Delegado prende suspeitos de dar “golpe do motoboy” e alerta idosos

  Dois homens e uma mulher foram presos em Goiânia por agentes da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) suspeitos de integrar uma quadrilha que teria aplicado golpes de altas quantias em idosos. Ao apresentar detalhes das investigações nesta terça-feira (17), o delegado Cássio Arantes, adjunto da Deic, fez um alerta para que as pessoas jamais repassem dados pessoais pelo telefone. O trio, segundo o delegado, faz parte de uma quadrilha que aplica o “golpe do cartão”, que tem como semelhança com o “bença tia”, o fato da própria vitima repassar seus dados para os criminosos. “Eles pegam números de telefone aleatórios e vão ligando, quando percebem que a pessoa que atendeu é um idoso, se apresentam como sendo de algum banco, e dizem que determinado cartão dela foi clonado. Para ganhar confiança, e conseguir a senha, os bandidos pedem que o idoso quebre o cartão, e falam que alguém da agência, ou mesmo um policial civil, está indo na casa para buscá-lo, já que a suposta clonagem estaria sendo investigada. Há casos, ainda, que eles pedem que a pessoa escreva uma carta de próprio punho falando que não fez determinada compra, e coloque seus dados para que sejam anexado nas investigações”, relatou Cássio Arantes. Com os três suspeitos presos, os policiais apreenderam uma camionete de alto luxo, um Jet Ski, produtos de beleza, aparelhos de telefone celular, uísques e champanhes que custam mais de R$ 900 cada garrafa, além de 12 máquinas de cartão. Eles responderão por receptação qualificada, estelionato, e organização criminosa. O delegado disse que trabalha agora no sentido de identificar quem são os outros integrantes da quadrilha, mas deixou uma orientação que, segundo ele, se for cumprida, impedirá que criminosos, mesmo em liberdade, consigam enganar alguém. “Em hipótese alguma repasse qualquer dado bancário ou pessoal por telefone, se tiver dúvida se a pessoa que te ligou é mesmo do banco ou de determinado cartão, o que dificilmente acontece, procure seu gerente, e, se for o caso, vá na agência física”. Jet ski adquirido com dinheiro do golpe. Foto: Polícia Civil

Anápolis confirma décima morte causada pelo coronavírus

A Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis informou que, neste último sábado (13),  morreu a décima vítima de coronavírus (Covid-19) na cidade. Tratava-se de um idoso de 94 anos que estava internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Esperança. O óbito ocorreu no último sábado (13), mas apenas quarta-feira (17) foi confirmado que ele havia sido infectado pelo vírus. Nas últimas horas, o número de pessoas que testaram positivo aumentaram de 503 para 534 na cidade. Destas, 204 estão em isolamento; 12 estão internados e 308 finalizaram a quarentena. Os casos suspeitos de covid-19, que estavam acima de 900, não são mais divulgados. *Laylla Alves é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Hugo Oliveira

Abatedouro clandestino funcionava sem higiene em São Miguel

Após receberem uma denúncia anônima, agentes da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (DECON), da Vigilância Sanitária Estadual, e fiscais da Agrodefesa fecharam um abatedouro clandestino que funcionava em uma fazenda perto de São Miguel do Passa Quatro, cidade distante 87 quilômetros de Goiânia. Segundo as investigações, partes de animais que eram abatidos sem qualquer acompanhamento, e em condições precárias de higiene, estariam sendo comercializadas em estabelecimentos da cidade. Quando chegaram no abatedouro clandestino, que funcionava sem autorização, e com nenhum tipo de fiscalização em uma chácara distante cinco quilômetros de São Miguel do Passa Quatro, os agentes encontraram partes de um animal, e outro boi que havia acabado de ser morto. O caseiro foi autuado em flagrante por receptação, já que estava com uma carabina, calibre 22, que usava para abater os animais, sem registro. A suspeita é que carne e peças de queijo que eram fabricados no abatedouro clandestino estavam sendo comercializados em estabelecimentos da cidade. “Em um dos supermercados, que inclusive pertence ao dono da chácara onde funcionava os abatedouros, os fiscais da Agrodefesa encontraram, nos freezers e nas prateleiras, manchas de sangue que são indícios de que uma grande quantidade de carne que estava à venda foi retirada ás pressas do local, ou seja, alguém avisou pro dono que estávamos em operação pela região”, relatou o delegado Frederico Maciel, adjunto da DECON. Abatedouro clandestino descoberto pela fiscalização da Decon e da Agrodefesa em São Miguel do Passa Quatro (Foto: Polícia Civil) O dono do abatedouro clandestino, e o caseiro do local, foram indiciados por crime contra a relação de consumo, delito que tem pena de reclusão de seis meses, até dois anos. Por este mesmo crime, segundo o delegado, podem responder também comerciantes da região que tenham comprado carne e queijo sabendo que os mesmos foram produzidos no abatedouro clandestino.

