Inflação de 2.000% eleva preços e pressiona redes de saúde contra covid-19

Comprar remédios, equipamentos hospitalares e insumos ficou mais caro no Brasil, em comparação aos preços praticados antes da pandemia da covid-19. Hospitais e secretarias de Saúde relatam inflação de até quase 2.000% em produtos, fato que tem causado problemas em unidades públicas e privadas de saúde, que temem uma redução na capacidade de atendimento a pacientes. Um dos problemas enfrentados é que, além de mais caros, produtos como os EPIs (equipamentos de proteção individual) precisam ser comprados em maior quantidade, visto o alto grau de contaminação do novo coronavírus. A escalada nos preços está pressionando estados e municípios, que acabam gastando mais do que o orçamento previsto para a Saúde. “Precisamos fazer uma escolha dura: ou aguardamos por preços menores, mas aí deixamos de ter o serviço ou o bem à disposição; ou pagamos o que o mercado pede no momento. É uma escolha bem complicada, e estamos tentando ao máximo ter transparência e seguir recomendações dos órgãos de controle. Mas a procura por esses itens está sendo muito maior, e o mercado está praticando sobrepreço”, afirma Januário Cunha Neto, presidente do Cosems (Conselho de Secretários Municipais de Saúde) do Amazonas. Nos estados a situação é a mesma. “Lamentavelmente tivemos uma escalada de preços nessa pandemia. Isso se explica, de certa forma, pela grande demanda e por restrição da oferta”, comenta o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo. Ele aponta uma questão mundial: a concentração da produção de insumos para a Saúde em um único país. “Uma coisa que precisaremos rever depois dessa pandemia é a dependência em relação à China. Não se pode deixar insumos essenciais na mão de uma única potência econômica.” Longo menciona, por exemplo, a elevação de preços de produtos indispensáveis, como as máscaras N-95. “Esse é dos artigos mais essenciais e custava em torno de R$ 3. Hoje, a gente tem encontrado a R$ 19 para fazer a compra. Outros insumos têm valores muito acima, cinco, seis vezes mais, e muitas vezes a gente precisa fazer importação”, acrescenta o secretário de Pernambuco. Hospitais privados A situação é semelhante para os hospitais privados, informam representantes do setor. “Em fevereiro deste ano, comprávamos máscaras cirúrgicas a R$ 0,24, e agora compramos com preço próximo de R$ 5”, afirma Severino Moura, superintendente de Assistência e Suprimentos da Santa Casa de Maceió. “Não teve outro jeito: ou pagávamos o preço absurdo, ou deixaríamos os colaboradores sem proteção adequada. No caso de luvas, tivemos um aumento de custos seis vezes maior do que tínhamos em dezembro do ano passado”, completa. Segundo Moura, além dos preços altos, há dificuldades para encontrar os materiais e medicamentos mais utilizados. “Fizemos uma grande compra no final do mês de março via importação, para conseguir evitar esse aumento de preços absurdos. Mesmo assim, são preços maiores que os praticados antes da pandemia.” De acordo com Alexandre Pessurno, diretor administrativo e financeiro do Hospital Nossa Senhora Aparecida, de Petrópolis (RJ), o aumento também atingiu medicamentos essenciais para os hospitais. “Para você ter uma ideia, comprávamos o medicamento omeprazol de frascos a R$ 6,02. Recebi a tabela do meu representante e está a R$ 32,65”, relata. Diante do atual cenário, ele afirma que prevê problemas a médio prazo para manutenção das unidades. “Os hospitais não estão mais comportando esses reajustes, principalmente os que são direcionados ao sistema público de saúde. É o nosso caso aqui, que tem 100% do atendimento voltado para o SUS”, explica Pessurno. A tabela SUS é quem define os valores pagos pelo poder público por um procedimento ou serviço. “Para um paciente de clínica médica, hoje a tabela SUS nos remunera em R$ 56 por dia. E eu tenho que dar o café da manhã, o almoço, o café da tarde, o jantar, uma ceia noturna. Tenho que manter os profissionais, pagar conta de água, de luz, os medicamentos, materiais… Está chegando a um momento em que os serviços vão paralisar. Vai entrar em colapso, ainda mais com essa situação agora da covid-19”, lamenta o diretor administrativo e financeiro do hospital localizado em Petrópolis (RJ).

