Lula anuncia plano contra crime organizado após encontro com Trump

O programa “Brasil contra o crime organizado” será lançado pelo governo federal na próxima semana O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (8/5) que vai lançar, na próxima semana, o plano “Brasil contra o crime organizado”. Em publicação nas redes sociais, Lula citou o encontro que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que um dos temas da conversa foi o combate ao crime organizado. “Nossas aduanas já estão cooperando neste sentido […] Se os Estados Unidos quiserem participar conosco, estarão convidados”, afirmou o petista. O presidente brasileiro destacou, ainda, que o governo federal criou uma base na cidade de Manaus, “com a participação de representantes das polícias de países da América do Sul para combater o crime organizado, o tráfico de armas e drogas na fronteira brasileira”. Após a reunião com o presidente norte-americano, Lula afirmou que a não conversou com Trump sobre uma possível classificação das facções criminosas CV e PCC como organizações terroristas. A medida é considerada pelo governo norte-americano, mas não tem o aval do governo Lula, que considera que pode abrir brechas para interferência externa no Brasil.
Goiás garante homologação internacional e sedia etapa histórica da MotoGP 2026

Chancela da Federação Internacional de Motociclismo confirma estrutura de alto nível para o GP de Goiás; etapa mundial da categoria é realizada neste final de semana A nova pista do Autódromo Internacional de Goiânia Ayrton Senna está homologada para competições pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM). A chancela foi oficializada na noite desta quinta-feira, (19/3). O circuito foi avaliado durante evento-teste, que foi realizado nos dias 28 de fevereiro e 1° de março, envolvendo várias categorias do motociclismo e deu sinal verde para a disputa do Grande Prêmio de Goiás MotoGP 2026. “Estamos mostrando para o mundo que aqui nós temos o que há de mais sofisticado em tecnologia”, destacou o governador Ronaldo Caiado ao afirmar que a homologação é resultado de um grande trabalho que foi realizado no Autódromo de Goiânia para que o estado pudesse receber a MotoGP. “Além de toda a tecnologia, temos um aparato completo para proteção dos pilotos e uma pista com a maior reta do mundo hoje, em termo de velocidade. Isso tudo é um diferencial muito grande, além do povo goiano, que é muito acolhedor e receptivo”, ressaltou Caiado. A homologação da pista do Autódromo veio depois da reconstrução da praça esportiva, que foi iniciada em março de 2025. A pista teve a camada asfáltica toda substituída, com um novo sistema de drenagem e a melhoria de todos os itens de segurança, como o aumento das áreas de escape, implantação de novas caixas de brita, além da substituição de zebras, guard-rails, barreiras de pneus e grades de proteção. Na reta principal, houve um alargamento de 12 para 15 metros, ampliando a possibilidade de ultrapassagens e a velocidade da pista. Há inclusive a expectativa da possibilidade da quebra de recorde de velocidade máxima da categoria, que atualmente é de 366,1 km/h. Secretário de Estado de Esporte e Lazer, Nilton Moreira exaltou a homologação do circuito para provas internacionais. ” A chancela da FIM vem coroar o trabalho que o Governo de Goiás vem realizando nos últimos anos para que voltássemos a receber a MotoGP. Agora com a homologação internacional, temos a convicção que estamos entregando um autódromo de excelência, e que vai poder receber as maiores categorias e eventos do esporte a motor do mundo”, destacou. Além das intervenções no circuito, o Autódromo de Goiânia passou por uma grande transformação em toda a sua estrutura. O Grande Prêmio de Goiás MotoGP 2026 está inaugurando uma nova ala dos boxes, com mais unidades e mais espaço para as equipes. A área de paddock também foi reestruturada. Outras novidades que estão sendo apresentadas a partir do MotoGP são a nova torre de controle e direção de prova e o centro médico. Para a melhoria da logística, foi construído um viaduto antes da curva 0, que facilita o deslocamento, a montagem e desmontagem das estruturas das equipes e dos eventos. Fotos: Secom Secretaria do Esporte e Lazer – Governo de Goiás
Uma mulher ou menina é morta a cada 10 minutos por seu parceiro íntimo ou outro membro da família

