Decisão estende habeas corpus a outros investigados em operação da Polícia Federal que apura lavagem de dinheiro e apostas ilegais.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou, nesta quinta-feira (23), a soltura dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do influenciador Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei.

O grupo havia sido preso no último dia 15 durante uma operação conduzida pela Polícia Federal.

A decisão ocorreu após a concessão de habeas corpus inicialmente favorável a MC Ryan SP, mas que acabou sendo estendido a outros investigados que se encontram em situação semelhante.

Os investigados são apontados como integrantes de um esquema suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de atividades ilegais, como apostas não regulamentadas, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas e uso de empresas de fachada. A investigação também cita operações com criptomoedas e envio de recursos ao exterior como parte da engrenagem financeira.

Mesmo com a decisão de soltura, a Polícia Federal solicitou, ainda nesta quinta-feira, a conversão das prisões em caráter preventivo. Segundo a corporação, a medida seria necessária diante da gravidade dos fatos apurados e do volume expressivo de recursos envolvidos.

As apurações têm origem em provas coletadas durante a Operação Narco Bet, deflagrada em outubro de 2025, que por sua vez teve desdobramentos de uma investigação anterior, conhecida como Narco Vela, iniciada em abril do mesmo ano. As ações miram estruturas voltadas à lavagem de dinheiro associada a apostas ilegais e ao tráfico internacional.

De acordo com a decisão judicial, a análise de dados armazenados em nuvem, ligados a um operador financeiro identificado como contador do grupo, revelou indícios de uma organização estruturada para captar, movimentar e reinserir recursos ilícitos no sistema econômico formal.

Investigados

Entre os investigados, MC Ryan SP, nome artístico de Ryan Santana dos Santos, é apontado como possível líder do esquema e principal beneficiário financeiro. A Polícia Federal alega que ele utilizava empresas do setor musical e de entretenimento para mesclar receitas legais com valores de origem ilícita, além de adotar estratégias para ocultação patrimonial, incluindo transferência de bens a terceiros.

Já MC Poze do Rodo, registrado como Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, aparece vinculado a empresas e operações relacionadas à circulação de recursos provenientes de rifas digitais e apostas ilegais. Uma das companhias associadas ao artista figura entre os alvos de bloqueio judicial.

A investigação também destaca o papel de influenciadores digitais e páginas de grande alcance na divulgação das atividades ilegais e na construção da imagem pública do grupo. Nesse contexto, Raphael Sousa Oliveira é citado como responsável pela estratégia de mídia da organização.

Um dos investigados chegou a ser transferido para Goiânia durante o andamento das diligências. O caso segue em apuração e pode ter novos desdobramentos conforme o avanço das investigações.

Por Arieny Alves