Família vende tudo por plano de abrir hostel, leva golpe e fica sem moradia

Uma família que tinha o sonho de morar no litoral de São Paulo perdeu tudo ao ser vítima de um golpe de falsos corretores de imóveis. Rilavia Soares, de 53 anos, e o marido, Enivaldo Braz, 50, moravam no interior paulista e decidiram vender o imóvel, o veículo e deixaram os empregos para realizar a vontade de ter uma casa perto da praia para ter espaço suficiente para construírem um hostel para turistas. Entretanto, o que era um sonho virou pesadelo. No dia da mudança, eles descobriram que o imóvel que tinham comprado em Itanhaém por R$ 55 mil já tinha dono. Ao UOL a filha do casal, Nayara Soares Pina, 24, disse que os pais estão muito abalados com o acontecido. Ela explicou que eles estavam procurando anúncios de casas para vender pela internet, em cidades da Baixada Santista. Após escolherem entre quatro imóveis, a vendedora Rilavia Soares começou a negociar com uma corretora que se identificou como Alana. A casa em Itanhaém estava anunciada em um primeiro momento por R$ 90 mil. Ao longo dos dois meses de contato direto com a corretora, Nayara Soares disse que a mulher sempre foi muito gentil e atenciosa com os pais: “Sempre mandava mensagem para minha mãe dando ‘bom dia’, ‘boa noite’. Sempre conversava sobre o imóvel, pedindo para que ela fosse logo visitar a casa. Eu tenho os áudios, tenho tudo. E não dava para perceber nada, porque tudo que perguntávamos, ela tinha resposta”, disse Nayara. “Uma vez perguntamos sobre o CRECI (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) e ela disse que não podia passar, pois não estava autorizada, então imaginamos que ela estava trabalhando como autônoma, fazendo um bico como corretora. Nunca desconfiamos de nada. Foi muito bem armado, muito bem montado para passar essa segurança de processo legal pra gente”, acrescentou. A família ficou ao longo de meses negociando o valor do imóvel. A corretora chegou a informar que o valor da casa teria baixado para R$ 75 mil, já que o proprietário estava com pressa de vender o imóvel por causa da pandemia. Visita ao imóvel Depois de negociar o valor da casa, a família viajou por cerca de 200 km para conhecer o imóvel. Ao chegarem no local encontraram a mulher que se identificou como Alana e o suposto chefe dela, Fernando. Nayara disse que os dois corretores abriram os portões da casa, mostraram toda a residência e inclusive chegaram a listar obras recentes que haviam sido feitas no local e problemas estruturais que a casa ainda tinha. “Foi uma apresentação muito bem feita. A gente viu que a porta estava com problema, parecia que havia sido arrombada. Tinha uma madeira na porta. Questionamos o motivo dela estar daquela forma e eles disseram que como o espaço é muito grande, o proprietário aluga a casa e que, em uma dessas vezes, um grupo de jovens acabou quebrando e o proprietário deixou dessa forma provisoriamente. Sabíamos que essas coisas acontecem”, disse Nayara. Depois da visita, a família ainda conseguiu uma nova negociação com a casa sendo vendida R$ 55 mil, porém, com a condição de que eles pagariam à vista via transferência bancária ao proprietário. Os corretores chegaram a alegar que por causa do baixo valor, o dono do imóvel iria tirar a comissão deles. A família chegou a dizer que para eles não se prejudicarem pagaria aos dois por fora: “Eles falaram para a gente que ficaram muito tempo com o proprietário no telefone para conseguir vender com o preço que sugerimos e que o proprietário iria tirar a comissão dela. Aí falamos que iríamos até pagar por fora pela ajuda que eles estavam nos dando”, diz Nayara. Dias depois de fechar a compra eles foram ao cartório para registrar os documentos. O proprietário foi até o local e a família conversou com o dono da casa. No local, ele teria pedido que o dinheiro fosse enviado à conta de uma suposta sobrinha já que eles estariam devendo no banco. Desaparecimento dos corretores Depois de voltarem para o interior de São Paulo, Nayara explica que eles precisavam do comprovante de residência. Ao pedirem para a corretora, a mesma bloqueou a família: “Eu desconfiei da atitude dela, fiquei em alerta. Minha mãe conseguiu falar com um outro corretor que disse que a filha da ‘Alana’ teria sofrido um acidente e ela estava no hospital, mas que poderíamos ficar tranquilos e que poderíamos tratar do caso com ele, porém ele não respondeu mais. Eu contratei uma advogada e pedi para ela olhar toda a documentação e ela me disse que estava aparentemente tudo certo e aí ficamos até um pouco mais tranquilos”, explicou Nayara. Dia da mudança Quando a família chegou ao local, a chave dada a eles não abria o portão. A filha do casal disse que chamaram um chaveiro e no momento final da mudança os vizinhos chamaram a polícia. Quando os agentes chegaram ao local, a família explicou o caso e os policiais disseram que aparentemente teriam sido vítimas de um golpe. Nayara diz que nesse momento a família desabou: “Nessa hora a gente perdeu o chão, ficamos desesperados porque percebemos que tínhamos perdido tudo, tudo que meus pais conquistaram a gente tinha perdido. A gente esperou o proprietário chegar, fomos a delegacia para registrar a ocorrência por estelionato. O proprietário queria que saíssemos no mesmo dia, só que já era de noite e estava chovendo e não tínhamos para onde ir, aí ele deu até o dia seguinte para sairmos do imóvel”, desabafa a estudante. A família agora conta com a ajuda através de uma vaquinha online para conseguir uma verba e ajudar a se reerguer. “É muita revolta, tristeza, é muito difícil porque a gente só queria reaver o que perdemos, mas sabemos que vai demorar muito para localizarem eles. Nós fomos atrás dela. Passamos o contato dela para a polícia. Estamos perdidos, meus pais perderam tudo o que eles tinham conquistado em 30 anos de trabalho. É uma sensação de insegurança