Alego suspende atividades presenciais e sessões remotas por causa da covid-19

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) suspendeu, nesta segunda-feira (25) todas as atividades legislativas e administrativas presenciais da Casa, bem como sessões remotas. A interrupção vai durar uma semana e os trabalhos devem voltar à normalidade no dia 1º de junho. As atividades foram suspensas após familiares de uma servidora do gabinete do deputado Cláudio Meirelles testarem positivo para a covid-19. A mulher apresentou sintomas da doença e passou a ser tratada como caso suspeito já que teve contato direto com a avó e o tio que foram diagnosticados com o novo coronavírus. Outro fator que levou à suspensão foi o fato de parentes do deputado Rafael Gouveia também testarem positivo. No último dia 19 de maio, Flávia Rodrigues de Gouveia, de 84 anos, pastora da Assembleia de Deus Ministério Vila Nova e avó do parlamentar, morreu após complicações causadas pelo vírus. O marido dela e uma filha também foram diagnosticados com a doença. A Alego vai funcionar no regime de teletrabalho e a Casa de Leis deve passar por desinfecção para retomar as atividades.

Nova fiscalização flagra Camelôs e lojistas vendendo na 44

Pelo menos 13 camelôs e sete lojistas foram flagrados com as portas abertas em fiscalização realizada pela prefeitura de Goiânia na região da Rua 44, neste fim de semana. Mais de 100 peças de roupas foram apreendidas. Responsáveis serão multados. Os camelôs e lojistas foram descumpriam os decretos estadual e municipal, que preveem fechamento de atividades que possam gerar aglomeração, o que pode colaborar para ampliação do número de infectados pelo coronavírus. A região da 44 é um dos principais centros de varejo de moda no país e segue fechado desde março. De acordo com o gerente de articulação da Guarda Civil Metropolitana, José Pires, que fez o suporte da operação, a ação é de rotina. A região é monitorada todos os dias pelos agentes e pelos fiscais da prefeitura. No entanto, durante o fim de semana, há maior registro de circulação pelas ruas que compõe o complexo varejista. Multa A fiscalização resultou no fechamento de sete lojas, que estavam com portas abertas e atendiam clientes. Os camelôs, que trabalhavam no local, tiveram seus produtos apreendidos. Foram mais de 100 peças de roupas. Nas proximidades dos ambulantes havia, inclusive, formação de aglomeração de pessoas. O gerente de articulação da Guarda Civil alerta que a atividade ainda não está permitida pelos decretos. Caso sejam flagrados receberão multa de R$ 350. Caso sejam reincidentes a multa dobra. Além disso, as mercadorias podem ser apreendidas. “Os produtos apreendidos ficam em depósito, mas o lojista, caso queira recuperar, só poderá fazer após o fim do período de emergência na saúde pública”, diz José Pires. “Estamos fiscalizando a região de segunda a segunda”, aponta. Em matéria recente, o Mais Goiás mostrou que lojistas passam por dificuldades e muitos são obrigados a demitir funcionários e fechar as atividades.

