Saiba quais medicamentos para dormir podem elevar risco de demência em até 70%

Trabalho da Universidade da Califórnia em São Francisco mostrou que o tipo e a quantidade de medicamento interferem no risco Um estudo publicado na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease mostrou que os medicamentos para dormir aumentam o risco de demência. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), nos Estados Unidos, descobriram que o tipo e a quantidade do medicamento interferem no risco. Por exemplo, os participantes brancos que “frequentemente” ou “quase sempre” tomaram medicamentos para dormir tiveram uma chance 79% maior de desenvolver demência, em comparação com aqueles que “nunca” ou “raramente” usaram remédios com essa finalidade. Entre os participantes negros – cujo consumo de soníferos era marcadamente menor – os usuários frequentes tinham uma probabilidade semelhante de desenvolver demência daqueles que se abstinham ou raramente usavam os medicamentos. Além da frequência, o tipo de medicamento consumido também parece interferir no risco, de acordo com os pesquisadores. O estudo concluiu que pessoas brancas tinham quase duas vezes mais probabilidade de usar benzodiazepínicos, como Halcion (triazolam), Dalmadorm (flurazepam) e Restoril (temazepam), prescritos para insônia crônica. Zolpidem e outras “drogas Z” estão entre os medicamentos para dormir apontados pelo estudo Essas pessoas também tinham 10 vezes mais probabilidade de tomar Donaren (trazodona), um antidepressivo que também pode ser prescrito como sonífero e sete vezes mais probabilidade de tomar “drogas Z”, como o zolpidem, um sedativo-hipnótico. Embora estudos futuros possam oferecer clareza sobre os riscos cognitivos ou recompensas dos medicamentos para dormir e o papel que a raça pode desempenhar, os pacientes com sono insatisfatório devem hesitar antes de considerar os medicamentos, de acordo com a primeira autora Yue Leng, do Departamento de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da UCSF e do Instituto Weill de Neurociências da UCSF. “O primeiro passo é determinar com que tipo de problemas de sono os pacientes estão lidando. Um teste de sono pode ser necessário se a apneia do sono for uma possibilidade”, disse ela. “Se a insônia for diagnosticada, a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-i) é o tratamento de primeira linha. Se for usada medicação, a melatonina pode ser uma opção mais segura, mas precisamos de mais evidências para compreender o seu impacto a longo prazo na saúde.”, completa. O novo estudo é continuação de um trabalho anterior que mostrou que pessoas negras têm maior probabilidade do que as brancas de desenvolver Alzheimer, o tipo mais comum de demência, e que apresentam diferentes fatores de risco e manifestações da doença. No estudo atual, cerca de 3 mil idosos sem demência, que viviam fora de lares de idosos, foram acompanhados durante nove anos, em média. Destes, 58% eram brancos e 42% eram negros. Ao longo do período analisado, 20% desenvolveram demência. Os pesquisadores descobriram que as pessoas brancas tinham três vezes mais probabilidade do que as pessoas negras de tomar medicamentos para dormir “frequentemente” ou seja, cinco a 15 vezes por mês, ou “quase sempre”, ou 16 vezes por mês a diariamente. A renda é outro fator que pode desempenhar um papel na demência. Segundo Leng, os participantes negros que têm acesso a medicamentos para dormir podem ser um grupo seleto com alto nível socioeconômico e, portanto, maior reserva cognitiva, tornando-os menos suscetíveis à demência. Insônia Cerca de um terço dos adultos em todo o mundo afirmam que às vezes têm dificuldade para adormecer ou continuar dormindo. Diante de muitas noites sem dormir, muitas pessoas recorrem aos medicamentos para encontrar tranquilidade temporária, que incluem desde anti-histamínicos de venda livre que podem funcionar como sedativos até medicamentos aprovados especificamente para dormir, como os benzodiazepínicos e as “drogas Z”. O problema é que os mais usados estão associados a efeitos colaterais. Por exemplo, os benzodiazepínicos foram ligados a quadros graves de dependência e de déficit cognitivo a longo prazo. Já as drogas Z, como o famoso zolpidem, está associado tontura, dor de cabeça, amnésia, sonambulismo, agitação e alucinação quando utilizado por muito tempo e em altas doses.