Campanha dá dicas de prevenção ao tráfico de pessoas em Roraima

Dicas de prevenção ao tráfico de pessoas e ao contrabando de imigrantes estão sendo distribuídas até esta quinta-feira (24), na capital de Roraima, Boa Vista, e em dois municípios do estado: Pacaraima, na fronteira com a Venezuela e Bonfim, que faz divisa com a Guiana. O objetivo do material é orientar os imigrantes e brasileiros a identificar esse tipo de crime e as diferentes formas de aliciamento. Desconfiar de propostas de emprego fácil e lucrativo, realizar pesquisa sobre o contratante antes de aceitar qualquer tipo de trabalho. além de informar a parentes e amigos o endereço e o telefone de contato na cidade para a qual está viajando, são algumas dicas do folheto. O imigrante também é orientado sobre sinais de que está sendo vítima de crime de tráfico ou contrabando. Denúncias sobre casos de tráfico de pessoas, contrabando de migrantes, tráfico de mulheres e outros crimes semelhantes às autoridades brasileiras, podem ser feitas pela central do  disque 100 ou pelo número 180, a ligação é gratuita. “Os folhetos apresentam, em linguagem simples, direta e em vários idiomas [português, inglês, francês, espanhol e creole, dialeto haitiano] situações de alerta, onde criminosos recorrem à ameaça, ao uso da força ou a outras formas de coerção para obter o consentimento de uma pessoa para fins de exploração”, afirma a diretora do Departamento de Migrações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Lígia Lucindo. Além da pasta, a Organização Internacional para as Migrações e a Polícia Federal, também participam da campanha informativa. As orientações fazem parte da semana em que é lembrado o Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças — 23 de setembro.

Ministro Benedito Gonçalves testa positivo para covid-19

A assessoria do STJ (Superior Tribunal de Justiça) confirma que o ministro Benedito Gonçalves testou positivo para a covid-19 e seguirá trabalhando em casa, em isolamento domiciliar. Gonçalves é o terceiro ministro do STJ com a doença. Leia mais: Nove ministros do STJ votam por manter afastamento de Witzel Benedito esteve na posse de Luiz Fux no STF (Superior Tribunal de Federal) e é o oitavo convidado contrair covid após participar da cerimônia, realizada na sede do tribunal, em Brasília, no último dia 10.