O relatório mais recente sobre feminicídios revela que 60% de todos os homicídios de mulheres são cometidos por um parceiro íntimo ou outro membro da família. Uma mulher ou menina é morta a cada 10 minutos por seu parceiro íntimo ou outro membro da família 25.11.2024 O relatório mais recente sobre feminicídios revela que 60% de todos os homicídios de mulheres são cometidos por um parceiro íntimo ou outro membro da família. Nova York, 25 de novembro de 2024 – No Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, 25 de novembro, o relatório Feminicídios em 2023: Estimativas Globais de Feminicídios por Parceiro Íntimo ou Membro da Família, da ONU Mulheres e do UNODC, revela que o feminicídio—forma mais extrema de violência contra mulheres e meninas—continua sendo um problema generalizado em todo o mundo. Globalmente, 85.000 mulheres e meninas foram mortas intencionalmente em 2023. Desses homicídios, 60% — 51.000 — foram cometidos por um parceiro íntimo ou outro membro da família. Isso equivale a 140 mulheres e meninas mortas todos os dias por seus parceiros ou parentes próximos, ou seja, uma mulher ou menina assassinada a cada 10 minutos. Em 2023, a África registrou as maiores taxas de feminicídios relacionados a parceiros íntimos e familiares, seguida pelas Américas e pela Oceania. Na Europa e nas Américas, a maioria das mulheres assassinadas no ambiente doméstico (64% e 58%, respectivamente) foram vítimas de parceiros íntimos, enquanto em outras regiões os principais agressores foram membros da família. “A violência contra mulheres e meninas não é inevitável—é prevenível. Precisamos de legislação robusta, coleta de dados aprimorada, maior responsabilidade governamental, uma cultura de tolerância zero e mais financiamento para organizações de direitos das mulheres e órgãos institucionais. À medida que nos aproximamos do 30º aniversário da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim em 2025, é hora de líderes mundiais se UNIR e agir com urgência, renovar compromissos e direcionar os recursos necessários para acabar com essa crise de uma vez por todas“, destacou Sima Bahous, Diretora Executiva da ONU Mulheres. “O novo relatório sobre feminicídios destaca a necessidade urgente de sistemas de justiça criminal eficazes que responsabilizem os perpetradores, ao mesmo tempo em que garantam apoio adequado para as sobreviventes, incluindo acesso a mecanismos seguros e transparentes de denúncia“, afirmou Ghada Waly, Diretora Executiva do UNODC. “Ao mesmo tempo, precisamos confrontar e desmantelar os preconceitos de gênero, os desequilíbrios de poder e as normas prejudiciais que perpetuam a violência contra as mulheres. Com o início da campanha deste ano dos 16 Dias de Ativismo, devemos agir agora para proteger a vida das mulheres.” “Nenhum país está livre do feminicídio. Por isso, nosso trabalho tem foco em buscar e compartilhar práticas promissoras que possibilitem real impacto na vida das mulheres e meninas. O primeiro passo é garantir acesso à informação como direito humano primordial. Conhecer seus direitos, saber como exercê-los e onde buscar apoio em situações de violência,” explicou a Representante Interina de ONU Mulheres no Brasil, Ana Carolina Querino. “Transformar normas sociais que criam as condições de tolerância para a violência, principalmente aquelas ligadas à organização social do patriarcado e assimetrias de poder com base no gênero, também é absolutamente indispensável” O 30º aniversário da Plataforma de Ação de Pequim, em 2025, juntamente com a rápida aproximação do prazo de cinco anos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, apresenta uma oportunidade crítica para mobilizar todas as partes interessadas para ações decisivas e urgentes em prol dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero. Isso inclui acabar com a impunidade e prevenir todas as formas de violência contra mulheres e meninas. 21 dias de ativismo Por meio da campanha dos 21 Dias de Ativismo, a ONU Mulheres pedirá a revitalização de compromissos e exigirá responsabilidade e ação por parte de tomadores de decisão. Este ano, comemoramos o 25º aniversário do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres com um evento oficial em Nova York, em 25 de novembro, que destacará as melhores práticas de investimento na prevenção da violência contra mulheres, as lacunas, os desafios e o caminho a seguir. Uma campanha global nas redes sociais foi lançada para mobilizar vozes contra a violência de gênero, utilizando as hashtags #NaoTemDesculpa, #21dias #NoExcuse e #16Days. Uma cópia do relatório *Feminicídios em 2023: Estimativas Globais de Feminicídios por Parceiro Íntimo ou Membro da Família* está disponível mediante solicitação e sob embargo até 25 de novembro, às 00h EST / 6h CET. “UNA-SE pelo fim da violência contra mulheres e meninas” é uma campanha global do Secretário-Geral da ONU para gerar visibilidade e compartilhar conhecimento para eliminar a violência contra mulheres e meninas de maneira definitiva. No Brasil, UNA-SE é o marco de comunicação dos 21 dias de ativismo.
