Uma mulher ou menina é morta a cada 10 minutos por seu parceiro íntimo ou outro membro da família

O relatório mais recente sobre feminicídios revela que 60% de todos os homicídios de mulheres são cometidos por um parceiro íntimo ou outro membro da família. Uma mulher ou menina é morta a cada 10 minutos por seu parceiro íntimo ou outro membro da família 25.11.2024 O relatório mais recente sobre feminicídios revela que 60% de todos os homicídios de mulheres são cometidos por um parceiro íntimo ou outro membro da família. Nova York, 25 de novembro de 2024 – No Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, 25 de novembro, o relatório Feminicídios em 2023: Estimativas Globais de Feminicídios por Parceiro Íntimo ou Membro da Família, da ONU Mulheres e do UNODC, revela que o feminicídio—forma mais extrema de violência contra mulheres e meninas—continua sendo um problema generalizado em todo o mundo. Globalmente, 85.000 mulheres e meninas foram mortas intencionalmente em 2023. Desses homicídios, 60% — 51.000 — foram cometidos por um parceiro íntimo ou outro membro da família. Isso equivale a 140 mulheres e meninas mortas todos os dias por seus parceiros ou parentes próximos, ou seja, uma mulher ou menina assassinada a cada 10 minutos. Em 2023, a África registrou as maiores taxas de feminicídios relacionados a parceiros íntimos e familiares, seguida pelas Américas e pela Oceania. Na Europa e nas Américas, a maioria das mulheres assassinadas no ambiente doméstico (64% e 58%, respectivamente) foram vítimas de parceiros íntimos, enquanto em outras regiões os principais agressores foram membros da família. “A violência contra mulheres e meninas não é inevitável—é prevenível. Precisamos de legislação robusta, coleta de dados aprimorada, maior responsabilidade governamental, uma cultura de tolerância zero e mais financiamento para organizações de direitos das mulheres e órgãos institucionais. À medida que nos aproximamos do 30º aniversário da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim em 2025, é hora de líderes mundiais se UNIR e agir com urgência, renovar compromissos e direcionar os recursos necessários para acabar com essa crise de uma vez por todas“, destacou Sima Bahous, Diretora Executiva da ONU Mulheres. “O novo relatório sobre feminicídios destaca a necessidade urgente de sistemas de justiça criminal eficazes que responsabilizem os perpetradores, ao mesmo tempo em que garantam apoio adequado para as sobreviventes, incluindo acesso a mecanismos seguros e transparentes de denúncia“, afirmou Ghada Waly, Diretora Executiva do UNODC. “Ao mesmo tempo, precisamos confrontar e desmantelar os preconceitos de gênero, os desequilíbrios de poder e as normas prejudiciais que perpetuam a violência contra as mulheres. Com o início da campanha deste ano dos 16 Dias de Ativismo, devemos agir agora para proteger a vida das mulheres.” “Nenhum país está livre do feminicídio. Por isso, nosso trabalho tem foco em buscar e compartilhar práticas promissoras que possibilitem real impacto na vida das mulheres e meninas. O primeiro passo é garantir acesso à informação como direito humano primordial. Conhecer seus direitos, saber como exercê-los e onde buscar apoio em situações de violência,” explicou a Representante Interina de ONU Mulheres no Brasil, Ana Carolina Querino. “Transformar normas sociais que criam as condições de tolerância para a violência, principalmente aquelas ligadas à organização social do patriarcado e assimetrias de poder com base no gênero, também é absolutamente indispensável” O 30º aniversário da Plataforma de Ação de Pequim, em 2025, juntamente com a rápida aproximação do prazo de cinco anos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, apresenta uma oportunidade crítica para mobilizar todas as partes interessadas para ações decisivas e urgentes em prol dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero. Isso inclui acabar com a impunidade e prevenir todas as formas de violência contra mulheres e meninas. 21 dias de ativismo Por meio da campanha dos 21 Dias de Ativismo, a ONU Mulheres pedirá a revitalização de compromissos e exigirá responsabilidade e ação por parte de tomadores de decisão. Este ano, comemoramos o 25º aniversário do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres com um evento oficial em Nova York, em 25 de novembro, que destacará as melhores práticas de investimento na prevenção da violência contra mulheres, as lacunas, os desafios e o caminho a seguir. Uma campanha global nas redes sociais foi lançada para mobilizar vozes contra a violência de gênero, utilizando as hashtags #NaoTemDesculpa, #21dias #NoExcuse e #16Days. Uma cópia do relatório *Feminicídios em 2023: Estimativas Globais de Feminicídios por Parceiro Íntimo ou Membro da Família* está disponível mediante solicitação e sob embargo até 25 de novembro, às 00h EST / 6h CET. “UNA-SE pelo fim da violência contra mulheres e meninas” é uma campanha global do Secretário-Geral da ONU para gerar visibilidade e compartilhar conhecimento para eliminar a violência contra mulheres e meninas de maneira definitiva. No Brasil, UNA-SE é o marco de comunicação dos 21 dias de ativismo.