Presidente do STF, Luiz Fux é diagnosticado com covid-19

A assessoria do Supremo Tribunal Federal (STF) informou nesta segunda-feira (14) que o ministro Luiz Fux, presidente do tribunal, foi diagnosticado com a Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Fux tomou posse como novo presidente do STF no último dia 10. No discurso, que não aceitará agressões ao Supremo nem recuo no combate à corrupção. A cerimônia foi restrita, limitada a algumas autoridades e familiares do ministro. Segundo a assessoria do STF, Fux está bem e decidiu procurar atendimento médico após ter apresentado aumento da temperatura corporal (leia a íntegra da nota mais abaixo). Ainda de acordo com a assessoria, o presidente do STF seguirá os protocolos de saúde e ficará em isolamento pelos próximos 10 dias. Íntegra Leia a íntegra da nota do STF: A Assessoria de Comunicação da Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) informa que o ministro Luiz Fux testou positivo para Covid-19. O presidente buscou serviço médico no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (14) ao apresentar aumento de temperatura corporal. A suspeita é de que possa ter contraído o novo coronavírus em almoço de confraternização familiar no último sábado (12). O ministro seguirá os protocolos de saúde e ficará em isolamento pelos próximos 10 dias. O presidente Luiz Fux passa bem e pretende conduzir a sessão ordinária do Plenário nesta quarta-feira (16). Assessoria de Comunicação da Presidência

Bruno diz que não deve pedir perdão e que dorme com consciência tranquila

Condenado pela morte de Eliza Samúdio e cumprindo sentença pelo regime semiaberto, o goleiro Bruno, ex-Flamengo, afirmou que dorme com a consciência tranquila e que não precisa pedir perdão a ninguém, durante entrevista no Conexão Repórter, do SBT. Bruno foi condenado também pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e sequestro. Os crimes ocorreram em 2010, quando o jogador foi preso, acusado de envolvimento no assassinato de Eliza Samúdio, com quem teve um filho. “Não (devo pedir perdão para ninguém). Todas as pessoas que pedi perdão já me perdoaram. Durmo com a minha consciência tranquila”, afirmou Bruno. Muitos anos depois, ele considera sua condenação injusta. “Lógico que não (foi justa a condenação). Tem uma pancada de erro”, disse. Perguntado se era um anjo, ele disse: “Não, mas também não fui esse demônio”. O goleiro afirmou que não era o mandante ou responsável do assassinato de Eliza e que não volta mais para a prisão. Ele joga atualmente no Rio Branco, do Acre, que disputa a Série D do Campeonato Brasileiro. “Eu não sou o mandante”, disse ele. “Pra prisão eu não volto, nunca mais”, completou. Bruno não reconhece o filho que teve com Eliza e diz que precisa de um exame para comprovar. “Não pode falar que é meu filho se não tiver exame de DNA. Se não tem um exame, existe a dúvida. Já pedi na Justiça”, disse. O jogador se recusou a falar mais sobre a morte de Eliza e deixou a entrevista após insistência do jornalista Roberto Cabrini. “Você veio aqui para fazer a entrevista sobre recomeço, acho melhor a gente encerrar por aqui”.

