Água doce encontrada no Oceano Atlântico pode auxiliar crise hídrica global

PUBLICADO EM 21/09/25 Uma descoberta surpreendente feita por cientistas da Universidade de Columbia promete mudar a forma como vemos os recursos hídricos do planeta. Pesquisadores identificaram um vasto reservatório de água doce abaixo do Oceano Atlântico, na costa dos Estados Unidos, com cerca de 80 km de extensão e mais de 2.800 km³ de água — o maior aquífero submarino já encontrado. A água está presa em rochas porosas entre Massachusetts e Nova Jersey, formada após a última era glacial, quando o derretimento das geleiras aprisionou a água nas camadas rochosas do fundo do mar. Exploração e descobertas recentes Apesar de a existência de água doce sob o Atlântico ser conhecida há décadas, o reservatório permanecia praticamente inexplorado. Somente recentemente, com novas tecnologias e análises de dados sísmicos antigos, os pesquisadores puderam mapear e confirmar a magnitude do aquífero. Durante o verão, a equipe da Expedição 501 perfurou até 400 metros abaixo do fundo do oceano, coletando água e sedimentos. A água encontrada tem teor de sal próximo ao recomendado para consumo humano e passará por testes para analisar segurança, microrganismos e idade da água. Potencial para combater a crise hídrica Segundo os cientistas, o reservatório poderia abastecer cidades costeiras por décadas, oferecendo uma alternativa importante diante da escassez de água e mudanças climáticas. Quase metade da população mundial vive a menos de 100 km da costa e depende de aquíferos terrestres que estão cada vez mais ameaçados. No entanto, a extração não será simples. Levar a água para a superfície exige tecnologia avançada, alto consumo de energia e cuidado para evitar contaminação com a água salgada. Especialistas sugerem que fontes como energia eólica poderiam ajudar na logística, mas alertam que a proteção das reservas de água doce em terra continua sendo prioridade. Um recurso global Os pesquisadores acreditam que outros reservatórios submarinos podem existir ao redor do mundo, o que pode abrir novas perspectivas para enfrentar a crise hídrica global. Para Brandon Dugan, professor de geofísica da Escola de Minas do Colorado, “todas as peças existem, é apenas uma questão de tempo até que possamos explorar essas reservas de forma segura e sustentável”. A expectativa é que, nos próximos meses, novas análises sobre a idade e a origem da água forneçam respostas sobre seu potencial de reabastecimento, ajudando a planejar o uso responsável desse recurso valioso.

Regularização de débitos pode evitar exclusão do Simples Nacional

publicado em 19/09/25 As empresas do Simples Nacional com débitos inscritos na dívida ativa estadual foram notificadas pelo fisco goiano e precisam se regularizar para evitar a exclusão do regime simplificado a partir de 1º de janeiro de 2026. A medida atinge cerca de três mil empresas. O Termo de Exclusão, contendo a relação dos débitos a serem quitados ou parcelados, foi enviado aos contribuintes pelo Domicílio Tributário Eletrônico Estadual (DTE). A lista das empresas notificadas também pode ser consultada no site da Secretaria da Economia. Simples Nacional A regularização dos débitos efetuada em até 90 dias a partir da ciência do Termo de Exclusão afasta a exclusão de ofício. Nesse caso, o comunicado é automaticamente anulado, sem necessidade de qualquer outra providência pelo contribuinte. A regularização pode ser feita por meio de pagamento integral ou com o parcelamento da dívida. A malha fiscal da Secretaria foi realizada em setembro e incluiu dívidas de qualquer tributo deste ano e anos anteriores. Editado por Kattia Barreto via Secretaria da Economia – Governo de Goiás19 de setembro, 2025