Youtuber bolsonarista Allan dos Santos é alvo da PF nesta terça (16)

Um dia depois da prisão da extremista Sara Fernanda Giromini, mais conhecida como Sara Winter, a Polícia Federal (PF) tem como alvo o youtuber bolsonarista Allan dos Santos, nesta terça-feira (16); ele teve celular e equipamentos de gravação apreendidos. Ao todo, a corporação cumpre 21 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão, Santa Catarina e Distrito Federal (DF). As ordens também atingem o empresário Luís Felipe Belmonte, financiador do Aliança para o Brasil – partido que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), pretende criar; e o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), aliado do presidente. As apurações compõem o inquérito sobre atos antidemocráticos no Brasil e a Operação Lume, que quer descobrir a origem de recursos e a estrutura de financiamento de grupos suspeitos da prática de atos contra a Democracia. As ações foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Daniel Silveira sua conta no Twitter para se manifestar. Ele alegou que a Polícia Federal estava no apartamento dele, pelo fato de estar “incomodando algumas esferas do velho poder”. Daniel Silveira foi um dos alvos de ação da PF nesta terça-feira (16). Foto: Portal da Câmara dos Deputados. “Polícia Federal em meu apartamento. Estou de fato incomodando algumas esferas do velho poder. E cada dia estarei mais firme nessa guerra! Ah! E não nos esqueçamos nunca: #NaoMexamComWeintraub Força & Honra!”, escreveu Silveira, no Twitter. O deputado ainda se mostrou “solidário” ao blogueiro Allan Santos.

Oscar 2021 é adiado para abril por causa do coronavírus

A entrega do próximo Oscar não vai mais ser em 28 de fevereiro, mas em 25 de abril de 2021, segundo anunciado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas na última segunda (15). Por causa da pandemia de coronavírus, a data de elegibilidade dos filmes também foi estendida –poderão concorrer as obras lançadas de 1º de janeiro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021. Os indicados ao Oscar serão anunciados em 15 de março. “Nossa expectativa, ao estender esse período e a data da premiação, é permitir a flexibilidade de que cineastas precisam para finalizar e lançar seus filmes sem ser penalizados por algo que está além do controle de todos”, afirmaram em nota o presidente da Academia do Oscar, David Rubin, e a CEO da organização, Dawn Hudson. A Academia anunciou também o adiamento da abertura de seu museu, que aconteceria em dezembro e passou para abril. Ainda não se sabe se a cerimônia manterá seu formato de sempre, com uma festa num grande teatro, ou optará por alguma versão virtual, que mantenha regras de distanciamento mais rígidas. Não é a primeira mudança que o Oscar anuncia para a próxima edição. A Academia também quebrou uma regra antiga ao decidir que levará em consideração filmes lançados apenas no streaming, sem passar pelos cinemas, já que as salas passarão boa parte do ano fechadas ao redor do mundo. Na semana passada, também foi divulgado que a edição de 2022 do Oscar terá dez indicados a melhor filme, em vez da variante entre cinco e dez indicados que vigora hoje. Espera-se que sejam anunciadas mais medidas para aumentar a diversidade na premiação, seguindo os protestos massivos contra o racismo após a morte de George Floyd. É a quarta vez que o Oscar é adiado em sua história de 93 anos. O primeiro episódio foi em 1938, quando houve uma inundação em Los Angeles; depois em 1968, por causa do assassinato de Martin Luther King; e em 1981, após um atentado contra o presidente Ronald Reagan.