Mãe e filho são presos suspeitos de comandar quadrilha que aplicava golpe do novo número em Anápolis

Mãe e filho, segundo a polícia, eram os cabeças do esquema criminoso que fez ao menos 11 vítimas, totalizando R$ 500 mil Uma mulher de 35 anos, e o filho dela, de 20, foram presos pela Policia Civil suspeitos de comandar uma quadrilha que aplica o “golpe do novo número”, nesta terça-feira (25), em Anápolis, a 55km de Goiânia. Investigações apontam que, em pouco mais de um ano, eles faturaram mais de R$ 500 mil com o esquema criminoso. Os agentes do Grupo de Investigações Criminais (GEIC) de Águas Lindas de Goiás chegaram aos nomes dos dois suspeitos e de uma terceira mulher, que ainda não foi localizada, após a prisão de outros envolvidos no esquema, em maio passado. Mãe e filho, segundo a polícia, eram os cabeças do esquema criminoso que fez ao menos 11 vítimas, totalizando R$ 500 mil, entre 27 de abril de 2021, e 19 de setembro de 2022. Como agiam Conforme as investigações, o jovem era o mentor do esquema, e a mãe dele ficava responsável por cooptar pessoas que se dispusessem a emprestar suas contas bancárias para a realização da transferência dos valores obtidos com o golpe. Durante as investigações, os agentes do GEIC de Águas Lindas descobriram que os dois presos já haviam agendado a compra de 60 chips de celulares, que seriam enviados para outros integrantes da quadrilha. A polícia não divulgou os nomes de mãe e filho, que responderão, presos, por estelionato qualificado, e organização criminosa, crimes que, somados, tem pena que pode chegar a 11 anos de reclusão. Outra mulher que mora em Anápolis, e que também teve sua prisão decretada, está sendo procurada.
Os reais motivos por que tubarões atacam humanos

A água cristalina que estava sob de Hannah Mighall, de 13 anos, escureceu por um momento. Ela estava sentada na prancha de surfe, aproveitando o calor do sol enquanto aguardava, junto ao primo, a próxima onda na idílica Baía do Fogo, na Tasmânia. Atrás deles, a praia de areia branca e brilhante estava praticamente deserta. Tudo ia bem até aquele momento. A sombra repentina que apareceu debaixo d’água fez com que Mighall levantasse instintivamente os pés: bolas de algas se chocavam com frequência contra as rochas, ficando à deriva no mar. “Elas são muito viscosas, odiava tocar nelas”, explica. Mas, então, algo se apoderou da sua perna. “A princípio, não senti dor, era como se algo tivesse me pegado gentilmente e, quando vi, estava na água.” Para aqueles que testemunharam a cena, no entanto, não teve nada de “gentil”. A água ao redor de Mighall se agitou violentamente quando um tubarão-branco de cinco metros de comprimento enganchou na sua perna direita, a levantou da prancha de surfe e a sacudiu no ar antes de desaparecer debaixo d’água. “Demorei alguns segundos para perceber que era um tubarão”, conta. ‘Pesadelo’ “Quando voltei para a superfície, estava de costas, mas minha perna estava na boca dele. Só conseguia ver minha perna com a roupa de mergulho preta, seus dentes, as gengivas rosadas e a parte escura debaixo do nariz. Pensei que estava tendo um pesadelo e continuei tentando abrir os olhos.” O primo de Mighall, Syb Mundy, de 33 anos, estava sentado em sua própria prancha a poucos metros de distância. Ele nadou em direção a ela e começou a bater na lateral da cabeça do tubarão. O animal se afastou e, quando submergiu, soltou Mighall, avançando na prancha de surfe, que ainda estava amarrada por uma corda à perna dela. Com a prancha na boca, o tubarão arrastou Mighall debaixo d’água pela segunda vez. Momentos depois, apareceu novamente na superfície com a prancha mordida. Mundy colocou a prima nas costas e remou freneticamente até a praia. “O tubarão ficava nos rodeando debaixo d’água”, conta Mighall. “Então, veio uma onda e Syb disse: ‘Temos que pegar essa onda, vai salvar nossas vidas.’ Eu só conseguia bater na água porque estava aterrorizada, mas ele remou, e a onda nos levou para a praia.” “O tubarão fez o trajeto todo com a gente até a praia. Podíamos ver sua barbatana enquanto surfávamos a mesma onda.” Para sorte de Mighall, entre as poucas pessoas na praia que testemunharam o ocorrido, estavam um médico e uma enfermeira. Ela recebeu os primeiros socorros no local, enquanto aguardava a chegada de uma ambulância. Mais de 10 anos depois, ele ainda tem cicatrizes profundas na perna que mostram o contorno da boca do tubarão, e sua perna direita é mais fraca que a esquerda. Mighall foi uma das 83 pessoas em todo o mundo, no ano de 2009, atacadas por tubarões sem que os tivessem provocado. Uma estatística que tem se mantido estável na última década. O número médio de ataques de tubarão sem provocação entre 2013-2017, por exemplo, foi de 84. Mas pesquisas recentes indicam que os ataques em algumas partes do mundo parecem estar aumentando. No leste dos Estados Unidos e no sul da Austrália, os números de ataque de tubarões quase dobraram nos últimos 20 anos, enquanto o Havaí também registrou um aumento acentuado. Mas por quê? Grandes populações “As mordidas de tubarão estão fortemente correlacionadas com o número de pessoas e a quantidade de tubarões na água ao mesmo tempo”, diz Gavin Naylor, diretor do Programa de Pesquisa de Tubarões da Flórida, que mantém o Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões. “Quanto mais tubarões e pessoas estiverem no mesmo lugar, maiores são as chances de se encontrarem.” Parece óbvio, mas os lugares onde os ataques estão ocorrendo podem dar algumas pistas sobre os motivos. A alta densidade demográfica ao longo da costa sul da Austrália e na costa leste dos EUA indica que há um grande número de pessoas que gostam de tomar banho de mar nesses lugares. No sul da Austrália, no entanto, o número de leões marinhos na área costeira também aumentou, e eles são a presa favorita dos tubarões-brancos na região. Da mesma forma, as populações de focas de Cape Cod, na costa de Massachusetts, nos EUA, se restabeleceram nos últimos anos, em grande parte graças à proteção da Lei de Mamíferos Marinhos, criada em 1972. Isso também levou a um aumento no número de tubarões-brancos na região, durante os meses quentes de verão, que chegam para se alimentar das focas que chegam às praias. No ano passado, Massachusetts registrou seu primeiro ataque mortífero em 82 anos – enquanto a frequência de fechamento de praias por aparições de tubarões tem crescido. Não há evidências, no entanto, de que os tubarões estejam ativamente caçando humanos, de acordo com os cientistas. Os tubarões-brancos no Atlântico Norte, por exemplo, apresentam padrões sazonais de deslocamento, migrando milhares de quilômetros até águas mais quentes ao sul durante o inverno. Alguns tubarões adultos se aventuram no mar aberto ao longo de meses, percorrendo milhares de quilômetros e mergulhando a profundidades de até mil metros em busca de presas. “Somos como pequenas salsichas indefesas flutuando na água”, diz Naylor. Mas apesar de sermos uma refeição fácil, os tubarões não estão de fato interessados em caçar humanos. “Eles geralmente ignoram as pessoas. Acho que se as pessoas soubessem a frequência com que estão na água com tubarões, provavelmente ficariam surpresas.” No entanto, Naylor acredita que as estatísticas oficiais sobre ataques de tubarão são provavelmente subestimadas. A maioria das notificações vem de países desenvolvidos com populações grandes e meios de comunicação bastante ativos. Os ataques em ilhas remotas ou comunidades menos desenvolvidas provavelmente não são reportados. Ataques Pule WhatsApp e continue lendo No WhatsApp Agora você pode receber as notícias da BBC News Brasil no seu celular Entre no canal! Fim do WhatsApp Uma análise mais aprofundada das estatísticas sobre ataques de tubarões pode revelar algumas tendências fascinantes. Em 2022, ocorreram 57 ataques não provocados confirmados, abaixo da média recente de cinco anos,
Superfície de água no Brasil fica abaixo da média histórica em 2023