Precisa mandar algo para os EUA? Correios seguem com envios suspensos; entenda

publicado em 19/09/25 Medida acompanha outros operadores postais internacionais após o governo Trump suspender isenção das ‘minimis’ Enviar encomendas para os Estados Unidos (EUA) não só está mais caro, como nem sempre é possível. Quem tenta despachar até mesmo um presente para um parente que mora no país pelos Correios não consegue. Desde o fim de agosto, a estatal suspendeu temporariamente todos os envios de mercadorias, amostras e presentes destinados aos EUA e a Porto Rico, independentemente da operação, do valor e se são realizados por pessoas físicas ou jurídicas. A medida ocorre após o governo de Donald Trump suspender, a partir de 29 de agosto, a isenção de tarifas da qual pequenos pacotes postais com valor igual ou inferior a US$ 800 dólares desfrutavam até então. A suspensão das chamadas “minimis” nos EUA é decisão semelhante à “taxa da blusinha” no Brasil. Os EUA miravam inicialmente China e Hong Kong, em uma ofensiva contra Shein e Temu, mas a medida foi estendida a todos os países para garantir sua eficácia. Com a mudança, todas as transações realizadas entre pessoas físicas passaram a ser tributadas quando o valor excede US$ 100. Segundo os Correios, quando a remessa é enviada por pessoa jurídica, os tributos são aplicáveis independentemente do valor, conforme as novas regras norte-americanas. Além do fim da isenção, os EUA passaram a aceitar remessas internacionais somente mediante o recolhimento antecipado dos tributos pelo exportador, no momento da postagem. Segundo os Correios, a suspensão é seguida por outros 80 operadores postais ao redor do mundo, diante de “uma mudança abrupta na regulamentação tributária norte-americana”. “Até mesmo operadores dos próprios Estados Unidos enfrentam dificuldades para implementar integralmente esse novo modelo. Diante da impossibilidade de adequar fluxos, processos e sistemas em prazo tão curto, foi necessário suspender temporariamente as postagens de encomendas — medida também adotada por diversos operadores postais internacionais”, diz os Correios em nota enviado ao EXTRA. Retomada do Correios no menor prazo possível De acordo com a estatal, todas as companhias aéreas com as quais mantém vínculo recusaram-se a transportar qualquer tipo de mercadoria para os EUA, inclusive documentos, que atualmente são enviados apenas por uma única empresa aérea. No comunicado publicado pelos Correios no dia 28 de agosto, foi informado que o “envio de documentos, por pessoas físicas e jurídicas, permanece disponível por meio dos serviços Documento Internacional Expresso e Documento Internacional Standard., Documento Internacional Expresso e Documento Internacional Standard”. Segundo os Correios, há um empenho para retomar as postagens no menor prazo possível: “A estatal está em contato com os poucos operadores credenciados junto à aduana americana, bem como com a União Postal Universal (UPU), órgão das Nações Unidas responsável por promover a organização e o aperfeiçoamento dos serviços postais em nível global. A UPU está empenhada em buscar soluções que atendam às exigências do governo dos EUA e viabilizem a retomada das postagens no menor prazo possível”, disse os Correios, em nota” Mandar algo para os EUA: empresas de logística internacional seguem operando Apesar da suspensão temporária dos Correios, várias empresas de logística internacional já estão adaptadas às mudanças implementadas pelo governo americano. Um exemplo disso é a FedEx, que, em seu site, divulgou um comunicado sobre o fim da isenção de “minimis”, destacando que continua enviando e transportando remessas para os Estados Unidos. Em nota, a empresa reafirmou que suas operações seguem normalmente para o país. “A FedEx continua aceitando e transportando remessas com destino aos Estados Unidos. Como empresa de transporte expresso, nossas soluções internacionais não são impactadas por decisões de operadores postais. Nossa prioridade é apoiar nossos clientes e ajudá-los a se orientar diante das mudanças que entraram em vigor para remessas destinadas aos Estados Unidos em 29 de agosto”. A DHL também informou que suas operações seguem normalmente para os Estados Unidos, ressaltando seu compromisso em atender tanto pessoas físicas quanto jurídicas. “A DHL Express informa que segue com suas operações para os Estados Unidos e Porto Rico normalmente e reforça que orienta constantemente seus clientes sobre o processo de desembaraço no destino, oferecendo suporte em todas as etapas da jornada”, afirmou a empresa em nota enviada ao EXTRA. A UPS, por sua vez, destacou que oferece diversas soluções para auxiliar aqueles que precisam enviar mercadorias aos Estados Unidos. “Também disponibilizamos diversas soluções de encomendas de pequeno porte, consolidação de cargas, armazenagem e corretagem aduaneira para reduzir atrasos e auxiliar nossos clientes a exportar de forma compatível com as normas para os Estados Unidos”, informou a empresa em nota. Fabricio Moretti – Goiânia, GO – Mais Goiás