Trump cumpre aviso e proíbe entrada de brasileiros nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou um alerta que fizera por mais de uma vez e anunciou neste domingo a proibição da entrada de brasileiros e de demais não americanos que estiverem no Brasil por causa do descontrole do coronavírus no país. A decisão consta de um decreto assinado pelo próprio Trump, que estipula que cidadãos não americanos que tenham estado no Brasil nos 14 dias anteriores à tentativa de ingressar nos EUA serão impedidos de fazê-lo. A decisão é válida a partir da próxima sexta-feira, dia 29 de maio, e vai vigorar por tempo indeterminado, até decisão em contrário do próprio chefe da Casa Branca. No decreto, Trump diz que “considera que a entrada irrestrita nos EUA de pessoas descritas na seção 1 deste decreto é (…) prejudicial aos interesses dos EUA, e que sua entrada portanto deve estar sujeita a certas restrições, limitações e exceções”. “Hoje, o presidente tomou uma ação decisiva para proteger nosso país suspendendo a entrada de estrangeiros que estiveram no Brasil durante o período de 14 dias antes de buscarem entrar nos EUA. Até o dia 23 de maio de 2020, o Brasil tem 310.087 casos confirmados de Covid-19, o terceiro maior número de casos confirmados no mundo. A ação de hoje vai ajudar a garantir que estrangeiros que estiveram no Brasil não se tornem uma fonte adicional de infecções em nosso país”, diz o comunicado divulgado pela Casa Branca. O texto afirma que a decisão não se aplica ao fluxo comercial entre os dois países, que será mantido. Trump já proibira antes viagens de Europa, Reino Unido e China, lugares atingidos fortemente pelo vírus. O Brasil é o único país da America do Sul a sofrer tais restrições. Havia, antes da decisão, apenas nove voos semanais em operação entre Brasil e EUA, todos para a Flórida e para Houston, no Texas. As empresas aéreas nesses lugares têm o direito de manter as rotas se o quiserem. Residentes permanentes nos Estados Unidos (detentores de green card) estão isentos das sanções, assim como pessoas casadas com cidadãos americanos. Há ainda algumas outras exceções, como filhos de americanos. Em reação à decisão americana, o assessor internacional da Presidência, Filipe Martins, afirmou em uma social que “ao banir temporariamente a entrada de brasileiros nos EUA, o governo americano está seguindo parâmetros quantitativos previamente estabelecidos, que alcançam naturalmente um país tão populoso quanto o nosso. Não há nada específico contra o Brasil. Ignorem a histeria da imprensa”. Mais cedo, o chanceler Ernesto Aráujo havia anunciado, também em rede social, que os  EUA irão doar mil respiradores ao Brasil. “Em conversa hoje com representantes da Casa Branca, dentro da ótima cooperação Brasil-EUA no combate à Covid-19, recebi a notícia de que o presidente Donald Trump determinou a doação de 1.000 respiradores ao Brasil. Parceria produtiva entre duas grandes democracias”, disse o chanceler em uma rede social. Os EUA não ainda forneceram o equipamento ao governo brasileiro nem foi comunicado quando o farão. Procurado, o Itamaraty confirmou a doação, mas não disse quando ela irá ser realizada. O ministério afirmou também que “a restrição americana tem o mesmo propósito de medida análoga já adotada pelo Brasil em relação a cidadãos de todas as origens, inclusive norte-americanos, e de medidas semelhantes tomadas por ampla gama de países”. Acrescentou também que “a decisão do governo dos EUA baseou-se em critérios técnicos, que levam em conta uma combinação de fatores tais como os casos totais, tendências de crescimento, volume de viagens, entre outros”. Mais tarde, por meio do Twitter, o Conselho de Segurança Nacional dos EUA confirmou a doação dos respiradores, sem apresentar um prazo para ela ser realizada, e chamou o Brasil de “um dos mais fortes aliados dos EUA no mundo”. A medida de proibição da entrada de brasileiros foi precedida por diversas advertências. Já no final de abril, o presidente americano disse, durante reunião com o governador da Flórida, que estava considerando a ideia de suspender os voos provenientes da América Latina, e citou especificamente o Brasil. Na terça-feira, Trump disse que os Estados Unidos ainda consideravam restringir voos e a entrada de brasileiros devido à expansão da Covid-19. O presidente americano então declarou que não queria “pessoas vindo para cá e infectando nosso povo”. Neste domingo, o conselheiro de Segurança Nacional Robert O’Brien havia adiantado ao programa “Face the Nation”, da rede de TV CBS, que haveria uma decisão sobre suspender a entrada de viajantes que chegam do Brasil. — Esperamos que seja temporário, mas, devido à situação no Brasil, tomaremos todas as medidas necessárias para proteger o povo americano — disse O’Brien, acrescentando que os brasileiros estão “passando por um mau momento”. O Brasil se tornou o segundo país do mundo em casos da Covid-19 na última sexta-feira, atrás apenas dos Estados Unidos, e agora tem mais de 347 mil pessoas infectadas pelo vírus e mais de 22 mil mortes, segundo o Ministério da Saúde. A situação brasileira fez que com a Organização Mundial da Saúde afirmasse que América do Sul se tornou o novo epicentro global da pandemia. Nos EUA, são mais de 1,6 milhão de casos e mais de 97 mil mortes e, embora a pandemia comece a ser contida em estados que impuseram medidas de isolamento social rígidas, como Nova York e Califórnia, a doença continua se alastrando pelo interior.

