STF pede apreensão do celular de Bolsonaro para checar interferência na PF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) ofício com três notícias-crime contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Entre as medidas solicitadas, estão o depoimento do presidente, além de busca e apreensão dos celulares dele e de Carlos Bolsonaro, para que perícias sejam realizadas. pedido faz parte da investigação sobre as supostas tentativas de interferência de Jair na Polícia Federal (PF). “A indisponibilidade da pretensão investigatória do Estado impede, pois, que os órgãos públicos competentes ignorem aquilo que se aponta na ‘notitia criminis’, motivo pelo qual se torna imprescindível a apuração dos fatos delatados, quaisquer que possam ser as pessoas alegadamente envolvidas, ainda que se trate de alguém investido de autoridade na hierarquia da República, independentemente do Poder (Legislativo, Executivo ou Judiciário) a que tal agente se ache vinculado”, escreveu o decano do STF no despacho. Celso de Mello é o relator do inquérito que apura se Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal ainda sob a gestão de Sergio Moro no Ministério da Justiça. Os pedidos chegaram ao STF logo após o ex-ministro da Justiça Sergio Moro deixar o governo afirmando que Bolsonaro tentou interferir na PF e que o presidente buscou informações de investigações em andamento.
Covid-19: comissão mista irá ouvir ministro Braga Netto na sexta
A Comissão Mista que acompanha as medidas de enfrentamento ao novo coronavírus irá ouvir, na sexta-feira (22), o ministro-chefe da Casa Civil, Braga Netto. Na videoconferência, às 10h, o ministro deverá atualizar os parlamentares que compõem a comissão sobre o que a Casa Civil tem feito para minimizar os impactos da covid-19. Com o depoimento de Netto, será a sétima reunião do colegiado, que apontou em seu primeiro boletim quinzenal que o governo federal gastou, até o momento, apenas 25% dos recursos alocados para o combate ao coronavírus.
Projeto prevê inclusão da cor dos pacientes nos dados sobre covid-19
Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados prevê a inclusão do marcador étnico-social nos dados oficiais de contaminação e mortes por covid-19. De autoria do deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), o projeto “determina aos órgãos integrantes do SUS (Sistema Único de Saúde) e instituições privadas a inclusão nos registros de pessoas suspeitas de contaminação, contaminadas, hospitalizadas e falecidas por covid-19 de marcador étnico-social, conforme as categorias do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de localização e de gênero, para a produção de dados oficiais”. Em sua justificativa, Padilha argumenta que o Ministério da Saúde só começou a publicar dados de pessoas infectadas com o recorte de cor/raça em 10 de abril, cerca de um mês e meio após a primeira confirmação da doença, a pedido da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e da Coalização Negra por Direitos, via Lei de Acesso à Informação. “Além disso um fator importante é que os casos e as mortes pelo novo coronavírus são subnotificadas no país, devido ao baixo índice de realização de testes específicos. Em áreas periféricas, o acesso a diagnósticos é ainda mais limitado. Isso significa que o quadro pode ser pior do que os números disponíveis permitem ver”, defende o petista. O parlamentar solicitou que o projeto de lei seja encaminhado na semana que vem para a comissão que trata sobre medidas de enfrentamento ao novo coronavírus. A inclusão da cor dos brasileiros nos dados registrados e divulgados já foi determinada pela Justiça Federal no Rio de Janeiro. A decisão, liminar, atendeu a um pedido da Defensoria Pública da União e do Instituto Luiz Gama e reconheceu a necessidade de identificar grupos mais vulneráveis à pandemia.
Casos de covid-19 na Petrobras chegam a 573, com 330 recuperados
O Ministério de Minas e Energia informou nesta segunda-feira (18), em seu boletim, que até domingo (17), 330 empregados próprios da Petrobras, de 573 infectados pelo novo coronavírus (covid-19), já estão recuperados, enquanto 243 ainda se encontram em quarentena, de um universo de 46.416 trabalhadores. O ministério deixou de divulgar os terceirizados que trabalham para a estatal, afirmando que com isso “os dados ficam mais precisos na apuração dentro do intervalo da publicação do boletim”. No último boletim com esse dado, a soma de empregados e terceirizados era de cerca de 800 pessoas. A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) também adotou a mesma medida e descontinuou um boletim que publicava diariamente. O último informe da ANP foi publicado no dia 13 de maio, um dia após a informação sobre a primeira morte entre trabalhadores que acessaram plataformas offshore. De acordo com a agência, até o dia 12 de maio, 196 trabalhadores haviam sido infectados, o mesmo número divulgado no dia anterior. A agência informou que no dia 26 de abril foi registrada a primeira morte por covid-19 no setor. Perguntada, a agência não soube informar porque parou de publicar seus informes. A Petrobras também não informa quantos trabalhadores terceirizados estão infectados. O último número divulgado sobre os seus empregados apontava 222 pessoas contaminadas. A disseminação de casos na empresa levou ao aumento de cuidados nas suas unidades, como testagem rápida nos aeroportos que levam trabalhadores para as plataformas. Na semana passada, passou a testar também em refinarias. Os sindicatos de trabalhadores da empresa – Federação Única dos Petroleiros (FUP) e Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) – têm denunciado diariamente, desde o início da pandemia, o que consideram descaso com os empregados. Uma campanha foi iniciada nas redes sociais pedindo a demissão do atual presidente, Roberto Castello Branco, e nesta segunda, segundo a FUP, foram distribuídas ações judiciais pedindo a demissão do executivo. “É grave a situação dos trabalhadores terceirizados que atuam em diversas unidades da Petrobras, pois não está havendo fiscalização das gerências da estatal em relação à adoção dos procedimentos para a prevenção contra o novo coronavírus”, diz a FUP em nota, ressaltando que a Petrobras só distribui máscaras para os empregados próprios. Depois de ter sido obrigada a parar duas plataformas por contaminação da pandemia – Capixaba e Cidade de Santos – o problema agora, segundo a FUP, além de refinarias, seria na plataforma no campo de Manati, na bacia de Camamu, na Bahia, operada por uma empresa terceirizada, onde convivem trabalhadores próprios e de empresas contratadas. “Nenhuma dessas pessoas fez o teste rápido da covid-19 antes de serem confinadas em um local pequeno e sem ventilação”, acusa da FUP, informando que já houve um caso na plataforma e a pessoa foi retirada, mas antes conviveu no ambiente que é propício à disseminação e os números devem, aumentar. Também nas refinarias da empresa a todo momento aparecem denúncias, o que levou Ministério Público do Trabalho a aumentar a atenção sobre o problema, indicando que a Petrobras precisa estender o mesmo tratamento dados aos seus trabalhadores aos terceirizados, assim como nas plataformas. Em reunião sobre o balanço na semana passada, a Petrobras informou que vem testando milhares de empregados e que multa as empresas terceirizadas que não cumprem as medidas de combate ao coronavírus nas suas operações. A estatal argumenta que tomou várias outras medidas, como isolamento de suspeitos e retirada imediata dos contaminados das unidades.
Governo divulga diretrizes para enfrentar covid-19 em presídios
O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, órgão ligado ao Ministério da Justiça, publicou resolução no Diário Oficial da União nesta terça-feira (19), com as diretrizes a serem seguidas para o enfrentamento do novo coronavírus (covid-19) nos presídios do país. De acordo com a resolução, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e demais órgãos de administração penitenciária ficam autorizados a “buscar e implementar soluções alternativas e temporárias para as unidades prisionais, visando à instalação de estruturas extraordinárias específicas para o enfrentamento do novo coronavírus”. Para tanto, deverão observar algumas diretrizes relacionadas à triagem de presos, às unidades de saúde e aos grupos de risco. Segundo o documento, serão destinadas estruturas onde presos que ingressem no estabelecimento prisional possam permanecer por 14 dias, a título de verificação sintomática. Essa separação deverá ser feita conforme as condições de saúde do detido, apresentando ou não sintomas, “sendo vedado o isolamento de contaminados nesse local”. A triagem de inclusão deverá observar critério cronológico de ingresso dos presos, buscando evitar contato que possibilite a disseminação do Ainda no âmbito das diretrizes estabelecidas pela resolução, está a de destinar estruturas ao atendimento e tratamentos que não demandem encaminhamentos à rede hospitalar devido à complexidade, segundo critério da equipe médica da unidade prisional. Novamente a resolução observa ser vedado o uso desse espaço “exclusivamente para o isolamento celular de presos contaminados”. Com relação aos grupos de risco, a resolução prevê a disponibilização de estruturas destinadas ao isolamento de presos idosos, portadores de comorbidades ou quaisquer outros que integrem grupos de maior risco para contaminação pela covid-19. Eles deverão permanecer sem contato com os demais presos durante o tempo de duração da pandemia. “As estruturas a serem disponibilizadas devem atender requisitos de conforto ambiental, ventilação, iluminação, segurança contra incêndio e outros, que assegurem a salubridade e segurança das pessoas presas nelas alojadas provisoriamente e dos servidores envolvidos no atendimento a ser indispensavelmente prestado”, detalha a medida, que veda o uso de contêineres ou outras estruturas similares. Caberá ao Ministério da Saúde e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atestar previamente, por meio de documentos oficiais, se o espaço ocupado é adequado. Também está vedado o emprego ou a disponibilização de estruturas que ponham em risco a saúde ou a integridade física de presos e servidores, ou que violem requisitos de segurança, salubridade e conforto ambiental. O texto acrescenta que é obrigatório que a situação da saúde do preso seja acompanhada, e veda o uso das estruturas para “finalidades que destoem das determinadas pela situação excepcional”, ou acima da capacidade máxima definida para a ocupação. Está previsto o reexame da resolução, pelo próprio conselho, no prazo de 120 dias ou a qualquer tempo, para ajustes eventuais e para a produção de relatórios sobre os resultados obtidos. As medidas entram em vigor a partir de hoje, data de sua publicação.
Em reunião citada por Moro, ministro das Relações Exteriores culpa China pela pandemia do coronavírus
A reunião apontada por Sergio Moro como uma das provas de interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal não se restringe a palavrões e pressões do presidente sobre o ex-ministro. Interlocutores de Bolsonaro têm mostrado que um dos temas mais sensíveis foram as falas do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre a China. Araújo culpou o país asiático pela pandemia e apelidou a covid-19 de “comunavírus”. Participantes do encontro de 22 de abril relataram que o chanceler declarou, em alto e bom som, que o novo coronavírus é uma “coisa da China”, com o propósito de dominar outras nações. Ao dar o apelido de “comunavírus” à covid-19, o ministro deu uma gargalhada que, segundo presentes, foi acompanhada por Bolsonaro, dando sinais de que concorda com o ministro. Procurado, o ministro disse, por meio da assessoria de imprensa do Itamaraty, que “não tem nada a declarar”. Antes da Advocacia-Geral da União (AGU) entregar o vídeo ao Supremo Tribunal Federal, na sexta-feira passada (8), o órgão pediu que a corte reconsiderasse a entrega da gravação argumentando que, no referido encontro, “foram tratados assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de Relações Exteriores, entre outros”. Outro momento tenso do encontro, desta vez protagonizado por Bolsonaro e Sergio Moro, foi quando o presidente reclamou de uma nota de pesar divulgada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), instituição vinculada à pasta da Justiça, na época chefiada por Moro. No comunicado, a PRF lamentou a morte de um funcionário por covid-19. O presidente se queixou e disse, conforme relatos de quem estava no local, que a corporação deveria ter relacionado a causa da morte a “comorbidades” (como problemas cardíacos, imunidade baixa e pressão alta, por exemplo) e não coronavírus. Como a coluna informou, autoridades que participaram do encontro relataram que Bolsonaro disse, aos gritos, que se não pudesse trocar o superintendente da PF no Rio, trocaria o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, e, se não pudesse substituí-lo, demitiria o então ministro da Justiça, Sergio Moro. A ameaça de demissão foi revelada pelo jornal “O GLOBO”. O Palácio do Planalto também tem mostrado bastante apreensão com as falas de Abraham Weintraub sobre STF no encontro citado por Moro. Integrantes do governo afirmam que, em outras agendas, o ministro da Educação já fez críticas ostensivas aos integrantes do Supremo, sendo que, em uma delas, Weintraub chegou a abrir a janela e a apontar para o outro lado da Praça dos Três Poderes, dizendo que no STF só tinha bandidos. Antes de entregar a gravação citada por Moro, a AGU tinha tentado evitar seu repasse, alegando que o conteúdo seria de “segurança nacional”. Presentes na reunião relataram que não se recordam de temas de segurança abordados no encontro. O relator do caso, o ministro Celso de Mello, afirmou em decisão que, muito em breve, decidirá pelo levantamento do sigilo parcial ou total do material.
Após reunião com Alcolumbre, ministros do STF farão exame
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, fará nesta quinta-feira (19) o teste para saber se está ou não infectado pelo novo coronavírus. Os outros ministros que também se encontraram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na segunda-feira (16), também se submeterão ao exame. Na quarta-feira (18), no Palácio do Planalto, Toffoli ressaltou que o coronavírus “não vai parar o Judiciário”, assim como não vai paralisar médicos e enfermeiros de todo o Brasil. Segundo ele, o Judiciário “é o maior garantidor da paz social”, principalmente neste momento “de fragilidade humana”. A assessoria de comunicação da Presidência do Supremo informa também que Dias Toffoli está seguindo os protocolos definidos pelo Ministério da Saúde e as orientações da Secretaria de Serviços Integrados de Saúde do STF. China informa não ter registrado contágio local na quarta-feira Por decisão própria, e como medida extra de segurança, acrescenta a assessoria da Corte, o presidente do STF optou pelo teletrabalho e atuará de casa nas demandas do Tribunal em regime de isolamento pelo período mínimo de uma semana.
Moro anuncia projeto para aumento da pena de agressores de mulheres
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, informou nesta segunda-feira (9) que vai apresentar, nos próximos dias, em parceria com a bancada feminina do Congresso, um projeto de lei para aumentar penas em casos de violência contra a mulher. Leia também: Caso Ronaldinho: Moro liga para autoridades paraguaias Segundo levantamento da Pasta dirigida por Moro, entre 2019 e 2020, houve aumento expressivo no número de tornozeleiras eletrônicas impostas a agressores de mulheres (65,5%), e também na participação de grupos reflexivos para atender homens acusados de violência contra mulheres (39%). De acordo com o ministro, a iniciativa também deve “condicionar o acesso a recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública a Estados que reduzirem esses índices e desenvolverem programas e projetos de proteção a mulheres vítimas de violência domestica e familiar”. “Fazemos absoluta questão que o protagonismo da apresentação do projeto seja das congressistas”, afirmou o ministro. Leia também: Moro divulga lista de criminosos mais procurados do país Moro ressaltou que “a violência contra as mulheres nos preocupa, de forma especial, porque a maioria dos casos de feminicídio é cometida por parceiro íntimo, em ambiente privado, e dentro de um contexto de violência doméstica e familiar”. “Para melhor definir políticas públicas em relação a esse tipo de violência, o Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou às secretarias estaduais de segurança maior agilidade na catalogação de casos de feminicídio, já que o nosso sistema – o Sinesp – recebe os boletins de ocorrência policiais praticamente em tempo real, e os crimes de feminicídio, muitas vezes, demoram para ser comprovados, porque demandam investigação”, disse Moro. O ministro ainda lembra que “o Brasil está em quinto lugar no ranking de países em morte violenta de mulheres no mundo, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, e precisa, cada vez, avançar nas medidas de prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar”. Copyright © Estadão. Todos os direitos reservados.
O que o Brasil teria a perder com um afastamento da Argentina?
As trocas de farpas entre Bolsonaro e o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, ganharam um novo capítulo no último fim de semana, quando o governo brasileiro informou que não enviaria representante à posse, marcada para esta terça (10/12). Em novembro, Bolsonaro havia decidido que seria representado pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra. Neste domingo (08/12), chegou a informar que o Brasil não estaria presente na solenidade. No fim da tarde de segunda voltou atrás e afirmou que enviaria o vice, Hamilton Mourão. A última vez que um presidente brasileiro não esteve na posse de um presidente argentino foi em 2002, quando o país, que ainda digeria a crise de 2001, trocou de presidente pela quinta vez desde a renúncia de Fernando de la Rúa. Eduardo Duhalde assumiu poucos minutos depois de ser eleito pela Assembleia Legislativa. Parte dos analistas econômicos e representantes de setores exportadores brasileiros não acreditam que o clima de animosidade entre os dois políticos, que começou ainda antes das eleições argentinas, terá desdobramentos práticos. A avaliação é de que, como os dois países são bastante interdependentes – e diante da desaceleração da economia global -, o pragmatismo falará mais alto. Mas quais consequências práticas que um eventual afastamento da Argentina teria para o Brasil? Complementaridade produtiva O setor que mais sofreria caso houvesse um estremecimento das relações bilaterais seria a indústria. A Argentina é o principal destino das exportações de produtos manufaturados brasileiros e o terceiro se contabilizados todos os produtos. Enquanto o Brasil exporta muita soja e minério para a China e para os EUA, por exemplo, vende para o vizinho itens de maior valor agregado, que vão desde calçados e automóveis a máquinas e peças. Ele é o principal parceiro comercial da Argentina, respondendo por 27% de todas as importações do país (dados de 2017). A China fica em segundo lugar, com 19%. Desde a criação do Mercosul, em 1991, a indústria dos dois países tem ficado mais integrada. Isso fica mais claro quando se olha no detalhe a composição das exportações brasileiras para a Argentina. Um estudo conduzido pelas economistas Mayara Santiago e Luana Miranda, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), mostrou que 58% de tudo o que é vendido para o parceiro são bens intermediários. Ou seja, são motores, peças e outros manufaturados que são usados pela indústria argentina, que vão compor produtos acabados feitos no país. Exportações brasileiras para a Argentina. Participação por produto* – em %. *De janeiro a agosto de 2019. BBC NEWS BRASIL Assim, em um cenário de distanciamento entre os dois países, a Argentina também seria prejudicada, já que poderia perder fornecedores importantes para sua indústria. “Manter uma boa relação é benéfico para os dois lados”, pondera Mayara Santiago. O impacto da atual crise argentina sobre o setor no Brasil também dá dimensão dessa interdependência. Ainda de acordo com o estudo das economistas do Ibre-FGV, a recessão da Argentina tirou 0,2 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2018. Ou seja, sem o “choque argentino”, a economia brasileira teria crescido 1,3% em vez de 1,1% (o estudo foi feito antes da revisão do PIB de 2018 pelo IBGE, que alterou o dado do ano passado para 1,3%). Para 2019, a projeção é de que esse impacto negativo seja ainda pior, de 0,5 ponto percentual. Este será, aliás, o primeiro ano desde 2003 que a balança comercial do Brasil com a Argentina vai ficar no vermelho. Entre janeiro e novembro, o saldo é negativo em US$ 641,8 milhões. Balança comercial Brasil-Argentina. Valor FOB (em US$ bilhões). . BBC NEWS BRASIL A redução das exportações para o vizinho, acrescenta a economista, tem ainda um “efeito transbordamento” importante, que vai além da indústria e afeta o comércio e os serviços. Uma máquina que deixa de ser exportada, por exemplo, significa menos um frete, menos volume de trabalho no escritório de representação comercial e por aí vai. A recuperação da demanda interna pode atenuar o “efeito Argentina” em 2020, afirma Mayara, e compensar a queda nas vendas para o vizinho. Ainda assim, a manutenção da boa relação do Brasil com seus parceiros comerciais se mantém uma variável importante, já que a indústria como um todo vem perdendo espaço na economia. Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o país passa por um dos mais graves casos de “desindustrialização prematura” do mundo. Um estudo divulgado pela entidade em agosto mostrou que, enquanto o setor industrial perdeu 36,1% de peso no PIB global entre 1980 e 2018, no Brasil o recuo foi de 58,6% no mesmo período. A política e a ‘vida real’ Para o economista Guillermo Tolosa, analista da Oxford Economics, o discurso muitas vezes agressivo de ambos os lados tem o objetivo principal de agradar as respectivas bases eleitorais de Bolsonaro e de Alberto Fernández. Enquanto o presidente brasileiro se define como um político conservador e liberal, o colega argentino é um veterano do peronismo – movimento que, apesar de agregar os mais diferentes matizes ideológicos, lançou os principais nomes da esquerda que chegaram à Casa Rosada, como Néstor e Cristina Kirchner. Alberto Fernández ✔@alferdez También hoy cumple años mi amigo @LulaOficial, un hombre extraordinario que está injustamente preso desde hace un año y medio. Parabéns pra você, querido Lula. Espero verte pronto. #LulaLivre 50,9 mil 15:56 – 27 de out de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads 15,4 mil pessoas estão falando sobre isso Peronistas comemoram a vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner: chapa venceu no primeiro turno Ricardo Moraes/Reuters/ BBC NEWS BRASIL Ele vê as trocas de farpas como naturais. A expectativa, entretanto, é que elas se mantenham na esfera da política e não tenham grandes desdobramentos práticos. “O incentivo para se colocar barreiras de comércio não existe, de um lado e de outro”, avalia. “Não faz sentido se autoinfligir ‘mais dor’ (além daquela causada pela recessão argentina) em uma guerra comercial ou algo parecido.” A aparente hostilidade entre os dois presidentes seria algo como, na expressão em espanhol,
Nova fase da Lava Jato mira repasses da Oi a filho de Lula
A PF (Polícia Federal) deflagrou a 69ª fase da Operação Lava Jato na manhã desta terça-feira (10). O objetivo da ação é buscar provas na investigação sobre repasses financeiros suspeitos, realizados por empresas do grupo Oi/Telemar em favor de empresas do grupo Gamecorp/Gol, controladas pelo filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luis Lula da Silva, além de Fernando Bittar, Kalil Bittar e Jonas Suassuna. As autoridades cumprem 47 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Distrito Federal. Batizada de Mapa da Mina, a operação tem como objetivo apurar crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, tráfico de influência internacional e lavagem de dinheiro envolvendo contratos e/ou acertos suspeitos que geraram repasses milionários a um grupo econômico integrado por pessoas físicas e jurídicas investigadas na 24ª fase da Lava Jato. As apurações indicam que pagamentos, realizados entre 2004 e 2016, superiores a R$ 132 milhões, foram realizados sem justificativa econômica plausível, ao tempo em que o grupo Oi/Telemar foi beneficiado por diversos atos praticados pelo Governo Federal. Os contratos investigados foram celebrados com operadoras de telefonia, internet e TV por assinatura e, segundo a PF, “evidências indicam que os serviços contratados pelo citado grupo econômico nos principais casos foram realizados em patamares ínfimos ou não foram prestados, apesar dos pagamentos recebidos integralmente”. As investigações apontam que as empresas do grupo Gamecorp/Gol não possuíam mão de obra e ativos compatíveis com a efetiva prestação dos serviços para os quais foram contratadas pela Oi/Telemar. Provas documentais colhidas, como contratos e notas fiscais, além de dados extraídos a partir do afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, indicam que as empresas do grupo Oi/Telemar investiram e contrataram o grupo Gamecorp/Gol sem a cotação de preços com outros fornecedores, fizeram pagamentos acima dos valores contratados e praticados no mercado, assim como realizaram pagamentos por serviços não executados. Paralelamente aos repasses de milhões de reais para o grupo Gamecorp/Gol, o grupo Oi/Telemar foi beneficiado pelo governo federal com diversas decisões políticas e administrativas no setor de Telecomunicações, a exemplo do Decreto nº 6.654/2008, assinado pelo então presidente Lula, que permitiu a operação de aquisição da Brasil Telecom pelo grupo Oi/Telemar. Mensagens apreendidas no curso das investigações também denotam que o grupo Oi/Telemar foi beneficiado pela nomeação de conselheiro da Anatel. A operação foi batizada como Mapa da Mina porque este era o nome de um arquivo eletrônico de apresentação financeira interno do grupo econômico, apreendido na 24ª fase da operação. O documento mostraria as fontes de recursos vindas da companhia investigada. Foram mobilizados 200 policiais federais e 15 auditores fiscais para o cumprimentos dos mandados, expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Procurada, a defesa do ex-presidente não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre a nova investigação. Oi e Vivo também não responderam a pedidos de comentário. * Com agência Reuters.