Coroa com 1.300 diamantes roubada do Louvre é encontrada danificada

PUBLICADO EM 20/10/25 Peça que pertenceu à imperatriz Eugênia, mulher de Napoleão Bonaparte (FOLHAPRESS) Duas das joias roubadas do Museu do Louvre, em Paris, na manhã deste domingo (19) foram encontradas nas proximidades do local —e uma delas é nada menos do que a coroa da imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão Bonaparte. O crime surpreendeu pela ousadia: os ladrões entraram no museu logo depois de o Louvre ser aberto ao público. No total, nove joias foram levadas da galeria Apolo, que abriga tesouros da Coroa Francesa, no museu mais visitado do mundo. A coroa da imperatriz Eugênia, com 1.354 diamantes e 56 esmeraldas, foi localizada no entorno da instituição, quebrada. Segundo o jornal Le Parisien e a emissora BFMTV, que citaram fontes próximas às investigações, outra peça ainda não detalhada também foi recuperada. No total, duas coroas foram levadas pelos ladrões, além de um colar, um par de brincos, um conjunto de colar e brincos e um broche, joias “de um valor inestimável”, indicou o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez. Segundo ele, os criminosos realizaram a operação em “sete minutos” e fugiram em uma scooter, também localizada horas depois do roubo. Por volta das 9h30 locais (4h30 em Brasília), entre três e quatro invasores entraram na sala depois de quebrar as janelas do espaço com o auxílio de uma minisserra de vidros. Eles chegaram ao local por meio de uma escada instalada na parte externa, na quadra voltada para o rio Sena, no centro de Paris. Segundo o jornal Le Parisien, eles estavam vestidos como operários. As joias estavam protegidas por vitrines de vidro. Os visitantes do museu, que abriu às 9h (4h em Brasília), foram rapidamente convidados a se retirar, “sem incidentes”, informou o Louvre à agência de notícias AFP. Construída a pedido do rei Luís XIV, a galeria Apolo abriga a coleção real de pedras preciosas e os diamantes da Coroa, incluindo três peças históricas: os diamantes Regente, Sancy e Hortênsia. O último roubo registrado no Louvre ocorreu em 1998, quando uma pintura do pintor francês Camille Corot foi roubada em plena luz do dia e nunca mais foi recuperada. Muito antes, a Mona Lisa foi roubada em 1911 por um vidraceiro italiano, que queria que a obra-prima fosse devolvida ao seu país de origem. Laurent Nuñez, ex-chefe de polícia de Paris recentemente nomeado ministro do Interior, disse ter esperança de que os criminosos sejam presos “muito rapidamente”. Ele afirmou que eram ladrões experientes, que poderiam ser estrangeiros. O museu recebeu quase 9 milhões de visitantes em 2024, 80% dos quais estrangeiros. A instituição anunciou seu fechamento no domingo por “motivos excepcionais”, para “preservar vestígios e pistas para a investigação”. Questionado sobre possíveis falhas no sistema de vigilância, o ministro do Interior não quis comentar, mas observou que a segurança do museu era frágil. “Sabemos muito bem que os museus franceses são extremamente vulneráveis”, disse Nuñez, lembrando que um plano de segurança lançado recentemente pelo Ministério da Cultura não poupou o Museu do Louvre. Recentemente, vários assaltos ocorreram em museus na França. Em meados de setembro, peças de ouro nativo foram roubadas durante um arrombamento no Museu Nacional de História Natural de Paris, que lamentou uma “perda inestimável” para a pesquisa e o patrimônio. No mesmo mês de setembro, um museu em Limoges, no centro da França, com um dos maiores acervos de porcelana do país, sofreu um assalto com prejuízos estimados em € 6,5 milhões (R$ 40,9 milhões). “O crime organizado hoje tem como alvo objetos de arte, e os museus se tornaram alvos”, disse a ministra da Cultura, Rachida Dati, enfatizando que a França é o principal alvo por ser um “país patrimônio”. “Esses museus precisam se adaptar às novas formas de crime”, acrescentou a ministra, garantindo que uma auditoria de segurança havia sido realizada recentemente no Louvre, a pedido da administração do local.