Levantamento é do MapBiomas Água, divulgado nesta quarta-feira A superfície de água em todo o Brasil ficou abaixo da média histórica em 2023, segundo levantamento do MapBiomas Água divulgado nesta quarta-feira (26). A água cobriu 18,3 milhões de hectares, ou seja, 2% do território nacional no ano passado. O número representa queda de 1,5% em relação à média histórica, cujo cálculo foi iniciado em 1985. Houve perda de água em todos os meses de 2023 em relação a 2022, incluindo os meses da estação chuvosa. Em 2022, a superfície de água ficou em 18,8 milhões de hectares. Os dados estão em nova coleção de dados do MapBiomas, cobrindo o período de 1985 a 2023. Segundo a entidade, os biomas estão sofrendo com a perda da superfície de água desde 2000, com a década de 2010 sendo a mais crítica. Em 2023, corpos hídricos naturais respondiam por 77% da superfície de água no país, nos quais houve queda de 30,8% ou 6,3 milhões de hectares em relação a 1985. Os outros 23% são corpos antrópicos, ou seja, água armazenada em reservatórios, hidrelétricas, aquicultura e mineração, que totalizam 4,1 milhões de hectares. Desse total, os grandes reservatórios, que são monitorados pela Agência Nacional de Águas (ANA), somam 3,3 milhões de hectares, que registraram crescimento de 26% em 2023 em relação a 1985. “Enquanto o Cerrado e a Caatinga estão experimentando aumento na superfície da água devido à criação de hidrelétricas e reservatórios, outros, como a Amazônia e o Pantanal, enfrentam grave redução hídrica, levando a significativos impactos ecológicos, sociais e econômicos. Essas tendências, agravadas pelas mudanças climáticas, ressaltam a necessidade urgente de estratégias de adaptação de gestão hídrica”, avaliou, em nota, Juliano Schirmbeck, coordenador técnico do MapBiomas Água. Amazônia Mais da metade da superfície de água do país estão na Amazônia, sendo 62% do total nacional. Em 2023, o bioma apresentou superfície de água de quase 12 milhões de hectares ou 2,8% da superfície do bioma. Esse total representa redução de 3,3 milhões de hectares em relação a 2022. A entidade ressalta que, em 2023, a Amazônia sofreu seca severa: de julho a dezembro, abaixo da média histórica do MapBiomas Água, sendo que o período de outubro a dezembro registrou as menores superfícies de água da série. O episódio levou ao isolamento de populações e à mortandade de peixes, botos e tucuxis, apontou o MapBiomas. Pantanal A superfície de água em 2023 no Pantanal chegou a 382 mil hectares, 61% abaixo da média histórica. A entidade destaca que houve redução da área alagada e do tempo de permanência da água. No ano passado, apenas 2,6% do bioma estavam cobertos de água. O Pantanal responde por 2% da superfície de água do total nacional. O ano de 2023 foi 50% mais seco que o de 2018, quando ocorreu a última grande cheia no bioma. Segundo o MapBiomas, em 2018, a água no Pantanal já estava abaixo da média da série histórica, que compara os dados desde 1985. A entidade ressalta que, em 2024, não houve o pico de cheia e que o ano registra um pico de seca, que deve se estender até setembro. Cerrado Em 2023, o Cerrado teve a maior superfície de água desde 1985, chegando a 1,6 milhão de hectares ou 9% do total nacional. O número é 11% acima da média histórica no bioma. A entidade explica que o ganho de superfície de água se deu em áreas antrópicas, que aumentaram em 363 mil hectares, uma variação positiva de 56,4%. Os corpos de água naturais, por sua vez, perderam 696 mil hectares, o que representa queda de 53,4%. No ano passado, os corpos de água naturais ocupavam 608 mil hectares do Cerrado ou 37,5% da cobertura de água do bioma. Os 62,5% restantes ficaram divididos principalmente entre hidrelétricas (828 mil hectares; 51,1%) e reservatórios (181 mil hectares; 11,2%). “A partir de 2003, a área de superfície de água destinada à geração de energia e ao abastecimento dos centros urbanos superou a área de água natural no Cerrado. No entanto, esses reservatórios são abastecidos pelos corpos de água naturais que têm sido reduzidos nas últimas décadas”, disse, em nota, Joaquim Pereira, do MapBiomas. Caatinga e Pampa Após longo período de estiagem, que se estendeu por sete anos, resultando em uma das maiores secas do Nordeste desde 2018, o MapBiomas mostra que é possível observar uma tendência de acréscimo na superfície de água na Caatinga e a consolidação de um ciclo mais chuvoso no bioma. O ano