ibre, um aumento da carga tributária pode ser imprescindível para reverter a trajetória da dívida. “Se já achava complicado manter o ajuste fiscal antes da pandemia, isso tornou-se mais difícil agora.” Estimativas do Ministério da Economia indicam um déficit primário (sem contar a rolagem da dívida) superior a R$ 800 bilhões neste ano. Os gastos extras, mais a recessão em curso, é que elevarão o endividamento em 20 pontos, para cerca de 96% do PIB. Outra maneira de diminuir a relação ente dívida e PIB é aumentar o tamanho da economia, que serve de denominador para o cálculo. Se o PIB cresce mais do que a dívida, a relação cai. O problema, segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, é que o Brasil já vinha crescendo muito pouco, ao redor de 1% ao ano, apesar de uma série de reformas aprovadas durante o governo Michel Temer. Vale considera o teto de gastos “mal desenhado”, pois não levaria em conta os altos e baixos típicos de economias emergentes. Mesmo assim, acha que se o Brasil desrespeitá-lo agora, em meio ao aumento do endividamento, arruinará as expectativas macroeconômicas. “Isso é coisa para ser feita por um novo governo, em um momento de estabilização, não de crise.” Segundo o economista Bráulio Borges, da FGV Ibre, uma das vantagens do perfil atual da dívida pública é que a maior parte dela é corrigida por taxas de juro pós-fixadas e pela inflação (ver quadro). Em um cenário de juros e evolução de preços historicamente baixos como o de agora, o aumento do endividamento tende a ter efeito limitado —a não ser que haja uma mudança repentina das expectativas em relação à sustentabilidade das contas públicas. Alguns economistas argumentam que dificilmente a inflação subiria diante de um quadro de forte desaquecimento e elevado desemprego, como o que o país está
Com pandemia, total de leitos de internação no SUS volta a crescer após 10 anos
A busca emergencial por maior estrutura na rede de saúde devido à pandemia do novo coronavírus interrompeu, pela primeira vez, uma queda que vinha ocorrendo nos últimos dez anos no total de leitos de internação existentes no SUS. Dados de um levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostram que, entre fevereiro e junho deste ano, foram abertos 22.810 leitos de internação na rede pública. Com isso, o total passou de cerca de 294 mil a 317 mil. Até então, o Brasil vinha registrando a cada ano uma queda no número desses leitos. Entre janeiro de 2011 e janeiro de 2020, por exemplo, 41 mil deles haviam sido fechados. A inversão da curva também fica visível ao observar dados dos primeiros seis meses de 2019 e de período semelhante de anos anteriores —os quais também apontavam queda até então. Segundo o CFM, todos os 22.810 leitos extras abertos neste ano são de clínica geral, o que indica que podem estar relacionados à epidemia da Covid-19 no país. O balanço não engloba o total de leitos de UTI, que também tiveram aumento no período. Até agora, ao menos 11.084 foram habilitados e passaram a ser financiados para uso na rede, de acordo com o Ministério da Saúde. Para Hideraldo Cabeça, 1º secretário do CFM, ao trazer nova carga ao sistema, a Covid-19 também evidenciou parte do deficit de estrutura que existia na rede. “Já sabíamos dessa deficiência, o que está ligado também à fila de espera por leitos e de procedimentos eletivos. A pandemia veio deixar essa dificuldade existente na saúde de fácil percepção.” O conselho alerta, porém, para o risco de nova queda no total de leitos em breve. Isso ocorre porque, além de uma expansão de leitos em unidades fixas da rede, a epidemia estimulou a abertura de hospitais de campanha, tidos como provisórios —não há dados de quanto eles representam do total. “A nossa preocupação é que muitos desses leitos estão em locais onde não é possível mantê-los, como hospitais em ginásios, campos de futebol e centros de convenções”, afirma. Para Cabeça, é preciso avaliar agora a possibilidade de absorver os leitos onde a expansão ocorreu dentro ou próxima de infraestrutura existente. O debate de qual deve ser o destino da nova estrutura criada em meio à pandemia tem ganhado força nos últimos dias, em meio aos primeiros sinais de uma possível queda no total de novos casos em algumas regiões. Para Gulnar Azevedo, professora de epidemiologia da UERJ, ainda é cedo para fechar leitos, mesmo que provisórios, já que há risco de novas infecções. “Ainda estamos em pandemia, que não acabou. Em alguns lugares, vemos uma atenuação do crescimento, de uma curva que tende a estabilizar, mas ainda não podemos dizer que está sob controle”, afirma Azevedo, que também é presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). Ela sugere que parte dos leitos em locais onde há os primeiros sinais de queda de novos casos da Covid seja usada para garantir o atendimento de pacientes após a saída da UTI e daqueles com quadros menos graves, mas que não têm condições adequadas de isolamento em casa e também precisam de monitoramento e cuidados intermediários. Ou, ainda, que haja um plano para que a estrutura seja atrelada ao atendimento de pacientes vindos de cidades do interior —dos 22.810 novos leitos, 9.762 estão em capitais. Para Cabeça, o ideal é que haja um esforço para que parte dos leitos seja incorporada no pós-pandemia de acordo com o gargalo de cada região. Ele cita dados que mostram que, nos últimos anos, áreas como obstetrícia e cirurgia geral tiveram maior perda de leitos. Outra necessidade é preparar a rede para atendimento de demandas que ficaram represadas em meio à epidemia da Covid-19, caso de cirurgias eletivas, por exemplo. À Folha, secretários estaduais de saúde confirmam a intenção de manter parte dos leitos abertos, mas apontam o financiamento dessa estrutura como desafio. “Há uma discussão sobre como construir um legado após a pandemia para o sistema de saúde, mas o financiamento é sempre um problema”, afirma o secretário de saúde do Maranhão e presidente do Conass, conselho que reúne gestores estaduais de saúde, Carlos Lula. “Cito o exemplo do meu estado. Abrimos 13 hospitais de março até agora. Desses, oito ficarão de maneira permanente pra nossa rede. Mas manter isso em pé será um desafio”, aponta ele, que diz analisar agora como manter o financiamento. O tema deve ser discutido em reunião com os 27 secretários estaduais de saúde nesta semana. A preocupação com o financiamento é compartilhada por gestores municipais. Segundo Mauro Junqueira, do Conasems (conselho de secretários municipais de saúde), é cedo para saber se os leitos devem ser mantidos. “Não adianta ter o leito e ele estar ocioso, porque isso tem custo. Mas obviamente em algumas regiões vai ficar como legado um aumento, e esperamos que tenhamos equipes e recursos para manter tudo isso.” Dados do levantamento feito pelo CFM mostram São Paulo, Pernambuco e Minas Gerais como os estados que abriram a maior quantidade de leitos em números absolutos. Já em proporção à população, o maior aumento foi em Roraima, Sergipe e Amapá. Só em São Paulo, foram criados 5.000 leitos de enfermaria. Também foram abertos outros 4.500 de terapia intensiva, de acordo com a secretaria estadual de saúde. Destes últimos, apenas 2.500 foram habilitados pelo ministério. Os demais ainda aguardam resposta, diz a pasta, que reforça o pedido por “apoio no custeio da assistência”. Questionada sobre a possibilidade de manter os novos leitos após a pandemia, a secretaria não respondeu. Diz apenas que “mantém o compromisso de garantir assistência e aprimorar a rede, com base em critérios técnicos e nas necessidades da população.” Em nota, o Ministério da Saúde informou que, diante da pandemia por Covid-19, habilitou 11.084 leitos de UTI, com investimento de R$ 1,5 bilhão. A pasta não informou o total de leitos de internação clínicos abertos no período. Sobre os planos de absorção dos novos leitos, o ministério afirma que a manutenção será discutida com gestores
Ação da AGU contra derrubada de perfis bolsonaristas causa estranheza no STF
A ação ajuizada pelo governo contra a retirada do ar de perfis de redes sociais causou estranhamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação de ministros, o presidente Jair Bolsonaro não poderia ter entrado com pedido por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), porque o tema não é de interesse do governo, mas do próprio Bolsonaro. A atitude também foi criticada por juristas, que veem uso político da estrutura do governo. Para o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp, a medida representa “desvirtuamento total” do Estado Democrático de Direito. Ele avalia que a AGU tem o dever de defender a União em casos de sua atribuição, como matéria constitucional, tributária, administrativa. — Não adianta tentar tresmudar, disfarçar que é para defender a liberdade de expressão, liberdade de comunicação, Estado Democrático de Direito. Isso é politicagem pura para defender esses disseminadores de notícias falsas e odiosas, incentivadoras da ruptura institucional — declarou o jurista, para quem a ação é uma “anomalia jurídica” que não deve sequer ser aceita pelo Supremo, por se tratar de “uma distorção de princípios constitucionais para favorecer um fato concreto”. Na opinião de Mamede Said, professor de