Placa Solar ou Geração Distribuída? Entenda qual faz mais sentido

Saiba as diferenças entre instalar placas no telhado e aderir à energia limpa compartilhada e descubra qual opção faz sentido para o seu bolso Por Lemon Energia – TV ANHANGUERA Quando se fala em energia solar A primeira imagem que vem à cabeça de muita gente são telhados cobertos de painéis fotovoltaicos. Essa é uma solução cada vez mais popular, mas não a única forma de consumir energia limpa no Brasil. A chamada Geração Distribuída Compartilhada (G.D.) cresce em ritmo acelerado justamente por resolver um dos principais obstáculos de quem sonha em gerar energia própria: o alto custo de instalação e a falta de espaço para painéis. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), mais de 90% dos brasileiros vivem em apartamentos ou imóveis comerciais onde não há área, ou autorização, para instalar placas solares. O sol como ativo energético O Brasil está entre os países mais privilegiados em incidência solar no mundo. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em boa parte do território a radiação diária supera 5 kWh/m². Em termos práticos, significa energia abundante quase o ano inteiro, um recurso que poderia reduzir nossa dependência das bandeiras tarifárias e da oscilação nos preços da eletricidade. Transformar o sol em economia, no entanto, não é simples. E aqui se abrem dois caminhos: instalar placas próprias ou aderir à energia limpa compartilhada. No telhado ou à distância? A placa solar própria é a imagem clássica: o consumidor compra os equipamentos, instala no telhado e passa a gerar sua própria energia. A conta de luz cai, mas o investimento inicial é alto. Segundo a ABSOLAR, o valor médio de um sistema residencial varia entre R$ 18 mil e R$ 25 mil, dependendo da potência e da região. A Geração Distribuída Compartilhada, por sua vez, funciona de forma diferente. O consumidor se torna assinante de uma usina solar remota: a energia é injetada na rede elétrica e os créditos aparecem diretamente na fatura. É como se o telhado do vizinho estivesse trabalhando por você, mas, nesse caso, o vizinho é uma usina inteira. Quando cada modelo faz sentido A escolha depende do perfil: – Quem mora em imóvel próprio com telhado disponível – Possui recursos para o investimento inicial – Está disposto a esperar alguns anos até que o sistema se pague. – Moradores de apartamentos, condomínios, pequenos negócios – Pessoas que não querem (ou não podem) lidar com obras – Ainda não são proprietárias do imóvel – Não possuem o espaço necessário para as placas Esse formato explica por que a G.D. se tornou tão popular. Em 2024, a modalidade cresceu quase 60% no país, segundo a ANEEL. Empresas especializadas, como a Lemon Energia, já reúnem dezenas de usinas parceiras e mais de 15 mil clientes consumindo energia solar compartilhada todo mês. O que dizem as regras A Lei nº 14.300/2022, conhecida como Marco Legal da Geração Distribuída, garante que tanto os consumidores com placas próprias quanto os assinantes de usinas remotas tenham direito a compensar a energia gerada com a consumida. Essa previsibilidade dá segurança jurídica e fortalece o setor. Energia do futuro, agora Mais do que uma decisão financeira, a adoção da energia solar é também uma resposta à crise climática. O setor elétrico ainda é responsável por parte significativa das emissões globais, e cada quilowatt limpo injetado na rede é um passo na transição energética. No fim, a pergunta não é apenas se você vai ter energia solar, mas como. E, para a maioria dos brasileiros, a resposta tende a estar na energia limpa compartilhada.