passado registrou uma superfície de água de quase 975 mil hectares, 6% acima da média histórica e 5% do total nacional. A parcela de 10% da superfície de água do Brasil em 2023 estava no Pampa: mais de 1,7 milhão de hectares ou 9,2% do território do bioma. A superfície de água, no ano passado, ficou 1,3% abaixo em relação a 2022. De acordo com o MapBiomas, em 2023 o Pampa teve o primeiro quadrimestre mais seco da série histórica. As cheias no Rio Grande do Sul, entre setembro e novembro, recuperaram a superfície de água no Pampa, mas ainda assim ela se manteve 2% abaixo da média histórica. Mata Atlântica A superfície de água na Mata Atlântica em 2023 ficou 3% acima da média histórica, superando os 2,2 milhões de hectares ou 12% e segundo lugar do total nacional, conforme dados do levantamento. A água responde por 2% da superfície do bioma. No ano passado, a entidade ressalta que a Mata Atlântica registrou elevados níveis de precipitação em alguns municípios, levando a inundações em áreas agrícolas e deslizamentos. Esse é o bioma com maior superfície de água antrópica, onde a área de superfície de água em hidrelétricas e em reservatórios é maior do que a área de superfície de água natural. Edição: Graça Adjuto Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil – São Paulo
PF apura manipulação de resultado em Campeonato Brasileiro da série D

Mandados de busca são cumpridos em cidades de três estados A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (26) a Operação Jogo Limpo. É para apurar o que a corporação se refere como uma possível manipulação de resultado de partida de futebol, realizada no interior de São Paulo, pelo campeonato brasileiro da série D. Estão sendo cumpridos 11 mandados de busca e apreensão – expedidos pela Justiça de São Paulo – nas cidades de Patrocínio (MG), São José do Rio Preto (SP), São Paulo, Rio de Janeiro, Tanguá (RJ) e Nova Friburgo (RJ). Em nota, a PF informou que a investigação começou por meio de ofício da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). No documento, um relatório da Sportradar reporta que a movimentação em casas de apostas indicava que apostadores detinham conhecimento prévio de que determinada equipe perderia o primeiro tempo da partida por pelo menos dois gols. A Sportradar é uma companhia privada que atua na detecção de fraudes relacionadas a apostas e identificação de manipulação de resultados esportivos, com sede na Suíça. Desde 2005, a empresa desenvolve serviços para ajudar federações esportivas, autoridades estaduais e agências de aplicação da lei em todo o mundo a combater a corrupção no esporte. “De acordo com a empresa, 99% da tentativa da rotatividade no mercado de ‘totais de gols do primeiro tempo’ nesta partida foram para tal resultado”, destacou a corporação. “Durante o jogo, verificou-se que a equipe visitante sofreu três gols ainda no primeiro tempo, sendo um deles contra.” Parceria Segundo o comunicado, são alvos da operação integrantes e ex-integrantes de uma das equipes. “Segundo apurado, determinada empresa teria firmado parceria com um dos clubes e vários jogadores por ela agenciados foram contratados. A investigação visa apurar a influência de tais pessoas no resultado da partida”. Ainda segundo a Polícia Federal, trata-se, em tese, de crimes contra a incerteza do resultado esportivo, com condutas tipificadas na Lei Geral do Esporte e penas de dois a seis anos de reclusão. A PF informou atuar no caso mediante autorização expressa do Ministro da Justiça e Segurança Pública, “tendo em vista a repercussão nacional do caso, que exige repressão uniforme”. Intercâmbio de informações Na nota, a Polícia Federal destacou ter firmado, com a Sportradar, um memorando de entendimento para intercâmbio de informações relevantes no combate à corrupção no esporte. O acordo de cooperação permite que a corporação tenha acesso a análises relacionadas à integridade esportiva em mercados de apostas, além de indicativos de manipulação de eventos esportivos. Os nomes das equipes e das pessoas envolvidas na fraude não foram divulgados. Edição: Kleber Sampaio Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil – Brasília
