Doses da Coronavac vendidas em Senador Canedo foram furtadas da Secretaria de Saúde

As cerca de 24 ampolas da Coronavac que estavam sendo comercializadas em Senador Canedo foram furtadas da câmara fria da Secretaria da Saúde (SES-GO), em Goiânia. Segundo apontam as investigações, o suspeito do crime e da venda das vacinas teria subtraído os imunizantes após ir ao local para fazer a manutenção em um ar condicionado. O suspeito, que é técnico em refrigeração, foi preso na última quarta-feira (7). Conforme explica o secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda, a suspeita é de que o homem, que não teve o nome revelado, furtou as primeiras quatro ampolas na última semana. Na ocasião, ele teria sido chamado para resolver um problema de refrigeração na câmara fria da SES. As doses subtraídas foram vendidas rapidamente. Na última terça-feira (6), houve um novo problema dentro do local e o técnico foi novamente acionado para resolvê-lo. Desta vez, ele furtou uma caixa com cerca de 20 ampolas. O crime foi descoberto quando ele tentava vender as doses em um supermercado em Senador Canedo. Provas De acordo com Miranda, o suspeito não confessou o crime, mas há provas suficientes que apontam o homem como autor do crime. Nos autos, há, inclusive, a assinatura do suspeito nos registros de entrada e saída do prédio da secretaria. Sobre o valor pedido pelos imunizantes, Rodney diz que o fato ainda está sendo apurado. “Primeiro ele falou que vendeu por R$ 450, depois por R$ 50. Como ele não confessou o crime, precisamos de informações bancárias para descobrir o valor que as pessoas pagaram. Em breve teremos essa informação”, disse. O responsável pelo crime permanece preso e vai responder por furto. As pessoas que compraram os imunizantes ilegalmente serão autuadas por receptação e crimes contra a saúde pública. Estelionato Segundo o titular da SSP, durante o interrogatório, o suspeito apresentou versões contraditórias e chegou a mencionar um homem que seria responsável pelo furto. “Ele disse que estava responsável apenas pelas vendas, mas a investigação apontou que os relatos eram falsos”, afirmou. As apurações demonstraram que o homem citado pelo suspeito recebeu a oferta de parceria nas vendas, mas não teria aceitado. O indivíduo, no entanto, foi preso, pois os policiais encontraram cartões e documentos de terceiros usados na prática do crime de estelionato. “O suspeito de furtar as doses fez um serviço na casa do suspeito de estelionato. Provavelmente ele viu os cartões e documentos e fez a proposta. Porém, o homem alega que não aceitou”, concluiu.
Preso suspeito de matar homem a pedradas em Anápolis

A Polícia Civil de Anápolis prendeu, na manhã desta sexta-feira (9), um homem suspeito de ser um dos autores do homicídio contra Marcelo Oliveira dos Santos, de 47 anos. A vítima foi morta a pedradas, no fim da tarde de quinta (8), na região Sudoeste da cidade. De acordo com o delegado Wlisses Valentim, responsável pelo caso, o suspeito está sendo levado neste momento para a realização de exames de corpo de delito. Em seguida deverá ser encaminhado para a sede do Grupo de Investigação de Homicídios e será autuado em flagrante. Relembre o caso Marcelo foi assassinado com um bloco de concreto, no fim da tarde de quinta-feira, na região Sudoeste da cidade de Anápolis. Testemunhas teriam visto a vítima e outros dois homens bebendo em uma das ruas da região. Entretanto, momentos depois eles estavam brigando. A vítima foi encontrada sem vida em um lote e teve o corpo encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) da cidade.