PF pediu prisão de Bolsonaro por conta de vigília convocada por Flávio

Senador Flávio Bolsonaro convocou vigília em frente ao condomínio do pai, no Jardim Botânico (DF). PF solicitou a medida cautelar Manoela AlcântaraPedro Grigori A vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) em frente ao Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, é um dos motivos citados pela Polícia Federal para solicitar a prisão preventiva de Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal viu risco à ordem pública no ato e solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que a prisão preventiva fosse efetuada. Segundo a PF, uma aglomeração colocaria em risco os agentes, os apoiadores do ex-presidente e o próprio Bolsonaro. “A Informação de Polícia Judiciária 099/2025 identificou que teria sido convocada para o dia 22 de novembro de 2025 uma vigília em prol de JAIR MESSIAS BOLSONARO nas proximidades da residência deste, na cidade de Brasília/DF”, diz trecho da decisão. O documento cita a postagem de Flávio Bolsonaro, que “incita adeptos” de Bolsonaro “a se deslocarem até as proximidades da residência do condenado”. “O senador da República faz uso do mesmo modus operandi, empregado pela organização criminosa que tentou um golpe de Estado no ano de 2022, utilizando a metodologia da milícia digital para disseminar por múltiplos canais mensagens de ataque e ódio contra as instituições”, diz trecho. Moraes diz que os elementos apresentados evidenciam a possibilidade concreta de que a vigília convocada ganhe grande dimensão, “com a concentração de centenas de adeptos do ex-presidente nas imediações de sua residência, estendendo-se por muitos dias, de forma semelhante às manifestações estimuladas pela organização criminosa nas imediações de instalações militares, especialmente no final do ano de 2022, com efeitos, desdobramentos e consequências imprevisíveis”. Além disso, o documento ainda cita que Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica na madrugada deste sábado (22/11). Segundo informações do Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal apresentadas ao STF, houve ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico, à 0h08. Bolsonaro foi preso na manhã deste sábado (22/11) e levado para a Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal. No mandado de prisão preventiva, Moraes disse que a prisão deveria ser cumprida no início da manhã deste sábado, “com todo o respeito à dignidade do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro, sem a utilização de algemas e sem qualquer exposição midiática”. Na sexta-feira (21/11), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou uma vigília religiosa em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar chama apoiadores para um encontro de oração “pela saúde de Bolsonaro e pela liberdade no Brasil”. “Nesse primeiro momento, a gente vai buscar o Senhor dos exércitos. Eu te convido para uma vigília que começa neste sábado”, disse o senador. “Vamos pedir a Deus que aplique a sua justiça […]. E, com a sua força, a força do povo, a gente vai reagir e resgatar o Brasil desse cativeiro que ele se encontra hoje”, disse.
Dia do Comerciário: saiba se é feriado e quem tem direito a folga

Data é comemorada em todo o país, mas só garante descanso onde há acordo coletivo Gabriela Pereira – METROPLES O Dia do Comerciário, também chamado de Dia do Comércio, será celebrado nesta segunda-feira (20/10). O dia, tradicional para quem atua no setor varejista, não é feriado nacional. O direito a folga depende das convenções coletivas firmadas entre sindicatos e entidades patronais em cada cidade. O feriado é oficialmente reconhecido em apenas um estado do país, o Rio de Janeiro, onde o comércio fecha na terceira segunda-feira de outubro. Nas demais regiões, a folga é garantida apenas quando há acordo entre os representantes da categoria e os empregadores.
Governo Lula bate o martelo sobre ponto facultativo na sexta (21/11)

Em 2023, o governo Lula incluiu o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, no calendário oficial de feriados nacionais Gabriela Pereira – METROPES A sexta-feira (21/11) após o feriado do Dia da Consciência Negra não será ponto facultativo para servidores do Executivo Federal, segundo apurou o Metrópoles. Apesar das expectativas, os servidores públicos federais não poderão emendar o feriado, de acordo com informações do Ministério da Gestão e Inovação (MGI), responsável pelos servidores. Dia da Consciência Negra Em 2023, o governo Lula incluiu o Dia da Consciência Negra, a ser celebrado em 20 de novembro, no calendário oficial de feriados nacionais. A data é uma referência a Zumbi dos Palmares e reforça a importância de refletir sobre a história e os direitos da população negra no Brasil. O objetivo é promover debates sobre a desigualdade racial e o racismo, além de promover a valorização da cultura afro-brasileira. A sanção da lei que estabelece a data como feriado nacional ocorreu após pressão de diversos grupos militantes da causa.