Brasil não atinge meta de vacinação infantil pela primeira vez no século

Pela primeira vez em quase 20 anos, o Brasil não atingiu a meta para nenhuma das principais vacinas indicadas a crianças de até um ano, apontam dados de 2019 do Programa Nacional de Imunizações. A situação ocorre em um contexto de queda nas coberturas vacinais nos últimos cinco anos, cuja redução já chega a até 27% para alguns imunizantes. Para complicar, em meio a pandemia do novo coronavírus, equipes de saúde dizem ver atrasos na busca pela vacinação também neste ano —o que indica a possibilidade de nova queda histórica nos índices. Em geral, a meta de vacinação de bebês e crianças costuma variar entre 90% e 95%. O primeiro patamar vale para vacinas contra tuberculose e rotavírus, e o segundo para as demais. Abaixo desse valor, há forte risco de retorno de doenças eliminadas, como já ocorreu com o sarampo, ou aumento na transmissão daquelas que até então vinham sendo controladas. Em 2019, porém, nenhuma vacina atingiu a meta entre o grupo de bebês e crianças até um ano completo —em 2018, mesmo em queda, 3 das 9 principais indicadas a esse grupo atingiram o patamar ideal . Em outros momentos, o Brasil também chegou a ter até sete vacinas com cobertura dentro do ideal, com as demais próximas desse cenário. Os números de 2019, assim, trazem um novo alerta a um país reconhecido por ter um dos maiores e mais bem-sucedidos programas de imunização do mundo. O maior índice de cobertura na vacinação de rotina (91,6%) foi registrado para a vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, o que pode estar ligado ao aumento nas informações sobre a doença (em geral, os dados de campanhas específicas pra reforço são registrados à parte). Já o menor (69%) foi registrado para a pentavalente, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, entre outras, e alvo de desabastecimento em boa parte do último ano. Na prática, os dados de 2019 mostram que 8 das 9 vacinas indicadas a crianças de até um ano tiveram queda na adesão. Em alguns casos, como as vacinas contra poliomielite e tuberculose, a cobertura vacinal já chega ao menor índice em ao menos 23 anos. Em outros, como a pentavalente, a cobertura é a menor desde que houve a incorporação completa no SUS. A cada ano, secretarias de saúde costumam ter até o final de abril para registrar no sistema dados de vacinação do ano anterior. Neste ano, com a pandemia, o prazo máximo foi adiado para 31 de julho. Os primeiros sinais de uma queda na vacinação começaram a ser registrados em 2015 e se agravaram em 2017, quando apenas uma vacina atingiu a meta indicada, e as demais tiveram queda. No ano seguinte, a situação continuou grave, mas algumas vacinas tiveram leve recuperação, o que levou equipes do Ministério da Saúde a considerar a possibilidade de uma reversão na tendência. A queda, porém, se manteve em 2019, no primeiro ano da gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo os dados mais recentes. Análise feita pela Folha nos dados do PNI evidenciam parte desse impacto. De 2014 a 2019, a cobertura das principais vacinas para bebês teve queda de 7% (pneumocócica) a 27% (pentavalente). Apesar dos primeiros alertas terem ocorrido há vários anos, ainda não há uma explicação exata sobre o que leva à queda nas coberturas. Pesquisas que estavam sendo aplicadas desde o último ano tiveram que ser adiadas na pandemia. Especialistas, porém, apontam fatores como a falsa sensação de segurança, mudança no mercado de trabalho, problemas na organização da rede e até o próprio sucesso do programa, com aumento no número de vacinas ofertadas, o que exige ir mais aos postos. Outro fator que pode ter pesado, sobretudo em 2019, foram casos de desabastecimento, como houve com a pentavalente, após problemas na compra no mercado internacional, e com a BCG, aplicada em maternidades “Não é que a população não quer, é que faltou”, diz Isabella Ballalai, da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações), que aponta mais motivos para a BCG. “Alguns municípios passaram a evitar abrir um frasco [que tem dez doses] à toa para otimizar. Mas se não faz a vacinação na maternidade, a cobertura cai. E se chega no posto e ouve que é pra voltar dali a dois dias, não volta.” A situação também pode ter interferido em outras vacinas com intervalos próximos, afirma José Cássio de Moraes, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP, que cita ainda o impacto do ajuste fiscal na saúde, o aumento na informalidade e dificuldades na notificação por municípios. Apontado como fator para uma queda na vacinação também no restante do mundo, movimentos antivacina ainda são vistos como fracos no Brasil. Declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro de que ninguém é obrigado a se vacinar contra Covid-19, no entanto, têm levantado polêmica por seu potencial antivacinação. “É uma frase muito usada por movimentos antivacina. E é inadequada, porque a proteção da vacina não é só para uma pessoa, mas para a sociedade. Não precisamos ter vacinado 100% da população para eliminar a pólio”, diz Moraes. Se os dados dos últimos anos geram alerta, a situação tende a se agravar neste ano. Equipes de saúde avaliam que o temor do coronavírus pode ter levado famílias a evitar os postos. Em abril, a vacinação de rotina também chegou a ser suspensa temporariamente em alguns estados em meio à campanha contra a gripe. Na tentativa de retomar os índices, o Ministério da Saúde já prepara uma campanha de multivacinação em outubro. Para especialistas, no entanto, a adesão à vacinação deve ser estimulada já sobretudo em estados que planejam retomar as aulas nas próximas semanas. “Não dá para a criança voltar para a escola sem estar vacinada. Esses números deixam a gente vulnerável a um surto de pólio”, afirma Ballalai. “A situação é catastrófica.” Questionado pela Folha, o Ministério da Saúde diz que tem ampliado campanhas de conscientização e atribui a queda também em 2019 à redução que já vinha sendo registrada nos últimos anos. Também cita fatores, “tais como a falsa sensação de segurança causada pela diminuição ou