Pai de Yudi Tamshiro morre após complicações de Covid

Nelson Tamashiro, 56, pai do apresentador Yudi Tamashiro, 28, morreu em decorrência das complicações da Covid-19, nesta quarta-feira (31). A informação foi confirmada pela assessoria do apresentador. Em nota, a família disse que, devido à pandemia, o velório será aos familiares mais próximos e o sepultamento ocorrerá em seguida. “A família agradece todas as orações e demonstrações de carinho”. Nelson havia sofrido uma parada cardíaca na noite de segunda-feira (15), por volta das 21h30. O pai do artista era hipertenso e estava internado no Hospital Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba (45 km de SP). A mãe Tânia Tamashiro e a irmã de Yudi também tiveram diagnóstico positivo para a doença. A mãe, que estava internada, deixou o hospital no dia 28 de março. A irmã não precisou ser internada. No vídeo que o cantor e apresentador publicou, ele aparece do lado de fora de uma sala, esperando para rever a mãe. Ela passa pela porta numa cadeira de rodas, seguida por um grupo de enfermeiras e com os dizeres “eu venci a Covid-19” numa placa. Yudi então aplaude, abraça a mãe e diz que a ama. “Deus continua ouvindo nossas orações e continua fazendo milagres”, escreveu ele nas redes sociais, acompanhando a gravação. Convertido há três anos pela igreja evangélica, hoje o ex-Bom Dia e Cia se dedica integralmente à vida religiosa. “Eu já cantei, dancei, apresentei, mas o meu lado espiritual foi sempre muito forte e agora chegou o momento que eu senti o chamado no meu coração. Senti Deus falando comigo: ‘agora você já conquistou tudo que queria e vai usar sua história para ajudar outras pessoas’.” Yudi considera a mudança “um grande desafio” e afirma que álcool e sexo estão em seu passado. “Não estou bebendo, não estou transando, não estou fazendo nada. Estou esperando a vontade de Deus. É isso que escolhi para minha vida, é isso que está me fazendo bem”, disse em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. O artista conta que passou por duas conversões. A primeira foi quando precisou passar três meses de repouso, por conta de uma lesão no nervo ciático. Logo após a recuperação, Yudi começou a cantar pagode, o que o fez se afastar novamente da religião. “Da primeira vez, foi através da dor. Eu vi minha carreira indo por água abaixo, estava perdendo tudo e não tive outra saída a não ser entender que Deus e Jesus Cristo poderiam me levantar”, disse. “Comecei a cantar pagode, e aí voltei para a noite, voltei a ficar com as meninas e a beber. Estava voltando para a vida que eu levava antes.” Foi então que o ex-apresentador considera que tudo mudou. Ele conta que percebeu que o novo Yudi não se encaixava mais nessa vida e decidiu encarar o que chama de sua nova missão. “Minha meta de vida é influenciar as pessoas e mostrar o verdadeiro caminho”, disse. Para seguir sua missão, Yudi conta que precisou colocar a vida profissional de lado. “A mudança no estilo de vida é muito nítida para quem convive comigo, minha família. Por mais que eu veja outros artistas ganhando mais coisas do que eu, percebo que essas coisas trazem dificuldades emocionais, psicológicas. São felicidades falsas. Eu me tranquilizo porque sei que entreguei minha vida nas mãos do criador.”
VALPARAÍSO: SAIBA COMO FUNCIONA DISTRIBUIÇÃO DE CESTAS BÁSICAS PARA FAMÍLIAS EM VULNERABILIDADE SOCIAL DURANTE A PANDEMIA

O Governo da Cidade Valparaíso de Goiás, por meio de sua Secretaria de Assistência Social e Cidadania, segue realizando a entrega de cestas básicas aos valparaisenses que estão sentindo os impactos causados pela crise provocada pela pandemia da Covid-19. São realizados cadastros socioeconômicos na sede da Secretaria – localizada na: Quadra 99, Lote 03, 2ª Etapa do Jardim Céu Azul. Antes da distribição, é realizado o acompanhamento e uma avaliação das condições de cada família. A Assistência Social e Cidadania também informa que continua promovendo o encaminhando de cidadãos em vulnerabilidade social para o cadastramento do Auxílio Emergencial e do Bolsa Família. Além disso, a Pasta destaca que no próximo mês de abril, o Governo do Estado de Goiás disponibilizará mais cestas de alimentos para distribuição para os mais necessitados no município de Valparaíso. “Enquanto isso, a gestão da cidade segue adquirindo as cestas com recursos próprios”, destacou Zé Antônio, secretário de Assistência Social e Cidadania. Saiba mais Os interessados nos donativos devem procurar os seguintes órgãos para receber o atendimento de assistentes sociais: Secretaria de Assistência Social e Cidadania: 3627-4087 BOLSA FAMÍLIA: 3624-0030 CENTRO POP: 3025-4077 CRAS CÉU AZUL: 3624-7626 CRAS CEU DAS ARTES: 3629-3086 CRAS SANTA RITA: 3615-3238 CRAS IPANEMA: 3624-2208 CREAS: 3624-1618 Assessoria de Comunicação da Cidade de Valparaíso/Foto Linice Moreira