Promotoria abre inquérito para apurar caso de homofobia de Neymar

A associação LGBT+, por meio de seu representante Agripino Magalhães, solicitou nesta segunda-feira (15) a abertura de um inquérito policial, com caráter de urgência, para investigar as falas homofóbicas de Neymar proferidas ao seu ex-padrasto, Tiago Ramos. Em um áudio vazado nos últimos dias, Neymar chama Ramos de “viadinho” e outras ofensas homofóbicas. Já os seus amigos, que não tiveram a identidade divulgada, ofereceram ajuda caso o craque do PSG quisesse se vingar de Tiago Ramos. “Vamos matar, enfiar um cabo de vassoura no c* dele”, fala um deles. “Temos diante dos fatos elencados o crime de homofobia qualificada, com pena de 2 anos a 5 anos, vez que agora enquadra nos crimes de racismo”, diz o documento de solicitação de apuração e abertura de inquérito contra Neymar, destinado ao Ministério Público de São Paulo. Com a consultoria do advogado Ângelo Carbone, Magalhães está pedindo a prisão preventiva de Neymar e dos “parças”, cuja voz é ouvida no áudio por crime de homofobia e formação de quadrilha. A intenção é pedir uma indenização de R$ 2 milhões após a instauração do inquérito, com o objetivo de doar a uma ONG em prol a comunidade LGBTQ+. ​”Depois que entramos com a representação contra Neymar, começaram a me atacar nas redes sociais e por telefone”, contou Magalhães. “Recebo diariamente, a todo minuto, vários comentários horríveis. Eu não sabia que tinha esse tanto de pessoas com tanto ódio.” Após análise, o Ministério Público indicou que o caso fosse levado a uma delegacia e pediu medida s para garantir a integridade física de Magalhães. “Tendo em vista que o requerente está sendo ameaçado em função de investigação a que se deu a causa, há, em tese, crime de coação no curso do processo”, afirma um promotor. “Acredito que entre hoje e amanhã, o juiz tome conhecimento, analise os pedidos liminares que fiz e, inclusive, traga Neymar para o Brasil. Preso”, afirmou o advogado Carbone.

GCM apreende 170 pipas com cerol durante operação em Goiânia

A Guarda Civil Metropolitana (GCM) realizou, no fim de semana, a operação Pipa sem Cerol, nas regiões Norte e Noroeste de Goiânia.  Foram apreendidas 170 pipas com material cortante e 300 latas e carretéis. Ninguém foi apreendido. Segundo a GCM, até o dia 14 deste mês foram registradas 61 ocorrências relacionadas ao uso de cerol e outras linhas cortantes. No acumulado de janeiro a junho foram 198 registros, contra 73, em 2019. Isso representa uma variação de 171%. A região Noroeste foi a que apresentou o maior número de ocorrências, 39 no total, seguida da região Leste, com 35; Sudoeste, com 30; Oeste, com 26; Central, com 23; Norte, com 24; e Sul, com 21. A GCM reiterou que durante a operação não houve nenhuma condução às delegacias, mas que todos os abordados foram orientados sobre o perigo do uso de cerol. Vítimas Desde 2016, Goiânia não registrou nenhuma morte causada pelo uso de cerol. Apesar disso, a GCM reforça a importância da conscientização para evitar acidentes com ferimentos. Perigo O risco do uso de linhas com cerol não é apenas para os humanos, alerta a GCM. No início deste mês, duas aves ficaram feridas após serem atingidas por linha de pipa com cerol, em Goiânia. Segundo a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), uma coruja-buraqueira foi resgatada com ferimentos, e um periquitão-maracanã teve a pata amputada por causa dos cortes.  

