Ao deixar de apoiar quarentena, Bolsonaro se isola de líderes globais

Apesar de pela primeira vez reconhecer a gravidade da pandemia de coronavírus no mundo, em seu último pronunciamento à nação, na noite desta terça-feira (31), o presidente brasileiro Jair Bolsonaro seguiu sendo o único líder de grandes economias a não recomendar à sua população que fique em casa para evitar que a doença se espalhe pelo país. Ao recusar as recomendações sanitárias adotadas mesmo por governantes que antes as rejeitavam, como o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e os presidentes americano, Donald Trump, e mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, ele chegou ao ápice do seu isolamento internacional. “Jamais, numa história de quase 200 anos, o Brasil e sua diplomacia tinham assistido a tal grau de isolamento internacional, jogando as elites dirigentes num descrédito nunca antes igualado, mesmo nas piores crises econômicas ou nas graves violações de direitos humanos. Não creio que existam precedentes para a atual situação”, afirmou o embaixador Paulo Roberto de Almeida, atualmente lotado na divisão de comunicação e arquivo do Itamaraty e professor do Uniceub. Nos últimos dias, a imprensa internacional tem criticado duramente a postura de Bolsonaro. “O presidente coloca os brasileiros em risco”, afirmou o jornal britânico The Guardian em editorial na terça (31). A revista americana The Atlantic afirmou que Bolsonaro “é o líder negacionista do coronavírus”. A britânica The Economist o chamou de “Bolsonero”, em referência ao imperador romano Nero que teria mandado incendiar a capital de seu império, Roma. “Há muita concorrência, mas o líder mundial mais ineficaz em responder ao coronavírus agora é o presidente Bolsonaro. Prejudicará seriamente seu mandato”, afirmou o analista político, Ian Bremmer, fundador da consultoria Eurasia, uma das mais importantes e prestigiadas no mercado. Bremmer tem dito a seus clientes — algumas das mais poderosas empresas do mundo — que o comportamento de Bolsonaro diante da epidemia pode lhe render um impeachment. “Bolsonaro é hoje o único líder que ignora completamente a recomendação científica e tem sido tratado como um pária por causa disso”, afirma o professor de política internacional da Fundação Getúlio Vargas, Guilherme Casarões. O percurso do isolamento global Tanto Casarões quanto Almeida concordam que a atual posição insular do Brasil é o aprofundamento de um processo que tem se desenrolado nos últimos 16 meses, quando Bolsonaro assumiu o cargo e passou a adotar uma série de guinadas nas condutas do país em fóruns internacionais. O Brasil passou a se alinhar a um grupo minoritário de países, liderados por Estados Unidos e Israel. Se manifestou pela primeira vez a favor do embargo econômico americano contra Cuba, prometeu levar sua embaixada em Israel para Jerusalém, o que fere as relações com países árabes, e abandonou a neutralidade diante do conflito entre Irã e EUA. Donald Trump mudou de tom e postura diante da pandemia e seu avanço nos EUA Reuters/ BBC NEWS BRASIL Tais mudanças foram gradativamente minando a postura brasileira como um possível negociador ponderado no ambiente internacional. “O pico anterior nessa