direito público da Universidade de Brasília (UnB), o presidente “está tomando as dores de apoiadores dele”. Por isso, caracteriza-se um “cruzamento indevido entre os interesses do Estado, representados pelo órgão, e os interesses ocasionais, pontuais do presidente da República”. Medida ‘excessiva’ para ministros Apesar de terem criticado reservadamente a decisão de Alexandre de Moraes de banir das redes sociais contas de aliados de Bolsonaro, por considerarem a medida “excessiva”, ministros do Supremo acreditam que a ação do governo não deve prosperar. Se derrubarem a decisão de Moraes, estarão deslegitimando a própria corte e dando razão para o governo. Em um momento de crise institucional, ministros do STF preferem seguir unidos em defesa da Corte. Não é a primeira vez que o governo faz uso de sua estrutura para defender aliados. No fim de maio, o ministro da Justiça, André Mendonça, entrou com um habeas corpus no Supremo a favor do então ministro da Educação, Abraham Weintraub, pedindo para retirá-lo do inquérito das fake news. Entre ministros da Corte, a iniciativa foi considerada inusitada. Em caráter reservado, um integrante da Corte considerou o caso um “vexame jurídico”. O pedido acabou rejeitado. — Acho que há realmente uso indevido (da estrutura do governo). O Ministério da Justiça não pode ser um puxadinho dos interesses políticos do mandatário do país. Foi uma coisa muito estranha, realmente inédita, você ver o ministério ajuizando um habeas corpus tratando de interesses de pessoas investigadas, sendo que boa parte delas não era nem de agentes públicos — disse Mamede Said.
Apresentador do Sportv Rodrigo Rodrigues é internado em UTI com Covid-19
O apresentador do Grupo Globo Rodrigo Rodrigues está internado em um hospital no Rio de Janeiro com Covid-19. O jornalista de 45 anos contraiu a doença há duas semanas, período em que se afastou dos programas esportivos da Globo. Ele é o responsável por apresentar o “Troca de Passes”, no canal fechado SporTV, e, eventualmente, o “Globo Esporte”, na Globo em TV aberta. Segundo apurou a reportagem, Rodrigo Rodrigues descobriu a Covid-19 na primeira quinzena de julho e, desde então, estava afastado da televisão. Seu último “Troca de Passes” foi no último dia 9, e desde então, o programa é apresentado em rodízio por Karine Alves e Fred Ring. Ele teve complicações no final da última semana, quando foi encaminhado para uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) especializada no tratamento do novo coronavírus no hospital Unimed Rio, na Barra da Tijuca, zona oeste da da capital fluminense. O estado de saúde inspira cuidados. Em contato com a reportagem por telefone, o hospital confirmou a internação do apresentador por Covid-19, mas não deu mais detalhes sobre seu estado de saúde. Já a assessoria de imprensa da rede Unimed Rio ainda não respondeu aos pedidos de informação. Colegas de profissão e da Globo ouvidos pela reportagem demonstraram preocupação com o apresentador, uma vez que seu sobrepeso vinha dificultando a recuperação. O narrador do Esporte Interativo André Henning mostrava aflição com o caso. Sem maiores notícias do estado de saúde de Rodrigues, Henning confirmou que não consegue contato com ele há alguns dias. A Globo confirmou as informações em nota enviada à reportagem: “O apresentador Rodrigo Rodrigues está internado no hospital Unimed Barra, no Rio de Janeiro, com todo o apoio e acompanhamento da Globo. Rodrigo teve diagnóstico confirmado de COVID-19 há cerca de 15 dias e estava em casa – afastado do trabalho – desde então. As informações médicas sobre o caso serão fornecidas pelo hospital”. Carreira de Rodrigo Rodrigues Apresentador do Grupo Globo desde janeiro de 2019, Rodrigo Rodrigues tem passagens por diversas emissoras de televisão. Trabalhou no SBT, TV Cultura, TV Gazeta e Band entre as emissoras abertas. Virou apresentador esportivo em 2011, quando foi contratado pela ESPN Brasil para comandar a edição noturna do “Bate-Bola”. Saiu do canal esportivo da Disney em 2014, mas voltou no ano seguinte, onde foi o primeiro apresentado do programa “Resenha ESPN”. Deixou de vez a ESPN em 2016 e só voltou para um canal de esporte em 2017, quando assinou com o Esporte Interativo. Ficou no canal da Turner até o seu fim, em agosto de 2018, e seguiu no time quando os projetos dele foram migrados para a TNT e Space. Em dezembro de 2018, deixou a emissora e aceitou proposta do Grupo Globo, assinando em janeiro de 2019. Virou apresentador do “Troca de Passes” em setembro de 2019, onde atua desde então. Além de apresentador, Rodrigo é músico e vocalista da banda The Soundtrackers.