Agredida por PM após violência doméstica: “Era pra me ouvir, não me bater”

“Se não tivesse a filmagem, eu seria só mais uma.” É assim que uma técnica em radiologia, de 22 anos, lamenta a batalha para provar que sofreu uma dupla agressão. Ao acionar a Polícia Militar após sofrer violência doméstica praticada pelo irmão, do lugar de vítima, a jovem passou para o de suspeita e acabou levando golpes de cassetete de um policial. A jovem pede para não se identificar pois teme retaliação. O caso aconteceu na noite de 21 de março, em Presidente Prudente, a 557 quilômetros de São Paulo, mas o vídeo que registra a agressão policial veio à tona apenas no início deste mês. As imagens gravadas por um circuito de segurança mostram dois PMs fora do carro. Um deles aponta o dedo para a vítima e desfere dois golpes com o cassetete. Ele ainda a pega pelo braço com rispidez e a encosta no carro da polícia. Segundo a jovem, ao atenderem a ocorrência por violência doméstica, os policiais se recusaram a registrar a queixa porque teriam visto que o irmão dela também tinha marcas pelo corpo. A equipe, então, teria dispensado o rapaz. “Tive uma briga com meu irmão e acionei os policiais. Eles chegaram e me orientaram a ir à delegacia. Nesse meio tempo, meu irmão conversou com os policiais, que acabaram dando razão a ele, alegando que eu não estava aparentemente machucada, mas ele, sim. Dispensaram o meu irmão e indaguei o motivo, já que eu era a vítima que estava procurando a prestação de serviço. O policial não gostou e sacou um cassetete”, diz a jovem. De acordo com a técnica em radiologia, os PMs não teriam gostado da ironia dela ao agradecê-los pelo mau atendimento na ocorrência. Depois da agressão, ela foi levada para a Delegacia Geral de Polícia Civil de Presidente Prudente por suposto desacato. Foi de pijama e chinelo e sem documentos e o celular. “Em nenhum momento, eu desacatei. Eles disseram que os xinguei, mas o que falei foi ‘muito obrigada pelos serviços prestados’. Isso foi considerado uma ofensa”, afirma. “Fiquei machucada na região nas nádegas, o local ficou bem roxo. Meu braço ficou doído por muitos dias. Embora eu não tenha reagido, mesmo assim usaram bastante força.” Agressão policial é o que mais pesa para a vítima Técnica em radiologia agredida por policial não quer se identificar por medo de represáliaImagem: Arquivo pessoal Na delegacia, a jovem conta que foi impedida pelo escrivão de registrar o boletim de ocorrência por violência doméstica contra o irmão e o de lesão corporal contra o policial. Eles, por outro lado, conseguiram fazer a denúncia por desacato. O servidor público de plantão teria alegado que a delegacia estaria fechada para BOs presenciais. A vítima conseguiu o registro somente no dia seguinte quando procurou a Delegacia da Mulher. “Ela foi levada dentro do porta-malas, de pijama, sem celular e só de chinelo. Antes de terminar as declarações, já tinham um boletim de ocorrência pronto como se ela estivesse confessando o desacato”, disse