Mercados desabastecidos, ruas esvaziadas, escolas fechadas e pouca polícia: como está a Penha após remoção de corpos

Escolas públicas permaneceram fechadas nesta quinta-feira (30). Não se ouviram mais tiros desde o mutirão que transportou 74 corpos da mata até a Praça São Lucas. Por Betinho Casas Novas, Eduardo Pierre, g1 Rio No dia seguinte à remoção de 74 corpos da parte alta da Serra da Misericórdia, as ruas do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, amanheceram esvaziadas nesta quinta-feira (30) e com a população ainda com medo. Não se ouviram mais tiros desde a operação de terça (29). O policiamento é o de sempre, feito pelos batalhões da área (16º e 20º BPMs), nas entradas das comunidades, e com o que sobrou das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Não houve ocupação na megaoperação, feita para cumprir mandados. Algumas áreas da comunidade estão sem luz, e a Light tenta reestabelecer a energia. Pelo 3º dia seguido, escolas públicas não abriram. O comércio ensaiou uma reabertura, mas alguns mercados já registram desabastecimento, pois os caminhões de carga não estão entrando na comunidade — e não se sabe se tudo isso é cautela ou “luto” imposto pelo tráfico. Nem todas as linhas de ônibus retomaram o itinerário por dentro da Penha. Postos de saúde, porém, voltaram ao atendimento normal. Sem ocupação A comunidade não está ocupada pelas forças de segurança. Os últimos a sair, na madrugada de quarta-feira (29), foram os militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Esses homens compuseram o que a PM chamou de “muro”, dentro da tática de encurralar traficantes na mata da Misericórdia. Na Praça São Lucas, em cujo entorno se deixaram as dezenas de corpos do confronto, ainda se veem marcas de sangue. Mas as roupas dos mortos e panos, colchões e lonas usados para cobri-los já foram recolhidos. Moradores relatam cenas de horror. “Eu moro aqui há 58 anos. Nunca vi isso. Vai ser difícil esquecer. Essa cena aqui, para mim, foi trágica”, disse uma moradora. Outro comparou o cenário a uma catástrofe natural: “A cidade tá igual tragédia, como quando tem tsunami, terremoto, com corpo espalhado em cima do outro.” Um morador da Vila Cruzeiro afirmou: “Na grande realidade, isso aqui é algo estarrecedor. Tô chocado. Nunca vi isso aqui na minha vida. O que a Vila Cruzeiro precisa é de educação”.

Governo do RJ confirma 121 mortos em megaoperação; moradores retiram dezenas de corpos de mata

No dia seguinte à operação, moradores afirmam ter encontrado mais de 70 corpos, que foram levados para uma praça na Penha. Secretário da Polícia Civil fala em 63 corpos. Por Betinho Casas Novas, Eduardo Pierre, Rafael Nascimento, g1 Rio O governo do RJ confirmou nesta quarta-feira (29) 121 mortos na megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha contra o Comando Vermelho. Foram 4 policiais e 117 suspeitos, segundo o secretário da Polícia Civil, o delegado Felipe Curi. Foi a operação mais letal da história do estado. Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, afirmaram ter encontrado pelo menos 74 corpos, que foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais da região, ao longo da madrugada d Entenda os números divulgados até agora: O g1 apurou ainda que os corpos, todos de homens, estavam na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os confrontos entre as forças de segurança e traficantes. O governador Cláudio Castro disse considerar que a ação foi um “sucesso” e que só os quatro policiais mortos são “vítimas”. Mais cedo, o governador não comentou os corpos encontrados pelos moradores na mata. “A nossa contabilidade conta a partir do momento que os corpos entram no IML. A Polícia Civil tem a responsabilidade enorme de identificar quem eram aquelas pessoas. Eu não posso fazer balanço antes de todos entrarem”, afirmou. O secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, explicou a estratégia das forças de segurança durante a megaoperação. Segundo ele, foi criado o que chamou de “Muro do Bope”: policiais avançaram pela área da Serra da Misericórdia para cercar os criminosos e empurrá-los em direção à mata, onde outras equipes do Batalhão de Operações Especiais já estavam posicionadas. A explicação foi dada durante entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (29), quando a cúpula da Segurança Pública do Rio detalhou os resultados da ação. O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, classificou o “dano colateral” como “muito pequeno”, afirmando que apenas quatro pessoas inocentes morreram durante a ação. A ação contou 2,5 mil policiais civis e militares e é considerada pela cúpula da segurança como de alto risco. Reconhecimento na praça O ativista Raull Santiago é um dos que ajudaram a retirar os corpos da mata. “Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido com o que estou vendo hoje. É algo novo. Brutal e violento num nível desconhecido”, disse. Moradores ouvidos no local disseram que o objetivo do traslado dos corpos até a praça foi facilitar o reconhecimento por parentes. Afirmaram ainda que os deixaram sem camisa para agilizar esse processo, a fim de deixar à mostra tatuagens, cicatrizes e marcas de nascença. Secretário vê fraude processual A polícia, no entanto, afirma que as roupas camufladas foram retiradas para que não ficasse exposta a ligação dos mortos com o crime organizado. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que vai investigar fraude processual pela remoção dos corpos e a retirada das roupas. “Vale lembrar, para desmistificar certas narrativas, que parece ter ocorrido uma espécie de ‘milagre’ com os corpos que estão aparecendo hoje. Esses indivíduos estavam na mata, equipados com roupas camufladas, coletes e armamentos. Agora, muitos deles surgem apenas de cueca ou short, sem qualquer equipamento — como se tivessem atravessado um portal e trocado de roupa. Temos imagens que mostram pessoas retirando esses criminosos da mata e os colocando em vias públicas, despindo-os. A 22ª Delegacia de Polícia instaurou um inquérito para investigar possível fraude processual.” Muitos dos mortos tinham feridas a bala – alguns estavam com o rosto desfigurado. Um tinha sido decapitado, mas não se sabia como. Depois, a Polícia Civil informou que o atendimento às famílias para o reconhecimento oficial ocorre no prédio do Detran localizado ao lado do Instituto Médico-Legal (IML) do Centro do Rio, a partir das 8h. Nesse período, o acesso ao IML está restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público, que realizam os exames necessários. As demais necropsias, sem relação com a operação, serão feitas no IML de Niterói.