Vídeo não apresenta provas, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro falou hoje (22) a noite em frente ao Palácio da Alvorada que o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril não traz provas de uma suposta interferência sua na Polícia Federal. A gravação veio a público durante a tarde, após ter o sigilo levantado pelo ministro Celso de Mello do Supremo Tribunal Federal (STF). “Repito, cadê a parte desse vídeo de duas horas onde minimamente tem indícios de que eu teria interferido na Polícia Federal, na superintendência do Rio de Janeiro ou na diretoria-geral da PF? Não tem nada”, afirmou a jornalista. A reunião ocorrida foi citada pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro durante depoimento prestado à PF, no início do mês, como uma das principais provas da suposta interferência. Dois dias depois, Moro pediu demissão do cargo. Sobre o ex-auxiliar, o presidente negou pressão para qualquer tipo de favorecimento. “Ele aceitou trabalhar comigo, sabia das regras do jogo, nunca foi constrangido.” Ainda em frente ao Alvorada, Bolsonaro disse que nem ele nem ministros e auxiliares que estavam na reunião têm responsabilidade pelas declarações dadas, já que a reunião era reservada e só veio a público por causa de uma decisão judicial. “Nenhum ministro meu tem responsabilidade do que foi falado ali, porque foi uma reunião reservada de ministros, não foi uma reunião aberta. A responsabilidade é do ministro Celso de Mello”, disse. Além dos trechos da reunião que interessam ao inquérito, em que o presidente faz referências à falta de informações por parte da PF e de órgãos de inteligência, a gravação também apresenta declarações polêmicas de alguns ministros, como Abraham Wintraub, ministro da Educação, que desferiu ofensas aos ministros do STF.

Distrito Federal permite reabertura do comércio a partir do dia 27

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, assinou hoje (22) um decreto liberando o funcionamento de shopping centers, centros comerciais e o comércio em geral a partir da próxima quarta-feira (27). O comércio está fechado desde 19 de março em virtude da pandemia do novo coronavírus. Segundo o decreto, os shoppings deverão funcionar entre 13h e 21h e observar medidas de segurança. Dentre essas medidas, está a disponibilização de equipamentos de proteção individual e álcool em gel para todos os funcionários, a realização de testes de covid-19 nos funcionários e medição da temperatura de todos os clientes que entrarem no shopping. Além disso, a capacidade da garagem será limitada a 50% e as praças de alimentação continuarão fechadas. Em relação ao comércio em geral, deve ser observada a distância mínima de dois metros entre as pessoas, o uso de máscaras e álcool em gel. Estabelecimentos não poderão vender refeições e produtos para consumo no local e também não poderão disponibilizar mesas e cadeiras aos consumidores. Alguns estabelecimentos poderão funcionar 24 horas, segundo o decreto. Dentre eles estão padarias, postos de combustível, supermercados, hortifrutigranjeiros, além de clínicas médicas e clínicas veterinárias. Segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde, o Distrito Federal registra 5.948 casos de covid-19 e 90 óbitos. Foram 1.329 novos casos da doença desde a última segunda-feira (18) e 24 novos registros de mortes. A curva de contaminação na região ainda é inconstante. Na última quarta-feira (20) foram registrados 342 novos casos, no dia seguinte caiu para 261 e hoje foram 406 novos registros.

Mais de 6 mil garrafas de vodka serão transformadas em álcool gel

Álcool gel 70% para prevenção de covid-19 será produzido a partir de 6.916 garrafas de vodka apreendidas pela Receita Federal em Anápolis. A transformação da bebida ficará a cargo do Instituto Federal de Goiás (IFG), a partir da próxima semana. Serão pelo menos 4 mil embalagens de 500 ml cada. O álcool gel produzido a partir da vodka apreendida será doado a famílias em situação de vulnerabilidade social, para o combate à pandemia da covid-19. A bebida estava abandonada e acabou sendo apreendida pela Receita Federal em 2018. O proprietário não conseguiu comprovar que a vodka estava própria para consumo e seria destruída. Doação A distribuição de álcool gel 70% produzido a partir da transformação da bebida será feita pelo câmpus Anápolis do IFG. O instituto já produz máscara de tecidos e faz doação de cestas básicas e kits de higiene. A intenção é que o produto entre nos kits para doação para famílias em situação de vulnerabilidade social.