uma das advogadas da jovem, Camila Brito. A vítima não quis detalhar a violência doméstica para preservar os pais, mas considera que, apesar de ter sido agredida pelo irmão naquele dia, o sentimento de injustiça provocado pela ação dos policiais é o que causa maior indignação. “Quem me agrediu mais foi meu irmão, porém ser agredida por um policial foi o que pesou mais em mim. O que me deixou mais indignada foi a ação do policial, sem dúvida”, diz. “Com todos esses fatos acontecendo em um curto período de tempo, um atrás do outro, além do sentimento de injustiça que já dói muito, fiquei em choque. Não dava para acreditar no que estava acontecendo. Era para me ouvirem, e não me baterem.” Traumas pós-agressão O vídeo que mostra a agressão policial é de uma câmera da empresa que fica ao lado da casa onde a jovem mora com os pais e o irmão. Ele se tornou a principal prova contra os policiais, já que o fato não foi presenciado por testemunhas. Eram pouco mais de 23h quando tudo aconteceu. “Minha versão jamais seria considerada se não tivesse sido filmado. Continuo atrás [de justiça] porque tem essa filmagem, caso contrário já teria desistido. Agora, eu sei como é difícil buscar a justiça dentro do meio que deveria ser justo com você. Se não tivesse a filmagem, eu seria só mais uma”, diz. A técnica em radiologia revela que a dupla violência sofrida provocou traumas, como dificuldade para dormir e medo de sair às ruas pelo fato de os policiais não terem sido afastados. “Não consigo mais dormir direito. Deito às 6h e acordo duas ou três horas depois. Um dia desses, eu acordei pensando que tinha um homem no meu quarto”, conta. Policiais são denunciados por nove crimes O caso gerou uma notícia-crime da defesa da jovem contra os quatro policiais militares envolvidos na ocorrência e o escrivão que recusou o registro das denúncias da vítima. Eles são apontados pela defesa no Ministério Público pelos crimes de “prevaricação, lesão corporal, cárcere privado, abuso de autoridade, omissão de socorro, coação, falsificação de documento público e associação criminosa, porque eram quatro policiais e mais o escrivão que a atendeu”, explica a advogada Camila Brito. “Ele pressiona a vítima contra a viatura usando a força do corpo, e isso não pode ser feito por um policial homem. Deveria ser por um agente de estado do mesmo sexo. Acreditamos que também pode ser apurado o ato de importunação sexual”, diz Ana Letícia Belo, advogada que também acompanha o caso. As denúncias da jovem também são acompanhadas pelo coletivo Pela Vida das Mulheres, de Presidente Prudente. Em nota, o grupo “expressa o mais profundo repúdio e externa consternação com a postura truculenta e desproporcional dos quatro policiais militares na abordagem com a vítima de violência doméstica”. O coletivo afirma ainda que o vídeo “causa repulsa, dor, indignação”, já que a vítima sofreu violência de “quem tem o dever de proteger e zelar pelo bem-estar da sociedade”. O grupo ainda acredita que o caso