Caiado pede rejeição da PEC da Blindagem e aponta risco de proteção a facções

publicado em 19/09/25 Texto aprovado pelos deputados rompe a relação entre Parlamento e a sociedade, diz governador O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) criticou à chamada PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara dos Deputados, e afirmou que espera que o Senado rejeite a proposta. Para ele, o texto aprovado pelos deputados rompe a relação entre Parlamento e a sociedade. Segundo Caiado, a medida pode abrir espaço para que lideranças criminosas usem o mandato como escudo contra a Justiça. “Ela é um convite para o crime organizado entrar no Congresso pela porta da frente, disputando voto nas urnas, para proteger os chefes das facções do alcance da justiça”, alertou. A proposta, também chamada de PEC das Prerrogativas (PEC 3/2021), estabelece que deputados e senadores só poderão ser processados criminalmente no Supremo Tribunal Federal (STF) com autorização prévia de suas respectivas Casas Legislativas. Para críticos, a regra dificulta a responsabilização de parlamentares e cria barreiras adicionais ao combate à corrupção. A aprovação ocorreu em duas votações rápidas, concluídas na madrugada desta quarta-feira (18/9), após manobra que permitiu votação remota. O projeto agora segue para análise dos senadores. Caiado afirmou confiar que o Senado “corrija o erro da Câmara” e derrube a PEC. Em suas redes sociais, classificou a proposta como um retrocesso e advertiu que sua aprovação teria “consequências nefastas para a política nacional”.

Caio Bonfim conquista prata nos 35km da marcha atlética no Mundial

publicado em 15/09/25 O brasiliense Caio Bonfim conquistou a medalha de prata nos 35km da marcha atlética no… Com esta medalha, Caio alcança seu terceiro pódio em Mundiais e iguala Claudinei Quirino como o brasileiro com mais conquistas na competição. Antes, ele havia sido bronze nos 20km em Londres 2017 e Budapeste 2023. Durante a prova, Caio caiu para sexto lugar no quilômetro 30, mas conseguiu se recuperar e subir para o segundo lugar, garantindo a prata. Outros dois brasileiros também competiram: Matheus Corrêa terminou em 15º e Max Batista em 27º. Agora, Caio se prepara para a prova dos 20km, na próxima sexta-feira (19/9), sua principal distância, onde pode conquistar mais uma medalha e se tornar o maior medalhista brasileiro em Mundiais de Atletismo.

DESMONTAGEM DA PASSARELA AMARELA NA BR-040 TEM INÍCIO EM VALPARAÍSO

Publicado em 03/09/2023 Semáforos temporários já estão em funcionamento para garantir a travessia segura de pedestres e a fluidez no trânsito A Prefeitura de Valparaíso de Goiás informa que, nesta segunda-feira, 1º de setembro, teve início a desmontagem da passarela amarela localizada sobre a BR-040, que liga o Jardim Oriente à Etapa A. Para garantir a travessia segura dos pedestres, foram instalados semáforos temporários que já estão em funcionamento. A administração municipal reforça a importância de que todos motoristas e pedestres redobrem a atenção, respeitem a sinalização e aguardem os tempos corretos dos semáforos, principalmente nos horários de maior movimento. A desmontagem da passarela faz parte de um conjunto de ações voltadas para a melhoria da mobilidade urbana e da segurança viária em Valparaíso. Contamos com a colaboração de todos para que o trânsito flua com segurança. Compartilhe esta informação com amigos e familiares e ajude a manter Valparaíso em movimento com responsabilidade! SECOM-PMVG