Pré-candidatos endurecem tom de críticas a Iris
Com a proximidade das eleições, aos poucos o tom de críticas dos pré-candidatos em relação à administração municipal vai subindo. Os postulantes ao cargo de prefeito de Goiânia se manifestam de forma mais dura em redes sociais neste final de semana. A tendência é que o furor dos adversários persista em curva crescente. Boa parte das críticas tem se direcionado à área da Saúde, ao enfrentamento da covid-19 na cidade. Elias Vaz (PSB) e Major Araújo (PSL), por exemplo, repercutiram reportagem da Tv Globo argumentando que a frota do SAMU em Goiânia não é suficiente para atender a população. Dra Cristina (PL), argumentou sobre a retirada das horas extras da Guarda Civil Metropolitana e, como consequência a diminuição do efetivo das Unidades de Saúde. Há poucos dias, questionado sobre as críticas dos pré-candidatos, o prefeito Iris Rezende disse que é natural que aqueles que pretendem disputar a prefeitura não façam elogios. “Eu estou na política há 60 anos. Eu nunca vi adversário que sonha ocupar a posição elogiar”, disse o prefeito.
‘Não tem como evitar morte’, diz Bolsonaro sobre coronavírus
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que “não tem como evitar” mortes causadas pelo novo coronavírus. Segundo Bolsonaro, a única maneira de não se infectar é viver isolado da sociedade. O Brasil já registrou mais de 83 mil mortes pelo coronavírus, de acordo com o consórcio de veículos de imprensa. A declaração foi feita durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada. Bolsonaro reclamou dos que criticam “qualquer negocinho” feito pelo governo, e citou a Argentina, em referência a críticas feitas contra o ex-presidente Maurício Macri que, na visão dele, levaram ao retorno do kirchnerismo. O presidente ironizou e disse que agora o país vizinho está uma “maravilha”. — Muito coisa errada vem acontecendo há muito tempo. Não dá para a gente resolver de uma hora para outra. Qualquer negocinho o pessoal costuma criticar e atirar. Argentina estava assim. Voltou agora para o…Está uma maravilha agora a Argentina, né? Está uma boa lá. Uma maravilha. Nesse momento, um apoiador citou que a Argentina bateu recordes de óbitos pelo coronavírus — no total, o país tem 2.588 vítimas da doença. Então, Bolsonaro disse que “isso não tem nada a ver” e que “mais cedo ou mais tarde” todos vão pegar o vírus. — Isso não tem nada a ver. A questão da pandemia não existe como evitar, a não ser ficar isolado em um canto aí. Fora isso, quem está vivendo em sociedade, mais cedo ou mais tarde vai pegar. Não tem como evitar morte no tocante a isso. No Brasil, ninguém morreu, pelo que eu tenho conhecimento, por falta de atendimento médico. Todos os recursos o governo passou para estados e municípios. O presidente também criticou os que defendem uma ampliação das medidas de isolamento até 2022, dizendo que isso iria “empobrecer todo mundo”;— Alguns estão falando que isso vai durar até 2022, imagina? Vai empobrecer todo mundo. Se continuar com essa política que está aí, empobrece todo mundo. Bolsonaro já minimizou antes as mortes do coronavírus. Em uma ocasião, em abril, disse que não era “coveiro”. Dias depois, questionou “e daí?” ao ser perguntado sobre o número de mortes e afirmou que não poderia fazer milagres. Em junho, quando um apoiadora pediu uma “palavra de conforto” para os “enlutados”, o presidente disse que a morte “é o destino de todo mundo”.