Preço da carne aumenta 27% em um ano na capital

Uma pesquisa realizada pelo Procon de Goiânia apontou que o preço da carne aumentou 27,34% na capital entre os anos de 2020 e 2021. O levantamento mostrou também que, dos 22 produtos pesquisados, 18 apresentaram aumento no preço. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 27 de janeiro em 12 estabelecimentos de Goiânia. Para chegar aos resultados, o Procon comparou os menores valores encontrados com o que foi apurado em 2020. O maior vilão foi o coxão duro. No ano passado, o menor preço encontrado foi de R$ 15,99 o kg. Em 2021, o valor encontrado foi de R$ 28,98, um aumento de 81,24%. Outros cortes que tiveram aumentos significativos foram o patinho (76,46%), o pernil suíno sem osso (62,41%), a asa de frango (61,52%) e o lagarto (38,66%). Apesar do aumento, alguns cortes entraram em 2021 mais baratos. Foi o caso da picanha, cujo menor preço saiu de R$ 39,90 para R$ 35,89, uma queda 10,05%. O filé de frango e a costela bovina também abaixaram o preço, com quedas de 4,77% e 1,54%, respectivamente. A costelinha suína foi o único item que não apresentou variação entre 2020 e 2021. Variação de preços A pesquisa também apurou a variação de preço entre os estabelecimentos. A maior diferença encontrada foi na picanha, que foi de R$ 35,89 a R$ 99,90 o kg, um aumento de 178,35%. Os outros produtos que variaram muito de preço foram o filé de frango (130,03%), a costela bovina (114,66%), o lombo suíno (112,43%) e a fraldinha (86,99%). Já o corte que menos variou de preço foi o frango inteiro congelado, encontrado em valores entre R$ 7,49 e R$ 10,90, uma variação de 45,53%. Em seguida vem o lagarto (50,76%), asa de frango (53,22%), o patinho (53,37%) e o coxão mole (53,40%). Clique aqui para ver o relatório da pesquisa na íntegra. Dicas para a hora de comprar carnes Na pesquisa, o órgão ressalta que, além da pesquisa de preços, os consumidores devem estar atentos à qualidade, o aspecto, do produto, o cheiro, a data de validade e se a embalagem está violada ou amassada. O documento ressalta também que peças vendidas em bandejas de isopor em embaladas com plástico possuem um prazo de conservação aceitável de três dias. Por isso, é preciso ter cuidado dobrado na cor e no aroma. Por fim, o órgão recomenda que o consumidor observe a higiene do local, se os funcionários estão utilizando luvas e toucas e se o produto possui o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF). Outra dica é verificar se não há água escorrendo dos refrigeradores, o que pode indicar que eles são desligados à noite.
Variante do coronavírus presente em Manaus já domina região, diz pesquisador

A nova variante do coronavírus de Manaus, identificada primeiro pelas autoridades de saúde no Japão, já é prevalente na capital do Amazonas e também foi observada no interior do estado, aponta estudo da Fiocruz Amazônia em parceira com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas e o Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública) do estado. As instituições vêm acompanhando essa e outras variantes do coronavírus Sars-CoV-2 no país desde março do ano passado. Uma nova linhagem do Sars-CoV-2 no país, a B.1.1.28, já tinha sido identificada por pesquisadores da Fiocruz do Rio de Janeiro em dezembro último, ao mesmo tempo em que houve a confirmação de um caso de reinfecção do coronavírus com ela. A variante de Manaus evoluiu regionalmente a partir dessa linhagem e agora carrega o nome de P.1. e virou uma linhagem própria, a B.1.1.28.1. De diferente ela possui dez mutações no gene que codifica a proteína S (de “spike” ou espícula, o gancho molecular usado pelo coronavírus para se conectar às células humanas), três delas na chamada região de ligação com receptor —algo preocupante porque ela está diretamente associada à entrada do vírus nas células. De acordo com Felipe Naveca, pesquisador em saúde pública da Fiocruz e responsável pelo sequenciamento e pela identificação da variante, que ocorreu apenas três dias após o governo japonês identificá-la em quatro viajantes que visitaram a Amazônia, a cepa de Manaus já parece