Novo desenho do fornecimento de energia não garante autonomia

PUBLICADO EM 17/10/25 Quase quatro anos após o início da guerra na Ucrânia, a Europa conseguiu o que parecia improvável: reduzir de forma drástica sua dependência do petróleo e do gás russos sem mergulhar em uma recessão energética. A façanha, impulsionada pelo plano REPowerEU (estratégia adotada em maio de 2022 para economizar energia, aumentar a produção renovável e diversificar fornecedores) e sustentada por uma rede cada vez mais diversificada de fornecedores, marca uma inflexão histórica na matriz energética do continente. Mas o desafio agora é consolidar essa autonomia em meio a um cenário de tensões geopolíticas, custos elevados e desigualdade persistente entre Estados-membros. De acordo com dados do Statista, entre o primeiro trimestre de 2021 e o segundo trimestre de 2025, a União Europeia reduziu em mais de 90% as importações de petróleo russo, fazendo com que a participação do país caísse de 29% para menos de 2% do total das importações extra-UE. No caso do gás natural, a queda também foi expressiva: de 39% para 13% no mesmo período. O bloco reduziu principalmente o gás transportado por gasoduto – que recuou 52% – e substituiu parte do volume por gás natural liquefeito (GNL), cuja importação total mais do que quadruplicou desde 2021. O avanço europeu só foi possível graças à rápida ampliação das compras de GNL de países como Estados Unidos, Catar e Noruega. As importações americanas, em especial, tornaram-se um pilar central da segurança energética da Europa, um movimento que também reposiciona Washington como ator dominante no fornecimento global de gás e, inevitavelmente, como origem de nova vulnerabilidade estratégica. O paradoxo da transição inacabada Esse redesenho da matriz energética europeia reflete não apenas uma necessidade técnica, mas uma decisão estratégica: reduzir a vulnerabilidade a um fornecedor que utilizou o gás como instrumento político. A Rússia, que até 2021 respondia por mais de um terço das importações de gás do bloco, viu seu poder de barganha desmoronar. Ainda assim, a ruptura está longe de ser completa. Dados recentes da Reuters revelam que sete países da UE – França, Holanda, Bélgica, Croácia, Romênia, Portugal e Hungria – aumentaram as importações de energia russa no início de 2025 em comparação com o ano anterior. Na França, as compras subiram 40%, para 2,2 bilhões de euros; na Holanda, o aumento foi de 72%, atingindo 498 milhões de euros. Nos primeiros oito meses de 2025, o bloco importou mais de 11 bilhões de euros em recursos energéticos russos. O fenômeno expõe a fragilidade da narrativa de “descolamento”. Embora a participação percentual russa tenha caído drasticamente, o fluxo absoluto de capital para Moscou permanece robusto. A ironia é ainda mais evidente no caso do GNL: enquanto o gás russo por gasoduto foi severamente reduzido, o GNL russo continua chegando aos terminais europeus. O valor dessas importações quase triplicou desde 2021, ainda que sua participação relativa tenha diminuído devido à explosão das importações totais de GNL. A resistência do Leste e a política dos custos Nem todos os Estados-membros embarcaram com o mesmo ritmo nessa transição. Hungria e Eslováquia, altamente dependentes do petróleo russo, continuam entre os maiores compradores remanescentes. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, tem reiterado que o abandono total do fornecimento russo traria custos “inaceitáveis” à economia doméstica. Suas objeções não são apenas econômicas: Orbán mantém relações políticas próximas com o Kremlin, transformando a questão energética em um teste de coesão europeia. A divergência expõe um dilema latente: enquanto parte da Europa busca acelerar a descarbonização e o investimento em renováveis, outros países ainda veem o gás russo como um mal necessário para manter energia acessível e competitividade industrial. A memória recente da crise do gás de 2022, quando os preços chegaram a multiplicar-se por dez, forçando indústrias a fechar e disparando as contas de famílias, ainda assombra governos e consumidores, especialmente em economias menores ou mais expostas a choques de