Megaoperação no Alemão e na Penha contra o CV tem 121 mortos e 113 presos; vias são fechadas em represália em todo o Grande Rio

Esta é a operação mais letal da história do estado. No início da tarde, o tráfico orquestrou represálias em várias partes da cidade, que vive horas de tensão em um cenário de guerra. Por Felipe Freire, Jefferson Monteiro, Leslie Leitão, Lucas Madureira, Bom Dia Rio Pelo menos 121 pessoas morreram – 4 delas policiais – e 81 foram presas nesta terça-feira (28) em uma megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Quase 100 fuzis foram apreendidos. Esta é a operação mais letal da história do estado, segundo números confirmados pelo Palácio Guanabara. Problemas na volta para a casa No início da tarde, o tráfico orquestrou represálias em várias partes da cidade, que vive horas de tensão em um cenário de guerra. Barricadas, com veículos tomados ou entulho, foram feitas na Linha Amarela, na Grajaú-Jacarepaguá e na Rua Dias da Cruz, no Méier, entre muitos outros locais. Em função dos múltiplos bloqueios, o Centro de Operações e Resiliência (COR) do Rio elevou o estágio operacional da cidade para o nível 2, de uma escala de 5. A PM mandou colocar todo o efetivo na rua — para tal, suspendeu as atividades administrativas. Como tudo começou Trata-se de mais uma etapa da Operação Contenção, uma iniciativa permanente do governo do estado de combate ao avanço do CV por territórios fluminenses. Pelo menos 2.500 agentes das forças de segurança do RJ saíram para cumprir quase 100 mandados de prisão. Na chegada das equipes, ainda no fim da madrugada, traficantes reagiram a tiros e com barricadas em chamas. Um vídeo mostra quase 200 disparos em 1 minuto, em meio a colunas de fumaça com drones. Outros fugiram em fila indiana pela parte alta da comunidade, em uma cena semelhante à disparada de bandidos em 2010, quando da ocupação do Alemão. Quem são os policiais mortos Escolas e postos de saúde não abriram. Veja aqui os impactos à população nesta terça. Balanço da operação Infográfico – megaoperação contra facção no Rio tem mortos e feridos — Foto: Arte/g1 Operador do CV preso Entre os mais de 80 presos está Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, um dos chefes do Comando Vermelho da região. Outro capturado é Nicolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro de um dos altos chefes do CV, Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso.