Foragido por assassinato em Anápolis é preso em Uberlândia

Um foragido da Justiça, de 27 anos, foi preso na sexta-feira (22) em Uberlândia. Ele é acusado de cometer um assassinato em Anápolis. Ele estava foragido do sistema prisional goiano desde abril do ano passado e fugiu para a cidade do Triângulo Mineiro. De acordo com informações da Polícia Civil, Yure Marcel Borges é também procurado por um latrocínio, cometido em Caldas Novas, além de um roubo registrado em Goiânia. Ele era procurado pela polícia goiana há quase um ano. Após fugir do presídio anapolino, no dia 5 de junho de 2019, ele chegou a ser preso pela Polícia Militar, no bairro Guarani, em Uberlândia, em companhia de outros dois suspeitos. Na ocasião, ele estava em um veículo Cruze roubado, com placas clonadas. O carro havia registro de roubo em Anápolis. Na ocasião, ele apresentou nome falso. Até o início da noite de sexta, Yure permanecia recluso numa cela do Presídio Professor Jacy de Assis, no Triângulo Mineiro. Ainda não há informações se ele será transferido para Goiás. Equipe do Grupo de Investigações de Homicídios de Anápolis, chefiada pelo delegado Wlisses Valentin, está acompanhando o caso.

William Bonner revela que filho foi alvo de fraude no programa de auxílio emergencial

Nesta quinta-feira, o editor-chefe e apresentador do “Jornal Nacional”, William Bonner, revelou que o nome e o CPF de um de seus filhos foram usados por estelionatários para receber o auxilio emergencial de R$ 600, voltado para informais que ficaram sem renda por causa da pandemia. Em uma série de posts em uma rede social, ele conta ter sido procurado por um jornal, informando que seu filho estaria registrado no programa. Bonner ressaltou que seu filho não havia pedido o benefício nem autorizado qualquer pessoa a fazer isso. Após consultar o site da Dataprev, ele confirmou que realmente havia sido aprovado um pedido em nome de seu filho – um estudante de 22 anos, segundo o G1. Bonner ressaltou que, “pelos critérios do programa de auxílio emergencial, alguém nas condições socioeconômicas” de seu filho não teria direito aos R$ 600. Por isso, afirmou, “quem quer que viesse a usar o nome, o CPF e dados pessoais dele deveria receber como resposta um “não”. O pedido, no entanto, foi aceito pela Dataprev. ‘Quantos foram vítimas de fraudadores?’, diz Bonner Ele mencionou em seu Twitter reportagem do GLOBO. O texto cita que a Dataprev não verificou na Receita se os CPFs, embora pertencentes a pessoas sem renda própria, eram de dependentes de cidadãos com renda. “Quantos entre esses foram vítimas de fraudadores?”, perguntou o jornalista. O programa estabelece que, para receber o benefício, é preciso que a renda domiciliar (de toda a família) não seja superior a três salários mínimos (R$ 3.135). Mas, conforme revelou a reportagem do GLOBO, a Dataprev não usou a base de dependentes dos contribuintes que declaram Imposto de Renda para saber se o requerente é filho de alguém com renda maior. Foi usado apenas o CPF de quem fez o pedido para verificar se a renda declarada em 2018 havia sido inferior a R$ 28,5 mil. Segundo o editor-chefe do “JN”, o fraudador provavelmente disse não ter conta bancária, a fim de ter acesso à conta digital da Caixa criada exclusivamente para esse fim. Isso impossibilita saber se o recurso foi depositado e sacado, disse Bonner. Ele contou que, há três anos, o nome e o CPF do filho têm sido usado por estelionatários em fraudes “como a abertura de empresas ou a contratação de serviços de TV por assinatura”. Bonner disse que, assim como nos demais casos, vai apresentar queixa-crime. E cobrou das autoridades que administram o programa de auxílio emergencial “apuração rápida da fraude”, a fim de resguardar o patrimônio público e evitar prejuízos para aqueles que realmente precisam do benefício. Dez milhões de brasileiros ainda aguardam o processamento de seus pedidos.