ser a mais frequente na região. “Isso preocupa porque a P.1. tem dez mutações na proteína S, e três delas são as mesmas observadas nas variantes de fora do país, que podem estar relacionadas a maior transmissibilidade e maior letalidade”, diz. Ainda é cedo para afirmar que a variante é mais letal, embora alguns médicos tenham feito relatos informais de que esta variante pode estar causando a hospitalização e quadro severo de maneira muito mais rápida do que o vírus antigo. Tendo como base as variantes do Reino Unido e da África do Sul (apelidadas de Nelly e Erick), é possível que a de Manaus seja tão preocupante quanto essas foram em seus países de descoberta. Recentemente, pesquisadores da Inglaterra sugeriram que a variante do Reino Unido é 30% mais letal do que a linhagem circulante do vírus até novembro de 2020. “Mas eles estão conduzindo estudos com a nova variante há quase dois meses já, por isso conseguiram chegar a esses resultados. Nós estamos ainda no 15˚ dia após o descobrimento da variante de Manaus. Ainda é muito incerto para chegar a essas conclusões”, diz Naveca. Um ponto, porém, é muito relevante: as três variantes evoluíram de forma independente, sem relação de parentesco entre elas. “Para ter surgido em três lugares distintos com as mesmas mutações é porque alguma vantagem para o vírus essas mutações estão trazendo.” O conceito de convergência, que é quando a mesma característica aparece em grupos não relacionados entre si, é capaz de tirar o sono dos estudiosos da biologia evolutiva. As mutações são, na maioria das vezes, aleatórias, mas as pressões ambientais que fazem com que algumas mutações persistam na população, nesse caso, são as mesmas: a alta circulação do vírus devido ao número muito elevado de casos. Existem algumas hipóteses do que levou o vírus a dar esses saltos evolutivos, mas em todos os casos o antecedente foi a circulação em massa. “A variante é autoalimentada na medida em que ela se torna a mais transmissível porque existem mais casos de contaminação, e ela se torna mais frequente por ter essas vantagens de entrada nas células. É um ciclo.” Por isso, é preciso um alerta especial por parte das autoridades de saúde e vigilância epidemiológica no país. No resto do mundo, o surgimento de novas variantes foi seguido por uma intensa vigilância e pelo monitoramento de novos casos para tentar traçar as rotas de viagem do vírus e conter a sua disseminação. No Brasil, embora haja um forte indício de que a nova variante possa estar relacionada à escalada de casos em Manaus, que levou a um recente colapso do sistema de saúde regional, não foram tomadas medidas de lockdown e contenção do vírus na cidade a tempo. Embora o Ministério da Saúde tenha sido notificado sobre o caso de reinfecção com a nova variante e emitido uma nota, os outros estados devem seguir uma vigilância contínua para poder monitorar se essa variante já se espalhou pelo país, explica o virologista. Outra questão diz respeito à imunização. Embora a campanha de vacinação no país tenha completado uma semana nesta segunda-feira (25), ainda será um longo caminho até a imunização de grande parte da população. “É um momento crítico para [a população] não baixar a guarda achando que, só porque a vacinação começou, as pessoas já estão protegidas”, diz. Diferentemente do Reino Unido, que já realizou mais de 800 mil sequenciamentos do vírus desde o início da pandemia, no país os Lacens e os institutos ligados à Fiocruz, além de outras instituições de pesquisa, têm feito o sequenciamento e o monitoramento das variantes aqui presentes, mas a escassez de amostras válidas e dificuldades como falta de investimento em pesquisa e falta de insumos são um entrave. Assim como descobrir se a variante é mais contagiosa depende de um monitoramento dos casos e do sequenciamento das amostras, respostas para perguntas sobre sua letalidade ou associação a casos mais graves só vêm com incentivo à ciência e com vontade, por parte do governo, de construir um sistema de vigilância genômica e tomar as medidas cabíveis quando uma nova linhagem é identificada. “Isso só comprova o que a gente vem falando há muito tempo. A gente precisa de mais investimento em pesquisa para conseguir detectar [as novas linhagens] o mais rápido possível. Mesmo a Inglaterra, com todo o esforço de sequenciamento, não conseguiu impedir a disseminação da variante em todo o país. Penso que ela tem uma vantagem adaptativa e isso é importante de monitorar”, diz.