IPCA: inflação desacelera para 0,09% em outubro, menor taxa para o mês em 27 anos

Inflação acumula alta de 3,73% em 2025 e 4,68% nos últimos 12 meses. A queda no preço da energia elétrica foi o principal fator que puxou o índice para baixo no mês. Por Micaela Santos, g1 — São Paulo O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,09% em outubro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo IBGE. O resultado representa uma desaceleração de 0,39 ponto percentual em relação à setembro, quando os preços subiram 0,48% com o aumento na conta de luz. O recuo em outubro também ficou abaixo da expectativa do mercado, que previa um aumento entre 0,10% e 0,16% nos preços. Segundo o IBGE, a taxa é a menor para um mês de outubro desde 1998, quando foi registrado 0,02%. Com esses dados, a inflação oficial do país acumula alta de 3,73% em 2025 e 4,68% nos últimos 12 meses. Em outubro do ano passado, 2024, o IPCA havia avançado 0,56%. Em outubro, o grupo Vestuário liderou a alta dos preços, subindo 0,51% e contribuindo com 0,02 ponto percentual no índice geral. No mês passado, esse grupo teve um alta ainda maior, 0,63%. Por outro lado, a energia elétrica foi a principal influência negativa no índice do mês (-0,10 p.p.), com destaque para a energia elétrica residencial, que registrou queda de 2,39%. Veja o resultado dos grupos do IPCA em outubro

Cometa cruza o céu do DF neste domingo; saiba como observar

De cauda esverdeada, Lemmon foi descoberto em janeiro deste ano e permanecerá aparente no céu brasileiro até 12 de novembro Isabella Wagner O cometa Lemmon (C/2025 A6) poderá ser visto neste domingo (26/10) nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, de acordo com o Clube de Astronomia de Brasília. Ele poderá ser visto a olho nu quando passar pelo céu do Distrito Federal. Descoberto em janeiro desse ano pelo observatório Mount Lemmon, no Arizona (EUA), o cometa de cauda esverdeada está visível no Brasil desde 18 de outubro, mas terá o ponto máximo de visualização no DF neste domingo. Ele permanecerá aparente no céu brasileiro até 12 de novembro. “Os astros celestes têm o seu brilho medido em escala logarítmica. Nessa escala, se o número é negativo, o objeto é mais brilhante. Se o número é positivo, o objeto é menos brilhante. Nosso olho consegue ver objetos até a 6ª magnitude (brilho fraco). O Lemmon é de 2ª magnitude”, explicou Adriano Leonês, doutorando em ciências e astronomia da Universidade de Brasília (UnB). De acordo com Leonês, o uso de binóculos ou telescópios é aconselhável para quem quiser vê-lo com mais nitidez. “Esse cometa só se aproximará novamente da Terra daqui a 1.300 anos”, afirmou. O cometa estava visível nesta quinta-feira (23/10) nas regiões Norte e Nordeste. Após passar pelo céu do Centro-Oeste, ficará visível na região Sul na próxima quinta-feira (29/10). Após isso, ele deve contornar o Sol e desaparecer. E para os que temem uma tragédia, Leonês tranquiliza: não, não há risco de o cometa Lemmon atingir a Terra. Melhor local e horário Especialistas sugerem lugares com pouca movimentação e distantes de centros urbanos. O ideal é estar em um local com horizonte amplo e longe de poluição luminosa, por se tratar de um cometa de brilho opaco, pouco detectável. A passagem do cometa Lemmon divide espaço com uma chuva de meteoros orionídeos, que teve início no dia 8 de outubro e se estende até o dia 7 de novembro. Esse fenômeno poderá ser visto a olho nu por todo o país a partir da meia-noite. “Basta ter visão limpa na direção da constelação de Órion (Três Marias)”, conta Adriano Leonês. Ele ainda diz que a chuva consiste em cerca de 2o meteoros por hora, um a cada três minutos, em média. O intervalo entre um e outro pode ser maior ou menor, dependendo das circunstâncias.

Policial é hospitalizado após acidente com moto da PMDF

Segundo a Polícia Militar, o motorista responsável pelo veículo envolvido no acidente fugiu do local Um Policial Militar do Batalhão de Trânsito do Distrito Federal (PMDF) sofreu um acidente de trânsito e foi hospitalizado com suspeita de traumatismo craniano (TCE) na manhã desta segunda-feira (7/4). Segundo a PMDF, um outro veículo se envolveu no acidente, mas o motorista fugiu do local. O acidente foi registrado por volta das 5h30 desta segunda-feira (7/4) no Eixo Monumental, ao lado da Catedral Rainha da Paz. A PMDF informou que o militar não estava em ocorrência e provavelmente estava voltando para o batalhão para encerar o turno de trabalho. Não há detalhes sobre o veículo envolvido na ocorrência.  O policial foi socorrido a uma unidade pública de saúde pelo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal com uma lesão na perna e suspeita de TCE. Não se sabe qual foi a dinâmica do acidente. 