Governo tenta acelerar produção de canetas para emagrecimento nacionais

Publicado em 31/08/2025 O governo tenta acelerar a comercialização das canetas nacionais usadas para diabetes e… O governo Lula (PT) tenta acelerar a comercialização das canetas nacionais usadas para diabetes e emagrecimento e tomou medidas que alteraram o rumo da disputa pelo domínio do mercado desses medicamentos. Na ação mais recente, o Ministério da Saúde pediu e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou que as canetas poderão furar a fila de análise da agência. A medida deve antecipar a chegada de outras marcas ao mercado, mas foi questionada por parte da indústria por colocar os emagrecedores à frente de centenas de medicamentos que aguardam o aval da Anvisa para comercialização. Outro segmento das farmacêuticas afirma que a priorização é positiva para aumentar o acesso seguro e mais barato às drogas. Em nota, o Ministério da Saúde afirma que tem priorizado medidas para “ampliar a soberania e a autonomia do Brasil” na produção de tecnologias em saúde. A pasta ainda afirmou que eventual redução de preço pode facilitar o fornecimento. “Com a entrada de novos medicamentos genéricos no mercado e aumento da concorrência, os preços devem cair de forma significativa, favorecendo uma possível incorporação desses princípios ativos no SUS”, disse o ministério. Para priorizar a análise, a Anvisa ainda citou que hoje existe risco de desabastecimento. A Novo Nordisk, que fabrica canetas como o Ozempic, contesta o argumento. Presidente executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini afirma que mudar a ordem de avaliação para determinados produtos “compromete a transparência” sobre as filas da Anvisa. “Por que priorizar um produto para emagrecimento em detrimento de medicamentos indispensáveis para salvar vidas ou aliviar o sofrimento de pacientes e de suas famílias?”, questiona. Já a PróGenéricos diz que o aumento exponencial da procura por produtos manipulados torna “particularmente urgente” as medidas para aumentar no mercado o número de marcas dos laboratórios controlados pela Anvisa. A entidade diz que foi informada pela agência de que a priorização das análises é uma medida pontual, técnica e motivada por razões excepcionais de interesse público. A pressão do governo federal ainda acompanha movimentos de fora de Brasília, como dos prefeitos Eduardo Paes (PSD) e Rodrigo Manga (Republicanos), do Rio e de Sorocaba (SP), que prometem a distribuição na rede pública. Mas técnicos do SUS ainda avaliam de que forma a caneta beneficiaria as políticas públicas de controle da obesidade e diabetes. O alto custo da tecnologia também é apontado como barreira para a oferta na rede pública. Segundo o Ministério da Saúde, o fornecimento da droga poderia custar mais de R$ 8 bilhões, valor superior ao dobro do orçamento reservado para compra de medicamentos para a atenção básica, como insulina. No último dia 20, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias) citou o valor ao rejeitar duas propostas para levar as canetas ao SUS. No começo de agosto, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), já havia acrescentado um elemento à disputa entre as farmacêuticas ao fazer uma espécie de propaganda dos medicamentos recém-lançados pela EMS, os primeiros de fabricação nacional à base de liraglutida. “Aquelas canetinhas que o pessoal está usando direto por aí, mais um produto na área, baixando o preço para a população”, disse Padilha em vídeo gravado após evento da farmacêutica. Os emagrecedores são produtos controlados, categoria em que propaganda, entrega de amostra grátis e outras ações de marketing são proibidas. O aumento do consumo para fins estéticos ainda preocupa associações e sociedades médicas. O ministério disse que as manifestações de Padilha são ancoradas em ações de incentivo à indústria nacional e que não cabe “qualquer interpretação” sobre propaganda dos produtos. Para a Interfarma, que representa farmacêuticas multinacionais, não há nas regras da Anvisa hipóteses que justifiquem priorizar a análise dos emagrecedores. A decisão cria uma exceção e resultará em insegurança jurídica, além de atrasar a avaliação de produtos mais prioritários, afirma a associação. O mercado dos produtos para diabetes e emagrecimento também atrai os laboratórios públicos. Em agosto, a EMS e a Fiocruz anunciaram acordo para transferir à fundação a tecnologia de produção da liraglutida e semaglutida. Antes, a Iquego (Indústria Química do Estado de Goiás) e a Furp, fundação ligada ao Governo de São Paulo, tiveram pedidos negados pelo ministério para firmar PDPs (Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo) com laboratórios privados. Nesse tipo de acordo, o governo federal se compromete a comprar os produtos dos laboratórios enquanto a tecnologia é repassada. Em nota, a EMS afirma que avalia, em conjunto com parceiros públicos, formas de levar as canetas ao SUS. Diz ainda que as canetas representam “uma ferramenta inovadora e eficaz, que pode integrar políticas públicas mais amplas de prevenção e cuidado”. A empresa não se posicionou sobre a decisão da Anvisa de antecipar a análise dos produtos nacionais. Mercado bilionário As canetas são análogas do GLP-1, hormônio produzido no intestino que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade. As principais marcas no mercado são a semaglutida (Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk) e a tirzepatida (Mounjaro, da Lilly). Segundo dados da Anvisa, os produtos contendo semaglutida foram os vice-líderes em faturamento da indústria farmacêutica do Brasil em 2024, com mais de R$ 1 bilhão em vendas. A Novo Nordisk tenta postergar a validade da patente da semaglutida, que expira em março de 2026, enquanto empresas como EMS, Biomm e Hypera Pharma se preparam para lançar concorrentes. A EMS foi a primeira empresa nacional a conseguir aval da Anvisa para comercializar produtos à base de liraglutida. A empresa produz a caneta em unidade que recebeu investimentos do BNDES ainda na gestão anterior, além de aporte sob a nova gestão.