Operação combate desmatamento criminoso na Amazônia Legal

Ação cumpre oito mandados de busca e apreensão em dois estados, diz PF A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (26) a Operação Surtur. O objetivo é combater um desmatamento criminoso de mais de 15 mil hectares na zona rural de Castelo do Sonhos, em Altamira (PA), centro da Amazônia Legal. A área, segundo a corporação, é equivalente a mais de 15 mil campos de futebol. Em nota, a PF informou que foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nas seguintes localidades: Novo Progresso (PA), Castelo dos Sonhos e Sinop (MT), além de ordens de sequestro de bens em valor superior a R$ 630 milhões, todos expedidos pela Justiça Federal da Subseção de Itaituba (PA). “Durante as investigações, identificou-se que diversas fazendas próximas, em nome de pessoas diversas, tiveram suas florestas intensamente desmatadas, com característica de ação de desmate em bloco, ou seja, uma decisão em comum entre os posseiros de tais áreas, visto a dimensão e a rapidez dos desmatamentos”, destacou a PF. Edição: Valéria Aguiar Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil – Brasília
Inscrições no Mais Saúde com Agente são prorrogadas até segunda-feira

Programa oferece 180 mil vagas em todo o país O Ministério da Saúde prorrogou até a próxima segunda-feira (1º) as inscrições para o Programa Mais Saúde com Agente. Gestores comunitários de saúde e de combate às endemias podem se inscrever por meio do endereço eletrônico www.maissaudecomagente.ufrgs.br/inscrição. São 180 mil vagas destinadas a todo o país. Até o momento, o programa recebeu pouco mais de 135 mil inscrições, sendo 99.769 de agentes comunitários de saúde (ACSs) e 35.540 de agentes de combate às endemias (ACEs). A proposta, segundo ministério, é oferecer mais condições para que agentes analisem informações coletadas nas residências e no território de atuação, além de orientar a população, a fim de melhorar a qualidade da atenção primária e fortalecer a vigilância em saúde. Em nota, a pasta reforçou que serão analisadas apenas inscrições concluídas e que, portanto, é necessário verificar a mensagem final de validação do cadastro. Para agentes de saúde do Rio Grande do Sul afetados pelas enchentes, será ofertado um segundo momento de inscrição. Entenda O Programa Mais Saúde com Agente visa ampliar as habilidades de acolhimento para atendimento a populações vulneráveis, buscando equidade de gênero, raça e etnia, saúde mental e cuidado de pessoas que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas. “Essa é uma estratégia que busca atender especificidades das comunidades em que atuam, o que deve resultar em atendimentos mais humanizados e assertivos no SUS”, destacou o ministério. Agentes Os agentes comunitários de saúde atuam na prevenção de doenças e promoção da saúde, por meio de visitas domiciliares para orientação das comunidades, registro de informações, educação em saúde e encaminhamento ao Sistema Único de Saúde (SUS). Já os agentes de combate às endemias atuam na prevenção de doenças e agravos ligados ao ambiente, como dengue, leishmaniose e raiva, além de identificar e eliminar focos de transmissão, orientando a população, notificando e encaminhando casos suspeitos. Edição: Juliana Andrade Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil – Brasília
Extratos bancários terão nomes padronizados a partir de 8 de julho

Inicialmente, medida abrange operações de depósito e saques Bancos associados à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) irão padronizar as nomenclaturas dos extratos bancários a partir de 8 de julho. Inicialmente, a medida incluirá as várias denominações existentes para as operações de saque e depósito. Posteriormente, a Febraban planeja incluir outras operações financeiras. A meta principal da padronização dos nomes dos serviços é melhorar a compreensão das informações aos clientes. O diretor-adjunto de Serviços da Febraban, Walter Faria, destaca que a medida deve ajudar, principalmente, pessoas que precisam acessar contas bancárias de mais de uma instituição