espiral de descrédito global que vivemos foi a crise das queimadas na Amazônia”, afirma Casarões. Diante de um aumento significativo do desmatamento na floresta tropical, em agosto do ano passado, Bolsonaro culpou indígenas e ONGs pelos incêndios que devastavam a área. Seu ministro de relações internacionais, Ernesto Araújo, passou a fazer discursos relativizando a importância da ação humana sobre o aquecimento global e dizendo que os europeus deveriam reflorestar seus territórios em vez de falar sobre a Amazônia. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que Bolsonaro “não estava a altura de seu cargo”. A Alemanha e a Noruega cortaram o fundo de proteção bilionário que destinavam à conservação do bioma. Naquele momento, no entanto, o Brasil pôde contar com a intercessão dos Estados Unidos para baixar o tom crítico ao país entre os mandatários do G-7 e impedir que a tensão derivasse para sanções à produção brasileira. O mesmo não deve acontecer agora. Na noite de terça, enquanto Bolsonaro se esquivava de recomendar quarentena aos brasileiros, Trump afirmava que mesmo com as medidas de distanciamento social aplicadas, os EUA devem perder entre 100 mil e 240 mil cidadãos para epidemia. O presidente americano tem evitado criticar publicamente o colega brasileiro, com quem tem boa relação, mas afirmou que estuda o banimento total de voos do Brasil aos Estados Unidos. Na quarta-feira (1), os dois líderes se falaram pelo telefone para reafirmar a solidariedade entre os povos e comentar a situação diante da pandemia. Segundo Ernesto Araújo, os modelos de isolamento para conter o espalhamento do vírus não foram tema da conversa. Em coletiva na Casa Branca, Trump foi questionado mais uma vez sobre a postura de Bolsonaro. Repetiu que ele tem feito “um grande trabalho” e afirmou: ” Ele (Bolsonaro) tem um problema com o vírus. Ele tem um grande problema. Nós conversamos sobre isso hoje. Eles não iam parar, mas precisaram parar. Então, o Brasil está paralisado. O mundo está paralisado”. Por um curto período, na semana passada, tanto Trump quanto Bolsonaro pareciam inclinados a adotar a solução conhecida como isolamento vertical: restringir a circulação apenas de pessoas dos grupos de risco para covid-19 e manter a economia funcionando normalmente. Trump, que concorrerá à reeleição em novembro, afirmou que o país voltaria ao normal na Páscoa. Tudo mudou antes do fim de semana, quando os médicos que o assessoram mostraram a ele que a curva de mortalidade nos Estados Unidos ficava mais íngrime a cada dia. No fim de semana, um navio hospital da Marinha americana atracou em Nova York para ajudar no atendimento a vítimas de covid-19. Nem mesmo o ex-assessor de Trump, Steve Bannon, guru dos Bolsonaro e da extrema direita pelo mundo, é a favor da estratégia defendida pelo brasileiro. Para o embaixador Almeida, “Bolsonaro se coloca voluntariamente na contramão de tendências globais, inclusive demonstradas agora no caso de Trump, a quem considera seu principal aliado externo, e se refugia num pequeno círculo de ideólogos supostamente antiglobalistas que só conseguem expressar preconceitos e ignorância, recusando os dados básicos da ciência e da pesquisa”. O governo não pode fazer tudo