Governo deve reduzir papel de municípios para cortar custo do Bolsa Família

O governo federal planeja esvaziar o papel dos municípios no cadastramento de novos beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família para reduzir custos com as políticas de proteção social, revelam documentos obtidos com exclusividade pelo UOL. O Ministério da Cidadania quer priorizar o autocadastramento de beneficiários no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais) por meio de um aplicativo para celular, nos mesmos moldes do que foi feito com o auxílio emergencial. Essa deve ser, desde a criação do Bolsa Família (2003), a maior mudança no CadÚnico, que contém informações sigilosas de mais de 77 milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade social e pobreza. Em uma apresentação interna sobre o tema obtida pela reportagem, o Ministério da Cidadania lista uma série de motivos para a mudança. Entre eles, estão “reduzir custos de transferência de renda” e “mudar paradigma de programas assistenciais para programas de aumento da renda”. Não há nenhuma ponderação sobre o impacto dessas mudanças na rede de assistência social. Em conversas internas, responsáveis pelo projeto enfatizam ainda o combate a supostas fraudes nos programas sociais, apesar de o governo federal já adotar medidas rigorosas de checagem dos beneficiários. Para justificar as mudanças, usam como exemplos casos pontuais de pagamentos indevidos, como o de um gato que teria sido cadastrado como beneficiário do Bolsa Família por um entrevistador. O CadÚnico centraliza os beneficiários do Bolsa Família e mais de uma dezena de programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). A Flourish data visualization Hoje, famílias são incluídas nos programas sociais por meio dos Cras (Centros de Referência de Assistência Social) e outros equipamentos públicos para essa finalidade. Elas são entrevistadas por servidores públicos treinados na aplicação do questionário —que pede informações, como dados pessoais, de moradia, renda, etnia e possíveis vulnerabilidades da família. O público dos programas sociais sofre com problemas como analfabetismo e dificuldades de acesso à internet. Isso dificulta o acesso à política de assistência social e reduz a qualidade das informações obtidas, segundo apontam especialistas, servidores de carreira do Ministério da Cidadania e ex-gestores do Cadastro Único consultados pelo UOL. As informações também são usadas para nortear políticas públicas de diversas áreas, como habitação, saneamento, saúde e educação. Conforme o projeto do aplicativo, o beneficiário terá que responder a perguntas complexas e com vocabulário técnico. Precisará informar por exemplo “qual é a espécie de seu domicílio”, tendo como opções de resposta “particular permanente”, “particular improvisado” e “coletivo”. Esboço do aplicativo do novo CadÚnico mostra exemplo de preenchimento do questionário (Imagem: Reprodução/ Ministério da Cidadania) O aplicativo também planeja integrar serviços de pagamento digital como o PIX e um sistema de oferta de vagas de emprego, usando as redes sociais como ponte entre os beneficiários dos programas sociais e empresas e sites de recrutamento, como Catho, Vagas.com.br, Empregos.com.br, além da rede social LinkedIn. Procurado pelo UOL, o Ministério da Cidadania afirmou que só irá se manifestar sobre as mudanças quando o novo CadÚnico for lançado. Em fase avançada para a implantação, os estudos já contam inclusive com um design de como funcionará o novo aplicativo. O Plano de Transformação Digital do Ministério da Cidadania, atualizado em julho passado, prevê que o novo CadÚnico seja concluído até julho deste ano. Especialistas falam em desmonte Gestores de estados e municípios só tomaram conhecimento do projeto após questionarem representantes do Ministério da Cidadania em reunião no fim de 2020. “Fomos surpreendidos negativamente com essa chamada modernização, que de moderna não tem nada. É uma tentativa de um desmonte do maior sistema de proteção social estruturado no mundo”, disse José Crus, vice-presidente do Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social Ex-ministra de Desenvolvimento Social no governo Dilma Rousseff, a economista Tereza Campello considera as mudanças um retrocesso e destaca o fato de estarem sendo implementadas por gestores sem conhecimento técnico da área de políticas sociais. A Secretaria Nacional do Cadastro Único é comandada pela oficial de inteligência da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Nilza Emy Yamasaki, enquanto a Secretaria de Avaliação e Gestão de Informações está sob o comando do delegado da Polícia Federal Marcos Paulo Cardoso Coelho da Silva. “A tecnologia é uma questão secundária. Se puder melhorar, tem que ser feito. Mas a grande tecnologia social do CadÚnico não é um aplicativo. É