preços. Em resposta à persistência dessas importações, a Comissão Europeia adotou, em 17 de junho de 2025, uma proposta legislativa para eliminar gradualmente todas as importações de gás e petróleo russos até o final de 2027. A proposta, agora em tramitação no Parlamento Europeu e no Conselho da UE, marca uma tentativa de transformar a meta política em obrigação legal, mas também expõe as divisões internas que dificultam sua implementação. Autonomia energética e segurança continental A guerra evidenciou que energia é também uma questão de segurança nacional. O risco de sabotagens, ciberataques e interferências em gasodutos ou redes elétricas ampliou a percepção de vulnerabilidade. Nesse sentido, o REPowerEU tornou-se não apenas um programa de transição verde, mas uma política de defesa continental. Entre agosto de 2022 e janeiro de 2025, a UE conseguiu reduzir sua demanda de gás em 17%, equivalente a 70 bilhões de metros cúbicos por ano, uma conquista notável em termos de eficiência energética e gestão de demanda. A aceleração na instalação de capacidade solar, que deve ultrapassar 320 gigawatts até o final de 2025 rumo à meta de 600 gigawatts em 2030, representa outro avanço estrutural. A nova fase, porém, exigirá coordenação e solidariedade entre os Estados-membros, uma condição nem sempre presente. Países como Alemanha e Países Baixos, que conseguiram diversificar com rapidez, precisarão sustentar financeiramente e tecnicamente os vizinhos com menor capacidade de adaptação, sob pena de reabrir fissuras no projeto europeu. A encruzilhada europeia O descolamento parcial da energia russa representa uma vitória política improvisada, mas longe de ser uma solução estrutural. A nova dependência do GNL americano apenas troca uma vulnerabilidade geopolítica por outra, enquanto a transição para renováveis avança de forma fragmentada e desigual. As importações que continuam fluindo para alguns Estados-membros, inclusive com aumentos em 2025, revelam que a retórica de autonomia ainda não se traduziu em política uniforme. A Europa comprou tempo, não autonomia. Se 2027 marcará a ruptura definitiva com Moscou ou apenas o início de um novo capítulo de dependência externa é uma questão que os próximos meses ajudarão a responder. No fim, o que está em jogo é mais do que o equilíbrio energético: trata-se da capacidade da
Bruxelas lança estratégia ambiciosa para acelerar adoção de IA em empresas e governos

PUBLICADO EM 17/10/25 Enquanto o Vale do Silício (centro da indústria tech americana) e Shenzhen (polo tecnológico chinês) disputam a liderança global em inteligência artificial, a União Europeia prepara seu contra-ataque. A estratégia Apply AI, apresentada pela Comissão Europeia em colaboração com o Centro Comum de Pesquisa (JRC), representa mais que um plano de modernização tecnológica: é uma declaração de intenções sobre qual papel o continente pretende ocupar na reconfiguração digital do mundo. A proposta chega num momento delicado. Enquanto os Estados Unidos dominam o desenvolvimento de modelos generativos através de empresas como OpenAI e Google, e a China avança rapidamente em aplicações industriais com apoio estatal massivo, a Europa corre o risco de se tornar mera consumidora de tecnologias desenvolvidas além de suas fronteiras. Apply AI é a tentativa de reverter essa dinâmica. Dois pilares, uma ambição A estratégia se estrutura sobre objetivos aparentemente simples, mas de execução complexa. Primeiro, democratizar o acesso à IA para pequenas e médias empresas, a espinha dorsal da economia europeia, que representa cerca de 99% das companhias do bloco. Segundo, modernizar serviços públicos através da inteligência artificial, transformando a relação entre Estado e cidadão. O que diferencia a abordagem europeia é a ênfase simultânea em competitividade e valores. Enquanto outras potências correm atrás de avanços técnicos, Bruxelas insiste que inovação deve vir acompanhada de ética, transparência e respeito à privacidade: uma aposta em que a confiança cidadã pode se tornar vantagem competitiva. O estudo do Centro Comum de Pesquisa (JRC, na sigla em inglês) que fundamentou a estratégia identificou profunda desconexão