Coronavírus: shoppings manterão emprego e salário na quarentena?

Os shoppings centers de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS) devem fechar as portas a partir da próxima segunda-feira (23), como tentativa de conter a pandemia do coronavírus. A dúvida que vem afetando patrões e empregados é como fica a saúde financeira desses estabelecimentos comerciais e a manutenção do salário e emprego dos trabalhadores.PUBLICIDADE O presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, iniciou uma série de videoconferências nesta quarta-feira (18) com representantes dos sindicatos patronais dos lojistas de shopping, varejo, supermercados e materiais de construção. “O fechamento dos shoppings centers é necessário por estarem mais suscetíveis à circulação do vírus, já que concentram um grande número de lojas e recebem um fluxo intenso de pessoas diariamente. O que queremos saber é como ficará a manutenção de emprego e o pagamento dos salários”, questiona o sindicalista. Patah reconhece que as pessoas merecem e precisam cuidar da saúde, mas também quer a garantia de emprego para esses trabalhadores ao retornarem da quarentena, além do pagamento do salário durante o período que estiverem compulsoriamente afastados. Leia mais: Por coronavírus, prefeitura de SP determina fechamento de lojas O sindicalista destaca que a posição do governo, de recomendar o fechamento das lojas e empresas, é fácil porque “o dinheiro não sai do seu bolso”. Por isso, busca conseguir uma solução que atenda trabalhadores e patrões. “Estou conversando com representantes de sindicatos patronais para propor uma convenção coletiva para todos sobreviverem a este período de crise. A maioria tem sinalizado que pretende reduzir a jornada de trabalho e o salário das equipes ou dar férias coletivas, mas não falou em demissões”, comenta Patah. Supermercados, farmácias e bancos devem ficar abertos Luis Augusto Ildefonso, diretor institucional da Alshop, diz que a situação dos lojistas de shoppings ficará bem crítica com as medidas anunciadas para conter a proliferação do coronavírus. Segundo ele, a entidade já fez uma série de pedidos para o governo federal como tentativa de amenizar os efeitos da estagnação econômica. Entre as solicitações feitas pelo setor, estão: • Concessão de empréstimos subsidiados;• Adiamento do pagamento de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço);• Adiamento do recolhimento do Simples Nacional por 90 dias; e• Redução das alíquotas do Simples Nacional temporariamente. “Algumas medidas já foram anunciadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, mas ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional”, pontua Ildefonso. Segundo o diretor da Alshop, os lojistas também estão avaliando a concessão de férias coletivas ou para os funcionários que têm férias vencidas. “É um equacionamento racional, considerando que o colaborador estará parado neste período”, conclui. Em nota, a Ablos (Associação Brasileira dos Lojistas Satélites) diz que teme por “um grande colapso no comércio varejista, com prejuízos que possam causar a quebra de muitas empresas”. A Ablos afirma que a entidade e “seus associados prezam pelos seus funcionários e principalmente por aqueles que estão nos shoppings centers, para possam preservar o emprego dos trabalhadores durante e após o fim desta crise”. A nota também destaca que “ainda não se sabe quantos e quais estabelecimentos comerciais irão fechar durante o período recomentado por João Doria, mas a associação já se organiza para pedir moratória aos empreendimentos, além da isenção do aluguel ou cobrança equivalente ao percentual de vendas, isenção do fundo de promoção (despesa obrigatória relativa à publicidade) e flexibilização no pagamento da taxa de condomínio, com novos prazos e sem multa, além da ajuda dos bancos e governo com linhas de créditos e isenção de imposto”. 40% das lojas de shopping são franquias André Friedheim, presidente da ABF (Associação Brasileira de Franchising), diz que 40% das lojas que atuam nos shoppings centers do país são franquias e que o fechamento desses estabelecimentos vai impactar diretamente nas operações das redes. A entidade, assim como a Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping) e a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), já enviou proposta aos governos federal e estadual pedindo incentivo aos empresários para manterem suas empresas. Entre as propostas, estão: • Redução e isenção de impostos;• Redução de cotas condominiais; e• Revisão do pagamento de aluguel. Friedheim afirma que o momento é de cautela, mas muitas redes podem buscar alternativas para manter suas operações. “Claro que não vamos conseguir compensar as perdas com os fechamentos das lojas em sua totalidade, mas, por trabalharem com escala, as franquias são mais capitalizadas do que pequenos negócios próprios e, nos últimos anos, vêm desenvolvendo novos canais de venda.” O presidente da ABF cita como exemplo as franquias de alimentação que, segundo ele, são maioria nos shoppings. “O delivery vem crescendo nessas operações e devem se intensificar nesse período de crise. É uma alternativa para continuar produzindo e vendendo. ” Outro exemplo, segundo ele, são as redes de supermercados e farmácias. “Se os shoppings tiverem entradas independentes para esses estabelecimentos, eles poderão continuar em operação. ” A venda pela internet também é apontada como alternativa para comercialização de produtos e serviços para as franquias. “Obviamente não vai compensar as vendas do varejo fixo, mas conseguirá reduzir um pouco as perdas. ” Micro e pequeno será o mais afetado com crise Wilson Poit, diretor superintendente do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), afirma que nesse momento não há como dizer que não haverá perdas tanto para os empresários, quanto para os trabalhadores. “O micro e pequeno empreendedor de São Paulo já está sofrendo. Todos vão ter perdas, precisamos criar uma margem de manobra para conseguir minimizar os prejuízos que virão”, diz. Poit ressalta que cada empresário tem de analisar sua real situação, fazer as contas e tentar fazer um plano de redução de gastos. “A ideia é negociar com o locador do imóvel, com fornecedores, buscar a prorrogação para o pagamento de aluguel ou financiamento para manter oxigênio e sobreviver nos próximos meses.” Atualmente, 98% das empresas que atuam no Brasil são micro e pequenas empresas. Elas são responsáveis por 55% de todos os empregos criados no país. “O momento é de reavaliar o seu negócio e buscar