a mediação por um assistente social ou técnico para entender as necessidades daquela pessoa, que muitas vezes nem sabe do que precisa”, diz Tereza Campello, ex-ministra de Desenvolvimento Social “Há uma articulação federativa do governo federal com os municípios. Existe uma rede de assistência social montada, que recebeu investimento público. São 5.570 prefeitos assumindo, e a maioria não sabe que vai ser tirado da jogada”, completa a ex-ministra. Prejuízo ao acesso a outros serviços sociais é outro impacto negativo do autocadastramento, segundo apontam especialistas. “O Cras é a porta de entrada da política de assistência social. Ao fazer o cadastro e periodicamente ir fazer a atualização, ela tem contato com um grande leque de serviços. Não é raro a gente identificar através do cadastramento uma situação de violência ou extrema pobreza”, afirma Priscila Cordeiro, integrante do Conselho Federal de Serviço Social Procurado, o Ministério da Cidadania diz que a escolha de nomes da Abin e da PF para cargos de comando na pasta é “sinal de fortalecimento da seleção”, por se tratarem de servidores públicos, e “segue critérios técnicos”. Afirma ainda que eles deixam de responder às suas instituições de origem enquanto ocupam os cargos atuais. Auxílio emergencial: falhas com impacto bilionário Apesar de o discurso oficial usar o combate a fraudes como uma das justificativas para implantar o autocadastramento de beneficiários por aplicativo, a primeira experiência nesse sentido, o pagamento do auxílio emergencial, revela que falhas de confiabilidade nos dados causaram desperdício de recursos públicos. Auditoria do Ministério da Cidadania constatou que ao menos 2,6 milhões de brasileiros receberam indevidamente o auxílio emergencial, com um impacto de ao menos R$ 1,57 bilhão nos gastos públicos, se cada uma dessas pessoas tiver recebido apenas uma parcela de R$ 600.
Cientistas afirmam que Governo Federal pode responder por mortes da covid-19

O histórico de medidas do governo federal que prejudicaram, em vez de ajudar, o combate à Covid-19 no Brasil atingiu limite que faz médicos e pesquisadores perderem a esperança na possibilidade de diálogo, afirmam cientistas consultados pelo GLOBO. Especialistas que, mesmo num cenário de desacordo, buscam ser ouvidos para políticas públicas para resposta à pandemia afirmam não ver perspectiva de melhora no combate à Covid neste governo. Em carta publicada na noite desta sexta-feira (22) na revista médica “The Lancet”, o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas, que coordena pesquisa nacional sobre prevalência da Covid-19, disse que se o Brasil tivesse tido um desempenho apenas “mediano” no combate ao vírus, mais de 150 mil vidas teriam sido salvas. “A população brasileira representa 2,7% da população mundia. Se o Brasil tivesse tido 2,7% das mortes globais de Covid-19, 56.311 pessoas teriam morrido”, escreveu o pesquisador. “Contudo, em 21 de janeiro, 212.893 pessoas já tinham morrido de Covid-19 no Brasil. Em outras palavras, 156.582 vidas foram perdidas no país por subdesempenho.” Segundo o epidemiologista, o governo federal tem um peso maior de culpa nessa avaliação. — Se essa responsabilidade é compartilhada entre governo federal, estados e municípios ou se é uma responsabilidade mais concentrada no governo federal, que é a minha opinião, isso é questão para debate, mas o número é indiscutível — disse Hallal ao GLOBO. O pesquisador, que teve verba federal para seu projeto cortado em agosto do ano passado e teve nomeação para reitor declinada por Bolsonaro, afirma estar sofrendo perseguição. Entrevista: ‘Em 2020, achei que tínhamos chegado ao limite. Mas agora não sei mais qual o limite do pior’, diz defensora pública do interior do Amazonas Outra cientista que publicou crítica contumaz ao governo federal nesta semana foi a sanitarista Deisy Ventura, da USP, que liderou um projeto para mapear todas as medidas normativas do governo, além de atos de propaganda e atos de contestação a outros entes da república que buscavam combater a Covid-19. “Os resultados afastam a persistente interpretação de que haveria incompetência e negligência da parte do governo federal na gestão da pandemia. Bem ao contrário, a sistematização de dados, ainda que incompletos em razão da falta de espaço para tantos eventos, revela o empenho e a eficiência da atuação da União em prol da ampla disseminação do vírus no território nacional, declaradamente com o objetivo de retomar a atividade econômica o mais rápido possível e a qualquer custo”, escrevem Daisy e sua coautora Rossana Reis. “O que nossa pesquisa revelou é a existência de uma estratégia institucional de propagação do vírus.” Entre medidas nocivas tomadas pelo governo federal apontadas pela pesquisadora estão aquelas que buscaram dificultar a implementação do distanciamento