financeira. “A iniciativa vai universalizar as informações, trazendo mais compreensão ao cliente sobre a operação que ele realizou, além de ampliar o acesso da população aos serviços bancários”, opinou. Diferenças Atualmente, os bancos usam mais de quatro mil tipos de nomenclaturas diferentes em suas operações, o que pode gerar diferenças entre os bancos para um mesmo tipo de operação financeira. Entre os termos que aparecem nos extratos bancários estão o depósito de dinheiro em espécie no correspondente bancário, depósito em cheque nos caixas eletrônicos e saque de dinheiro em espécie no caixa convencional dentro da agência com cartão da conta. A consulta às novas nomenclaturas poderá ser feita no site da Febraban. Edição: Kleber Sampaio Por Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil – Brasília
Combate às queimadas no Pantanal terá reforço nesta quinta-feira

Equipe com 40 agentes e 15 viaturas chegará a Corumbá Duas equipes da Força Nacional de Segurança Pública foram deslocadas do Distrito Federal e do Rio Grande do Sul para reforçar o trabalho de combate ao fogo no Pantanal, em especial em Mato Grosso do Sul. A seca extrema – considerada a maior dos últimos 70 anos – intensificou as queimadas no bioma meses antes do período de maior incidência de fogo. A previsão é que os 40 agentes em 15 viaturas, que partiram de Brasília, cheguem a Corumbá nesta quinta-feira (27). O segundo grupo, em dez caminhonetes e um caminhão de suprimentos, tem previsão de chegada à região no sábado (29). Segundo dados divulgados pela Presidência da República, atualmente 145 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 40 brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e 53 combatentes da Marinha atuam no enfrentamento ao fogo. Também foram disponibilizadas quatro aeronaves modelo Air Tractor, com capacidade de deslocar grandes volumes de água, embarcações e dois helicópteros. Focos de fogo O governo de Mato Grosso do Sul informou que 107 militares do Corpo de Bombeiros atuam nos focos de fogo e outros 62 militares estaduais foram deslocados para reforçar a equipe. Eles também têm o apoio de mais uma aeronave do Corpo de Bombeiros e dois helicópteros da Coordenadoria Geral de Policiamento Aéreo. Desde maio, a Agência Nacional de Águas (ANA) declarou situação crítica de escassez de recursos hídricos na Bacia do Paraguai (https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-05/bacia-do-paraguai-tem-escassez-hidrica-declarada-ate-outubro). A sala de situação criada no último dia 14 pelo governo federal, para definir medidas urgentes para os impactos da seca, liberou R$ 100 milhões a serem empregados na contratação de mais reforços pelo Ibama (https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-06/governo-vai-liberar-r-100-mi-para-combate-incendios-no-pantanal). Após a assinatura de um pacto com o governo federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul decretaram a proibição definitiva de manejo de fogo para queima de lixo e renovação de pasto até o final do ano. Nesta sexta-feira (28), uma comitiva interministerial irá a Corumbá avaliar a situação das queimadas. Edição: Kleber Sampaio Por Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil – Brasília
Queimadura causa 14 mil internações no SUS de crianças e adolescentes

A média é 20 hospitalizações diárias, mostra pesquisa da SBP Pesquisa da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) revela que nos últimos dois anos, foram registradas em torno de 14 mil hospitalizações no Sistema Único de Saúde (SUS) de crianças e adolescentes devido a acidentes com queimaduras. Em 2022, foram 6.924 casos e, em 2023, 6.981. Em média, o SUS registra cerca de 20 hospitalizações diárias por queimaduras na faixa etária de zero a 19 anos. O levantamento abrangeu somente os casos graves, com indicação de acompanhamento hospitalar. A sondagem aponta que crianças de 1 a 4 anos de idade são as maiores vítimas, totalizando 6,4 mil internações, em 2022 e 2023. Em seguida, aparecem as faixas de cinco a nove anos (2.735 casos); de 15 a 19 anos (1.893); de dez a 14 anos (1.825); e os menores de um