Protestos contra Trump levam multidão às ruas nos EUA

Milhares de pessoas saíram às ruas neste sábado (18/10) nos Estados Unidos em protestos organizados contra o presidente americano, Donald Trump, em cidades como Washington, Chicago, Miami e Los Angeles. A primeira entre as mais de 2.500 manifestações em todo o território do país aconteceu na cidade de Nova York, onde uma multidão se reuniu na região da Times Square. Muitos dos manifestantes carregavam faixas e cartazes com dizeres como “Democracy not Monarchy” (“democracia, não monarquia”), “The Constitution is not optional” (“a Constituição não é opcional”) e “No Kings” (“sem reis”). Esta última expressão é uma referência à campanha que deu nome aos eventos, organizados por uma coalizão de grupos de esquerda. Atos sob essa mesma bandeira feitos pelo movimento em junho reuniram mais de cinco milhões de pessoas em todo o país e foram, em grande parte, pacíficos. O nome faz referência à crítica que alguns americanos fazem a Donald Trump apontando que ele agiria de forma autoritária, como um rei. “O presidente acha que seu governo é absoluto”, diz a página na internet dedicada aos atos. “Mas na América não temos reis e não recuaremos diante do caos, da corrupção e da crueldade”, completa o texto. Aliados do presidente acusaram os manifestantes de estarem alinhados com o movimento de extrema esquerda Antifa e condenaram o que chamaram de “manifestação de ódio à América”. Governadores republicanos em vários Estados americanos colocaram tropas da Guarda Nacional de prontidão à espera de eventuais episódios de violência. Organizadores e manifestantes presentes nos eventos de sábado afirmaram que eles foram pacíficos.

Por que esquerda está fora do 2º turno na Bolívia pela primeira vez após duas décadas no poder

A Bolívia vai às urnas no próximo domingo (19/10) em um segundo turno presidencial que marcará o fim de uma era política na América Latina. Há quase 20 anos no poder, o esquerdista Movimento ao Socialismo (MAS) obteve uma derrota histórica nas urnas no primeiro turno, realizado em agosto, e não estará nas cédulas na disputa final pela presidência boliviana. Completamente rachado entre os grupos políticos do ex-presidente Evo Morales e do atual mandatário, Luis Arce, o partido obteve menos de 4% dos votos no primeiro turno, concorrendo com Eduardo del Castillo como nome principal. O mais bem colocado candidato à esquerda foi Andrónico Rodríguez, com 8,15%. Assim, o inédito segundo turno no país andino será entre o senador Rodrigo Paz Pereira (Partido Democrata Cristão) e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga (Aliança Livre). Considerado centrista, Paz Pereira obteve 32,08% dos votos na primeira volta, contra 26,94% de Tuto, mais alinhado à direita conservadora. A eleição, portanto, marca o fim do ciclo bem-sucedido do movimento liderado por Evo Morales, que causou transformações profundas em um dos países mais pobres da América do Sul. Na década de 2010, a Bolívia cresceu em média a 5% ao ano, impulsionada pelos ganhos com a exportação de gás natural, especialmente ao Brasil e à Argentina. Mas esses anos de bonança acabaram, e a memória deles não parece ser mais suficiente para os eleitores de 2025, que enfrentam crise econômica com pico da inflação e falta de dólares.