STF derruba liminar que sugeriu soltar presos por conta do COVID-19

O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou hoje (18) a liminar proferida pelo ministro Marco Aurélio que “conclamou” juízes de todo o país a soltar presos que estão no grupo risco do novo coronavírus (COVID-19). Pela liminar, os magistrados das Varas de Execução Penal (VEP) de todo o país deveriam analisar a situação de cada preso e avaliar a eventual concessão de liberdade condicional para maiores de 60 anos e dar regime domiciliar a portadores do vírus HIV, diabéticos, pessoas com tuberculose, doenças respiratórias, cardíacas, gestantes e lactantes. Além disso, os juízes deveriam conceder medidas alternativas para quem cometeu crime sem violência ou grave ameaça. Por 7 votos 2, o STF entendeu que as medidas para evitar o contaminação de presos foram tomadas pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, além do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que editou uma recomendação sobre o mesmo assunto. A decisão do ministro foi tomada ontem (18) à noite e a liminar foi levada hoje para referendo do plenário. A liminar foi proferida em um processo que foi julgado em 2015, quando o STF proibiu o Poder Executivo de contingenciar verbas do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) para melhorar as condições de presídios. Nesta semana, o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) pediu que a situação precária dos presídios fosse novamente levada em conta diante da pandemia do novo coronavírus.

Moro anuncia projeto para aumento da pena de agressores de mulheres

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, informou nesta segunda-feira (9) que vai apresentar, nos próximos dias, em parceria com a bancada feminina do Congresso, um projeto de lei para aumentar penas em casos de violência contra a mulher. Leia também: Caso Ronaldinho: Moro liga para autoridades paraguaias Segundo levantamento da Pasta dirigida por Moro, entre 2019 e 2020, houve aumento expressivo no número de tornozeleiras eletrônicas impostas a agressores de mulheres (65,5%), e também na participação de grupos reflexivos para atender homens acusados de violência contra mulheres (39%). De acordo com o ministro, a iniciativa também deve “condicionar o acesso a recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública a Estados que reduzirem esses índices e desenvolverem programas e projetos de proteção a mulheres vítimas de violência domestica e familiar”. “Fazemos absoluta questão que o protagonismo da apresentação do projeto seja das congressistas”, afirmou o ministro. Leia também: Moro divulga lista de criminosos mais procurados do país Moro ressaltou que “a violência contra as mulheres nos preocupa, de forma especial, porque a maioria dos casos de feminicídio é cometida por parceiro íntimo, em ambiente privado, e dentro de um contexto de violência doméstica e familiar”. “Para melhor definir políticas públicas em relação a esse tipo de violência, o Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou às secretarias estaduais de segurança maior agilidade na catalogação de casos de feminicídio, já que o nosso sistema – o Sinesp – recebe os boletins de ocorrência policiais praticamente em tempo real, e os crimes de feminicídio, muitas vezes, demoram para ser comprovados, porque demandam investigação”, disse Moro. O ministro ainda lembra que “o Brasil está em quinto lugar no ranking de países em morte violenta de mulheres no mundo, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, e precisa, cada vez, avançar nas medidas de prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar”. Copyright © Estadão. Todos os direitos reservados.

Fala de Bolsonaro nos EUA foi ‘bem-sucedida’, diz economista

Além da assinatura de um acordo de cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro aproveitou a viagem de quatro dias para se reunir com empresários norte-americanos na Flórida. Em entrevista ao Jornal da Record News, o economista Carlo Barbieri, que participou do encontro, explicou como foram as reuniões. Barbieri afirmou que o Brasil carece de investimento estrangeiros e precisa de credibilidade para atrair os empresários norte-americanos, mas a lentidão para aprovar as reformas no Congresso prejudica a economia brasileira. O economista explicou que a reunião aconteceu na Flórida por dois motivos: a grande votação que Bolsonaro teve na eleição de 2018 e a presença de brasileiros no estado. Carlo Barbieri afirmou que 600 mil empregos na Flórida dependem do Brasil, já que o estado atrai muitos empresários e turistas brasileiros. Para o economista e presidente do grupo Oxford, a fala do presidente Bolsonaro aos empresários norte-americanos foi bem-sucedida, pois teve o aval de Donald Trump.