Aliados de Bolsonaro indicam parentes para cargos no governo
A indicação da filha de Braga Netto, ministro da Casa Civil, para uma vaga na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), frustrada após a divulgação, não seria algo inédito na gestão de Jair Bolsonaro. Em seu mandato, persiste a velha prática da nomeação de parentes de deputados, senadores e demais aliados em cargos do governo federal. Em maio deste ano, o filho do senador Elmano Férrer (PODE-PI), Leonardo Férrer, tornou-se ouvidor na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). Ele teve um voto contrário da representante dos trabalhadores da companhia, que disse que o cargo deveria ser de um servidor de carreira. Só na Funasa (Fundação Nacional de Saúde), entidade vinculada ao Ministério da Saúde, o governo nomeou em agosto passado a mulher do líder do PL, Wellington Roberto (PB), Deborah Roberto, e uma tia do deputado Gustinho Ribeiro (SD-SE), Maria Luiz Felix. Na superintendência do órgão na Paraíba, foi mantida a mãe do líder da maioria na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Virgínia Velloso Borges ocupa o cargo desde 2017. Procurado, Aguinaldo Ribeiro se restringiu a dizer, através de sua assessoria, que sua mãe foi nomeada no governo de Michel Temer. Wellington Roberto diz que a indicação de sua mulher é técnica: — Ela é competentíssima, já trabalhou em vários órgãos aqui em Brasília e agora está na diretoria de saúde ambiental e fazendo um trabalho excelente. Está comunicando tudo ao presidente e colocando ordem por lá. Já o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), vice-líder do governo no Senado Federal, tem o filho, Sérgio Fernandes Ferreira, empregado em uma diretoria no Ministério do Turismo, mas nega qualquer tipo de favorecimento. — Ele é jovem de boa formação e secretário-geral do partido. Tem vida independente e não sou eu que vou proibi-lo de atuar no governo, até porque já fiz isso durante toda minha trajetória — afirma Izalci. Em 17 de abril de 2019, o deputado Julio Cesar (PSD-PI) conseguiu a nomeação de sua irmã, Jacqueline Carvalho Maia, na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Ela é assessora da presidência da companhia, ligada ao Ministério da Agricultura. — Eu já fui diretor administrativo da Conab em 2001, e conhecendo lá as pessoas consegui uma indicação dela. Não foi critério político, foi mais pela relação de amizade, por eu conhecer as pessoas — diz. Há ainda o caso da esposa do deputado federal Herculano Passos (MDB-SP), ex-vice-líder do governo, que ocupava uma secretaria no Ministério da Cidadania de maio do ano passado até fevereiro deste ano, quando saiu para disputar a prefeitura em Itu (SP). Segundo o deputado, ela foi nomeada por ter “competência técnica” e “notória experiência na área”. O deputado Cláudio Cajado (PP-BA) também emplacou a indicação de sua mulher em um cargo no governo no ano passado. Superintendente da Funasa na Bahia de julho de 2019 até janeiro deste ano, Andreia Cajado deixou o cargo para assumir uma diretoria em uma agência no governo da Bahia. Ela é pré-candidata à prefeitura de Dias D’Ávila (BA). — Ela tem uma atividade política independente da minha, foi prefeita três vezes, é bacharel em Direito e Geografia. A experiência dela exitosa como gestora pública foi que a levou para esse cargo — diz Cajado. O governo também negociou com Elmar Nascimento (BA) para manter seu irmão, Elmo Nascimento, como superintendente da Codevasf em Juazeiro (BA). Ele deixou o cargo em junho deste ano, também devido às eleições municipais. Nepotismo cruzado A nomeação de parentes de aliados não configura nepotismo, segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso desde que não se trate de nepotismo cruzado — quando, em troca de uma indicação, o político nomeia também um parente de seu aliado. O senador Elmano Férrer e o deputado Gustinho Ribeironão responderam aos contatos da reportagem. O deputado Elmar Nascimento se limitou a dizer que o irmão foi nomeado ainda no governo Temer.