Saiba quando reajuste dos policiais do DF deve chegar no Congresso

Saiba quando reajuste dos policiais do DF deve chegar no Congresso Segundo parlamentares do DF, o MGI fez previsão de quando deverá enviar o projeto que trata do reajuste Samara SchwingelIsadora TeixeiraSegundo parlamentares do DF, o MGI fez previsão de quando deverá enviar o projeto que trata do reajuste O Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) se comprometeu a encaminhar ao Congresso Nacional, até a próxima semana, o projeto que trata do reajuste das forças de segurança do Distrito Federal, segundo parlamentares. De acordo com deputados e senadores do DF, a União garantiu que cumprirá o prazo acordado. Segundo a senadora Leila Barros (PDT-DF), a ministra do MGI, Esther Dweck, garantiu que o PL será enviado. “Ontem eu tive a oportunidade de falar com a ministra Esther e ela me garantiu que a apresentação do PL de urgência está em cima do prazo que foi acordado, que era até o final de outubro. E a ministra me garantiu que até sexta-feira (31/10), ou mais tardar no início da próxima semana, esse PL chega no Congresso Nacional para apreciação”, disse, nas redes sociais. Na sessão conjunta do Congresso Nacional desta quinta-feira (30/10), o deputado federal Rafael Prudente (MDB-DF) reforçou que há promessa da União sobre o encaminhamento do PL. “Fica aqui também nosso pedido antecipado. O governo fez o compromisso de encaminhar até a próxima semana o projeto de reajuste das nossas forças de segurança. A gente espere que chegando aqui, na próxima sessão do Congresso Nacional, vossa excelência [Davi Alcolumbre] possa pautar esse importante processo de reajuste salarial e reconhecimento a todo o trabalho de segurança do DF”, disse Prudente ao presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre (UB-AP). Acordo As nomeações foram incluídas no Projeto de Lei do Congresso Nacional nº 12/2025, que autoriza abertura de crédito total de R$ 2,1 bilhões em favor da Presidência da República, do Ministério da Justiça, Ministério da Cultura, Ministério do Esporte e Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Mercados desabastecidos, ruas esvaziadas, escolas fechadas e pouca polícia: como está a Penha após remoção de corpos

Escolas públicas permaneceram fechadas nesta quinta-feira (30). Não se ouviram mais tiros desde o mutirão que transportou 74 corpos da mata até a Praça São Lucas. Por Betinho Casas Novas, Eduardo Pierre, g1 Rio No dia seguinte à remoção de 74 corpos da parte alta da Serra da Misericórdia, as ruas do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, amanheceram esvaziadas nesta quinta-feira (30) e com a população ainda com medo. Não se ouviram mais tiros desde a operação de terça (29). O policiamento é o de sempre, feito pelos batalhões da área (16º e 20º BPMs), nas entradas das comunidades, e com o que sobrou das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Não houve ocupação na megaoperação, feita para cumprir mandados. Algumas áreas da comunidade estão sem luz, e a Light tenta reestabelecer a energia. Pelo 3º dia seguido, escolas públicas não abriram. O comércio ensaiou uma reabertura, mas alguns mercados já registram desabastecimento, pois os caminhões de carga não estão entrando na comunidade — e não se sabe se tudo isso é cautela ou “luto” imposto pelo tráfico. Nem todas as linhas de ônibus retomaram o itinerário por dentro da Penha. Postos de saúde, porém, voltaram ao atendimento normal. Sem ocupação A comunidade não está ocupada pelas forças de segurança. Os últimos a sair, na madrugada de quarta-feira (29), foram os militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Esses homens compuseram o que a PM chamou de “muro”, dentro da tática de encurralar traficantes na mata da Misericórdia. Na Praça São Lucas, em cujo entorno se deixaram as dezenas de corpos do confronto, ainda se veem marcas de sangue. Mas as roupas dos mortos e panos, colchões e lonas usados para cobri-los já foram recolhidos. Moradores relatam cenas de horror. “Eu moro aqui há 58 anos. Nunca vi isso. Vai ser difícil esquecer. Essa cena aqui, para mim, foi trágica”, disse uma moradora. Outro comparou o cenário a uma catástrofe natural: “A cidade tá igual tragédia, como quando tem tsunami, terremoto, com corpo espalhado em cima do outro.” Um morador da Vila Cruzeiro afirmou: “Na grande realidade, isso aqui é algo estarrecedor. Tô chocado. Nunca vi isso aqui na minha vida. O que a Vila Cruzeiro precisa é de educação”.