entre demanda e oferta: o mercado procura desesperadamente engenheiros de IA, cientistas de dados e especialistas em machine learning, mas a formação permanece concentrada em áreas tradicionais como robótica e automação, com tímida cobertura de IA generativa, justamente a fronteira tecnológica do momento. Mais revelador ainda é o déficit de capacitação interdisciplinar. Juristas, administradores públicos e profissionais de ciências sociais permanecem à margem dos programas de formação em IA, criando um abismo entre quem desenvolve a tecnologia e quem precisa regulá-la, implementá-la ou avaliar seus impactos sociais. É como tentar construir uma ponte com engenheiros que não conversam com arquitetos. Para endereçar essas lacunas, a Apply AI pretende transformar os European Digital Innovation Hubs (EDIHs), uma rede de centros regionais de apoio tecnológico, em polos especializados em inteligência artificial. A ideia é que PMEs possam testar soluções, receber consultoria técnica e navegar o labirinto regulatório europeu sem precisar montar departamentos especializados internamente. Paralelamente, a estratégia reconhece que sem infraestrutura adequada não há inovação que se sustente. Computação de alto desempenho, redes robustas de dados, acesso facilitado à nuvem e sistemas interoperáveis deixaram de ser luxo para se tornarem necessidade básica. A questão é se os investimentos virão na velocidade e escala necessárias. A aplicação de IA em governos ganha tratamento estratégico. Não se trata apenas de ganhos de eficiência, embora estes sejam bem-vindos, mas de construir legitimidade social para a tecnologia. Se cidadãos europeus perceberem melhorias concretas em saúde, educação, transportes e serviços públicos, a aceitação da IA tende a crescer organicamente. O JRC recomenda que administrações públicas cultivem “cultura de inovação” interna, internalizem expertise técnica e adotem liderança ativa na implementação. O observatório Public Sector Tech Watch, mantido pelo próprio centro de pesquisa, já monitora casos de uso e compartilha boas práticas entre os estados-membros: um embrião do que poderia se tornar padrão continental. Os fantasmas no caminho A estratégia não navega em águas tranquilas. A desigualdade entre estados-membros representa risco concreto: países com maior capacidade tecnológica e recursos financeiros podem avançar rapidamente, enquanto regiões periféricas ficam para trás, aprofundando assimetrias já existentes no bloco. Mecanismos de coesão serão essenciais, mas historicamente difíceis de implementar. A governança ética da IA em setores críticos levanta preocupações legítimas. Vieses algorítmicos em sistemas de saúde, justiça ou segurança pública podem perpetuar ou amplificar discriminações. A Europa insiste em regulação robusta e transparência, mas o equilíbrio entre inovação e controle permanece tenso. E há o desafio temporal. Enquanto a UE debate, estrutura hubs e forma profissionais, Estados Unidos e China aceleram. A janela de oportunidade para a Europa estabelecer padrões próprios e conquistar relevância global não permanecerá aberta indefinidamente. Resistências institucionais também não podem ser subestimadas. Administrações públicas europeias carregam camadas de burocracia sedimentadas por décadas. Transformar culturas organizacionais avessas ao risco em ambientes de inovação exigirá mais que intenções: demandará liderança política consistente e investimento em capacitação interna. No fundo, Apply AI é uma aposta sobre identidade. A Europa pode não ter os gigantes tecnológicos do Vale do Silício nem o dirigismo estatal chinês, mas possui algo potencialmente valioso: a possibilidade de construir um modelo alternativo de desenvolvimento de IA, centrado em confiança, valores democráticos e benefício social. Se bem-sucedida, a estratégia pode reposicionar o continente como definidor de padrões globais, não necessariamente os mais rápidos ou agressivos, mas os mais sustentáveis e socialmente aceitos. Para pequenas e médias empresas europeias, representa chance concreta de competir globalmente com ferramentas de ponta. Para cidadãos, a promessa de serviços públicos melhores e mais responsivos.