Libertadores: Conmebol divulga tabela atualizada da competição
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) anunciou nesta segunda (20) a tabela atualizada de jogos da Copa Libertadores da América, que foi interrompida em março em razão da pandemia do novo coronavírus (covid-19). A competição volta a acontecer no dia 15 de setembro, com partidas pela terceira rodada da fase de grupos. E o primeiro time do Brasil a voltar a disputar a competição é o Athletico, que no próprio dia 15 pega o Jorge Wilstermann (Bolívia) a partir das 19h15 (horário de Brasília). Na mesma data o Santos mede forças com o Olimpia (Paraguai), a partir das 21h30 na Vila Belmiro. O Internacional volta a campo no dia 16, quando recebe o America de Cali (Colômbia), no Beira Rio a partir das 19h15. Neste mesmo dia dois brasileiros jogam fora de casa a partir das 21h30: o Grêmio enfrenta a Universidad Católica (Chile) e o Palmeiras pega o Bolívar (Bolívia). Já no dia 17, o São Paulo tem um enorme desafio, pois, a partir das 19h, recebe o River Plate (Argentina) no estádio do Morumbi. Por fim, o atual campeão Flamengo vai até o Equador medir forças com o Independiente del Valle a partir das 21h.
Polícia Federal deflagra operação que tem José Serra como um dos alvos
O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Federal deflagram a Operação Paralelo 23. O objetivo é dar cumprimento a quatro mandados de prisão temporária e a 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Brasília, Itatiba e Itu, no interior paulista. Um dos alvos da operação é o senador José Serra. As informações são do Pedro Campos, da Rádio Bandeirantes. O juiz da 1ª Zona Eleitoral também determinou o bloqueio judicial de contas bancárias dos investigados. O inquérito policial foi remetido à primeira instância da Justiça Eleitoral de São Paulo pelo Supremo Tribunal Federal ainda em meados de 2019. Houve uma com a colaboração espontânea de pessoas que teriam sido contratadas no ano de 2014 para estruturar e operacionalizar os pagamentos de doações eleitorais não contabilizadas. Assim, efetuados supostamente a mando de acionista controlador de importante grupo empresarial do ramo da comercialização de planos de saúde. Após a formalização de acordos de colaboração premiada, foram desenvolvidas medidas investigativas diversas, como a quebra do sigilo bancário, intercâmbio de informações com o COAF. E também os testemunhos de pessoas relacionadas aos fatos, tendo sido constatada a existência de fundados indícios do recebimento por José Serra de doações eleitorais não contabilizadas, repassadas por meio de operações financeiras e societárias simuladas. Assim, visando assim a ocultar a origem ilícita dos valores recebidos, cujo montante correspondeu à quantia de R$ 5 milhões. Com o decorrer das investigações, apurou-se ainda a existência de outros pagamentos, em quantias também elevadas e efetuados por grandes empresas. Uma delas do setor de nutrição e outra do ramo da construção civil. Todos eram destinados a uma das empresas supostamente utilizadas pelo então candidato para a ocultação do recebimento das doações. Tais fatos ocorreram também perto das eleições de 2014 e serão objeto de aprofundamento na fase ostensiva das investigações. Os investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. Por se tratar de parlamentar no exercício do mandato no Senado, as investigações em primeira instância se restringem, em relação a ele, aos fatos apurados no ano de 2014. Em relação aos demais investigados, a operação também busca provas da atualidade da prática de crimes conexos.
Quatro são presos suspeitos de matar advogado criminalista em Goiânia
A Polícia Civil (PC) prendeu quatro homens suspeitos de matar o advogado criminalista Thiago Souza Mendes, de 27 anos, em Goiânia. A arma e o veículo usados no crime também foram apreendidos. Homicídio ocorreu na noite do último sábado (18). Segundo informações preliminares da corporação, depois de buscas realizadas nos últimos dias, os suspeitos foram detidos em flagrante quando saíam de um restaurante. A PC havia criado uma força-tarefa para apurar o crime. O grupo de atuação contava com cerca de 40 policiais civis e tinha apoio da Força Nacional. Detalhes da investigação e a motivação do assassinato serão apresentados em coletiva de imprensa nesta terça-feira (21). Relembre Thiago Souza Mendes, de 27 anos, foi assassinado a tiros na Avenida Sonnemberg, no Setor Cidade Jardim, em Goiânia, na noite do último sábado (18). A vítima, que era advogado criminalista, tinha acabado de sair de um restaurante da região, onde jantou com a esposa e foi surpreendida com disparos na saída do estabelecimento. Segundo familiares, o advogado entrava em seu veículo quando um homem, descrito como “baixinho, gordinho e de boné”, atirou. Logo depois, o suspeito fugiu em uma Pálio Weekend. Thiago morreu na hora. Nenhum dos tiros atingiu a esposa ou o veículo da vítima.