social, apregoar ao uso de drogas sem comprovação científica e omissões na coordenação nacional para organizar o combate à pandemia e prover recursos. Só os atos normativos contrários a recomendação de entes técnicos foram 21 compilados até agora. Entre pesquisadores que dizem ter perdido a esperança de que uma má condução da crise da Covid-19 está a sanitarista Ligia Bahia, da Fiocruz, que buscou assessorar o Ministério da Saúde no início da pandemia. Agora a pesquisadora diz já ver “crime de responsabilidade” na política presidente Jair Bolsonaro para a Covid-19. — A ideia da ruptura, num país tão sofrido quanto o nosso, causa sofrimento — disse a pesquisadora ao GLOBO. — Mas neste momento a gente não tem outra alternativa a não ser a ruptura institucional. Nós, profissionais de saúde, estamos batalhando pelo impeachment. Na opinião de membros da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) que foi excluída da formulação de políticas pública para a Covid-19 após Eduardo Pazuello assumir o cargo de ministro da Saúde a esperança de espaço para diálogo se esgotou. A entidade desde o início vem combatendo a receita de medicamentos ineficazes contra a Covid-19, como a cloroquina e a ivermectina. — Pela primeira vez na história o ministério usou uma orientação terapêutica com medicamentos que não têm nenhum tipo de sustentação científica e que não foi escrita, elaborada nem revisada por um comitê técnico assessor — afirma o infectologista José David Urbaez, que também se declara resignado em relação a esperança de diálogo com o ministério. — Não há nenhum sinal dentro da estrutura que está aí de que possa existir algum pensamento racional, ético e que promova a ciência — completa. Um subterfúgio ao qual Bolsonaro recorreu algumas vezes para se eximir da responsabilidade é a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou estados e municípios a legislarem sobre medidas de distanciamento social para combater a pandemia. A partir daí, o presidente passou a imputar aos governadores a responsabilidade pelo agravamento da pandemia, mas sanitaristas rejeitam o argumento. — O STF não proibiu o governo federal de ter uma política de testagem no país, nem de ter uma política de rastreamento de contatos. O STF não o proibiu o Brasil de ter diretrizes gerais adequadas de tratamento para Covid-19, no entanto isso não foi feito — diz Hallal. O GLOBO entrou em contato com o Ministério da Saúde nesta sexta-feira (22) questionando a pasta sobre as omissões e medidas normativas nocivas apontadas por pesquisadores no combate à pandemia de Covid-19, mas não obteve resposta até a conclusão desta reportagem.
Diretora que comandava combate à pandemia no Amazonas morre de covid em Manaus

A diretora-presidente da FSV (Fundação de Vigilância em Saúde) do Amazonas, Rosemary Costa Pinto, 61, morreu na tarde desta sexta-feira (22) em Manaus (AM), vítima de complicações da Covid-19. Ela era farmacêutica bioquímica formada pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e especialista em informação e informática em saúde pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Sanitarista e epidemiologista, foi uma das fundadoras da Fundação de Vigilância em Saúde no Amazonas, onde estava havia 25 anos, com farta experiência no enfrentamento a vários tipos de surtos. Rosemary recebeu o diagnóstico para a doença no dia 5 de janeiro, começou o tratamento em casa, mas precisou ser internada no dia 11. O quadro complicou e ela não resistiu. Ao longo da pandemia, a profissional era vista como uma “bússola” do Amazonas por causa da capacidade de interpretar os dados do coronavírus, analisar e propor medidas de enfrentamento à pandemia. “Era a palavra que nos orientava e que tinha o respeito de todos que a ouviam”, disse o governador Wilson Lima (PSC). “Incansavelmente, esteve reunida, diariamente, com a equipe de linha de frente da instituição, durante toda a pandemia, guiando, estudando e articulando medidas que apontassem o caminho a ser traçado pelo Amazonas no combate à pandemia”, afirma nota divulgada pela FSV. No final do ano passado, ela recebeu homenagens pelo trabalho. Uma delas foi a medalha da Ordem do Mérito do governo do Amazonas. O Amazonas decretou luto oficial de três dias no estado. “A mensagem, o compromisso e o respeito ficam. Na luta contra a Covid-19, Rosemary foi incansável, com uma atuação sempre pautada pela busca da melhoria da qualidade de vida da população”, diz nota divulgada pelo governo. Desde o início da pandemia, 6.889 pessoas já morreram vítimas da Covid-19 no Amazonas. Em Manaus, 89 pessoas que não resistiram à doença foram enterradas na quinta-feira (21). A região enfrenta o colapso na rede hospitalar e um caos provocado pela falta de oxigênio. A crise começou em Manaus e depois se espalhou para outras cidades do Norte do país.