Caso Ultrafarma: Justiça de São Paulo revoga medidas cautelares contra Sidney Oliveira

Publicado em 30/08/2025 Segundo Tribunal, Ministério Público não apresentou denúncia contra empresário e medidas perderam validade; dono da Ultrafarma está solto desde o dia 15 (Agência O Globo) O Tribunal de Justiça de São Paulo revogou, na sexta-feira (29), todas as medidas cautelares contra o empresário Sidney Oliveira, fundador e presidente da rede de farmácias Ultrafarma, suspeito de integrar um esquema bilionário de propinas e créditos de ICMS na Secretaria da Fazenda do estado. Solto desde o dia 15, ele ainda estava sob uma série de restrições, como manter contato com investigados, sair da cidade de São Paulo e ficar fora de casa depois das 20h. Ele ainda teve de entregar seu passaporte e usava tornozeleira eletrônica. A defesa do fundador da Ultrafarma havia entrado com o habeas corpus pedindo a revogação das medidas cautelares na semana passada, ao alegar constrangimento ilegal de Oliveira por parte da 1ª Vara de Crimes Tributários da Capital, responsável do caso no TJ. O entendimento da Justiça de São Paulo, na decisão desta sexta-feira, é de que o Ministério Público de São Paulo não apresentou denúncia contra Oliveira nem se manifestou sobre ele até o momento. De acordo com a decisão, tornar-se “descabida a manutenção das cautelares ora estabelecidas”. Oliveira foi preso temporariamente no último dia 12, no âmbito da Operação Ícaro, que apura um grupo criminoso responsável por favorecer empresas do setor varejista em troca de vantagens tributárias indevidas. O Ministério Público de São Paulo informa que irá estudar o caso. Suspensão de fiança Os advogados de Oliveira já haviam conseguido outra decisão favorável no último dia 22. O TJ deferiu na ocasião uma liminar que suspendeu a fiança de R$ 25 milhões que tinha sido imposta ao dono da rede de farmácias. A decisão de suspender o pagamento foi da desembargadora Carla Rahal. Na avaliação dela, a quantia definida transformava a liberdade em “mercadoria inacessível” e assumia caráter confiscatório. A desembargadora indicou ainda que o cálculo confundiu o patrimônio individual de Oliveira com o empresarial da Ultrafarma. Segundo dados do processo, o patrimônio pessoal do empresário era estimado em R$ 28 milhões, incluindo a participação na empresa, enquanto sua renda em 2024 girou em torno de R$ 4,7 milhões. Como o valor não foi depositado dentro prazo estipulado pela Justiça, o MP chegou a pedir um novo pedido de prisão preventiva contra Oliveira pelo descumprimento das medidas cautelares fixadas.