Chuva vai continuar no DF? Veja a previsão do tempo para esta segunda

A Estação Meteorológica do Plano Piloto registrou 59,6 milímetros (mm) de chuva no domingo (19/10). Média histórica do mês é de 141 mm Nathália Cardim O brasiliense deve se preparar para enfrentar chuva nos próximos dias. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), somente no último domingo (19/10), a Estação Meteorológica do Plano Piloto acumulou 59,6 milímetros de chuva. De acordo com o meteorologista Danilo Siden, do Inmet, a previsão desta segunda-feira (20/10) é que haja chuvas fortes em alguns pontos do DF. O dia deve ficar nublado com pancadas de chuva e trovoadas isoladas. Chuvas Várias regiões do Distrito Federal registraram fortes chuvas na noite desse domingo (19/10). Ceilândia, Guará, Águas Claras, Samambaia, Cruzeiro e São Sebastião são algumas das localidades atingidas pelo temporal. Os temporais também levaram 13 voos que desembarcariam no Aeroporto Internacional de Brasília a serem desviados para o Aeroporto de Goiânia e para o Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte (MG). Horas antes de o DF registrar as primeiras precipitações, o Inmet publicou alerta laranja para perigo de chuvas intensas, com risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas. O aviso meteorológico poderá ser mantido nesta segunda-feira.

Polícia Militar faz operação no Complexo do Chapadão

Um pastor morreu atingido por uma bala perdida durante uma ação da PM na comunidade nesta segunda-feira (20). Por Bom Dia Rio ícia Militar faz uma operação no Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio, na manhã desta terça-feira (21). Nesta segunda (20), um pastor morreu atingido por uma bala perdida durante uma ação da PM na comunidade. Equipes do 41º BPM percorrem ruas da comunidade desde o começo da manhã. Até o momento, não há informação sobre prisões ou apreensões. A operação desta segunda visava reprimir a ação de traficantes. Durante a incursão, bandidos incendiaram barricadas para dificultar o acesso dos agentes do 41° BPM (Irajá) ao local. O pastor Eduardo de Oliveira Santos, de 45 anos, andava de bicicleta ao ser atingido – ainda não se sabe a origem do tiro. Ele chegou a ser levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ricardo de Albuquerque, mas não resistiu ao tiro nas costas. Segundo a PM, os agentes foram informados sobre a entrada do ferido na unidade, e o comando do 41° BPM instaurou um procedimento para analisar as circunstâncias do fato.

Governo institui a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva

Decreto nº 12.686/2025 foi publicado nesta terça-feira (21) para fortalecer a inclusão escolar. Nova política, coordenada pelo MEC, reafirma o direito à educação de estudantes com deficiência, autismo e altas habilidades Para garantir o direito à educação de estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e com altas habilidades ou superdotação, sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades, o Governo do Brasil instituiu a Política e a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva. O Decreto nº 12.686/2025 foi publicado nesta terça-feira, 21 de outubro, e reafirma o compromisso do país com os princípios da Constituição Federal, da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Decreto nº 6.949/2009), da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015). De acordo com o decreto, a educação especial será ofertada de forma transversal em todos os níveis, etapas e modalidades, com recursos e serviços que apoiem, complementem e suplementem o processo de escolarização. A implementação da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva tem como base a inclusão em classes e escolas comuns da rede regular, com o apoio necessário à participação, à permanência e à aprendizagem de todos os estudantes. Entre os princípios da nova política estão: o reconhecimento da educação como direito universal e público; a garantia de igualdade de oportunidades e condições de acesso; a promoção da equidade e valorização da diversidade humana; o combate ao capacitismo e à discriminação; e a garantia de acessibilidade e desenvolvimento de tecnologias assistivas. As diretrizes da política reforçam a colaboração entre União, estados e municípios; a transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior; e a oferta do atendimento educacional especializado (AEE), preferencialmente em escolas comuns. O decreto define o AEE como atividade pedagógica complementar ou suplementar à escolarização. O AEE será regulamentado pelo Ministério da Educação (MEC) e deverá estar integrado ao projeto político-pedagógico das escolas, com a participação da família e dos estudantes. O texto também estabelece que a matrícula no AEE não substitui a matrícula em classe comum e prevê a oferta do atendimento, de forma complementar, em centros especializados da rede pública ou instituições sem fins lucrativos conveniadas. O decreto também regulamenta o plano de atendimento educacional especializado (PAEE) — documento pedagógico individualizado, com atualização contínua, derivado do estudo de caso do estudante, que orienta o trabalho docente, o uso de recursos de acessibilidade e as ações intersetoriais. Formação – A nova política prevê que os professores do AEE deverão ter formação inicial para a docência e, preferencialmente, formação específica em educação especial inclusiva, com carga mínima de 80 horas. A União apoiará estados e municípios na oferta de formação continuada. O decreto também define o papel do profissional de apoio escolar, que atuará na locomoção, na alimentação, na comunicação e na participação dos estudantes, de acordo com o PAEE, com formação mínima de nível médio e formação específica de 80 horas. Rede – A Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva, formada pela União, estados, municípios e o Distrito Federal, ajudará na implementação da política. Entre os objetivos da Rede estão: expandir a formação continuada de profissionais da educação; fortalecer os serviços de apoio técnico e produção de materiais acessíveis; aperfeiçoar indicadores e o monitoramento da educação inclusiva; e produzir e difundir conhecimento sobre práticas educacionais inclusivas. O MEC instituirá as formas e os critérios para reconhecimento e valorização de experiências exitosas em educação especial inclusiva nas redes públicas. Apoio – O apoio federal à política ocorrerá por meio de ações como repasse de recursos pelo Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) e pelo Plano de Ações Articuladas (PAR) e concessão de bolsas para organização e implementação da Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva. Governança – A governança da política contará com uma estrutura executiva de coordenação em âmbito nacional e uma estrutura consultiva com participação social, assegurando o acompanhamento e o monitoramento intersetorial das ações. O MEC acompanhará e monitorará o acesso à escola por parte dos beneficiários do benefício de prestação continuada em idade de escolarização obrigatória, em colaboração com o Ministério da Saúde, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)