Justiça do RJ quebra sigilos fiscal e bancário de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz; Polícia Civil sequestra bens

A Justiça do RJ quebrou o sigilo fiscal e bancário de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, presos e acusados de ter assassinado a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. A polícia ainda tenta atualmente descobrir os possíveis mandantes do assassinato. O Judiciário fluminense também determinou o sequestro de bens de Ronnie, como imóveis e uma lancha, e a quebra dos sigilos de outras cinco pessoas suspeitas de atuar como “laranjas” dos ex-PMs. O pedido foi feito pelo Departamento de Combate à Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil do RJ após investigação. “As investigações duraram aproximadamente um ano, mas a gente ficou uns seis meses parados devido à decisão do Supremo Tribunal Federal, de suspensão das investigações envolvendo relatórios do antigo COAF“, explicou o delegado Thiago Neves, responsável pela investigação. Às 8h, a defesa de Ronnie Lessa afirmou ao G1 que ainda não teve acesso ao processo. Sequestro de bens A soma dos itens de Ronnie alvos de bloqueio é de R$ 2,6 milhões. Constam da lista: Imóvel na Barra da Tijuca, avaliado em R$ 1,25 milhão; Terreno no condomínio Porto Galo, em Angra dos Reis, avaliado em R$ 500 mil; Terreno em Mangaratiba, avaliado em R$ 300 mil; Lancha Real 330 Special Edition, avaliada em R$ 450 mil; Veículo Jeep/Renegade Sport AT, avaliado em R$ 70 mil; R$ 61.293 apreendidos na casa de Ronnie Lessa, na Barra da Tijuca; R$ 50 mil apreendidos na casa dos pais de Lessa. Polícia na casa do suspeito Ronnie Lessa, na Barra da Tijuca; ex-PM tinha outra casa a 300 metros de distância — Foto: Reprodução/TV Globo A Polícia Civil acredita que o patrimônio de Lessa, encontrado durante as investigações, é incompatível com a renda de um PM reformado. Há suspeitas, baseadas na movimentação financeira avaliada, de que o dinheiro possa ser fruto de atividades ilícitas, como comércio ilegal de armas de fogo. A suspeita desta última atividade foi reforçada pela apreensão de 117 fuzis incompletos na casa de um amigo de Lessa, no Méier, em março do ano passado. Acusado de matar Marielle vai ser investigado por tráfico de armas — Foto: Reprodução/JN O PM reformado e o ex-PM estão presos na penitenciária de segurança máxima de Porto Velho, Rondônia. As investigações sobre as movimentações financeiras de Ronnie Lessa, realizadas pelo Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro, chegaram a um valor de quase R$ 3 milhões em patrimônio, dividido em dois imóveis na Zona Oeste do Rio e dois terrenos em Angra dos Reis e Mangaratiba, além de veículos e duas lanchas. Os relatórios do antigo Conselho de Atividades Financeiras (COAF), hoje Unidade de Inteligência Financeira (UIF), revelaram as tentativas de ocultação de patrimônio de Ronnie Lessa, e os indícios de atividade financeira suspeita, incompatível com seu salário de policial militar reformado. Lessa foi reformado em 