Aras quer encurtar duração da Lava Jato e reduzir procuradores

Após a saída do procurador Deltan Dallagnol da coordenação da Lava Jato no Paraná, o procurador-geral da República, Augusto Aras, avalia prorrogar a força-tarefa em Curitiba por um prazo mais curto e com número menor de integrantes. Deltan anunciou nesta terça-feira (1º) que deixa o grupo de investigadores. Ele continuará no MPF (Ministério Público Federal), mas em outros casos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o procurador afirmou que sai da força-tarefa por questões familiares. Segundo ele, o desligamento se deve a um problema de saúde de sua filha de um ano de idade. Aras, por sua vez, prepara nova ofensiva contra a Lava Jato. Em atuação desde 2014, a operação poderá sofrer outro revés. Uma das soluções avaliadas pelo chefe do Ministério Público Federal envolve a designação apenas de procuradores da República, opção que elimina a necessidade do aval do CSMPF (Conselho Superior do MPF), órgão máximo deliberativo na estrutura da instituição para a designação de integrantes do grupo. Na atual configuração da Lava Jato atuam procuradores da República e procuradores regionais da República, o que exige na legislação interna o referendo do Conselho Superior. Hoje há 14 investigadores —o número com uma eventual redução não foi definido. Crítico da Lava Jato, Aras já travou embates no colegiado com outros integrantes por causa de posicionamento divergente que tem sobre o trabalho dos procuradores em Curitiba. Ele tem sido pressionado por integrantes do conselho a prorrogar a força-tarefa. Também nesta terça-feira, a subprocuradora-geral da República Maria Caetana Cintra Santos, uma das integrantes do conselho superior, decidiu de forma liminar (provisória) prorrogar a Lava Jato por um ano. Caetana é relatora de um pedido de prorrogação e propôs o debate do assunto no encontro desta terça do colegiado. Como não houve tempo, ela tomou a decisão. Além de provisória, avaliam integrantes da PGR, ela não vincula Aras a segui-la. O procurador-geral ainda não se pronunciou sobre a decisão de Caetana. Desde a criação da força-tarefa, a indicação de nomes para atuar na investigação foi referendada pelo colegiado. A força-tarefa da Lava Jato no Paraná já teve a estrutura prorrogada por sete vezes. O prazo de encerramento das atividades do grupo expira no próximo dia 10. No cargo, Deltan enfrentava um processo de desgaste e se tornou alvo de ações internas no MPF, além de estar envolvido em um embate com Aras. “Depois de anos de dedicação intensa à Lava Jato, eu acredito que agora é hora de me dedicar de modo especial à minha família […]. Essa é uma decisão difícil, mas estou muito seguro de que é a decisão certa e a que eu quero tomar como pai”, afirmou Deltan em um vídeo na internet. Vaza Jato Deltan teve sua atuação na Lava Jato posta em xeque após a divulgação em 2019 de diálogos e documentos obtidos pelo The Intercept Brasil, alguns deles analisados em conjunto com a Folha. Além de ver contestada sua relação com o então juiz Sergio Moro, também enfrentou questionamentos por causa do plano de negócios de eventos e palestras que montou para lucrar com a fama e contatos obtidos durante as investigações da Lava Jato. Nos últimos meses, Deltan enfrentou o avanço de ações contra ele no Ministério Público e se envolveu em conflito com Aras sobre o sigilo dos dados sob investigação na força-tarefa em Curitiba. Ele aguardava processos que poderiam afastá-lo da Lava Jato. Nesta terça, sem citar nomes, Deltan pediu em vídeo que a sociedade continue apoiando a Lava Jato diante da fase decisiva envolvendo os trabalhos do grupo. “A operação vai continuar fazendo seu trabalho, vai continuar firme, mas decisões que estão sendo tomadas e que serão tomadas em Brasília afetarão os seus trabalhos”, disse. Ao final do vídeo, Deltan afirmou ainda que vai continuar lutando contra a corrupção “como procurador e cidadão”. “Não vou desistir, não vou deixar de sonhar com um país menos corrupto, com um país mais justo e melhor.” Repercussões Em nota, o MPF do Paraná elogiou o trabalho do colega. “Por todo esse período, enquanto coordenador dos trabalhos, Deltan desempenhou com retidão, denodo, esmero e abnegação suas funções, reunindo raras qualidades técnicas e pessoais”, diz a nota do órgão. “Parabenizo o procurador Deltan Dallagnol pela dedicação à frente da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, trabalho que alcançou resultados sem paralelo no combate à corrupção no país. Apesar de sua saída por motivos pessoais, espero que o trabalho da FT [força-tarefa] possa prosseguir”, escreveu Moro, no Twitter. O ex-procurador-geral Rodrigo Janot tratou a saída de Deltan como resultado de uma ação contra a Lava Jato. “Seguimos o caminho pouco virtuoso do crepúsculo da Operação Mãos Limpas! Lá, como aqui, o sistema contra-atacou! Resiliência tem de ser a motivação! Dias melhores virão das trevas! Fiat lux!”, afirmou, com menção à ação italiana frequentemente tida como inspiração da força-tarefa brasileira. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a decisão de Deltan e a alternância de poder no cargo. “Se a decisão foi pessoal, é melhor para que não fique polêmica em relação à saída dele”, disse. “Não é possível que, no meio de tantos procuradores, não tenham outros procuradores que têm a qualidade dele, que têm a dedicação que ele teve à frente de uma área que foi tão importante para o Brasil nos últimos anos.” No mês passado, o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu o julgamento de Deltan no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). Deltan seria julgado em processos que o acusavam de parcialidade na condução da Operação Lava Jato, além de tentativas de interferência no processo político brasileiro. Celso havia concordado com a alegação do procurador de que seu direito de defesa foi cerceado, bem como seu direito à liberdade de expressão e crítica. Semanas depois, porém, a AGU (Advocacia-Geral da União) entrou com recurso no STF para que a corte reveja a decisão. Outro processo no entanto, movido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi arquivado. O petista acusava Deltan e os procuradores Roberson Pozzobon e Júlio Noronha de abuso de poder e de expor o ex-presidente