Comissão do Senado aprova PL que proíbe aborto após 22ª semana de gestação

Proposta foi aprovada na Comissão de Direitos Humanos e estabelece novas regras nos casos de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia fetal A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou na quarta-feira (15), o Projeto de Lei (PL) 2.524/2024, que propõe a proibição do aborto a partir da 23ª semana de gestação, inclusive nos casos atualmente permitidos pela legislação brasileira. A proposta, de autoria do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), prevê que, após esse período, o procedimento seja substituído pela antecipação do parto, com a adoção de medidas para preservar a vida do feto. Entenda na TVT News. O parecer favorável foi apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que baseou sua posição na presunção de “viabilidade fetal absoluta” a partir da 22ª semana e no princípio da dignidade da pessoa humana. A votação foi simbólica e ocorreu em menos de quatro minutos, sob a presidência da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). O projeto segue agora para análise nas Comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Constituição e Justiça (CCJ). Mudanças na lei O PL 2.524/2024 altera o Código Civil para determinar que, após a 22ª semana, o embrião passa a ter “direito inviolável ao nascimento sadio e harmonioso”. O texto reconhece o valor da vida humana antes e depois da implantação no útero e impõe à família, à sociedade e ao Estado o dever de proteger o feto e o recém-nascido contra negligência e violência. Na prática, o projeto restringe a realização de abortos legais: Durante a apresentação do relatório, o senador Eduardo Girão afirmou que o aborto tardio causa sofrimento físico ao feto e “fere o princípio da dignidade da pessoa humana”. Ele também criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e normas do Ministério da Saúde que, em sua avaliação, ampliaram o acesso ao aborto sem aval do Congresso. A presidente da CDH, a senadora e ex-ministra de Bolsonaro, Damares Alves, defendeu a rapidez da votação, negando que tenha havido atropelo do debate. Segundo ela, o projeto estava em pauta desde o dia 13 e nenhum parlamentar havia se inscrito para discutir ou pedir vista. Damares afirmou que o mérito da matéria será debatido na CAS, próxima etapa da tramitação. Atualmente, o aborto é considerado crime no Brasil, exceto em casos de risco à vida da gestante, gravidez resultante de estupro e anencefalia fetal, conforme decisão do STF de 2012. A legislação vigente, porém, não define um limite gestacional para a realização do procedimento. Nos últimos anos, o tema voltou ao centro do debate político e jurídico. Em 2023, o STF iniciou o julgamento de uma ação que propõe a descriminalização do aborto até a 12ª semana, mas a análise foi suspensa. Ao mesmo tempo, grupos conservadores do Congresso têm articulado iniciativas para restringir ainda mais as hipóteses de interrupção da gestação, entre elas o PL 2.524/2024.