2009, após perder a perna devido a um atentado com um explosivo dentro do seu carro. Na época, ele fazia a segurança de um bicheiro. O imóvel de maior valor com suspeitas de ocultação de patrimônio e propriedade é o imóvel da Avenida Lúcio Costa. Em março de 2019, um mandado de busca e apreensão foi cumprido no endereço onde Ronnie Lessa foi preso, que segundo a polícia é alugado. Na Avenida Lúcio Costa, uma das principais da Barra da Tijuca, foi apreendida uma escritura de compra e venda de outro imóvel, que fica a menos de 300 metros da casa no condomínio Vivendas da Barra. O imóvel em questão, orçado em R$ 1,25 milhão, teve a propriedade transferida para Dennis Lessa, irmão de Ronnie Lessa, em julho de 2015. Apreensões feitas pela polícia, no entanto, levam a questionamentos sobre o verdadeiro proprietário da casa. Foi apreendido um boleto de pagamento de conta de gás natural, com RL anotado (Ronnie Lessa), indicando nome e a senha do usuário do serviço, além de contas de luz pagas na conta da esposa de Lessa, Elaine Pereira Figueiredo Lessa. Há também um documento emitido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-RJ) em nome de Ronnie autorizando obras no imóvel, além de projeto para legalização da construção do imóvel também em nome do PM reformado. Por último, houve uma escritura lavrada no 28º Ofício de notas no valor de R$ 432 mil (pouco mais de metade do valor original do imóvel) em que se atesta que foi repassado o imóvel de Dennis Lessa para Ronnie e Elaine Pereira Figueiredo Lessa. Segundo a Polícia Civil, o documento não foi averbado no Registro Geral de Imóveis. Dois outros terrenos, em Mangaratiba e em Angra dos Reis, também estão em nome de Ronnie Lessa. Um deles, com valor avaliado pelo poder público em R$ 500 mil, tem valor declarado em R$ 50 mil. Lanchas Lancha foi apreendida pela polícia do Rio em 2019 — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal Alexandre Motta de Souza, amigo de Ronnie Lessa, foi preso por ter deixado Lessa guardar em sua residência peças para montagem de 117 fuzis apreendidos pela polícia. No entanto, as investigações mostram que Alexandre funcionou como “laranja” e “emprestou” seu nome para comprar uma lancha que, na verdade pertenceria a Lessa. A lancha, orçada em R$ 450 mil e comprada em outubro de 2018, era utilizada por Lessa na Marina do condomínio Portogalo, em Angra dos Reis. No local, Lessa possuía um terreno com valor com valor declarado de R$ 50 mil, mas orçado pela polícia em R$ 500 mil. Parte do valor da lancha foi utilizado para comprar outra: modelo Real 270 Open de R$ 245 mil. Até mesmo o comprovante de pagamento da Marina de Portogalo, orçado em R$ 2 mil, foi pago em dinheiro em uma agência bancária próximo à casa de Lessa, no jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. O seguro da lancha, em nome de Alexandre Motta, possui o endereço de pagamento como sendo a casa no condomínio Vivendas da Barra, onde Lessa foi preso. Veículos Ronnie Lessa aparecia como proprietário de um Land Rover-

Com alta tímida, economia deve ter retomada apenas gradual até o fim do governo Bolsonaro

 tímido crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, de 1,1%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não deve dar espaço para um avanço mais robusto da atividade econômica nos próximos anos. Por ora, o que os analistas esperam é apenas uma retomada gradual da economia até o fim do governo Jair Bolsonaro. 00:00/10:00 PIB: economia brasileira cresce 1,1% em 2019, de acordo com o IBGE Os economistas até avaliam que o crescimento melhorou: o país saiu de um patamar de expansão de 1% observado nos últimos três anos para uma faixa próxima de 2%. A questão é que, apesar do avanço, o desempenho do país não deve ir muito além. Até 2022, último ano da administração Bolsonaro, o PIB não vai ter força para superar os 3%, segundo analistas ouvidos pelo G1. Se as previsões se confirmarem, o governo terá sofrido um revés. Num debate durante a campanha presidencial de 2018, Carlos da Costa, então assessor de Bolsonaro e atual secretário de Produtividade do governo federal, afirmou que a economia brasileira poderia crescer 3,5% já em 2019. Há tanto fatores internos como externos que estão dificultando a expectativa de uma retomada mais robusta: O PIB potencial do Brasil – a capacidade de crescer sem inflação – está baixo; Há incerteza sobre a capacidade política do governo de avançar com as reformas tributária e administrativa; A economia brasileira está numa fase de transição e passou a depender mais dos recursos do setor privado; Há um grau de incerteza sobre o desempenho da atividade global, quadro reforçado pelo surto do coronavírus. Economia sem fôlego — Foto: Economia G1 Os analistas são enfáticos ao afirmar que uma aceleração do crescimento passa pela continuidade da agenda de reformas, melhorando, dessa forma, o ambiente de negócios. No ano passado, o governo conseguiu aprovar a reforma da Previdência. Mas lista ainda é longa, com as reformas tributária e administrativa, por exemplo, além de medidas mais pontuais, como a autonomia do Banco Central e a aprovação do MP do saneamento. Com a reforma tributária, o governo promete simplificar o pagamento de impostos para melhorar o ambiente de negócios. A reforma administrativa deve alterar a carreira dos novos funcionários públicos com o objetivo de reduzir o gasto com pessoal e, assim, contribuir para o acerto das contas públicas. “É preciso seguir com essa agenda de reformas para que o país consiga ter um PIB potencial num nível mais alto”, afirma Lucas Nobrega, economista do banco Santander. Em 2019, levantamento do Banco Mundial – chamado de Doing Business – mostrou que o país caiu no ranking que mede a facilidade para fazer negócios. O país passou da 109ª posição em 2018 para a 124º. O relatório mede uma série de itens, como abertura de empresas, registros de propriedades e insolvência na Justiça. Embora a necessidade das reformas seja um consenso, há uma série de incertezas sobre a capacidade política do governo de levar essas propostas adiante numa negociação com o Congresso Nacional. Num cenário otimista, de aprovação de uma ampla reforma tributária, a consultoria Tendência estima que o PIB deste ano poderia crescer 2,7% e 3,5% nos anos seguintes. “A reforma tributária faria boa diferença no ritmo de crescimento”, afirma a economista e sócia da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro. “Mas o nosso cenário básico não engloba uma reforma tributária. O que vemos é uma aceleração das concessões de infraestrutura e uma aposta no consumo, que ganha tração.” Sem a tributária, os números da consultoria são bem mais modestos para a economia brasileira. Neste ano, o PIB deve crescer 2,1% e pode subir para a faixa de 2,5% nos próximos dois anos. A redução da participação do Estado na atividade econômica desde o governo Michel Temer também acaba tendo efeito sobre o PIB, uma vez que o investimento passou a depender mais fortemente do setor privado, já que há menos crédito e recursos públicos na economia. “A economia brasileira não conta mais com o papel do BNDES, dos bancos públicos e do crédito subsidiado”, afirma a economista-chefe da Claritas, Marcela Rocha. Em Brasília, a própria equipe econômica passou a destacar que atualmente o PIB privado tem sido o motor da economia, enquanto o setor público tem jogado contra a economia brasileira. Essa transição é considerada essencial para o crescimento sustentado do país, segundo analistas, mas dificulta uma retomada mais forte no curto prazo. A queda da taxa básica de juros (Selic) – atualmente no piso histórico de 4,25% ao ano – tem contribuído para esse processo de transição, de fortalecimento do investimento privado. Atualmente, o retorno dos investimentos realizados pelas empresas brasileiras já é maior do que o custo que elas têm para captar recursos. Isso não ocorria há quase 10 anos. Cenário internacional No cenário internacional, as incertezas aumentaram com o impacto do surto de coronavírus nas principais economias mundiais. Na China, vários setores foram atingidos. A economia chinesa é a principal parceira comercial do Brasil. Uma desaceleração, portanto, tem capacidade de afetar o desempenho da economia brasileira. A preocupação escalou de patamar depois que a atividade de mais países passou a ser afetada diretamente. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já reduziu a previsão de crescimento da economia mundial para 2020. A entidade passou a projetar um avanço de 2,4%, ante expectativa anterior de 2,9%. Se a previsão for confirmada, será a menor expansão desde 2009, quando o mundo enfrentava a crise financeira. Na semana passada, o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, admitiu que o coronavírus deverá provocar uma revisão na estimativa de Produto Interno Brasileiro (PIB) deste ano. –:–/–:– Secretário de Política Econômica comenta efeitos do coronavírus no cenário econômico Não bastasse o coronavírus, o Brasil ainda conta com a Argentina para lhe roubar um naco do PIB. A projeção do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) é de que a recessão do país vizinho já tirou 0,5 ponto percentual do PIB do Brasil no ano passado. “A má notícia é que começamos mal 2020, a gente

Após anunciar venda de dinheiro falso em redes sociais, investigado envia vídeo mostrando ‘qualidade’ do produto, em Goiânia