Salário mínimo para 2021 ficará em R$ 1.067

A queda da inflação fez o governo reduzir o reajuste do salário mínimo para o próximo ano. Segundo o projeto do Orçamento de 2021, enviado hoje (31) ao Congresso, o mínimo subirá para R$ 1.067 em 2021. O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021, enviado em abril, fixava o salário mínimo em R$ 1.075 para o próximo ano. O valor, no entanto, pode ser revisto na proposta de Orçamento da União dependendo da evolução dos parâmetros econômicos. Segundo o Ministério da Economia, a queda da inflação decorrente da retração da atividade econômica impactou o reajuste do mínimo. Em abril, a pasta estimava que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) encerraria 2020 em 3,19%. No projeto do Orçamento, a estimativa foi revisada para 2,09%. A regra de reajuste do salário mínimo que estabelecia a correção do INPC do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) de dois anos antes perdeu a validade em 2019. O salário mínimo agora é corrigido apenas pelo INPC, considerando o princípio da Constituição de preservação do poder de compra do mínimo. PIB O projeto do Orçamento também reduziu as estimativas de crescimento econômico para o próximo ano na comparação com os parâmetros da LDO. A projeção de crescimento do PIB passou de 3,3% para 3,2% em 2021. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como índice oficial de inflação, caiu de 3,65% para 3,24%. Outros parâmetros foram revisados. Por causa da queda da Selic (juros básicos da economia), a proposta do Orçamento prevê que a taxa encerrará 2021 em 2,13% ao ano, contra projeção de 4,33% ao ano que constava na LDO. O dólar médio chegará a R$ 5,11 em 2021, contra estimativa de R$ 4,29 da LDO.