63 pessoas são presas assistindo jogo em bares em Manaus

Sessenta e três pessoas foram presas pela polícia por estarem assistindo jogo do campeonato brasileiro em cinco bares que estavam funcionando clandestinamente no bairro Jorge Teixeira, na zona leste de Manaus (AM), na noite desta quinta-feira (21). As prisões ocorreram porque o grupo estava descumprindo o decreto do governo do Amazonas que proíbe a circulação e aglomeração de pessoas, entre o período das 19h e 6h até o próximo dia 31, para conter a pandemia do novo coronavírus no estado. Entre os presos, estão pelo menos cinco proprietários dos estabelecimentos comerciais. Os estabelecimentos estavam passando na televisão o jogo entre o Flamengo e o Palmeiras. A partida terminou com o placar de 2×0. O grupo foi preso em uma ação conjunta entre as polícias Civil e Militar do Amazonas. As forças de segurança receberam uma denúncia anônima informando que os cinco bares estavam funcionando com as portas fechadas para driblar a fiscalização. O delegado Torquato Mozer, titular do 30º DIP (Distrito Integrado de Polícia), informou que a polícia foi informada que em dia de jogos do campeonato brasileiro, os bares localizados na zona Leste da capital funcionavam com as portas fechadas para não chamar a atenção dos policiais. “Verificamos que hoje ocorreria outro jogo de futebol e montamos esta operação para averiguar. Após o jogo ser finalizado, realizamos a abordagem nos cinco bares e prendemos os donos e as pessoas que estavam no local, no total, 63 indivíduos”, informou o delegado. Os donos dos bares estavam comercializando bebidas alcoólicas, e nos estabelecimentos foram flagradas aglomerações. Nas imagens divulgadas pela SSP-AM a maioria dos detidos está sem usar máscara facial, item obrigatório para proteção contra o novo coronavírus. Os nomes dos bares não foram informados pela SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas) em cumprimento a lei de Abuso de Autoridade, que proíbe agentes públicos de divulgarem identificação de pessoas que ainda estão sendo investigadas. Os presos foram levados para a Delegacia-Geral, localizada no bairro Dom Pedro, zona Centro-Oeste de Manaus, onde estão sendo realizados procedimentos policiais. Eles deverão assinar o TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) por descumprimento de medida sanitária preventiva e crime de desobediência. Os crimes são passíveis de multa estipulada por um juiz. Os detidos serão liberados para responder em liberdade pelos crimes que serão indiciados pela polícia assim que os procedimentos policiais forem finalizados nesta madrugada. O UOL tentou localizar a defesa dos proprietários dos bares, pela madrugada, mas não conseguiu. Colapso O Amazonas vem enfrentando explosão de casos de infectados pelo novo coronavírus e mortes em decorrência da covid-19 desde a semana passada, quando chegou a faltar oxigênio nas unidades de saúde. Atualmente, 1.864 pessoas estão internadas em unidades da rede de saúde do Amazonas. Devido ao colapso na assistência aos doentes, 215 pacientes foram transferidos de avião para hospitais em dez estados brasileiros. Na noite de ontem, 18 pacientes com covid-19 foram transferidos em um avião da Força Aérea Brasileira, que saiu do aeroporto Ponta Pelada, na zona Sul, para Vitória (ES). Os doentes ficarão internados no Hospital Universitário de Vitória. A Hemoam (Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas) está em estado crítico no estoque de sangue B+ e O-. O tipo B+ está com 40% abaixo do mínimo, com capacidade para atender a demanda de dois dias. Já o tipo o- está com o estoque zerado. Uma campanha foi lançada para incentivar pessoas a doarem sangue. Aplicativos de viagem estão dando descontos em duas corridas para incentivar as doações de sangue. De acordo com o boletim epidemiológico, já são 241.182 pessoas infectadas pelo novo coronavírus, sendo 6.757 mortes por covid-19, sendo 67 óbitos registrados nas últimas 24h. 204.337 pessoas conseguiram se recuperar da doença.