Governo do RJ confirma 121 mortos em megaoperação; moradores retiram dezenas de corpos de mata

No dia seguinte à operação, moradores afirmam ter encontrado mais de 70 corpos, que foram levados para uma praça na Penha. Secretário da Polícia Civil fala em 63 corpos. Por Betinho Casas Novas, Eduardo Pierre, Rafael Nascimento, g1 Rio O governo do RJ confirmou nesta quarta-feira (29) 121 mortos na megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha contra o Comando Vermelho. Foram 4 policiais e 117 suspeitos, segundo o secretário da Polícia Civil, o delegado Felipe Curi. Foi a operação mais letal da história do estado. Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, afirmaram ter encontrado pelo menos 74 corpos, que foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais da região, ao longo da madrugada d Entenda os números divulgados até agora: O g1 apurou ainda que os corpos, todos de homens, estavam na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os confrontos entre as forças de segurança e traficantes. O governador Cláudio Castro disse considerar que a ação foi um “sucesso” e que só os quatro policiais mortos são “vítimas”. Mais cedo, o governador não comentou os corpos encontrados pelos moradores na mata. “A nossa contabilidade conta a partir do momento que os corpos entram no IML. A Polícia Civil tem a responsabilidade enorme de identificar quem eram aquelas pessoas. Eu não posso fazer balanço antes de todos entrarem”, afirmou. O secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, explicou a estratégia das forças de segurança durante a megaoperação. Segundo ele, foi criado o que chamou de “Muro do Bope”: policiais avançaram pela área da Serra da Misericórdia para cercar os criminosos e empurrá-los em direção à mata, onde outras equipes do Batalhão de Operações Especiais já estavam posicionadas. A explicação foi dada durante entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (29), quando a cúpula da Segurança Pública do Rio detalhou os resultados da ação. O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, classificou o “dano colateral” como “muito pequeno”, afirmando que apenas quatro pessoas inocentes morreram durante a ação. A ação contou 2,5 mil policiais civis e militares e é considerada pela cúpula da segurança como de alto risco. Reconhecimento na praça O ativista Raull Santiago é um dos que ajudaram a retirar os corpos da mata. “Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido com o que estou vendo hoje. É algo novo. Brutal e violento num nível desconhecido”, disse. Moradores ouvidos no local disseram que o objetivo do traslado dos corpos até a praça foi facilitar o reconhecimento por parentes. Afirmaram ainda que os deixaram sem camisa para agilizar esse processo, a fim de deixar à mostra tatuagens, cicatrizes e marcas de nascença. Secretário vê fraude processual A polícia, no entanto, afirma que as roupas camufladas foram retiradas para que não ficasse exposta a ligação dos mortos com o crime organizado. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que vai investigar fraude processual pela remoção dos corpos e a retirada das roupas. “Vale lembrar, para desmistificar certas narrativas, que parece ter ocorrido uma espécie de ‘milagre’ com os corpos que estão aparecendo hoje. Esses indivíduos estavam na mata, equipados com roupas camufladas, coletes e armamentos. Agora, muitos deles surgem apenas de cueca ou short, sem qualquer equipamento — como se tivessem atravessado um portal e trocado de roupa. Temos imagens que mostram pessoas retirando esses criminosos da mata e os colocando em vias públicas, despindo-os. A 22ª Delegacia de Polícia instaurou um inquérito para investigar possível fraude processual.” Muitos dos mortos tinham feridas a bala – alguns estavam com o rosto desfigurado. Um tinha sido decapitado, mas não se sabia como. Depois, a Polícia Civil informou que o atendimento às famílias para o reconhecimento oficial ocorre no prédio do Detran localizado ao lado do Instituto Médico-Legal (IML) do Centro do Rio, a partir das 8h. Nesse período, o acesso ao IML está restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público, que realizam os exames necessários. As demais necropsias, sem relação com a operação, serão feitas no IML de Niterói.