Maior processo coletivo da história judicial inglesa coloca cinco gigantes do setor automobilístico no banco dos réus

PUBLICADO EM 17/10/25 Em um desdobramento surpreendente do escândalo Dieselgate, cinco das maiores montadoras do mundo – Mercedes-Benz, Ford, Renault, Nissan e Peugeot/Citroën (Stellantis) – enfrentam diante do Tribunal Superior inglês o que já é chamado de o maior processo coletivo da história do sistema judiciário da Inglaterra e País de Gales. O cerne da acusação: o uso de “defeat devices”, dispositivos de software que teriam permitido manipular testes de emissões de óxidos de nitrogênio (NOₓ) em condições laboratoriais, enquanto os níveis reais nas ruas seriam muito mais elevados. O processo congrega até 1,6 milhão de consumidores como claimants (reclamantes) e concentra-se, numa primeira fase, em mais de 220 mil proprietários diretamente representados e cerca de 20 modelos diesel comercializados principalmente entre 2009 e 2017. Os advogados dos consumidores estimam que as indenizações poderiam ultrapassar £6 bilhões (aproximadamente R$ 42 bilhões), com algumas projeções chegando a £8 bilhões, valores que representariam uma das maiores compensações da história automotiva europeia. O julgamento de mérito sobre a culpa, iniciado recentemente, deve se estender até dezembro de 2025, com argumentos finais previstos para março de 2026. Uma sentença sobre responsabilidade é esperada para meados de 2026, e uma segunda fase sobre valores de compensação pode ocorrer no outono do mesmo ano. Além disso, embora o processo esteja formatado em torno de cinco montadoras como rés principais, o veredicto potencialmente vinculativo pode atingir outros fabricantes cujos veículos compartilhem tecnologias ou práticas semelhantes, como BMW, Volkswagen, Hyundai, Kia, entre outros. Para o setor automobilístico, esse caso não é meramente local. Representa uma zona de risco legal, reputacional e regulatório que pode rever o pacto tácito entre fabricantes e reguladores ambientais. A sombra da Volkswagen O nome “Dieselgate” continua sendo sombra constante. Em 2015, a Volkswagen admitiu ter instalado software para mascarar emissões em milhões de veículos em todo o mundo, o que resultou em multas, recalls e acordos globais que ultrapassaram os € 30 bilhões. No Reino Unido, a VW firmou um acordo de £193 milhões (cerca de R$ 1,35 bilhão) com aproximadamente 91 mil motoristas em 2022. Mas a diferença decisiva agora é que outras montadoras, historicamente menos visadas, estão sendo trazidas à arena. O desafio é provar que as práticas alegadas não foram meros reflexos do legado da VW, mas decisões deliberadas e sistemáticas. Impactos à saúde, regulação e legitimidade O processo reacende um debate que transcende mercados e balanços: os efeitos da poluição automotiva na saúde pública. Um estudo recente estimou que os veículos com “defeat devices” contribuíram para cerca de 16 mil mortes prematuras e 30 mil casos de asma infantil no Reino Unido. Outros estudos e entidades ambientais responsabilizam esse tipo de emissões por perdas econômicas colossais e redução da qualidade de vida em inúmeras cidades europeias. Do ponto de vista regulatório, o Reino Unido possui uma particularidade: apenas recentemente (via Environment Act 2021) lhe foram concedidos poderes para obrigar montadoras a recolher veículos que violem normas ambientais, mas esses poderes ainda não foram amplamente exercidos. Em julho de 2025, o Tribunal Superior inglês ordenou que as montadoras revelassem centenas de documentos confidenciais, incluindo resultados de testes, documentos de design e comunicações com reguladores. Isso pode ser considerado uma vitória processual significativa para os reclamantes que demonstra a seriedade com que o caso está sendo tratado. Assim, caso o tribunal reconheça a existência de dispositivos ilegais, pode emergir uma pressão decisiva sobre o governo para impor recall e sanções, algo que até agora vinha sendo tratado com moderação. Também cresce a desconfiança pública: segundo uma pesquisa da YouGov/ClientEarth, 63% dos britânicos afirmam não confiar nas montadoras para relatar com transparência os impactos ambientais de seus veículos. Naturalmente, todas as empresas envolvidas negam as acusações. A defesa central gira em torno de três eixos: Embora o centro do processo esteja no Reino Unido, seu efeito pode reverberar em toda a Europa – e potencialmente no Brasil, que importa veículos e tecnologia dessas montadoras. Se os reclamantes vencerem, decisões judiciais em outros países poderão apontar para indenizações, recalls obrigatórios e reavaliação normativa dos padrões de emissões. Além disso, o custo reputacional para marcas tradicionais será elevado: no tabuleiro das transições para veículos elétricos e cumprimento climático, confiar que os fabricantes respeitam os limites ambientais é essencial. Para a indústria automotiva europeia, que mantém forte presença no mercado brasileiro, a questão é particularmente delicada: a confiança do consumidor é um ativo que leva décadas para construir e pode ser destruído em meses. Por fim, para o investidor e para o observador regulatório, esse momento lembra que acordos pontuais – como o da VW – não encerraram a era das disputas ambientais. Eles apenas definiram novas arenas de combate. E agora, o palco principal é Londres.