ano (1.051). De acordo com a SBP, o ranking de internações por queimaduras nos estados é liderado pelo Paraná, com 1.730 registros, seguido por São Paulo (1.709), Bahia (1.572), Rio de Janeiro (1.126) e Minas Gerais (1.006). Por regiões, houve aumento de hospitalizações no Norte, que evoluíram de 570, em 2022, para 575, em 2023; no Nordeste (de 1.899 para 2.038), no Sudeste (de 2.093 para 2.124) e no Sul (de 1.573 para 1.607). Somente na Região Centro-Oeste registrou queda nas internações no período pesquisado, de 789 para 637. Em relação a óbitos por queimaduras, o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde aponta que no período mais recente disponível, correspondente aos anos de 2022 e 2021, cerca de 700 crianças e adolescentes foram vítimas desse tipo de acidente. Descuido As queimaduras costumam acontecer em crianças pequenas, na maioria dos casos, como consequência do descuido dos adultos, destacou o presidente da SBP, Clóvis Francisco Constantino. Segundo ele, a vigilância constante dos pais e responsáveis é indispensável diante de várias situações no dia a dia que podem representar risco. Mas, “se houver prevenção, é completamente possível evitar esses acidentes”, manifestou. Embora o perigo das queimaduras em crianças e adolescentes ocorra durante todo o ano, a presidente do Departamento Científico de Prevenção e Enfrentamento às Causas Externas na Infância e Adolescência da SBP, Luci Pfeiffer, destacou que a atenção deve ser redobrada durante os festejos juninos que se estendem de junho até agosto, em muitos municípios. Ela ressaltou, entretanto, em entrevista à Agência Brasil, que “o cuidado com a criança deve ser sempre. A gente fala que até o quarto ano de vida, 80% das queimaduras acontecem dentro da cozinha. Por isso, os cuidados da criança pequena são passivos, ou seja, mesmo que eu não esteja cuidando, a criança não vai chegar ao risco”. Segundo a médica, uma precaução é colocar um portão na cozinha. Crianças não podem entrar na cozinha quando estão sendo preparadas comidas no fogão ou no forno. “A queimadura no forno de palma de mão é horrorosa, porque dá sequelas para toda a vida, porque a criança não tem desenvolvimento motor para tirar a mão, primeiro porque ela gruda e, depois, ainda não tem atividade motora para ficar de pé e sair correndo. Ela fica ali, queimando a mão”, destacou. Fogos e fogueiras Luci Pfeiffer alertou que durante os festejos juninos, sob a desculpa das comemorações, ocorre uma desproteção ainda maior com crianças e adolescentes. Lembrou que em várias cidades ainda são vendidos fogos de artifício em ruas e estradas para pessoas de qualquer idade. “O dano do fogo de artifício não é só a queimadura que pode acontecer, mas é algo terrível quando foguetes, também chamados rojões em algumas localidades, são acesos e podem estourar para trás, provocando a perda da mão. Não é só a queimadura. A explosão leva à perda da mão da criança e de adultos também. Isso acontece muito nessa época do ano”. A pediatra deixou claro que fogos de artifício não são brinquedos e não devem ser manuseados por crianças e adolescentes. E quem for manusear deve acender os fogos à distância e com todas as medidas de proteção. “Por isso, o nosso alerta: uma queimadura é uma dor para a vida inteira, porque é a dor do momento, depois a dor da cicatriz e, muitas vezes, a incapacidade que ela provoca”. Outra coisa é a fogueira. As músicas falam em pular a fogueira. Luci advertiu, porém, que fogo queima a roupa, queima a pele, deixa cicatrizes. Fogueiras têm de ser cercadas, para que nenhuma criatura chegue perto. Destacou que na atualidade, com o uso de celulares, pode ocorrer que alguém venha correndo, tropece e caia na fogueira. “São danos irreparáveis”. Sublinhou também que nessa época festiva de São João, soltar balões é uma atividade proibida no Brasil, pelos incêndios que pode provocar e pelas queimaduras que podem causar em quem manuseia esses artefatos. As principais orientações da SBP para evitar acidentes com queimaduras podem ser conferidas no site da SBP. Edição: Aécio Amado Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro