Bolsonaro vai receber cotado para o Ministério da Educação e fala em ‘namoro’
Cotado para assumir a vaga de ministro da Educação, o secretário estadual de educação do Paraná, Renato Feder, será recebido pelo presidente Jair Bolsonaro na terça-feira. Segundo interlocutores, a reunião é vista por Bolsonaro como uma oportunidade para que eles possam “namorar” antes de sacramentar a nomeação do secretário ao cargo. As negociações para levar Feder ao cargo avançaram desde a última sexta-feira, e Bolsonaro já teria inclusive falado ao telefone com o possível sucessor de Weintraub. A indicação é capitaneada pelo governador Ratinho Júnior (PSD) e teria sido uma sugestão do ministro das Comunicações Fábio Faria (PSD). Como revelou O GLOBO na sexta-feira, Feder foi sondado pelo governo após a saída de Weintraub. Após as crises sucessivas empreendidas pelo ex-ministro Abraham Weintraub, o Planalto busca um nome técnico e distante de polêmicas para comandar a pasta. O nome de Feder seria um aceno também aos partidos da base aliada de Jair Bolsonaro no Congresso, à qual pertence o PSD. Feder já foi empresário do setor de tecnologia, mas também lecionou matemática por dez anos, além de ter sido diretor de escola. Além de apoio importante no campo político, Feder também conta com o apoio de empresários bolsonaristas. O secretário ainda é defensor do modelo de escolas cívico-militares, uma das principais plataformas do presidente Jair Bolsonaro na área da educação, o que o aproxima da ala militar do governo. Esse núcleo apoia o nome de Feder no cargo também para evitar a ascensão de um olavista ao MEC.
Suspensão de pagamento do Fies até o fim do ano é aprovado na Câmara
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (18) a suspensão dos pagamentos devidos pelos estudantes ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) durante o estado de calamidade pública provocado pela pandemia do novo coronavírus. O texto já havia sido analisado pelos deputados no fim de abril, mas como sofreu modificações no Senado precisou passar por nova apreciação. A matéria segue para sanção presidencial. A medida estabelece o direito à suspensão dos pagamentos aos estudantes que estão em dia com as prestações do financiamento e aqueles com parcelas em atraso por, no máximo, 180 dias. Segundo o texto, serão incluídos os inadimplentes de prestações devidas até 20 de março de 2020, pois a partir dessa data contam com suspensão. Os saldos das obrigações suspensas devem ser pagos “de forma diluída nas parcelas restantes”, sem cobrança de juros ou multas. Em todas as situações de suspensão de pagamentos, o estudante não poderá ser inscrito em cadastros de inadimplentes e não será considerado descumpridor de quaisquer obrigações junto ao Fies. Para obter a suspensão, o estudante deverá manifestar o interesse ao banco no qual detém o financiamento, presencialmente ou por meio dos canais de atendimento eletrônico. O Fies é o programa de financiamento estudantil para cursos superiores particulares. O projeto de lei prevê a suspensão dos seguintes pagamentos: – amortização do saldo devedor – juros incidentes sobre o financiamento – quitação das parcelas oriundas de renegociações de contratos – pagamentos eventualmente devidos pelos estudantes beneficiários e pelas mantenedoras das instituições de ensino superior (IES) aos agentes financeiros para saldar multas por atraso de pagamento e gastos operacionais com o P-Fies ao longo dos períodos de utilização e de amortização do financiamento. Refinanciamento Além da suspensão de pagamento, o texto aprovado cria um sistema de refinanciamento. No caso de quitação integral até 31 de dezembro de 2020, haverá redução de 100% dos encargos moratórios. Na regra atual, a redução é de 50%. Já os parcelamentos feitos em 145 ou 175 parcelas mensais receberão redução de 40% e 25%, respectivamente. Os pagamentos começam a partir de janeiro de 2021. Nesses parcelamentos, o valor de entrada será a primeira parcela mensal a ser paga. Como o parcelamento começa do zero, podem ser incluídas as parcelas não quitadas até a data de publicação da futura lei. Médicos O texto aprovado inclui médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde com seis meses de trabalho no atendimento a infectados pela covid-19 entre as categorias aptas a receber abatimentos nas parcelas do Fies. Dessa forma, o Fies poderá abater, mensalmente, 1% do saldo devedor consolidado, incluídos os juros devidos no período e independentemente da data de contratação do financiamento. Também pode abater até 50% do valor mensal devido ao Fies por esses profissionais. FG-Fies O projeto aumenta o limite de participação da União no Fundo Garantidor do Fies (FG-Fies) dos atuais R$ 3 bilhões para até R$ 5,5 bilhões. O fundo garantidor assume uma parte dos riscos das operações de crédito educativo do Fies, e é destinado especificamente a estudantes de baixa renda.
Justiça determina envio de dados de 12 anos de viagens de Flávio Bolsonaro
A Justiça do Rio de Janeiro determinou que a agência de viagens Decolar.com entregue ao Ministério Público do estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) todas as informações disponíveis sobre viagens realizadas pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) e de sua mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, entre 1º de janeiro de 2007 e 17 de dezembro de 2018. Esse período corresponde aos mandatos do político como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A decisão foi tomada em fevereiro pelo juiz da 27ª Vara Criminal do Rio, Flávio Itabaiana Oliveira Nicolau, no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de rachadinha de salários de funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual. É o mesmo magistrado que determinou a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho do presidente da República, suspeito de ser o operador financeiro do esquema, na quinta-feira (18). O MP-RJ pediu à empresa que fornecesse todos os dados das transações comerciais com o senador e sua esposa, tais como datas, origens e destinos das viagens, produtos contratados (pacotes turísticos, hotéis, transporte), os nomes dos passageiros indicados nos bilhetes, valores pagos e formas de pagamentos. De acordo com documentos judiciais, cujo conteúdo o UOL teve acesso exclusivo, os promotores de Justiça consideram que tais dados são pertinentes para investigação, pois podem indicar “o caminho traçado pelo dinheiro e, inclusive, se os investigados têm renda compatível com os gastos”. A Decolar.com chegou a recorrer duas vezes ao TJ-RJ (Tribunal de Justiça do estado do Rio) alegando que fornecer os dados violariam o direito à intimidade dos investigados, mas não obteve ganho de causa. A empresa afirmou que “atendeu à decisão judicial, fornecendo as informações solicitadas”. Procurado pelo UOL, o MP-RJ afirmou que o “inquérito está em andamento e as investigações estão sob sigilo”. A assessoria do senador não respondeu o pedido de resposta até a publicação desta reportagem. Este texto será atualizado assim que os posicionamentos forem enviados. Investigação atinge Flávio e Queiroz Fabrício Queiroz, que é amigo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desde 1984, ficou conhecido em uma operação ligada à Lava Jato do Rio, que investigava o pagamento de propina a deputados por parte do governo estadual. Trata-se da Operação Furna da Onça, iniciada em janeiro de 2018 por ordem do Ministério Público do Rio. A investigação partiu de um relatório de um órgão de inteligência financeira que apontou movimentações suspeitas de dinheiro por parte de assessores parlamentares, incluindo Queiroz. Segundo o MP, Flávio Bolsonaro lavou até R$ 2,3 milhões utilizando uma loja de chocolates e negociações imobiliárias. O dinheiro teria origem em um esquema de “rachadinha” comandado por Queiroz no gabinete do então deputado, em que os funcionários dos parlamentares são contratados sob a condição de devolver parte de suas remunerações. Até milicianos teriam se beneficiado do esquema. Apenas entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão. O valor é incompatível com o patrimônio do então motorista
Banco Mundial informa que mandato de Weintraub será apenas até outubro
O Banco Mundial recebeu, na noite desta quinta-feira (18), a comunicação oficial que indica o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub para o cargo de diretor executivo no conselho administrativo da entidade. Para que assuma o posto, a nomeação precisa ser aceita pelos demais países do grupo do qual o Brasil faz parte — porém, como nunca uma candidatura brasileira foi contestada, a expectativa é que o ex-ministro seja eleito. Ele deverá cumprir o restante do mandato atual que termina em 31 de outubro de 2020, quando será necessária uma nova nomeação e nova eleição. A ida de Weintraub para o Banco Mundial deverá representar uma reviravolta em tudo o que ele prega na cartilha antiglobalista e conservadora do bolsonarismo. Segundo lembrou uma fonte ligada à instituição, na função de diretor-executivo do Bird, Weintraub passará a defender uma agenda progressista, formada por políticas de equalização de oportunidades entre gêneros e o apoio a projetos que lidam com a mudança climática, entre outros exemplos. Ele passará a trabalhar em uma das principais instituições multilaterais do mundo, fundada em 1944, tem 189 países membros e funcionários de aproximadamente 170 nações. Weintraub também terá de dominar seu gênio explosivo. O Bird tem regras que preveem punições a desvios de conduta. Além disso, precisará conquistar credibilidade junto a outros países do banco, tendo em vista que está deixando um governo cujo presidente da República é completamente alinhado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O termo diretor-executivo pode ser enganador, pois a função do cargo é mais do que executiva. Tem em sua essência a política e a diplomacia. Eleição Abraham Weintraub assumirá o vaga de Fábio Kanczuk, que deixou a função de diretor-executivo antes de encerrar o mandato — que termina em outubro deste ano — para ser diretor de Política Econômica do Banco Central. Atualmente, quem assume o cargo de forma interina é a economista filipina Elisa Augustin. Nunca uma candidatura do Brasil foi contestada e, por isso, a expectativa é que o ex-ministro seja eleito sem dificuldade. Há 25 cadeiras no “board” do Bird. Uma delas, que tem à frente o ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, representa não apenas o Brasil, mas também Colômbia, Equador, República Dominicana, Haiti, Panamá, Suriname, Trinidad & Tobago e Filipinas. Ou seja, são nove países com poder de voto. Há cadeiras que só têm apenas um país, caso, por exemplo, dos Estados Unidos, da China, da França, da Alemanha, do Reino Unido e do Japão. — A cadeira brasileira está vaga. Não há um representante do Brasil — disse o ex-diretor e ex-vice-presidente do Bird, Otaviano Canuto, que ocupou a cadeira de diretor-executivo, assim como o ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan; o embaixador Marcos Caramuru; o atual presidente da Federação Brasileira de Bancos, Murilo Portugal; entre outros. O mais provável é que a eleição ocorra em novembro, quando assumirá o novo “board” do banco. O mandato é de dois anos. Luiz Carlos Prado, professor da Economia Internacional da UFRJ, lembrou que o Brasil faz parte do Banco Mundial desde sua origem, nas conferências de Bretton Woods. Segundo Prado, pela longa história que tem dentro da instituição, sempre manteve uma posição importante e de prestígio. O professor disse que, apesar de Weintraub não ter o perfil para a vaga, é muito improvável que sua indicação não seja aceita. — Pela tradição, o Brasil costuma ter todas as indicações ao cargo aceitas. Então, dificilmente a nomeação do Weintraub não passe. Porém, como ele vai representar mais países do que apenas o Brasil e vai participar de reuniões com um grupo muito qualificado, se atuar como um militante de extrema-direita, da mesma forma como ocupou o Ministério da Educação, haverá desgastes até mesmo de natureza diplomática – afirmou. Novo salário Os diretores executivos de cada grupo compõem os Conselhos de Administração do Banco Mundial. Em geral, eles se reúnem ao menos duas vezes por semana para supervisionar os negócios da instituição, incluindo a aprovação de empréstimos e garantias, as novas políticas que serão adotadas, o orçamento administrativo e as estratégias de assistência aos países, além de rever quanto de capital o banco precisará. Como ocupante do cargo deve representar os demais países do Bird nessas discussões, é muito importante que ele tenha uma experiência diplomática. Financeiramente, a mudança de ares fará bem a Abraham Weintraub: seu salário pode triplicar e lhe render R$ 1,38 milhão por ano. Como ministro, Weintraub ganhava R$ 30,9 mil. Em valores convertidos para o Real, passará a receber R$ 115 mil por mês. Segundo a tabela de remuneração do Banco Mundial divulgada em 2019, o salário anual para os diretores-executivos do banco é US$ 258,5 mil.
‘Está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar’, diz Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro classificou nesta quarta-feira a operação realizada na véspera contra aliados seus, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), como “abuso” e afirmou que “está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar”, mas disse que não será o “primeiro a chutar o pau da barraca”, sem explicar a que estava se referindo. — Eu não vou ser o primeiro a chutar o pau da barraca. Eles estão abusando. Isso está a olhos vistos. O ocorrido no dia de ontem, quebrando sigilo de parlamentares, não tem história nenhuma vista em uma democracia por mais frágil que ela seja. Está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar — disse Bolsonaro a apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada. No âmbito do mesmo inquérito em que foi realizada a operação, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a quebra do sigilo bancário de 11 parlamentares bolsonaristas para apurar se eles atuaram no financiamento de atos antidemocráticos, que pediam o fechamento do STF e do Congresso Nacional. Segundo Bolsonaro, “está chegando a hora” de “todos, sem exceção, entenderem o que é democracia”. Ele disse que cada um dos Três Poderes não pode fazer o que quiser. — Está chegando a hora de nós acertamos o Brasil no rumo da prosperidade e de todos, sem exceção, entenderem o que é democracia. Democracia não é o que eu quero, eu e você, o que um Poder quer, o que outro Poder quer. Está chegando a hora, fique tranquila. Na noite de terça-feira, em um texto publicado em suas redes sociais que não mencionou a operação, Bolsonaro já havia criticado “ataques concretos” contra seu governo e prometeu tomar “todas as medidas legais possíveis”. Os comentários desta quarta-feira foram feitos após uma apoiadora afirmar que os outros Poderes não deixam Bolsonaro governar. O presidente disse estar fazendo “exatamente o que deve ser feito” e reclamou dos que o criticam sem ter a mesma experiência. — Desde os anos 70 eu já estava na luta armada. Eu conheço tudo que está acontecendo no Brasil. Você está falando respeitosamente comigo. Mas tem gente que nasceu 40 anos depois do que eu e quer dizer como eu devo governar o Brasil. Eu estou fazendo exatamente o que deve ser feito. Bolsonaro ainda disse que “terrorismo” não é “o que alguns estão achando”: — Terrorismo é você meter carro bomba em guarita no Exército, meter bomba em aeroporto dos Guarapres. É um montão de coisas. Terrorismo é isso, não é o que alguns estão achando que é.
Prefeitura fará retirada de fotos de Iris Rezende de órgãos públicos
A Prefeitura de Goiânia informou que vai acatar a recomendação expedida pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) e fará a remoção de fotografias e quadros com imagens de agentes públicos, como do prefeito Iris Rezende (MDB), nos órgãos e repartições municipais. A iniciativa foi do promotor Fernando Krebs, titular da 57ª Promotoria de Goiânia. Segundo o documento, há fotografias emolduradas de Iris por diversas repartições públicas municipais de Goiânia, o que viola a Constituição Federal. O argumento consta no artigo 37 da Carta Magna, que determina que a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social. Portanto, segundo Krebs, não podem constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. A recomendação destaca também que já existe jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), posicionando-se de forma contrária à afixação das fotografias do chefe do Poder Executivo em repartições públicas.
Aras acata pedido de Toffoli e abre investigação sobre ataque ao Supremo
A Procuradoria-Geral da República instaurou uma investigação preliminar na noite de domingo (14) sobre o ato da noite de sábado (13) em que manifestantes atiraram fogos de artifício em direção ao Supremo Tribunal Federal (STF) simulando um bombardeio. A PGR determinou a abertura de uma notícia de fato, nome que se dá a investigação preliminar, em resposta a um pedido do presidente da corte, Dias Toffoli. O ministro pediu “a responsabilização penal daquele(s) que deu/deram causa direta ou indiretamente, inclusive por meio de financiamento, dos ataques e ameaças dirigidas” ao STF e ao “estado democrático de direito”. Toffoli também solicitou a responsabilização de Renan da Silva Sena, “por ataques e ameaças à Instituição deste Supremo Tribunal Federal”. O procurador João Paulo Lordelo, que assina a portaria que instaura a notícia de fato, lembrou que em 5 de maio já havia encaminhado ao Ministério Público Federal no DF um memorando em que indicava que Renan havia praticado crimes por ter agredido verbalmente profissionais de saúde. Lordelo, que assessora o procurador-geral Augusto Aras para temas de matéria penal, ainda pede informações ao MPF-DF sobre investigações conduzidas a respeito dos atos de sábado e determina que as informações sejam encaminhadas ao vice-procurador-geral Humberto Jacques para que ele inclua o caso no âmbito de inquérito que investiga atos antidemocráticos.
Relatoria da ONU questiona ação do governo Bolsonaro contra sociedade civil
Um relatório da ONU vai fazer um alerta sobre a decisão do governo de Jair Bolsonaro de restringir o trabalho de conselhos criados para servir de canal para a participação da sociedade civil na formulação e debate de políticas no país. A referência está presente num documento preparado pela relatora especial da ONU sobre eliminação da discriminação contra pessoas afetadas pela hanseníase, Alice Cruz. Ela realizou uma missão ao Brasil e, em duas semanas, fará recomendações ao governo diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Mas, num trecho do documento, ela tece críticas ao Decreto Presidencial nº 9759/2019. Publicado em abril de 2019, o instrumento estabelece uma mudança na existência dos conselhos colegiados, inclusive extinguindo alguns deles. Naquele momento, a ação do Planalto gerou duras críticas por parte de instituições e ativistas, além de ser interpretado como um ato de restrição da participação da sociedade civil no debate de políticas públicas. Tradicionalmente, é por meio desses órgãos que a sociedade civil pode apresentar propostas e debater com o governo ações em diferentes áreas sociais, como infância, direitos humanos, tortura e muitas outras. O debate, agora, chega à ONU, em mais um exemplo da resistência internacional contra as práticas de direitos humanos adotadas pelo governo brasileiro. Segundo a relatora, o governo “regulamenta e limita os conselhos, que são órgãos colegiados públicos federais, e restringe o exercício das liberdades fundamentais e direitos, como a participação na tomada de decisões, monitoramento e prestação de contas”. “Tais conselhos têm sido críticos para garantir os direitos civis e políticos consagrados no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, do qual o Brasil é parte, e também abriram caminho para a participação em assuntos públicos de grupos marginalizados, como pessoas afetadas pela hanseníase”, disse. “A eliminação desses mecanismos-chave reforçaria a exclusão desses indivíduos, constituindo um grande revés para seu gozo de direitos sociais, econômicos e culturais, e um retrocesso no que diz respeito à aplicação dos direitos humanos internacionais fundamentais”, afirma a relatora. Omissão Numa resposta submetida pelo governo brasileiro ainda em abril, o país esclarece que o “Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos observa que foram mantidos os conselhos criados por lei, notadamente os de seu Ministério, bem como outros órgãos colegiados, tais como o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência”. A resposta, porém, omite a batalha legal que tem ocorrido nos bastidores. O Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência, por exemplo, foi alvo de uma tentativa do governo de modificar os integrantes do órgão, o que levou o Conselho a entrar com uma ação na AGU. Em janeiro de 2020, o parecer da entidade apontou que, de fato, os mandatos dos conselheiros deveriam ser mantidos e não poderiam ser alterados. Outros conselhos com temas relacionados aos direitos humanos ainda estão funcionando graças a medidas judiciais, enquanto o governo passou a intervir diretamente na escolha de seus membros e até selecionar a presidência desses órgãos. Recomendações A relatora da ONU não deixa de destacar alguns avanços no combate à discriminação e no tratamento de pessoas afetadas pela hanseníase em governos anteriores. Mas faz alertas claros sobre a situação atual. Alguns dos centros identificados pela relatora estariam marcados pela “negligência alarmante”. “Durante as últimas décadas do século 20, o Brasil liderou a eliminação da discriminação contra as pessoas afetadas pela hanseníase e seus familiares. Fundamental para esse papel pioneiro tem sido a Constituição baseada em direitos, o alto nível de conhecimento entre os pesquisadores de saúde do país e uma organização robusta de pessoas afetadas pela doença, o que atesta sua resiliência e engajamento cívico nos assuntos públicos”, escreveu a relatora. “A estrutura normativa e institucional brasileira está qualificada para proteger, promover e cumprir os direitos das pessoas afetadas e de seus familiares. De especial relevância são as leis que combatem a linguagem discriminatória e compensam danos passados com uma medida permanente e especial baseada na reparação material”, indicou. “Não obstante a igualdade jurídica, a discriminação de fato perdura em práticas institucionalizadas e relações sociais interpessoais”, alertou a relatora. “As barreiras estruturais atuam como poderosos determinantes sociais da incidência da doença no país, acentuada pela autonomia regional e local na administração de recursos neste país quase continental e altamente diversificado”, indicou. “Mecanismos que podem garantir a prestação de contas, canais acessíveis para o tratamento de queixas às autoridades competentes, acesso efetivo à justiça e fortalecimento dos órgãos colegiados participativos já existentes são fundamentais para garantir acesso equitativo à saúde, proteção social e direitos inter-relacionados”, completou.
DEM procura se organizar visando eleições em Goiânia
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado deverá se reunir com vereadores ainda neste mês de junho para definir organização do DEM na capital. Caiado preside o partido no estado. Por conta da pandemia do novo coronavírus, o gestor estadual deixou as articulações políticas de lado. Em Goiânia, quem está fazendo este papel é o chefe de Gabinete de Gestão e ex-deputado estadual, Lívio Luciano. Caiado aos poucos retomará ações políticas. O DEM pretende intensificar algumas movimentações, visando estruturação da legenda para o pleito na capital. Lívio Luciano havia sido o responsável por trazer quatro vereadores para o partido: Paulo Magalhães, Jair Diamantino, Wellington Peixoto e Anderson Sales “Bokão”. Agora, ele informa que também conquistou o passe de postulantes políticos com alto potencial eleitoral. A reunião com vereadores da capital, segundo Livino, ainda não tem data definida e será realizada para discutir em conjunto com os parlamentares o nome do DEM para assumir o diretório municipal de Goiânia e além disso, para fechar a formação da chapa visando busca de novas vagas na Câmara Municipal. O partido ainda não tem diretório municipal, o que já foi comentado pelo próprio governador, que, durante a pandemia, se incumbiu de dialogar com lideranças políticas. Caiado teve conversas pontuais relativas a política nas cidades da Região Metropolitana, com o acerto da saída de Wilder Morais da Secretaria de Indústria e Comércio (SIC) para disputar eleições para prefeito pelo PSC, e também em Aparecida. Cogita-se ainda apoio de Ronaldo ao deputado federal Glaustin da Fokus (PSC), no pleito Aparecidense. “Conseguimos montar uma chapa boa, trouxemos quatro vereadores com mandato, temos também um bom número de candidatos, nomes competitivos, representantes de segmentos e agora o governador ainda não fez uma agenda política, mas precisou discutir algumas questões com o Wilder (Morais), e algumas questões de Aparecida, se o Glaustin pode ser candidato. Em Anápolis, já está definido que vai ser o Roberto (Naves), a discussão lá vai ser em torno do vice. O governador aos poucos vai abrir para fazer uma discussão política, inclusive reunir com os vereadores, neste caso de Goiânia”, explicou Livino.
Caiado promove mudanças no comando da Agência Brasil Central
Sofia Bezerro Coelho da Rocha Lima é a nova presidente da Agência Brasil Central (ABC). Ela substitui José Roberto Borges da Rocha Leão. Sofia é esposa do secretário-chefe geral da Governadoria, Adriano Rocha Lima que é primo do governador Ronaldo Caiado. A mudança na ABC foi oficializada em suplemento do Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (9). A Agência Brasil Central é a área responsável por gerir os veículos de imprensa do governo estadual, como a TV Central e a Rádio Brasil Central e ainda edita o Diário Oficial do Estado. A nomeação de Sofia não foi unânime no governo, pelo fato de membros da administração terem se posicionado de forma contrária, por conta de desgastes relativos a nepotismo, na gestão pública estadual.