Homem morre picado por cobra ao receber R$ 35 para capturá-la na casa de vizinho

PUBLICADO EM 24/09/25 Gravação mostra Mohit tentando pegar réptil sem proteção Um homem de 24 anos morreu após ser picado por uma cobra enquanto tentava capturá-la na casa de um vizinho no vilarejo de Morana, em Uttar Pradesh, Índia, no último sábado (20/9). Mohit, como a vítima foi identificada, havia aceitado uma recompensa de 500 rúpias (aproximadamente R$ 35) para retirar o animal do imóvel. Familiares de Mohit relataram que, em vez de agir rapidamente, ele demonstrou uma “coragem desnecessária” e continuou “brincando” com o animal antes do incidente. A polícia local abriu investigação para apurar as circunstâncias da morte. Segundo relatos do site indiano True Story e filmagens de moradores, Mohit, que trabalhava como lavrador, tentou capturar a serpente sem qualquer equipamento de proteção, envolvendo-a em um saco plástico. Durante a tentativa, ele acabou sendo picado. Socorrido às pressas, não resistiu à picada. A espécie da cobra não foi informada.
Imagens fortes: cirurgiões retiram tumor gigante de paciente: “Parecia outra cabeça”

PUBLICADO EM 23/09/25 Homem passou 16 anos passando ‘remédios caseiros’ esperando que o problema desaparecesse Um morador de Kirov, na Rússia, de 65 anos, finalmente se livrou de um tumor gigante que cresceu por mais de 16 anos, alcançando tamanhos impressionantes — tanto que parecia que ele carregava uma “segunda cabeça” no pescoço. Durante mais de uma década e meia, o paciente tentou tratar a formação com remédios caseiros, na esperança de que desaparecesse sozinha, mas nada funcionou. O tumor, localizado na base do pescoço, chamou a atenção dos médicos do Hospital Clínico Regional de Kirov. “Ficamos surpresos quando ele contou que havia usado apenas pomadas simples para tentar resolver o problema”, afirmou Igor Popyrin, chefe do departamento cirúrgico do hospital. “Normalmente, esse tipo de lipoma cresce de forma lenta e dolorosa, e muitos pacientes adiam a consulta com um especialista, esperando que ele desapareça sozinho. Mas se o tumor aumenta, nenhuma pomada ou remédio caseiro vai resolver. A única solução eficaz é a remoção cirúrgica”, explicou. Identificado como um lipoma benigno, o nódulo é uma massa de gordura que geralmente se forma entre a pele e os músculos. Na maioria dos casos, um lipoma cresce apenas entre 2,5 e 5 cm, mas há situações raras em que atinge dimensões enormes, exigindo cirurgia de alta precisão para a retirada completa. Imagens fortes: cirurgiões retiram tumor gigante de paciente: “Parecia outra cabeça” Fabricio Moretti – Goiânia, GO – Mais Goiás
Governo Trump impõe sanções financeiras a esposa de Alexandre de Moraes

PUBLICADO EM 22/09/25 Punição já estava em estudo e foi reforçada após condenação de Bolsonaro O governo Donald Trump ampliou as sanções aplicadas contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e incluiu também a esposa dele, a advogada Viviane Barci, no rol de punidos pela Lei Magnitsky. A medida foi anunciada em meio à viagem do presidente Lula (PT) a Nova York, para a Assembleia Geral da ONU, e acabou gerando constrangimento à delegação brasileira. Segundo aliados de Trump, a inclusão de Viviane ocorreu após pressão de bolsonaristas que a apontaram como “braço financeiro” da família Moraes. Ela é sócia em um escritório de advocacia e também uma das donas do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, entidade criada em 2000 e que pertence hoje à família. O instituto tem 11 imóveis em seu nome, incluindo a residência de Moraes em São Paulo. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) já havia dito, em setembro, que havia levado ao governo Trump a percepção de que sancionar apenas Moraes seria “contraproducente”. Na época, ele defendeu que escritórios ligados a familiares poderiam ser alvo das punições. Alexandre de Moraes já havia sido sancionado em agosto pela Lei Magnitsky, que é usada pelos Estados Unidos contra pessoas acusadas de violações graves de direitos humanos. De acordo com o secretário de Estado, Marco Rubio, o ministro teria abusado de seus poderes ao autorizar detenções preventivas e ao restringir a liberdade de expressão. Com a medida, qualquer bem ou ativo de Viviane nos EUA fica congelado. Além disso, bancos e instituições financeiras americanas não podem realizar operações em dólar para ela. O impacto pode chegar também ao uso de cartões de crédito internacionais como Visa e Mastercard. No Brasil, as consequências para transações em reais ainda estão sendo avaliadas. Fabricio Moretti – Goiânia, GO – Mais Goiás