PM acaba com três festas em Jataí após denúncias de aglomeração

A Polícia Militar (PM) de Jataí, na região sudoeste do estado, atuou em três ocorrências envolvendo aglomeração de pessoas no último sábado (29). Segundo a corporação, foram recebidas diversas denúncias sobre festas, que causaram perturbação do sossego público. A PM dirigiu-se até os setores Aeroporto, Cidade Jardim II e Sítio Recreio Alvorada. Em todos os locais, havia um grande número de pessoas e música alta. Em uma das residências, os policiais encontraram um pé de maconha, além de porções da mesma droga e respingos de solda – produto químico também utilizado como entorpecente. Todos os eventos públicos e privados de quaisquer natureza, desde que presenciais, ou qualquer situação que enseje aglomerações e que sejam propícios à disseminação da covid-19 ainda estão proibidos no estado.

Terremotos assustam moradores de cidades da Bahia

Tremores de terra causaram pequenas avarias em imóveis e assustaram moradores na manhã deste domingo (30) em cidades do Recôncavo Baiano, Baixo-sul do estado e até em alguns bairros de Salvador. O Laboratório de Sismologia da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) registrou um tremor de 4,6 graus na escala Richter na cidade de Mutuípe a 169 km da capital. Já o Centro Sismológico da USP registrou tremores de 4,2 e 3,7 graus nas cidades de Amargosa e São Miguel das Matas, ambas no Recôncavo Baiano. “Foi um susto para todo mundo. Aqui na cidade, registramos três tremores em sequência”, afirma o prefeito de Amargosa, Júlio Pinheiro (PT), que diz que não houve registro de feridos, nem de danos físicos de maior proporção na cidade. A prefeitura recebeu relatos de imóveis que ficaram com rachaduras nas paredes. Equipes da Defesa Civil e da Guarda Municipal foram encaminhadas ao local das ocorrências para avaliar os estragos. Também houve registro de rachaduras em casas na cidade de São Miguel das Matas, que fica próximo a Amargosa. O técnico agrícola Elizeu Ribeiro, 31, que mora em um sítio na zona rural da cidade, teve uma das paredes de sua casa danificada pelo tremores. Uma rachadura de mais de dois metros se abriu na parede do imóvel, que é antigo e foi construído com tijolos de adobe. “Eu estava dormindo ainda, quando ouvi um barulho parecendo uma trovoada e senti a terra tremendo. Não sabia se corria ou permanecia na cama. Mas não demorou 40 segundos e passou”, afirma. Ele conta que foram dois tremores na região, separados por um tempo de cerca de 15 minutos. Em Aratuípe, também no Recôncavo, o tremor derrubou parte de um muro que já estava em mau estado de conservação, em uma área em torno de uma torre de telefonia. Também houve relatos de pequenos tremores em pelo menos 13 bairros de Salvador, incluindo bairros centrais como Garcia, Lapinha, Barris e bairros mais ao norte da cidade como Cajazeiras e Pituaçu. De acordo com a Defesa Civil municipal, não há registro de feridos ou danos materiais. Professor da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), o geólogo Carlos Uchôa explica que, assim como outras regiões do Nordeste, o recôncavo baiano é uma área propensa a registrar pequenos tremores de terra. “É uma região que constantemente registra sismos de baixa magnitude. A maioria é imperceptível, mas alguns podem chegar ao ponto de assustar as pessoas, como aconteceu desta vez”, afirma o professor. Os terremotos acontecem porque a região possui falhas geológicas formadas há milhões de anos. O acúmulo de energia provoca o deslocamento de blocos rochosos, fazendo com que esta energia seja liberada em pequenos terremotos. Em geral, o epicentro fica em uma profundidade baixa – desta vez, foi a 10 km da superfície. Os tremores, explica Uchôa, não tem relação com os limites de placas tectônicas, que ficam em uma superfície mais profunda. O território brasileiro fica em cima de uma única placa tectônica, a Sul-Americana. Por isso, o país não registra terremotos de grande intensidade. O circuito de segurança de um supermercado flagrou o momento em que o tremor derrubou alguns produtos das prateleiras. Assista ao vídeo: Tocador de vídeo