Homem suspeito de fabricar, anunciar e vender notas falsas de real enviou um vídeo a um suposto cliente para mostrar “qualidade” do produto, em Goiânia. A negociação era feita pela internet, usando aplicativos de mensagens, e o criminoso cobrava até R$ 300 por R$ 3 mil em notas falsificadas. A gravação, obtida pela TV Anhanguera, mostra várias notas sobre uma mesa enquanto o homem explica e aproxima as cédulas para mostra-las de perto. Ele diz que pode ensinar o suposto cliente a “envelhecer” a nota. O responsável é procurado pela Polícia Federal, já que comete um crime contra a fé pública da União, segundo explicou o delegado da corporação Franklin Medeiros. De acordo com ele, se condenado, autor pode ficar preso de 3 a 12 anos. O delegado mostrou que há mais de dez itens de segurança na nota, mas que a maioria deles já é reproduzida pelos falsificadores, com exceção do número do valor escondido em um ponto do lado direito do real. Investigado por vender notas falsas mostra dinheiro falsificado em vídeo — Foto: Reportagem/TV Anhanguera Comerciantes de Goiânia reclamam que são os principais prejudicados com o crime porque, muitas vezes, não há tempo suficiente para atender à toda a demanda e ainda verificar detalhadamente cada nova nota. “Nós temos uma grande demanda de clientes aqui por dia. Então, na corria, quando a gente pega, a ente pensa que é de verdade. Só no banco é que fomos e descobrir que a nota era falsa”, explicou a vendedora Adrielly Felix. Criminoso anuncia venda de notas de dinheiro falsas pelas redes sociais — Foto: Reprodução/TV Anhanguera Casos em Goiás Segundo Medeiros, este crime tem se tornado cada vez mais comum em Goiás. Na capital, um homem foi preso, este ano, suspeito de vender dólares falsos – e teria dito aos policiais que não sabia que o dinheiro não era verdadeiro. Um adolescente também foi apreendido suspeito do ato infracional análogo a este crime, também em Goiânia. Ele estaria levando R$ 700 para comprar um aparelho celular. O terceiro caso de 2020, registrado em Catalão, no sudeste do estado. Nesta ocasião, os policiais conseguiram apreender ainda R$ 300 mil em notas falsificadas com dois homens que estavam hospedados em uma pensão da cidade, já que teriam viajado ao município justamente para vender o dinheiro. O G1 tentou contato com a Polícia Civil para saber outros detalhes dos casos e guarda retorno.

TJ-GO abre processo seletivo para vagas de estágio

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) está com processo seletivo aberto para seleção de estagiários com vagas em diversas cidades do estado. As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas até o dia 26 de fevereiro no site do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). A bolsa-auxílio é de R$ 743 para jornada de cinco horas diárias. Também é oferecido vale-transporte de R$ 176. Confira o edital A seleção inclui preenchimento de vagas e formação de cadastro reserva. As oportunidades são destinadas a estudantes dos cursos de administração, arquitetura e urbanismo, ciências contábeis, design gráfico, direito, enfermagem, engenharia civil, engenharia elétrica, engenharia mecânica, gestão de recursos humanos, informática, jornalismo, pedagogia, psicologia, publicidade e serviço social. As provas, com questões objetivas, serão realizadas no dia 15 de março. O resultado está previsto para ser divulgado no dia 16. Veja outras notícias da região no G1 Goiás.

Polícias Federal e Civil realizam operação contra pornografia infantil na internet e prendem 3, em Goiás

As polícias Federal e Civil em Goiás realizam, nesta terça-feira (18), a Operação Guardiões da Inocência, que visa o combate contra pedofilia. Segundo a PF, devem ser cumpridos sete mandados de busca e apreensão em três cidades goianas: Goiânia, Trindade e Rio Verde. A corporação também adiantou que três pessoas já foram presas em flagrante na capital. Ao todo, 40 policiais participam da ação. As investigações, que começaram em 2019, apontaram que pessoas estariam usando programas de compartilhamento de arquivos na web para distribuir imagens de pornografia infantil. De acordo com a Polícia Federal, todo o material apreendido deve ser enviado para perícia. Os investigados serão inquiridos na superintendência da corporação. Se forem acusados, responderão por crimes de posse e disponibilização de conteúdo sexual envolvendo menores. A pena pode chegar a seis anos de prisão e multa. Veja outras notícias da região no G1 Goiás.