Megaoperação no Alemão e na Penha contra o CV tem 121 mortos e 113 presos; vias são fechadas em represália em todo o Grande Rio

Esta é a operação mais letal da história do estado. No início da tarde, o tráfico orquestrou represálias em várias partes da cidade, que vive horas de tensão em um cenário de guerra. Por Felipe Freire, Jefferson Monteiro, Leslie Leitão, Lucas Madureira, Bom Dia Rio Pelo menos 121 pessoas morreram – 4 delas policiais – e 81 foram presas nesta terça-feira (28) em uma megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Quase 100 fuzis foram apreendidos. Esta é a operação mais letal da história do estado, segundo números confirmados pelo Palácio Guanabara. Problemas na volta para a casa No início da tarde, o tráfico orquestrou represálias em várias partes da cidade, que vive horas de tensão em um cenário de guerra. Barricadas, com veículos tomados ou entulho, foram feitas na Linha Amarela, na Grajaú-Jacarepaguá e na Rua Dias da Cruz, no Méier, entre muitos outros locais. Em função dos múltiplos bloqueios, o Centro de Operações e Resiliência (COR) do Rio elevou o estágio operacional da cidade para o nível 2, de uma escala de 5. A PM mandou colocar todo o efetivo na rua — para tal, suspendeu as atividades administrativas. Como tudo começou Trata-se de mais uma etapa da Operação Contenção, uma iniciativa permanente do governo do estado de combate ao avanço do CV por territórios fluminenses. Pelo menos 2.500 agentes das forças de segurança do RJ saíram para cumprir quase 100 mandados de prisão. Na chegada das equipes, ainda no fim da madrugada, traficantes reagiram a tiros e com barricadas em chamas. Um vídeo mostra quase 200 disparos em 1 minuto, em meio a colunas de fumaça com drones. Outros fugiram em fila indiana pela parte alta da comunidade, em uma cena semelhante à disparada de bandidos em 2010, quando da ocupação do Alemão. Quem são os policiais mortos Escolas e postos de saúde não abriram. Veja aqui os impactos à população nesta terça. Balanço da operação Infográfico – megaoperação contra facção no Rio tem mortos e feridos — Foto: Arte/g1 Operador do CV preso Entre os mais de 80 presos está Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, um dos chefes do Comando Vermelho da região. Outro capturado é Nicolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro de um dos altos chefes do CV, Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso.
IPCA: inflação desacelera para 0,09% em outubro, menor taxa para o mês em 27 anos

Inflação acumula alta de 3,73% em 2025 e 4,68% nos últimos 12 meses. A queda no preço da energia elétrica foi o principal fator que puxou o índice para baixo no mês. Por Micaela Santos, g1 — São Paulo O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,09% em outubro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo IBGE. O resultado representa uma desaceleração de 0,39 ponto percentual em relação à setembro, quando os preços subiram 0,48% com o aumento na conta de luz. O recuo em outubro também ficou abaixo da expectativa do mercado, que previa um aumento entre 0,10% e 0,16% nos preços. Segundo o IBGE, a taxa é a menor para um mês de outubro desde 1998, quando foi registrado 0,02%. Com esses dados, a inflação oficial do país acumula alta de 3,73% em 2025 e 4,68% nos últimos 12 meses. Em outubro do ano passado, 2024, o IPCA havia avançado 0,56%. Em outubro, o grupo Vestuário liderou a alta dos preços, subindo 0,51% e contribuindo com 0,02 ponto percentual no índice geral. No mês passado, esse grupo teve um alta ainda maior, 0,63%. Por outro lado, a energia elétrica foi a principal influência negativa no índice do mês (-0,10 p.p.), com destaque para a energia elétrica residencial, que registrou queda de 2,39%. Veja o resultado dos grupos do IPCA em outubro