Relatoria da ONU questiona ação do governo Bolsonaro contra sociedade civil

Um relatório da ONU vai fazer um alerta sobre a decisão do governo de Jair Bolsonaro de restringir o trabalho de conselhos criados para servir de canal para a participação da sociedade civil na formulação e debate de políticas no país. A referência está presente num documento preparado pela relatora especial da ONU sobre eliminação da discriminação contra pessoas afetadas pela hanseníase, Alice Cruz. Ela realizou uma missão ao Brasil e, em duas semanas, fará recomendações ao governo diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Mas, num trecho do documento, ela tece críticas ao Decreto Presidencial nº 9759/2019. Publicado em abril de 2019, o instrumento estabelece uma mudança na existência dos conselhos colegiados, inclusive extinguindo alguns deles. Naquele momento, a ação do Planalto gerou duras críticas por parte de instituições e ativistas, além de ser interpretado como um ato de restrição da participação da sociedade civil no debate de políticas públicas. Tradicionalmente, é por meio desses órgãos que a sociedade civil pode apresentar propostas e debater com o governo ações em diferentes áreas sociais, como infância, direitos humanos, tortura e muitas outras. O debate, agora, chega à ONU, em mais um exemplo da resistência internacional contra as práticas de direitos humanos adotadas pelo governo brasileiro. Segundo a relatora, o governo “regulamenta e limita os conselhos, que são órgãos colegiados públicos federais, e restringe o exercício das liberdades fundamentais e direitos, como a participação na tomada de decisões, monitoramento e prestação de contas”. “Tais conselhos têm sido críticos para garantir os direitos civis e políticos consagrados no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, do qual o Brasil é parte, e também abriram caminho para a participação em assuntos públicos de grupos marginalizados, como pessoas afetadas pela hanseníase”, disse. “A eliminação desses mecanismos-chave reforçaria a exclusão desses indivíduos, constituindo um grande revés para seu gozo de direitos sociais, econômicos e culturais, e um retrocesso no que diz respeito à aplicação dos direitos humanos internacionais fundamentais”, afirma a relatora. Omissão Numa resposta submetida pelo governo brasileiro ainda em abril, o país esclarece que o “Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos observa que foram mantidos os conselhos criados por lei, notadamente os de seu Ministério, bem como outros órgãos colegiados, tais como o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência”. A resposta, porém, omite a batalha legal que tem ocorrido nos bastidores. O Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência, por exemplo, foi alvo de uma tentativa do governo de modificar os integrantes do órgão, o que levou o Conselho a entrar com uma ação na AGU. Em janeiro de 2020, o parecer da entidade apontou que, de fato, os mandatos dos conselheiros deveriam ser mantidos e não poderiam ser alterados. Outros conselhos com temas relacionados aos direitos humanos ainda estão funcionando graças a medidas judiciais, enquanto o governo passou a intervir diretamente na escolha de seus membros e até selecionar a presidência desses órgãos. Recomendações A relatora da ONU não deixa de destacar alguns avanços no combate à discriminação e no tratamento de pessoas afetadas pela hanseníase em governos anteriores. Mas faz alertas claros sobre a situação atual. Alguns dos centros identificados pela relatora estariam marcados pela “negligência alarmante”. “Durante as últimas décadas do século 20, o Brasil liderou a eliminação da discriminação contra as pessoas afetadas pela hanseníase e seus familiares. Fundamental para esse papel pioneiro tem sido a Constituição baseada em direitos, o alto nível de conhecimento entre os pesquisadores de saúde do país e uma organização robusta de pessoas afetadas pela doença, o que atesta sua resiliência e engajamento cívico nos assuntos públicos”, escreveu a relatora. “A estrutura normativa e institucional brasileira está qualificada para proteger, promover e cumprir os direitos das pessoas afetadas e de seus familiares. De especial relevância são as leis que combatem a linguagem discriminatória e compensam danos passados com uma medida permanente e especial baseada na reparação material”, indicou. “Não obstante a igualdade jurídica, a discriminação de fato perdura em práticas institucionalizadas e relações sociais interpessoais”, alertou a relatora. “As barreiras estruturais atuam como poderosos determinantes sociais da incidência da doença no país, acentuada pela autonomia regional e local na administração de recursos neste país quase continental e altamente diversificado”, indicou. “Mecanismos que podem garantir a prestação de contas, canais acessíveis para o tratamento de queixas às autoridades competentes, acesso efetivo à justiça e fortalecimento dos órgãos colegiados participativos já existentes são fundamentais para garantir acesso equitativo à saúde, proteção social e direitos inter-relacionados”, completou.

Caminhoneiro é multado por circular com faróis ligados para trás na BR-153

O motorista de um caminhão usado no transporte de laticínios foi multado por transitar na BR-153, em Jaraguá, com farois de milha ligados e apontados para trás. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o equipamento atrapalhava a visibilidade de condutores que seguiam no mesmo sentido da rodovia, o que poderia provocar acidentes. Aos policiais, o condutor disse que havia esquecido de desligar a iluminação. Os faróis, conforme alegou, o auxiliariam no abastecimento do tanque com leite em fazendas da região. O equipamento foi removido para que o motorista seguisse viagem. Comprometimento de visibilidade no trânsito é infração e está prevista no Código de Trânsito Brasileiro, com multa no valor de R$195,23, com cinco pontos na carteira de habilitação. O homem tem até 10 dias para providenciar a correção dos faróis e apresentar o veículo para vistoria em barreira da PRF.