Morre Luis Fernando Verissimo, lenda da crônica, aos 88 anos

Publicado em 30/08/2025 Morreu neste sábado, 30 de agosto, em Porto Alegre, o escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo, aos… Morreu neste sábado, 30 de agosto, em Porto Alegre, o escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos. Ele estava internado desde o dia 11 de agosto no Hospital Moinhos de Vento, com pneumonia, e faleceu às 0h40. Morreu neste sábado, 30 de agosto, em Porto Alegre, o escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos. Ele estava internado desde o dia 11 de agosto no Hospital Moinhos de Vento, com pneumonia, e faleceu às 0h40. Um dos maiores prazeres de Luis Fernando Verissimo, nascido em 26 de setembro de 1936, era “soprar saxofone”. Quando tomava posse do instrumento, Verissimo, um calado incorrigível, podia apenas ouvir — além de nutrir sua paixão pelo jazz, iniciada na adolescência passada nos Estados Unidos junto com a família, entre as décadas de 1940-1950. Naquela época, seu pai, o também escritor Erico Verissimo (1905-1975), foi convidado a dar aulas na Universidade da Califórnia em Berkeley. Foi com as palavras, porém, que o gaúcho conquistou milhões de leitores, em crônicas, romances, contos, poesias e cartuns, cujos personagens se firmaram no imaginário nacional: o Analista de Bagé, a Velhinha de Taubaté, As Cobras, o detetive Ed Mort, a Família Brasil, a ravissante Dora Avante, fundadora do movimento Socialaites Socialistas e assídua correspondente fictícia do cronista. Dono de uma ironia refinada, Verissimo conseguia fazer uma síntese de questões filosóficas e do cotidiano mais banal, e unir temas tão díspares como mazelas da política nacional e as belezas de uma mulher — misturas que, para ser bem-sucedidas, dependem da maestria de um grande cronista. Verissimo foi um dos nossos grandes. A versatilidade da crônica era cara ao escritor, e dela saíam frases impensáveis de serem pronunciadas em voz alta pelo saxofonista tímido, que manteve uma coluna no GLOBO, desde 1999, no “Estado de S. Paulo” e na “Zero Hora”. Verissimo começou no jornal gaúcho, depois de largar a publicidade, como copidesque (“função que já deve ter sido substituída por uma tecla de computador”, provocou em uma crônica décadas mais tarde). Na Redação da “Zero Hora”, desempenhou as funções mais diversas, inclusive a de redator do horóscopo — em 2011, no aniversário do jornal, reassumiu o posto por um dia, dando aos leitores uma demonstração de sua ironia concisa em previsões como: “Áries: Atrás de você, cuidado!”. Em 1969, aos 33 anos, assumiu o papel de cronista e nele encontrou sua vocação. Fã das crônicas de Paulo Mendes Campos, Rubem Braga e Antonio Maria, Verissimo enxergava no gênero “a liberdade absoluta” e fez questão de exercê-la pelas quatro décadas seguintes. Ao longo da carreira, ele lançou mais de 70 livros, sendo seis deles romances, e vendeu mais de cinco milhões de exemplares, em 15 países. Liberdade de cronista Nos anos 1970, a concisão e a liberdade de cronista eram também exercitadas