Bolsonaro negocia com centrão comando de órgãos com orçamento de R$ 86 bilhões

Os cargos negociados entre o governo Jair Bolsonaro e partidos do centrão, como PP, PL, Republicanos e PSD, têm um orçamento somado de R$ 86 bilhões em 2020. As presidências e diretorias desses órgãos são cobiçados por políticos pelo poder regional que representam. Em gestões anteriores, suas estruturas foram utilizadas muitas vezes para desvios. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) é o maior desses feudos. Com verba de R$ 54 bilhões, libera compras e celebra convênios na área de educação. Sua atuação tem forte interface com os governos municipais e estaduais. Além de organizar a compra de livros didáticos, o fundo controla repasses federais para alimentação escolar. Em 2018, uma operação da Polícia Federal desarticulou um grupo que desviou cerca de R$ 12 milhões em recursos do FNDE no Pará. A Operação Quadro Negro, que mirou o ex-governador Beto Richa (PSDB) no Paraná em 2015, também apurou desvios de verbas do fundo para construção de escolas. Em 2013, o então presidente do FNDE, José Carlos Wanderley Dias de Freitas, pediu exoneração após ser pego em grampo alertando o reitor do Instituto Federal do Paraná (IFPR) que seria alvo de uma operação. Entenda o orçamento e a função de cada órgão Foto: Editoria de arte O FNDE chegou a ser controlado de agosto a dezembro do ano passado por Rodrigo Sergio Dias, indicado do PP. Dias é investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por superfaturamento e fraude em licitações quando comandou a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em 2018. Em janeiro, em seu lugar, foi nomeada para a presidência a gestora Karine Silva dos Santos, devido ao “perfil técnico”, segundo o Ministério da Educação. Agora, o PP tenta emplacar no cargo Marcelo Lopes da Ponte, ex-chefe de gabinete do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do partido. A princípio, Weintraub resistiu a indicar o nome escolhido pelo centrão para a presidência do fundo bilionário. Pressionado por Bolsonaro, porém, o ministro se reuniu com Arthur Lira (AL), líder do partido na Câmara dos Deputados, na terça-feira. Interlocutores do partido afirmam que a questão está resolvida, e Marcelo Lopes será nomeado em breve. Desvios bilionários Na segunda-feira, o governo nomeou também um ex-assessor da liderança do PL na Câmara dos Deputados, Garigham Amarante Pinto, para a diretoria de ações educacionais do FNDE. O setor é encarregado das principais atribuições do órgão, como o Programa Nacional do Livro e Material Didático (PNLD) e o programa de alimentação escolar. Já o Banco do Nordeste, com orçamento de R$ 29 bilhões, é alvo de especulações desde o início do governo Bolsonaro. O atual presidente é Romildo Rolim, apadrinhado de Eunício Oliveira. Em maio do ano passado, o deputado Arthur Lira chegou a ser procurado para indicar um nome para o órgão, mas a negociação acabou não indo para a frente. O Banco do Nordeste é uma sociedade de economia mista, com participação pública e privada. O órgão recebe verba do estado para subsidiar empréstimos, com o objetivo de promover o desenvolvimento da região. O banco foi alvo de denúncias de grandes somas de desvios em 2005, 2011, 2014 e 2016. Em 2014, foi revelado um esquema no órgão que chegou a desviar R$ 1,2 bilhão, segundo o Ministério Público Federal. Agora, o banco está sendo negociado com o PL, partido de Valdemar Costa Neto, ex-deputado federal condenado no mensalão. A nomeação deve sair nos próximos dias. O partido também tentou emplacar um secretário no Ministério da Saúde, mas vem sofrendo dificuldades nessa negociação. A área é sensível devido à pandemia, argumentam integrantes do governo. O PP também conseguiu emplacar um diretor no DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), órgão com um orçamento de R$ 1,09 bilhão nesse ano. A atuação do departamento é na construção de açudes, reservatórios, perfuração de poços e irrigação, entre outras obras. Fernando Araújo, indicado pelo PP, foi nomeado e Em 2012, ainda no primeiro governo de Dilma Rousseff, a Controladoria-Geral da União (CGU) apontou desvios de R$ 192 milhões em obras no DNOCS, levando ao afastamento do então diretor-geral do órgão, Elias Fernandes. Os envolvidos foram alvos da Operação Cactus da Polícia Federal, no Ceará, onde fica a sede do departamento. Não foi o primeiro esquema deflagrado no DNOCS. Há outros órgãos no governo com orçamentos vultosos controlados por indicados de políticos. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), com orçamento de R$ 1,62 bilhão, hoje está nas mãos de Marcelo Andrade Moreira Pinto, indicado de Elmar Nascimento (BA), ex-líder do DEM na Câmara. Os partidos que se aproximaram recentemente de Bolsonaro — PSD, PP, PL e Republicanos — fizeram uma investida para emplacar um novo indicado na Codevasf, mas ficou decidido que o órgão continuaria nas mãos do DEM. O governo não começou agora a dar cargos em troca de apoio. Desde julho do ano passado, houve nomeações de indicados políticos no Ibama, Incra, Secretaria do Patrimônio da União (SPU), Funasa, Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), Dnit e Iphan, entre outros órgãos.