nas tirinhas de humor “As Cobras”, que começaram a ser publicadas na “Folha da Manhã”, de Porto Alegre, e driblavam a censura da ditadura militar com mais facilidade do que os textos. Ele já fazia ali uma espécie de minicrônica ao que seria o estilo Verissimo: com humor fino, a dupla de cobrinhas podia conversar sobre a existência de Deus, o fim do mundo ou simplesmente sobre futebol. Seu livro de crônicas de que mais gostava era “O analista de Bagé” (1980), o primeiro que reuniu textos sobre o personagem que o tornaria conhecido nacionalmente: um psicanalista de formação freudiana rígida, com trajes, costumes e linguajar típicos do interior gaúcho, que tratava os pacientes à base de “joelhaços” e se definia como “mais ortodoxo do que pomada Minâncora”. O analista virou peça, filme e série de televisão — o que se repetiu com outras de suas criações, como “A comédia da vida privada”, que se tornou uma série (na TV Globo) sobre o cotidiano da classe média, primeiro baseada em crônicas e depois com textos do próprio Verissimo feitos especialmente para a TV. Dos romances, o que o escritor considerava o “mais bem acabado” era “O clube dos anjos” (1998), que narra a vida de um grupo de amigos que se reúnem num mesmo bar da adolescência à maturidade. Enquanto seu gosto por comida se sofistica, as ilusões da juventude são substituídas pelos fracassos acumulados nas relações pessoais e profissionais. Foi só em 2009 que o escritor lançou seu primeiro romance sem encomenda de editora, “Os espiões”. “O que faço não tem valor literário. Não tenho essa ambição, nem a capacidade do livro definitivo. Todos os outros livros foram provocados, não eram livros que tinha dentro de mim. Quando tem isso, vem cedo. Eu comecei tarde”, afirmou certa vez Verissimo, que dizia não ter prazer durante a escrita. “Bom não é escrever, mas ter escrito”, costumava dizer, repetindo uma frase do escritor Zuenir Ventura, seu grande amigo. “Encaro escrever como um ofício, um que deu certo para mim, mas não seria minha escolha natural se outras coisas não tivessem dado errado. Não escrevo com prazer. Já a música é sempre um prazer para mim”. ‘Movimento dos sem netos’ O escritor e Lúcia, praticamente sua primeira namorada, casaram-se em 1963 e tiveram três filhos: Mariana, Fernanda e Pedro. O filho herdou o gosto pela música e, como o escritor, largou a publicidade, mas para cantar profissionalmente. O pai continuou um músico bissexto e teve várias bandas, a última delas a Jazz 6. Os filhos cresceram, mudaram-se, e por muito tempo Verissimo fez campanha para voltar a povoar a casa de crianças. Fundou o Movimento dos Sem Netos junto com Zuenir e o escritor Moacyr Scliar, seu colega dos tempos de “Zero Hora”. Deixou o grupo em 2008, quando sua neta, Lucinda, nasceu no dia do 99º aniversário do Internacional, o time de futebol que era outra de suas paixões, ao lado do jazz, das viagens e da gastronomia. Colorado doente em Porto Alegre e torcedor do Botafogo no Rio — onde tinha apartamento, em Ipanema —, Verissimo cobriu três Copas do Mundo

Como os pais e educadores podem proteger as crianças da ‘adultização’ na escola

Publicado em 30/08/2025 Especialistas orientam formas de minimizar tanto a ‘adultização’ quanto outras violências, sendo o diálogo entre escola e família o principal ponto SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A escola é o ambiente onde as crianças passam a maior parte do seu tempo se relacionando com seus colegas, lidando com regras, diferenças e, consequentemente, conflitos. No crescente debate sobre os perigos e violências a que crianças e adolescentes estão sujeitos na sociedade, é fundamental que o contexto escolar esteja envolvido. Com a publicação do vídeo sobre “adultização” pelo influenciador Felca, surgiu a preocupação em proteger as crianças da antecipação de situações que normalmente são atribuídos à vida adulta, como a sexualização excessiva. “A ‘adultização’ está sendo um termo muito usado, e ele retrata bem outros termos que utilizávamos, como exploração, erotização e vários tipos de violência, como a psicológica, negligência -como deixar as crianças expostas- assédio e pornografia infantil”, afirma Michel Fillus, doutor em psicologia clínica e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), . No contexto escolar, isso acontece de formas variadas. Por exemplo, uma criança pode buscar imitar um colega que se porta de forma adulta, com comportamentos sexualizados, vestuário e maquiagens, brincadeiras com apelo sexual, exemplifica Fillus. Outra questão, pontuada pela psicóloga Adriana Schiavone, é a expectativa e pressão por desempenho acadêmico excessivo e quando as crianças são expostas a conversas, brincadeiras ou conteúdos inapropriados para a faixa etária, ou até mesmo quando precisam assumir papéis de responsabilidade emocional dentro da sala de aula. Luiza Sassi, pedagoga, psicóloga e diretora do Instituto Gaylussac, ainda acredita que a escola ainda é um lugar seguro para as crianças, por ser um local regulado, com regras a serem seguidas e que tem o exercício do coletivo, principalmente com a proibição dos celulares. “A escola tem que ser o espaço do brincar, das relações interpessoais reais e do aprendizado. Uma boa escola deve ter a dedicação de se manter motivadora das relações entre as pessoas e também da criação de uma educação atraente e no tempo do aluno.” Para ela, hoje, a natureza dos conflitos internos está relacionada a uma crise de autoridade, pautada pelo enfrentamento e falta de noção de hierarquia para com os adultos. “[Precisa de uma] Retomada do lugar parental, de estabelecer limites para as crianças.” Assim, ela diz que o primeiro passo para proteger as crianças da “adultização” é que os pais se apropriem de sua autoridade e posição hierárquica, não autoritária, mas se colocando no lugar daquele que irá ditar para o filho o que é certo e errado, a construir sensibilidade e alteridade em relação aos colegas. Além disso, a diretora propõe a reflexão de colocar as crianças em lugares de exposição, e não transformar as crianças e adolescentes em produtos. “As crianças e os adolescentes não estão preparados para avaliar nas redes o que é do bem e o que é do mal, não têm a capacidade ainda de discernir o que é correto do que é errado”, diz. É importante lembrar que, no ambiente escolar, está proibido o uso de aparelhos celulares, mas as crianças ainda estão sujeitas a comentários de colegas sobre conteúdos digitais, incentivo a acesso à conteúdos inapropriados e a adoção de comportamentos vistos nas redes. Para Fillus, a permissividade de acessar conteúdos online aumenta o risco de cyberbullying, de situações como as mostradas no vídeo do influenciador Felca e até mesmo sofrer a influência de amigos que se envolvem em situações perigosas, como desafios na internet. “É muito importante seguir à risca a proibição do uso de celular no ambiente escolar. E que os educadores prestem atenção ao que está acontecendo entre os alunos para identificar esses perigos”, complementa. Sassi lembra que segue sendo papel dos responsáveis e educadores, tanto na escola quanto em casa, mediar conflitos que possam surgir do digital e controlar os conteúdos que estão sendo acessados, como aqueles sexualizados e pornografia. Hoje, existem aplicativos e softwares de controle parental, que monitoram e gerenciam o que os filhos estão vendo nas redes. No entanto, o uso dos aplicativos não exclui a necessidade do diálogo, já que as crianças precisam de conscientização do uso na internet, além de que podem estar assistindo conteúdos mostrados e incentivados por colegas. Fillus propõe que as escolas façam campanhas de conscientização no ambiente escolar, envolvendo os profissionais e os alunos, para debater esses temas de forma transversal. Por exemplo, buscar uma forma de, em cada disciplina, abordar o tema, sensibilizar para os riscos e poder, em conjunto, construir uma proteção. A “adultização”, como um termo abrangente, pode vir acompanhada de outros conflitos entre pares nas escolas. “Podemos dizer que a violência está naturalizada e, nas escolas, ela aparece de diferentes formas: provocações, preconceitos, agressões”, diz Raquel Guzzo, psicóloga, professora e pesquisadora em psicologia crítica, escolar e comunitária na PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas). As violências podem acontecer de forma velada, principalmente as que não são físicas. Dessa forma, é preciso ficar atento aos sinais que a criança pode estar apresentando, tanto na escola quanto em casa. Sinais de isolamento, dificuldade de interagir com o outro e mudanças bruscas de humor podem ser um alerta para investigar melhor o que pode estar acontecendo. No livro “Como Proteger Seu Filho da Violência Sexual”, publicado no Brasil pela editora Amarilys, a psicóloga Joanna Smith afirma que a escola tem responsabilidade pela segurança de crianças e adolescentes e é papel dos pais saberem quais as políticas de segurança para a prevenção da violência, além dos planos de ação para quando ela acontece. Guzzo defende que a presença de profissionais da psicologia e de um envolvimento multiprofissional nas escolas é fundamental para acompanhar as crianças, prevenindo a naturalização da violência e como um ponto de escuta dos depoimentos dos alunos. “Por isso, é muito importante que família e escola interajam muito, para troca de experiências, para entendimentos de como as crianças se comportam em distintos ambientes. Infelizmente, essa troca nem sempre acontece”, afirma, complementando que as crianças necessitam de supervisão de adultos,